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Tacoma | Exploração espacial no futuro com temas super atuais! (Impressões)

Tacoma é um jogo que se passa no futuro, em uma estação espacial. Utilizando a fórmula de exploração não-linear em primeira pessoa – os famosos walking simulators – estamos na pele de Amy Ferrier uma trabalhadora contratada pela empresa dona da estação espacial Tacoma. O seu objetivo é recuperar os dados de Odin, a inteligência espacial que controla a Tacoma e levá-la de volta para a empresa que o contratou após um acidente na estação espacial. O jogo se passa em 2088 e a humanidade fez grandes avanços tecnológicos.

Desenvolvido pela Fullbright, estúdio localizado em Portland, fundado em 2014 e que conta na equipe com o designer veterano Steve Gaynor, mesmos profissionais que quatro anos antes lançaram o excelente Gone Home, que segue o mesmo estilo de exploração em primeira pessoa que o Tacoma.

História

Como disse, o game se passa em 2088 e o jogador controla a partir do momento em que Amy chega a estação espacial Tacoma. Amy foi contratada pela empresa Venturis, empresa dona da Tacoma. A sua missão é recuperar os dados de uma inteligência artificial chamada Odin, responsável pelo controle de toda a estação. No momento que entramos na Tacoma a estação está vazia, aconteceu algo dentro dela e durante o jogo você irá recuperar as gravações das últimas 72 horas da tripulação e assim descobrirá o que ocorreu e como a tripulação encarou essa situação.

Logo no inicio do jogo somos apresentados a tripulação: a capitã James, a médica Sareh, a engenheira Roberta, o gerente de operações Clive, o botânico Andrew e a programadora Nat. Além deles somos apresentados também a Odin. Um ponto positivo do jogo é que cada personagem tem uma personalidade totalmente diferente de outro, você consegue identificar muito bem após um curto período jogando que aquela atitude é bem a cara de certo personagem. Durante o jogo você vai bisbilhotando nos arquivos da tripulação e percebe que além das personalidades diferentes cada personagem é diferente também em sexualidade, físico e nacionalidade.

As interações entre a tripulação são vistas em formas de hologramas gravados, cada momento que você avança no jogo e descobre novas gravações avança mais na história e vai ligando os pontos do que realmente está acontecendo. Quando Amy usa a tecnologia dos hologramas para ver as cenas o jogador poderá pausar, rebobinar e até mesmo acelerar o que está vendo. As vezes uma cena começa com os seis personagens na mesma sala e depois se dividem em pequenos grupos para outras salas, é nesse momento que o jogador deve usar as funcionalidades citadas para ver cada diálogo da cena.

Outro ponto legal é que a história é cheia de dilemas éticos. A cada nova cena de conversas da tripulação encontrada você se depara com difíceis decisões que precisam ser tomadas e todos os tripulantes entram no debate com opiniões diferentes. Nessas situações o jogador começa a formar sua própria opinião e concordar ou discordar com as ações de certos tripulantes.

Além da interação com as gravações o cenário do jogo pode ser explorado livremente, desde gavetas e armários dos quartos até e-mails e mensagens que os tripulantes trocam entre si. É incrível o ambiente que a Fullbright criou. É dado a liberdade do jogador poder explorar praticamente tudo e com níveis de detalhes incríveis. Achou um pacote de chiclete? É possível ler até a embalagem e todas suas informações.

Se você não explorar muito e somente ver as gravações irá conseguir entender a história perfeitamente, porém quanto mais explorar e descobrir sobre os tripulantes e este universo mais você irá ficar satisfeito com os acontecimentos finais do jogo.

Um ponto negativo é que o jogo é BASTANTE linear, só tem um caminho e certos lugares só são abertos após passar por certos diálogos, o jogador praticamente não tem liberdade nenhuma pra decidir o caminho que vai seguir. A rota é somente uma e você deve obedece-la. Isso as vezes é frustrante, pois você acha um caminho legal e ai simplesmente é travado pois a porta possui uma senha que você só vai descobrir se voltar e seguir o caminho que o jogo te obriga.

E o final? (Spoilers)

A partir deste momento o texto contém spoilers do final do jogo. Siga por sua conta e risco, ok? Enquanto estamos controlando Amy descobrimos que o sistema de ar da estação se chocou com um asteroide e a estação iria ficar sem oxigênio dentro de 72 horas. A partir deste ponto os tripulantes tentam fazer de tudo para corrigir o problema. Conforme você avança vai descobrindo que a Ventirus é uma mega corporação que tenta terceirizar ao máximo o serviço para diminuir seus custos. Pagando sempre o menor valor possível dentro da lei para seus trabalhadores dentro das estações. Conforme o jogador vai lendo as noticias dentro do jogo pode encontrar informações importantes sobre a regulamentação do trabalho dos funcionários nestas estações.

Faltando pouco tempo para o oxigênio da estação acabar e a tripulação não conseguindo corrigir o problema, a capitã decide tomar a ação e colocar todos para dormir na criogênia, na tentativa de salvá-los. Porém antes disso acontecer Odin resolve se manifestar e levar a capitã para dentro do cérebro da estação, onde está todos as ordens e diretivas de Odin.

Lá dentro a capitã descobre que nunca ocorreu acidente e que a ordem de cortar o oxigênio veio da própria Venturis, que iria usar o acidente da Tacoma para tentar alterar as leis trabalhistas em vantagem própria, sem considerar os trabalhadores. Com a capitã descobrindo o plano da Venturis a tripulação foge numa nave clandestina. Já Amy, recupera todos os dados até a o cérebro de Odin e recebe o objetivo de voltar para a nave e deixar Tacoma. Porém para nossa surpresa ao entrar na nave e alçar voo, Amy se revela participante de um grupo ativista que luta pelo fim da escravidão das inteligências artificiais. Sendo assim o objetivo dela nunca foi recuperar os dados para a Venturis e sim recuperar e levar para um lugar a salvo Odin, a inteligência artificial que salvou a tripulação da Tacoma.

— Fim dos Spoilers —

Vale a pena?

Vou ser sincero: a história do jogo é muito legal e atual, porém pra mim demorou a pegar no tranco e quando finalmente começou a ficar interessante, acabou. O jogo é bem curto, se o jogador não explorar nada e somente ver as cenas gravadas, consegue fechar o jogo em duas horas. Caso seja um explorador e descobrir todos os detalhes deve levar no máximo cinco horas. Eu acabei fechando o jogo em quase três horas e apesar de gostar desse estilo de jogo e gostar de ficção espacial, eu não fiquei satisfeito ao ver os créditos finais.

Nesse estilo de jogo a história tem que ser MUITO boa e no final já em minha cabeça uma ideia sobre o desdobramento que fecha o game, por conta de algumas coisas que explorei, portanto o fator surpresa e essa reviravolta final pra mim não aconteceu, o que estragou um pouco minha experiência.

Mesmo assim eu recomendo o jogo, por acreditar que outras pessoas podem ter expectativas diferentes e explorar de formas diferentes ao ponto que o final seja realmente surpreendente e grato. Não aconteceu pra mim, porém explorar a Tacoma e ver as histórias dos personagens já foi algo divertido. Além disso o tema é SUPER atual e a discussão é muito válida. Se você gosta deste estilo de jogo e gosta deste tema espacial, jogue Tacoma sem medo.

História bacana e super atual
Curto, pode ser finalizado em 2 horas aprox.
Possibilidade explorar TUDO que existe dentro da nave
Vários dilemas éticos e dificeis decisões pra tomar
Totalmente linear, não existe liberdade pelos caminhos da trama

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