Dando Nota!Lendo

Power Rangers Vol. 1 | Nostalgia com Ranger Verde: Ano Um (Impressões)

O encadernado Mighty Morphin Power Rangers Vol. 1 – Ranger Verde Ano Um é uma interessante viagem no tempo, em especial para aqueles que vivenciaram as aventuras originais dos Power Rangers lá no distante Anos 90, quando eles estrearam na TV aberta aqui no Brasil.

Era um pirralho na época, nem conhecia termos como Tokusatsu ou Super Sentai, mas me lembro de bem antes de conhecer os Power Rangers acompanhar outras velharias desse gênero, como Changeman e Jaspion. Curioso não me lembrar da sensação de ver estes programas quando pequeno, se me empolgava ou via os apenas por ver…

No caso de Power Ranger já curtia porque parecia ter mais sentido e coerência do que outros programas do gênero. Não que Jaspion ou Changeman não tinham continuidade, mas arrisco dizer que nem sempre a TV aberta aqui no Brasil era muito preocupada com ordem e cronologia dos episódios, algo que certamente existia quando os Power Rangers estrearam na Globo. Era fácil acompanhar e entender, especialmente depois que se tornou febre.

E agora com o retorno dos Power Rangers em uma nova adaptação para os cinemase que no momento em que escrevo esse texto ainda não tive a oportunidade de assistir –  é normal que haja uma procura maior do público por outros produtos relacionados à franquia. Dito isso a Editora Pixel não perdeu a oportunidade e lançou há pouco tempo o primeiro encadernado de uma nova série produzida e lançada nos Estados Unidos ano passado pela Boom Studios.

O mais interessante dessa nova serie é que ela está readaptando histórias clássicas da primeira série de TV dos Power Rangers, sim os personagens originais. Estou me referindo aos adolescentes Jason, Zack, Billy, Trini e Kimberly e suas aventuras na Alameda dos Anjos, com direito aos atrapalhados Bulk e Skull, com Zordon e Alpha dando os ensinamentos iniciais aos Power Rangers, enquanto estes enfrentam os monstros criados por Rita Repulsa. Bem, estes detalhes lhe trouxeram algumas recordações? Pois é!

Não estou muito certo a respeito da ordem na qual a Boom Studios começou a produzir e a publicar essa série lá fora, mas o primeiro volume lançado aqui no Brasil não é exatamente a origem dos Power Rangers, na verdade este encadernado trata dos eventos posteriores ao surgimento dos poderes do Ranger Verde, controlado pelo adolescente Tommy.

O arco aqui publicado se inicia justamente após Tommy ter retomado controle sobre si próprio, após ter surgido como um Ranger do mal criado pela Rita para derrotar os Rangers originais. Tommy acabou de se aliar a Zordon e ao grupo dos Rangers bons, criado aquele atrito de desconfiança dentro do grupo, enquanto alguns confiam nele, outros não estão tão certos assim que Tommy passou para o lado do bem.

É um arco que se assemelha bastante aos acontecimentos da série original, ainda que não tenha uma memória tão clara assim dos detalhes dos episódios televisivos com Tommy. Pesquisando vi que a HQ é fiel ao conceito do arco original na TV, ainda que fique claramente óbvio que houve uma certa adaptação do mundo ao redor para tornar a historia mais crível ao mundo moderno, mais acessível a novos leitores. Bulk & Skull por exemplo, comandam uma espécie de programa em vídeo para promover os Rangers, algo que não me recordo de existir na TV (ainda que filmes e series antigas sempre tinha aquela estação de rádio dentro da escola na qual alunos podiam ter seus programas e defender certos ideais).

Só acho uma pena que este volume lançado por aqui pela Editora Pixel não possa ser chamado exatamente de uma história de arco fechado, porque na verdade a historia não encerra todas suas pontas soltas ao final do volume. A historia avança e evolui, porém no ponto em que termina, esta bem longe de resolver toda a história e problemas que o Tommy irá enfrentar. Salvo engano, na série de TV estes eventos duram até o ponto dele simplesmente perder totalmente seus poderes e se tornar o Ranger Branco e neste volume isso ainda não está prestes a acontecer.

Afinal o encadernado é composto de quatro capítulos deste arco, mais um prólogo que resume eventos de quando o Ranger Verde ainda estava sobre o controle de Rita, e de uma história curtinha e bem humorada com Bulk e Skull com o diretor do colégio de Alameda dos Anjos que parece muito com o J.J. Jameson dos quadrinhos do Homem Aranha.

Com apenas 4 capítulos, meio que não dá tanto tempo assim para todo o conflito em torno de Tommy ser resolvido. O personagem ainda se apresenta aqui dividido, ainda com alguma influencia da Rita, inseguro sobre o seu lugar ao grupo e sobre o controle de seu poder. Esse ponto a HQ se resolve até o final do volume, mas ainda assim outros pontos surgem, enquanto o grupo de Rangers em si não estão 100% de acordo com tudo que aconteceu ao longo de suas páginas. Um decepcionante “continua” encerra o volume lançado pela Pixel, o que é meio decepcionante se for pensar que a editora lança estes volumes de forma descompromissada, sem a certeza se novos serão lançados ou até mesmo quando serão.

Porem feito essa ressalva, mesmo assim é um encadernado bem maneiro de se ler e ter na coleção, seja para matar a saudades dos Power Rangers, seja para conhecer o material. Como quadrinhos achei até que estes personagens e esse universo é bem mais crível do que a produção de uma série televisiva do gênero Super Sentai. Isso porque aquela sensação de produção e efeitos toscos não existe nos quadrinhos. É tudo muito bonito, muito crível dentro desse tipo de mídia.

A batalhas com os Zords são sensacionais, os monstros são legais e em diversos momentos a HQ mais me lembrou uma série animada, como um anime, do que o live action com atores reais em roupas estranhas em batalhas contra robôs e monstros em falsos cenários urbanos para parecerem gigantes. A arte da revista é realmente de saltar aos olhos.

Bem legal também é a introdução escrita pelo produtor executivo da série original dos Power Rangers para a TV, o Judd ‘Chip’ Lynn, na qual ele descreve como chegou a receber essa proposta de trabalho e como inicialmente tinha vergonha do que estava produzindo, até o ponto em que percebeu que estava criando algo que ficaria para história e que as pessoas de fato estava se conectando com estes personagens e Power Rangers havia se tornado algo muito maior do que qualquer um envolvido no projeto poderia imaginar. É uma história de bastidores muito bacana de se ler, na qual o produtor diz, na sua visão, porque os Power Rangers fazem sucesso até os dias de hoje. Só esse material já torna essa edição memorável.

Esta edição também contém toneladas de galeria de capas alternativas dos capítulos publicados. Parece que o sucesso dessa série lá fora foi tamanha que a Boom Studios lançou estas primeiras edições com muitas artes e capas alternativas, uma mais bonita do que a outra, e todas foram reproduzidas dentro do encadernado.

Assim… talvez você não curta a série de TV dos Power Rangers, talvez sequer conheça a série original de 1993 (apesar de que é fácil conferi-la, pois a mesma se encontra disponível completinha no catálogo da Netflix), mas mesmo que Power Rangers não seja a sua área, existe uma grande chance de se divertir lendo essa adaptação em quadrinhos. A sacada de pegar um arco importante na cronologia da série, que mexe com elementos e sentimentos mais consistentes, como confiança e traição, do que apenas publicar aventuras soltas dos Rangers lutando contra monstros aleatórios qualquer, mostra que esse universo tem seus pontos consolidados.

É uma edição que atrai um público mais nostálgico, como eu, que assistia ao show na TV em meados dos anos 90, mas que não se apega demais apenas aos fãs da série, fazendo um excelente trabalho de apresentar os Power Rangers originais a um publico mais jovem, que talvez nunca tenha visto os Power Rangers da forma como são apresentados aqui.

Trata-se de um encadernado bem legal, ainda que ao fim, faça-o ficar querendo mais história, querendo saber a continuação do arco e das aventuras em quadrinhos. Resta apenas torcer para que a Pixel eventualmente traga ao menos o segundo volume, para continuar o arco do Ranger Verde.

Para quem se interessou, talvez seja meio complicado de se achar em bancas de jornal, mas Mighty Morphin Power Rangers Vol. 1  – Ranger Verde: Ano Um pode ser encontrado com certa facilidade em livrarias e lojas especializadas, ou em lojas online como a Amazon Br. Fica a dica!

Nostalgia pura de algo que foi febre no passado
A arte, as cores e os desenhos estão incríveis
Adaptação incompleta, ainda há mais para se ver...
Trabalho gráfico da edição física está excelente
Há extras (introdução e galeria de capas)
Funciona para fãs das antigas e novos leitores

Curte do nosso conteúdo? Saiba que é possível ajudar o Portallos!
Siga-nos em nossas redes sociais: Facebook | Twitter | Instagram
(Novidade) Estamos começando, dê uma força: YouTube | Mixer
— Entre e participe do nosso Grupo de Leitores no Facebook!
Seja um apoiador no Apoia.se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!
Etiquetas
Isso também pode lhe interessar

Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
Botão Voltar ao topo
Fechar

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios