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Kingsglaive: Final Fantasy XV | Um pedaço sem um todo? (Crítica)

Final Fantasy XV já foi lançado, certo? Já tem muita gente jogando, vendeu mais de 5 milhões de cópias pelo mundo – o que é um excelente número – foi bem em boa parte das críticas – com apenas algumas ressalvas – porém ainda não sei se o conseguirei jogar antes de 2016 terminar. Há tentativas sendo realizadas nos bastidores do site e moedinhas também sendo coletadas para que isso possa acontecer em algum momento futuro, só me resta esperar.

Enquanto isso, resolvi assistir pela segunda vez ao longa animado Kingsglaive: Final Fantasy XV, lançado em agosto, e que complementa parte da história do game. Melhor do que me render ao You Tube para ficar assistindo gameplays do game. E já devo também em seguida dar uma conferida no animê Brotherhood Final Fantasy XV, disponível no Crunchyroll.pt.

É válido dizer que Kingsglaive foi lançado oficialmente no Brasil pela Sony Pictures. Chegou até mesmo a ser dublado em nosso idioma. Atualmente o blu-ray do longa se encontra esgotado em tudo quanto é loja online, sendo possível apenas encontrar a versão em DVD, e somente em alguns lugares online. Parece que há o risco do DVD também desaparecer em breve.

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Aliás gostei da dublagem nacional. As duas vezes em que assisti a animação nem sequer tiver a vontade de vê-lo em inglês, com as vozes de atores como Aaron Paul, Sean Bean e Lena Headey. Admito porém que tive curiosidade de ver como ficou essa animação em seu idioma original, em japonês. Como estou habituado com animês legendados, imagino que também teria gostado de ver Kingsglaive em tal idioma.

Um pedaço sem um todo

Quanto ao filme tenho que dizer que – na minha opinião – é uma animação melhor e mais empolgante do que Final Fantasy: The Spirits Within (2001) e Final Fantasy VII: Advent Children (2005). Não significa, é claro, que Kingsglaive é perfeito. E olha que até gosto de The Spirits Within, ainda que não veja praticamente nada de Final Fantasy nele.

O grande mal de Kingsglaive é exatamente o que muito da crítica internacional apontou quando o mesmo estreou nos cinemas norte-americanos: o roteiro não conversa totalmente com o formato hollywoodiano, presumindo demais que todo o público que foi conferir a obra precisa ser necessariamente um fã de videogames e de Final Fantasy. Kingsglaive não é acessível a qualquer pessoa, e esse acaba sendo um problema grave no resultado final.

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Para piorar, a impressão que tive lendo comentários por aí é que o público habituado com o universo da franquia e com videogames em geral também estranharam o formato. Queriam mais detalhes, queriam entender mais o universo proposto por Kingsglaive. Algo que a Square claramente não queria revelar tudo na época na qual o longa foi lançado, já que ainda faltava alguns meses para o lançamento do game. E é estranho sim consumir uma trama na qual parte dela precisa fazer essa ponte transmídia com outro produto. O filme é apenas uma parte de um todo.

Visualmente estonteando e divertido com pipoca!

Porém não desgostei de Kingsglaive. Como entretenimento, a animação cumpre o esperado e diverte. A parte técnica é impecável. Do nível em que você até consegue esquecer de que se trata de uma animação computadorizada e que não são atores reais ali. É um nível de realismo que as animações norte americanas não ousam fazer, sabe-se lá porque. Nas mãos da Square Enix e de todo esse universo da franquia Final Fantasy esse realismo gráfico fica incrível como animação.

Tentei também não ficar procurando pelo em ovo. Há dois reinos em guerra, existe um conflito e um artefato desejado pelo reino rival. Há heróis e vilões nesse cenário, assim como traidores e conflitos éticos e morais em ambos os lados. Conflitos estes que o longa trabalha bem superficialmente, deixando claro que é algo que o game precisa destrinchar e apresentar com mais detalhes para aqueles que decidirem conferir o game agora nesse finzinho de ano.

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Após anos de guerra, um tratado de paz é meio que imposto ao bom rei, que se vê diante de uma saia justa. O bom rei precisa se decidir: continuar fazendo seu povo sofrer com as consequências de uma guerra que pode acabar desastrosamente assim que ele morrer ou aceitar um acordo que claramente possui segundas intenções? Enquanto isso, nos bastidores, um membro da guarda de elite do rei tenta a todo custo fazer aquilo que acha certo e suas convicções vão se posto a teste enquanto ele tenta manter uma importante personagem central viva em meio as intrigas de um jogo político.

É bacana como a animação apresenta algumas das regras desse novo mundo de Final Fantasy, na qual temos um mundo urbano com cara de grande metrópoles com moderna tecnologia, enquanto a magia também é um ponto crucial, que vem direto do rei e ele compartilha com uma elite especial de guardas, além de usá-la para proteger o reino.

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Assim que comecei a animação já havia imaginado a morte de um dos grandes personagens apresentados. Afinal é isso que indicava diversos trailers de FFXV revelados ao longo de 2016. Então esperei e criei expectativa. E quando esse momento aconteceu, mesmo assim me surpreendi e me emocionei.

As cenas de ação e de batalhas presente em Kingsglaive também são de tirar o fôlego. Claro que dá para analisar sobre a ótica de que muitas destas cenas épicas acabam se alongando tanto que atrapalham as vezes o desenvolvimento da própria trama em si. Acontece, mas ainda assim não deixam se serem divertidas e diferentes do valor comum desse gênero animado nas telonas.

Voltando ao conceito de um rei que é detentor da magia do reino e da habilidade de compartilha-la com outras pessoas, isso acaba sendo parte importante da trama. Afinal a tal Kinsglaive nada mais é do que a guarda real especial que tem domínio sobre essa magia emprestada do rei. Vê-los utilizando a habilidade de teleporte atrelada a forma como entram em combate é animal. Gera alguns momentos realmente criativos em algumas cenas de ação. Gosto em particular da cena do resgate da princesa, que ocorre em paralelo a assinatura do acordo de paz entre os reinos.

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Percebeu que não estou utilizando muitos os nomes de lugares ou de personagens? Bem, isso porque é uma produção japonesa, de fantasia e da Square, ou seja, é tudo muito difícil de decorar e ficar mencionando. Acho até que ficar dando nome aos bois acabaria complicando ainda mais aqueles que não viram a animação ainda. Fora que eu simplesmente não fico me apegando aos nomes e termos, caso contrário fico totalmente perdido a trama. Tem o reino ruim, o reino bom, o rei bom, o rei ruim, o mocinho, os amigos do mocinho, os traidores, os monstros colossais e assim por diante. Muito mais fácil para meu cérebro registrar e compreender.

Dito isso, há dois nomes que preciso mencionar, que são os personagens Nyx Ulric, o soldado que é basicamente o protagonista da animação e o Regis Lucis Caelum CXIII que é o rei bonzinho e pai do Noctis (protagonista do game e que não tem qualquer papel na animação). Nyx e Regis são personagens com um peso tão grande na animação e, pelo que entendi lendo os primeiros reviews de FFXV, ambos não possuem muito tempo de exposição no game, o que meio que é uma pena.

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Nyx é um excelente personagem. Toparia totalmente jogar um game nesse mesmo universo na qual ele fosse o protagonista principal. Uma pena que o filme trabalhe muito mal com seu passado, deixando o espectador meio confuso com a tamanha lealdade que ele possui na trama e porque é o único que continua seguindo em frente. É um ótimo personagem, mas que não há tempo para se explicar muito quando se está preocupado com cenas de ação incríveis que precisam acontecer a cada 5 minutos de filme.

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Vale a pena assistir?

A ressalva que posso fazer sobre Kingsglaive: Final Fantasy XV é que ninguém deve esperar uma produção narrativa digna de ser candidato ao Oscar. Não é. A linguagem do videogame está presente em quase todo o momento da produção, e isso atrapalha um pouco a sensação de enxergar a obra com uma linguagem mais cinematográfica.

Entretanto acredito que seja uma animação interessante, especialmente àqueles que querem jogar Final Fantasy XV. Há bons momentos de ação, que parecem aquelas CGs que normalmente ficamos de pé na sala e colocamos as mãos na cabeça de exaltação, fora que há toda a estética do universo de Final Fantasy. E isso é sempre legal. Há bons personagens, ótima trilha sonora e dublagem e, para o pior ou melhor, é um completo interessante ao game. Ao menos o que tudo indica. Vale a pena dar uma olhada caso ainda não tenha feito.

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Visualmente é algo inacreditável
Trama é apenas parte de um pedaço de maior
É uma boa para quem vai jogar Final Fantasy XV
Como uma obra isolada não funciona muito bem
Nyx e Regis são personagens carismáticos
Fantásticos segmentos de ação e combate, dignos de Final Fantasy

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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