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Pokémon Red Green Blue – Vol. 1 | Aventuras clássicas da 1ª Geração! (Impressões)

Imaginei que no momento em que fosse indicar Pokémon Red Green Blue por aqui já teria lido as três edições que compõe essa primeira fase clássica, entretanto acabei me surpreendendo com o tempo e entretenimento que apenas o primeiro volume me causou. O suficiente para escrever algumas palavras sem entregar demais spoilers ou indiretas sobre os demais volumes.

O mais incrível é que este mangá é um verdadeiro tesouro, que finalmente está sendo publicado aqui no Brasil. Trata-se deu um título lançado no Japão em 1997. Veja só quanto tempo demorou até chegar aqui! É meio que impressionante tendo em vista que a febre Pokémon já veio e voltou ao Brasil por diversas vezes que nem sei mais contar quantas foram, e mesmo assim o mangá em si permanecia inédito ao público brasileiro.

Ignorando um pouco o fato de que a Panini abriu essa possibilidade com a publicação de Pokémon Black & White em 2014 – coleção esta que ainda preciso adquirir os três últimos volumes – certamente há um apelo muito maior pela série inicial da franquia. As primeiras aventuras de Red através da primeiro geração de Pokémons.

Geração esta que esteve (ou ainda está, dependendo de certa perspectiva) em evidência graças ao Pokémon Go, o game para plataforma mobile lançado ano passado que foi um fenômeno mundial. Tudo isso acabou tornando impossível não ter uma certa simpatia pela série e pelos primeiros Pocket Monsters – tal como são conhecidos no Japão – antes da franquia em si se tornar essa coisa megalomaníaca de centenas de pokémons, com alguns com suas escolhas de designs que nem sempre agradaram os fãs ao longo destas duas décadas.

(O mangá) Do que se trata?

Pokémon Red Green Blue realmente é o início de tudo. O mangá não presume que o leitor conheça qualquer coisa do mundo Pokémon. Lembre-se que ele foi publicado originalmente em 1997, sendo que o primeiro game de Pokémon, que dá o título do mangá, foi lançado um ano antes, em 1996, para o Game Boy da Nintendo.

O mangá narra a aventura de Red em sua jornada para se tornar um Mestre Pokémon, ainda que inicialmente nesse volume sua maior preocupação seja completar a Pokédex do Professor Carvalho antes que Blue, o neto do professor, a complete. Plot este que não se encerra nessa edição.

Antes de continuar talvez seja importante abrir um parêntese. A tradução da Panini respeita um pouco as adaptações da versão em inglês do mangá. Sabe-se lá porque, há uma troca nos nomes de dois personagens importantes dessa fase do mangá. Green no Japão é o neto do Prof. Carvalho, enquanto nos Estados Unidos ele se chama Blue, enquanto que no Japão, Blue é uma garota que vai entrar posteriormente na trama e nos Estados Unidos é ela que se chama Green. Confuso, não? Isso é só para deixar claro que não foi um erro da Panini com o nomes, mas uma escolha de localização da série.

Outro detalhe curioso diz respeito aos nomes dos Pokémons, que respeitam a versão US, já que no Japão alguns possuem nomes bem diferente pelo qual os conhecemos. Isso também significa que alguns podem estranhar certos nomes. Por exemplo: Bulbassauro no mangá é Bulbasaur. Respeita-se o nome que os fãs irão encontrar nos games da Nintendo, que vale recordar, nunca receberam uma localização para o português. Quem está acostumado com os nomes em nossa língua vai lembrar que isso é graças ao animê, com aquele garoto que nunca cresce, o Ash Ketchum, e seu Pikachu de level 99.

E falando no animê. Bem, esqueça ele. Pokémon Red Green Blue não se parece nada com a série animada que perdura há décadas na TV Japonesa e é retransmitida para o mundo todo. Red não é o Ash Ketchum, Blue não é o Garry. O time inicial de Red não são os mesmos de Ash e todo o tema do mangá segue um ritmo muito diferente do animê.

Até mesmo em alguns detalhes as mudanças podem ser grandes. Adoro, por exemplo, que no mangá as pokéballs (e não pokébolas) sejam meio translúcidas, o que significa que o treinador enxerga o pokémon dentro da mesma. Podendo até mesmo conversar com o pokémon dentro da pokéball.

Em um contexto geral o mangá segue de forma bem mais fiel as regras do universo visto no game. Pensando, claro, nas regras do game original de 1996 e não nos jogos atuais, que já apresentam muito mais complexidade e loucuras que os primeiros games não possuíam, como formas de evoluir, tipos de pokémons, lista de golpes e movimentos aprimorados. Há uma fidelidade impressionante as raízes do jogo, ainda que existam concessões para o mundo do mangá.

É um pouco chocante, por exemplo, o Bulbasaur do Red cortar um Arbok (uma cobra pokémon) ao meio em um dos capítulos finais dessa primeira edição. Em nenhum momento os personagens exclamam a morte do pokémon, mas fica claro que a cobra não vai se recuperar de tal golpe. E é justamente em um capítulo que trabalha a narrativa de um cemitério de pokémons. Para quem está habituado com a versão animada (mais açucarada) alguns desses momentos são um tanto assustadores.

Dá até para dizer que Pokémon Red Green Blue não é necessariamente um mangá infantil. Está mais para um título juvenil e para fãs (de qualquer idade) dos games.

Impressões do primeiro volume

De fato esta primeira edição tem ótimos momentos. É curioso como o roteiro de Hidenori Kusaka retrata um pouco o mundo pokémon. Há essa referência da morte dos pokémons, que em nenhum momento são chamados de animais, ainda que no universo da série não existam animais normais.

Em determinado momento Red encontra um grupo de pessoas que fundam um clube que abomina as lutas entre pokémons. E é algo que a internet sempre discutiu; essa hipótese de que pokémon é uma estranha série que aborda rinha de animais, ainda que no âmago da série obviamente não seja sobre isso. Por isso os pokémons são Pocket Monsters (monstros de bolso) e não animais de estimação.

É interessante também que neste volume os pokémons de Red pareçam mais como parceiros de aventura. Diferente do animê, na qual Ash vive lutando e batalhando com qualquer um que encontra pelo caminho em suas andanças intermináveis. Aqui Red pede ajuda a seus pokémons para qualquer tipo de tarefa, como invadir um navio (para bisbilhotar) ou vencer uma corrida de bicicleta.

Os pokémons de Red batalham, mas somente em certas hipóteses, como defesa contra pokémons selvagens, contra agentes da Equipe Rocket (que não tem nada a ver com a versão galhofa do animê) e nas batalhas de ginásio para conseguir insígnias. O mangá não vangloria as batalhas casuais contra outros pokémons à toa nesta primeira edição. O que é meio legal não banalizar as batalhas. Elas acontecem quando precisam mesmo acontecer.

Nesse meio tempo a trama trabalha sua relação de Red com seus pokémons. Adoro o fato de seu primeiro pokémon, e o mais forte de seu time ser um Poliwhirl. Afinal é um pokémon da primeira geração diferente, que não tem tanto destaque em outras mídias que trabalham com os pokémons.

Claro que logo no começo, Red acaba adquirindo um Bulbasaur com o Professor Carvalho e mais a frente ele (veja só) captura um Pikachu.  Gozado que o Pikachu de Red é todo temperamental. Inicialmente ele não o obedece de jeito nenhum e adora atacá-lo. Leva-se tempo para ele ganhar a sua confiança e mesmo depois disso o Pikachu ainda gosta de dar choque nele sempre que possível. É uma versão mais sacana do Pikachu em comparação com sua versão na TV. Os pokémons do mangá parecem transmitir um pouco mais de personalidades distintas.

Este primeiro volume também conta com a presença de dois conhecidos da série animada: Misty e Brook. Porém não que ambos tenham vindo do animê para o mangá. Na verdade ambos os personagens existem no game original, como líderes de ginásio. A personalidade de ambos aqui é um tanto diferente do animê. E não, eles não vão se juntar ao Red em sua jornada. Eles apenas surgem, cumpre um plot da trama, e saem de cena, tal como o Professor Carvalho, outro conhecido pelas aventuras do Ash.

Considerações finais

Pokémon Red Green Blue me agradou pelos pequenos detalhes. Não vou mentir. Gosto da arte, do artista aqui apenas creditado como Mato. Há um traço mais fofinho saindo do mangá que agrada a sua proposta. Isso dá charme aos pokémons, suas feições e a forma como parecem estar vivos nas páginas do mangá.

Red também convence como um jovem que está em uma aventura. Ele tem seus conflitos internos e as vezes erra. Tem seu defeitos e qualidades. É um sólido protagonista. E diferente de Ash, ele cresce e se desenvolve rapidamente ao longo já da primeira edição do mangá. E Red está capturando todos os pokémons que vê pela frente, ainda que ele não os utilize nas situações encontradas ao longo das histórias dessa edição, se limitando sempre à sua equipe formada pelo seu Poliwhirl, Bulbasaur e Pikachu.

Fora que é uma delícia a leitura do mangá. O traço é rico em expressão e detalhes. O enquadramento é um pouco meio parecido com os quadros dos quadrinhos ocidentais, com muitos balões de fala, banco de dados via Pokédex e conversas entre os personagens. O que faz a sua leitura ser mais demorada do que normalmente aparente ser.

Mesmo com o fato dos capítulos serem um pouco menores do que o normal. Tanto que só nesta primeira edição o mangá possui 14 capítulos (normalmente um mangá possui entre 9 ou 10 capítulos por volume). Cada capítulo é intitulado com um “Vs….” e o nome do pokémon em destaque de tal capítulo.

E no geral as história dessa primeira edição são ótimas. Exceto talvez a do cientista que se funde a um Ratatta. Essa história só é meio bobinha. E é a única que não gostei ao longo da primeira edição.

É uma série de apenas 3 volumes. Ainda que ela vá continuar em Pokémon Yellow. O fato é que seu arco fecha um ciclo ao final do terceiro volume. Então colecionar algo tão aguardado e esperado aqui no Brasil me parece uma grande ideia. Bacana que os três volumes já estão à venda no momento em que publico estas impressões e são facilmente encontrados em algumas lojas online, como Amazon Br (Vol.2 e Vol. 3) e Saraiva (Vol. 2 e Vol. 3).

Digo que me surpreendi com Pokémon Red Green Blue. Não achei que iria gostar tanto quanto gostei. É uma deliciosa viagem à infância dos anos 90, mas em uma trama bem mais bacana do que a versão animada na qual cresci vendo na TV. Aliás, o mangá provavelmente serviu como base e inspiração para o especial Pokémon Origin, um longa de 2013 com Red. E apesar de algumas passagens parecerem semelhantes esse especial citado e o mangá de 97 possuem suas diferenças. Ou seja, um não invalidade ou desmerece o outro.

Quem gosta de Pokémon, especialmente dos games que são a origem de tudo, precisa dar uma olhada nesse mangá. Faça essa a sua jornada de volta ao passado do mundo Pokémon!

Excelente traço, não envelhecido pelo tempo
Viagem nostálgica pela 1ª geração de pokémons
Red não é Ash Ketchum (ufa!)
Respeita muitos elementos do game de 1996
Não é um título longo, essa fase se fecha em 3 volumes
História divertida, com elementos que as vezes surpreende

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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