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88 Heroes | 88 chances de salvar o mundo em 88 minutos! (Impressões)

É sempre agradável quando um game consegue surpreender o jogador de alguma maneira incomum. 88 Heroes, desenvolvido pela galera da Bitmap Bureau lá do Reino Unido, é um desses indie games divertidos, que apresentam uma proposta maluca, de arrancar risadas do jogador durante as primeiras partidas, para depois se tornar um desafio interessante de se tentar executar.

Basicamente quase toda a estrutura do game foi criada pensando no número oitenta e oito. São 88 fases que precisam ser vencidas em um total de 88 minutos (ou é Game Over) e cada fase precisa ser finalizá-la em 88 segundos. E o grande ponto de interesse do jogo: o jogador ter 88 heróis disponíveis para vencer esse desafio.

E quando digo que são 88 heróis não pensa neles como 88 vidas, como se todos fossem iguais, pois não são. A grande sacada do título é justamente o repertório absurdo de heróis e habilidades das mais estranhas, poderosas e as vezes inúteis possíveis, sendo que no geral todo herói acaba tendo pontos positivos e pontos negativos.

Cada sala (fase) o jogador inicia com um herói diferente. Não importa se você não morreu com o seu herói na fase 1, quando começar a fase 2 será com um herói diferente e assim sucessivamente. A cada sala, um novo herói. A seleção é aleatória, sem que o jogador consiga adivinhar qual herói irá tirar em seguida.

Se acontecer de morrer em alguma fase, o que esteja certo de que vai acontecer, a sala reinicia com um novo personagem. E conforme o jogo avança, se lhe restou, por exemplo, apenas 10 dos 88 heróis, estes 10 vão se revezando até que o jogador termine as 88 fases ou o contador de 88 minutos finalize.

É possível ressuscitar alguns heróis. Há moedas espalhadas pelas fases e a cada 88 moedas recolhidas é dada a opção do jogador escolher dentre três opções randômicas de heróis mortes qual personagem quer trazer de volta dos mortes.

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Tudo isso resume bem as regras do que é 88 Heroes. As fases em si são tradicionais fases de plataformas. Pule, mate inimigos, suba em elevadores, desvie de armadilhas e espinhos e chega até a porta final do estágio. Cada fase foi planejada minuciosamente para que o jogador morra em algum momento dela, seja por uma armadilha, seja porque nem sempre o melhor herói para aquele estágio é o herói em que você está usando.

Ao todo o game tem 4 mundos (Escritório, Esgoto, Vulcão e Base Espacial). Para cada mundo, uma batalha de chefe. Na trama um alienígena chega ao nosso planeta e irá destruí-lo em 88 minutos. Cabe então a 88 heróis tentar pará-lo antes que o mesmo acione o botão do juízo final.

88 maneiras diferentes de jogar

O grande mérito do título é de fato o elenco do game. Há personagens bizarros e que funcionam de maneiras peculiares dentro das mecânicas do jogo. Há robôs, animais ninjas, personagens em 8 e 16-bits, seres estranho, personagens que podem atirar, grandes e pequenos, dos mais diferentes tipos de visual. Não dá nem para citar todos aqui. O grande barato do game é que o jogador descubra todos e entenda exatamente os pontos altos e baixos de cada personagem.

Há personagens que podem destruir o cenário, ou que voam, dando um caminho alternativo para a saída da fase. Há personagens que mal sabem atacar e aqueles que podem destruir tudo pelo caminho. Os controles são diferentes para cada personagem, o que significa que eles não são meras skins de um mesmo molde.

O fato do game os liberar de forma aleatória por fase faz com que cada gameplay seja diferente, isso porque acaba sendo difícil jogar cada fase com o mesmo personagem sempre. E por mais que você conheça uma certa fase, jogá-la com um herói na qual nunca jogou nela dá a sensação de estar jogando de forma diferente da última vez que passou pela sala.

Claro que existem os heróis que eventualmente serão os favoritos de cada jogador. Adoro o Bat-Bot, que congela o tempo quando não está se movendo. Ou o peixe Jedi (não exatamente, mas claramente uma referência) que com seu sabre destrói basicamente tudo que estiver ao seu alcance. Gosto do mordomo morcego, que cospe fogo, pula alto, fica parado no ar e ainda gruda na parede.

As vezes o jogador demora para entender um personagem e sua habilidade. Um dia antes de escrever esse texto, por exemplo, entendi que um dos heróis tem habilidade de telecinesia, permitindo que o jogador puxe para si moedas inacessíveis de grandes alturas ou espinhos, além da capacidade de pegar qualquer inimigo e jogá-lo aonde bem entender. Ou um outro que é uma espécie de alien preso em uma orbe transparente que gruda inimigos ao seu redor, como uma espécie de Katamari. Tem de tudo, por mais estranho que seja algumas habilidade e personagens, em 88 Heroes.

O jogo tem um desafio razoável. Não é fácil vencer a campanha principal dentro das regras estabelecidas. 88 minutos é um prazo apertado se o jogador ficar flauteando pelos estágios. É preciso vencer o mais rápido possível, evitando morrer (e perder heróis) em uma única sala. O contador vai continuar diminuindo cada vez que o jogador perder um herói.

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A exceção é quando resta apenas um único herói, após ter perdido todos os outros oitenta e sete. Nessa situação ao morrer com o 88º herói o game vai lhe permitir continuar tentando (continues infinitos) e assim voltando o relógio do game para o momento em que você entrou originalmente na sala, até que consiga vencê-la. O problema é que ao ter perdido os outros 87 heróis isso significa que o seu tempo para com o resto do game já foi diminuído consideravelmente, tornando ainda mais difícil conseguir bater a campanha dentro dos 88 minutos obrigatórios.

88 Heroes possui 3 modo principais. Um já explicado acima, com os 88 personagens. Um na qual o jogador pode montar um time com seus 8 melhores personagens e assim tentar vencer a campanha principal. Um excelente modo por sinal, pois com os 8 melhores o tempo em que se perde com heróis mais difíceis de serem jogados é uma vantagem em relação ao tempo limite de 88 minutos. Note que eu disse “heróis mais difíceis” e não heróis inúteis, porque eles não são inúteis, porém admito que alguns está ali apenas pela piada, como um panda em um monociclo que possui controles invertidos (esquerda é direita e direita é esquerda) ou uma pulga que é quase como um pixel na tela do game e é muito difícil de ser controlada.

O último modo é solo, na qual o jogador escolhe um único herói e deve vencer as 88 fases com esse personagem. Porém essa modo só será destravado após terminar a campanha no modo 88. Já o modo com 8 personagens favoritos é destravada após o jogador ter jogado o modo principal utilizando todos os personagens do jogo.

Não há multiplayer, o que é uma pena, pois certamente seria interessante ver dois jogadores em modo cooperativo utilizando personagens diferentes para vencer os estágios do game.

88 pontos de crítica… ?

Mentira. Não tenho 88 críticas sobre o game. Porém tenho algumas sim. A primeira diz respeito as fases do jogo. É uma pena que não exista um modo de jogo que gere fases de forma procedural e/ou um modo que apresente as fases criadas de forma aleatória.

Digo que entendo que a campanha precise de fases fixas, que não mudem sua estrutura, ordem ou formato, pois são 88 personagens com mecânicas próprias e o level design para que todas elas funcionem com qualquer um dos personagens do game é admirável.

Entretanto é uma pena que o jogo não tenha um laboratório de fases. Algo que pudesse misturá-las de forma aleatória ou que pelo menos me deixa-se escolher qual mundo iniciar um modo de game. O jogo sempre começa igual, sempre com o mundo do escritório e com os 88 personagens. Ao chegar no quarto mundo, Base Espacial, meu limite de heróis já caiu e aqueles mais fracos ficaram nos primeiros mundos, sem que eu consiga testá-los em mundos avançados.

Eu gostaria de uma liberdade para explorar mais as fases do jogo, sem a limitação linear da campanha. E não reclamaria de um modo procedural, mesmo sob o risco de que certas fases acabariam não casando com certos personagens.

Claro que sendo um título indie dá para entender que nem tudo está no orçamento, e que existem limitações para até onde os desenvolvedores conseguiriam inserir dentro do game. Só que isso não diminui essa sensação de que há alguns pontos que poderiam ser aprimorados.

Os mundos são outros que merecem alguns puxões de orelha. Quatro não é exatamente um bom número de mundo. Tudo bem que oitenta e oito mundos seria pedir demais, mas ao menos 8 mundos poderia ter rolado, apenas para se manter o número 8 dentro das premissas do game.

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Os quatro mundos são diferentes entre si, mas a fórmula geral do game se repete em basicamente todos os mundos, com uma ou outra novidade em termos de inimigos e armadilhas. E aproximadamente 21 fases para cada um desses mundos parece muita coisa. Certamente caberia nesse espaço um quinto e sexto mundo, nem que fosse um mundo aquático ou um mundo… sei lá… floresta tropical (apostando em verticalidade).

Faltou uma transição melhor entre os mundos, como a última fase do mundo Escritório terminar com uma entrada para o Mundo do Esgoto, que daria na entrada do mundo do Vulcão e assim por diante. São detalhes bobinhos, mas que trariam uns pontinhos no sentido de que pequenos detalhes as vezes também importam.

Conclusões finais

88 Heroes é um indie game divertido. Há uma certa áurea de jogo arcade, daqueles em que na década de 90 poderia estar facilmente em uma máquina de fliperama, tal qual Metal Slug era encontrado nestas máquinas. Uma ficha, 88 vidas e 88 minutos para fechar o game (mas aí precisaria de um modo cooperativo).

No que o jogo promete, entregar 88 personagens com mecânicas de jogabilidade distintas, ele cumpre. As primeiras hora com o game são hilárias. São personagens que claramente não sustentaria um jogo próprio (alguns sim) e que são divertidos justamente por estarem reunidos em um único game.

Também me agrada bastante o visual do game, com uma certa pixel art mais moderninha, porém quando um herói, inimigo ou armadilha é destruída esse personagem/objeto explode em diversos pixels. O fato do jogo inteiro se passar por um telão na qual o vilão do game está assistindo, comentando, xingando o jogador, enquanto recusa chá e mata seus subordinados por estarem entrando na frente e lhe atrapalhando é um desses detalhes que ganham pontos positivos pela criatividade dos desenvolvedores. É um game com identidade visual própria, sem dúvida alguma.

Meu único desejo é de que houvesse mais dentro de 88 Heroes. São tantos personagens, tantas mecânicas diferentes que é uma pena que não haja modos com challenges específicos. Que o game inteiro, independente do modo escolhido, rode de forma linear no quesito das fases.

Eu me diverti bastante tendo jogado 88 Heroes por aproximadamente seis horas algo das últimas semanas, porém depois disso fiquei desejando que o game me desse mais motivos para voltar. Gostaria de jogar suas fases em outra ordem. Gostaria de alguns desafios diferentes. Há 88 personagens geniais, porém o trilho do game é muito fechadinho dentro de si.

É um bom indie game, mas tem um potencial enorme para melhorar. Para quem gosta desse estilo mais arcade, de bater seu próprio tempo, de encontrar meios criativos de executar os mesmos desafios, 88 Heroes é um prato cheio.

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Número 88 dá charme a estrutura do game
88 heróis jogáveis com mecânicas próprias
Fases progressivas, faltou um modo aleatório ou procedural
Aquele game que arranca risadas na primeira experiência
Bons gráficos, visual em pixel art casa com sua proposta
Estilo arcade, a experiência pode ser um pouco curta

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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