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Rise & Shine | Aponte, atire, morra, renasça e salve Gamearth! (Impressões)

Super Awesome Hyper Dimensional Mega Team. Este é o nome do pequeno estúdio localizado na Espanha que desenvolveu o simpaticíssimo Rise & Shine, disponível atualmente para Xbox One e Steam. Grave este “pequeno” nome, porque já adianto e digo que se este é apenas o primeiro projeto de console do estúdio, mal posso esperar pelos próximos!

Já cheguei a abordar sobre Rise & Shine aqui no site, nas postagens que eventualmente faço sobre futuros indie games que vale a pena ficar de olho. Para aqueles que seguem as redes sociais do site (por favor, faça isso) vários do clips publicados aqui neste review saíram há tempos nestes canais sociais do Portallos, alguns antes mesmo do lançamento, fazendo uma espécie de mini preview do game em tais canais. E eis que na semana passada finalmente terminei o game e, sendo assim, chegou a hora da avaliação final em torno do título.

https://www.facebook.com/Portallos/videos/1182185898533765/

A começar pelo visual. Que jogo absurdamente lindo. Adorei o estilo gráfico, toda a animação 2D animada, a riqueza de cenários no fundo e o quão diversificado são os ambientes ao longo de toda a campanha do game. Tal ambientação tem um diferencial enorme para com sua proposta. É minuciosamente caprichado. Eu adorei Gamearth, o planeta na qual se passa o jogo. É algo tão bem bolado que precisa voltar em novos games do estúdio futuramente.

A grande sacada é que Gamearth é cheia de pequenas referências do universo dos videogames. Bem, o jogo em si tem isso para todo lado, mas o ambiente é o grande culpado. Não quero nem falar muito, mas a imagem abaixo, com Rise, como é chamado o protagonista do jogo, chegando ao palácio real já diz muito das pequenas homenagens que estão presentes no game.

A história do game é meio simples, mas funciona até quase próximo ao seu final. Gamearth é atacada por seres espaciais denominados Nexgen, que querem a destruição e dominação planetária. O grande herói lendário de todo o planeta cai em batalha, e Rise que havia sido salvo por ele, agora se vê incumbido de proteger a maior arma de toda Gamearth: Shine, a enorme pistola com olhos que guarda alguns segredos e um enorme poder.

Em posse de Shine, Rise descobre que agora é imortal. Cada vez que ele morre, ele retorna em uma espécie de respawn, tal como um personagem de videogame. Claro que o game brinca um pouco com essa narrativa, e quebra algumas regras, como o fato de que se Shine revive para sempre seu portador, porque o herói lendário caiu? Isso não fica muito claro no game, mas nem é tão problemático quanto seu final que… bem, não vale a pena contar aqui.

Basta dizer que o fim não é tão satisfatório quando gostaria de fosse. Bate um clima de novela mexicana forte nos minutos finais. E aqui já jogo outro problema de Rise & Shine: o jogo é muito curto. Considerando que você seja muito bom jogador e não morra demais, dá tranquilamente para finalizar o game em torno de 3 à 4 horas. Não sei dizer quando tempo levei. Talvez o dobro disso, pois infelizmente o game não marca dentro do Hub do Xbox a quantidade de horas que fiquei jogando-o, tal como 99% dos outros títulos do console marcam tal dado.

Fica claro que o orçamento de Rise & Shine não foi dos maiores. E trata-se de um indie game, então é meio esperado que algo assim possa acontecer. Ao todo o game tem 13 fases, divididas mais ou menos em três atos. As vezes não são fases longas, entretanto os desenvolvedores fizeram segmentos dentro de cada fase para que o jogador morresse várias, as vezes dezenas de vezes, até passar de certo ponto. E os checkpoints são generosos, existindo um a cada confronto dentro de cada fase.

https://www.facebook.com/Portallos/videos/1208547525897602/

Mesmo sendo curto, a genialidade das mecânicas e da jogabilidade de Rise & Shine merecem elogios. O jogo funciona como um game side-scrolling de shooter, mesclando plataforma e puzzles entre os combates. Durante o combate, Rise pode até mesmo entrar em cobertura, o que para o estilo de jogo é algo bem incomum.

O segredo está nas diferentes formas de usar Shine, que pode atirar até dois tipos diferente de balas, além de entrar em um modo onde a bala é 100% controlável pelo jogador, fazendo qualquer trajeto dentro de um campo magnético para ativar determinados inimigos ou puzzles ao longo do game. Veja no vídeo abaixo.

https://www.facebook.com/Portallos/videos/1183055751780113/

Há dois tipos diferente de inimigos, humanoides espaciais e robôs. Para cada um, há um tipo de bala que causa mais dano. O jogador pode trocar livremente as balas. O cartucho de munição de Shine também aumenta ao longo do game, conforme baús escondidos são encontrados. Próximo ao final do game, uma espécie de munição granada é encontrada e acaba fazendo alguma diferença nas últimas fases e em confrontos que se não por isso, seriam bem semelhantes aos dos primeiros estágios.

Alguns destes confrontos lembram um pouco o sistema de Horda, na qual Rise se esconde em uma cobertura e precisa ir matando os inimigos conforme eles vão surgindo. E é tudo scriptado. O jogo não inventa ou gera inimigos de forma randômica. Justamente porque o jogador morre e volta muitas vezes até acertar o compasso da batalha. E não achei isso irritante, apesar de ao descrever isso aqui possa parecer.

A jogabilidade é gostosa, e as batalhas contra os grandes chefes do game são incríveis. Basicamente todo grande chefe ou sub-chefe são excelentes e desafiadores. O último chefe me deixou muito frustrado, pela quantidade de vezes em que morri até “dar a sorte” de matá-lo. Nos chefes, apesar de terem padrões de ataques, eles não repetem exatamente o que irão fazer a cada morte, então isso exige que o jogador fique esperto a cada morte.

https://www.facebook.com/Portallos/videos/1190743314344690/

Uma crítica aqui é que acabei esperando que o game fosse durar mais, então me peguei imaginando que Shine poderia ter mais tipos diferentes de munição e mais habilidades. O game acaba de uma forma que dá a sensação de que toda a proposta criada não atingiu seu pleno potencial. O que é uma pena.

Também preciso elogiar alguns dos mini games que abrem próximo ao final do game. São divertidos e possuem conquistas até meio complicadas de se fazer em alguns deles. O de fugir com a bala no ar por 35 segundos me tomou um baita tempo para conseguir realizar tal proeza. A fase de tiro em um barco voador também é excelente. Além disso, após terminado o game, é destravado um novo nível de dificuldade, ainda mais difícil. E olha que no modo normal já não é moleza.

https://www.facebook.com/Portallos/videos/1211220262296995/

Ao fim, Rise & Shine tem momentos de altos picos e momentos de baixa. O visual e a ambientação são incríveis, a jogabilidade é algo totalmente divertida e até mesmo diferente de outros games dentro do gênero. As fases são repletas de easter eggs e pequenas surpresas, além de mudarem ao longo da curta campanha. De ruim é somente o que já mencionei: o jogo acaba e você fica com vontade de mais. Não lhe deixa satisfeito totalmente. Não é um defeito tão grave para um indie game, mas ainda é um defeito.

Também vale reforçar que o game não se encontra localizado em português. Todos os textos do game, que contemplam a história e sua narrativa estão somente em inglês. E há ótimos lances dentro de história, ainda que a meu ver, o final é bem caído. Não a solução Inception encontrada por Rise, mas o desfecho de sua história e seu pai.

Vale sim muito a pena jogá-lo, entretanto acho também que se faz merecido tais alertas. Fora que é um game na qual a dificuldade não é muito amiga. O jogo quer que você morra algumas vezes. Faz parte de sua proposta. O desafio é alto. E apesar do colorido e da animação, Rise & Shine não é necessariamente um game infantil. Sangue, cabeças decepadas e humanos explodem ao longo de todo o gameplay. Para a galera mais madura, isso é sempre um ponto positivo, mas não é um game que devo recomendar aos menorzinhos.

Feito tais ressalvas, digo que realmente adorei Rise & Shine. Quero ver o que mais a Super Mega Team fará em seu futuro! E na boa? Adoraria ver uma sequência para este game, desta vez com mais fases, melhor história e novos recursos de jogabilidade. Há margem para isso.

Mais vídeos

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Mais imagens

Fantástico visual e ambientação
Ótima mecânica relacionado a jogabilidade
Easter eggs relacionados ao universo Super Mario
Campanha um tanto curta, te deixa querendo mais
Desafiador, porém pode soar frustante para alguns
Sem localização para português (nem mesmo legenda)
Excelente batalhas contra chefes e sub-chefes

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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