Dando Nota!Jogando

Playerunknown’s Battlegrounds | Passos iniciais para PUBG no Xbox One! (Impressões)

Fenômeno global na indústria dos games em 2017. Essa é uma boa forma de classificar Playerunknown’s Battlegrounds (ou apenas PUBG), o que explica o motivo pelo qual muitos aguardavam sua chegada ao Xbox One, o que veio a acontecer mês passado através do programa Game Preview da plataforma.

Em paralelo a este acontecimento, PUBG também passou por importantes mudanças no Steam, pois deixou o status de “jogo em acesso antecipado” para ser “jogo completo” ao atingir sua versão 1.0. Claro que isso não significa que o game não vá mais continuar sendo refinado e ganhando mais conteúdo no PC. Os desenvolvedores já garantiram que isso continuará ocorrendo.

É importante frisar esse evento porque a versão de PUBG no Xbox One não é a mesma versão que se encontra atualizada no PC. Ou seja, o jogo está em estágios diferentes em cada uma das plataformas – a versão atual de Playerunknown’s Battlegrounds  no Steam é claramente recheada com mais conteúdo e melhor experiência de jogo como um todo. E isso torna ruim a versão de Xbox One?

Versões diferentes, estágios de desenvolvimento diferentes

Um bom exemplo destes momentos distintos de PUBG entre plataformas é o novo mapa no deserto, chamado Miramar, que está disponível apenas no PC neste momento. Mas fique tranquilo, o estúdio já comentou que a previsão é de que tal mapa esteja disponível ainda no começo de 2018 no Xbox One.

E não é apenas no sentido de ausência de mapa que a versão de PUBG no Xbox é inferior. A atual versão (no momento em que escrevo este texto) é a de número 0.5.26, o que significa que é apenas meio caminho andado até a versão 1.0 do Steam. É uma versão que ainda carece de bastante refinamento em relação à experiência que PUBG talvez ofereça no PC, o que não necessariamente é um problema já que eventualmente patchs de atualizações resolverão isso. Mas é preciso ter um pouco de paciência e compreensão com a atual versão para Xbox One. Uma boa dica é acompanhar o link do fórum oficial com as notificações destes patchs no Xbox.

O maior choque de contraste desse cenário entre versões talvez ocorra no lobby central do game, antes da ação em si começar. Texturas mal carregadas, engasgos devido a enorme quantidade de jogadores concentrados em um espaço pequeno podem assustar jogadores de primeira viagem, porém depois que essa etapa passa e os jogadores podem saltar na ilha de Erangel a experiência como um todo tente a melhorar bastante.

Estando em campo de batalha, PUBG no Xbox One roda relativamente bem. Há sim problemas de texturas que demoram a serem carregadas, especialmente dentro de casa, onde a mobília chega a ser a última coisa que o game carrega, o que é um pouco bizarro e desconfortante. Porém, mecanicamente tudo funciona.

Desconexões e dificuldades para encontrar partidas não estão sendo um problema. Em todas as partidas que joguei para escrever estas impressões apenas em um único caso fui desconectado, entretanto o game permitiu que eu voltasse à mesma partida logo em seguida ao erro. Além disso, no geral PUBG tem feito um sucesso bem grande no Xbox One, na qual as partidas estão sempre fechando com 100 jogadores em todas as vezes que o testei, mesmo em diferentes horários do dia. A comunidade abraçou o título na nova plataforma, mesmo em uma versão inferior.

Talvez a minha maior crítica a experiência de PUBG no Xbox One seja realmente na parte dos menus dentro das particas. A PUBG Corp. tem trabalhado em conjunto com a The Coalition (estúdio atual responsável por Gears of War 4) no sentido de criar uma melhor experiência e performance de controles para Playerunknown’s Battlegrounds no joystick do Xbox One.

Na parte prática – andar, atirar, coletar e interagir com itens, trocar entre primeira e terceira pessoa, dirigir veículos – parece que está funcionando, entretanto quando se trata da experiência de gerenciar seus itens na tela do menu é que a coisa se complica bastante. No PC essa tela é gerenciada usando mouse, clicando e arrastando itens de um local para o outro, mas no Xbox One é bem ruim (e burocrático) usar o analógico e diversos botões para “pegar”, “usar” ou “equipar” itens. Fora que não é nem um pouco intuitivo (o fato de ter uma legenda constante no canto inferior da tela explicando o que cada botão faz já meio que deixa isso bem óbvio). Essa é claramente uma interface que precisa ser mais bem adaptada ao uso de controles de videogames.

Tirando isso, todo o restante da experiência de jogabilidade foi dentro do esperado. O personagem já tem uma boa movimentação, como se agachar, correr e pular obstáculos, ainda que este último comando ainda me pareça meio “duro” em relação ao que já existe em outros jogos na atual geração. Usar armas de fogo também é okey, sendo que os maiores elogios certamente vão para a parte dos efeitos sonoros do que a sensação do tiro em si, entretanto isso também é algo que patchs estão corrigindo, como o mais recente que adicionou melhorias no coice da arma ao usá-la. No geral achei mais intuitivo atirar usando a tela em primeira pessoa, enquanto em terceira pessoa funciona melhor para explorar.

Um sucesso que faz sentido

Acabei pulando aquela etapa onde deveria explicar sobre do que se trata Playerunknown’s Battlegrounds, não é mesmo? Ainda que seja difícil de acreditar que existam muitos jogadores que não saibam muito bem qual a proposta de um dos títulos mais jogados em multiplayer online do ano de 2017, talvez seja válido falar um pouco a respeito disso.

PUBG é um game de arena entre 100 jogadores onde todos estão contra todos. Vence aquele que permanecer vivo entre todos os outros cem jogadores. Trata-se de um game 100% multiplayer online, sem campanha ou experiência single player.

E um dos grandes méritos do título se dá ao fato de que não há níveis de progressão de personagens, na qual veteranos poderiam ser beneficiar disso em detrimento daqueles que estão chegando agora. A ideia é que 100 jogadores saltam de um avião, em diferentes pontos de um mapa, nesse caso a ilha de Erangel, sem qualquer tipo de equipamento e precisam procurar armas e itens de sobrevivência para permanecerem vivos a uma espécie de campo de força que vai obrigando e encurralando os jogadores sobreviventes. É um modo de competição que tem sido chamado de Battle Royale.

A ideia de que todos os jogadores saltam sem qualquer arma em um campo de batalha é interessante no sentido de que em teoria todo mundo tem chances iguais nestes primeiros minutos do jogo, cabendo a cada um ter a sorte de achar rapidamente algo e de não dar de cara com outro jogador que já tenha encontrado algo que possa lhe matar.

Normalmente armas e equipamentos só são encontrados em casas e pequenas cabanas que estão espalhadas por toda a ilha, e a própria ilha tem pontos diferentes no sentido de possuir áreas mais urbanas, pequenas vilas, fábricas e casas isoladas. Dentro de cada imóvel há sempre itens, que são espalhados no mapa de forma aleatória, podendo ser roupas que melhoram o escudo do jogador (como capacetes para proteger a cabeça), kits de primeiros socorros, porretes para combates a curta distância, granadas, armas de fogo, acessórios que podem ser equipado nas armas (como silenciadores e melhores miras), mochilas para carregar mais itens etc. Nada disso é transferível de uma partida para outra. Todo mundo sempre começa as partidas sem nada em seus bolsos, apenas a roupa básica do corpo em si (ou você pode saltar de cueca, você quem sabe).

Após todo mundo descer na ilha e passado os primeiros minutos, o jogo irá indicar uma área central no mapa na qual todos os jogadores devem estar dentro. Passado esse tempo, um campo de força elétrico ao redor desse cerco começa a eliminar aqueles que não estão dentro da área indicada. E essa zona vai diminuindo de tempos em tempos até obrigar os poucos jogadores que ficaram vivos a se confrontarem para apenas um permanecer vivo. Ah! Isso é importante: essa zona de segurança é criada de forma aleatória, então nunca é o mesmo ponto entre as partidas.

Basicamente estas são as regras de PUBG. É uma proposta interessante, que não dá glória ao jogador que matou 50 adversários em uma partida, mas aquele que soube sobreviver até o fim, mesmo que não tenha matado ninguém (você pode ganhar apenas fugindo, podendo o penúltimo jogador morrer estando fora do campo de força). Isso dá certa perspectiva aqueles jogadores que não são muito bons em jogos de tiro.

Sem mencionar que há todo um elemento de tensão, pois ao contrário de jogos de tiros convencionais, que apostam nos jogadores que são bons de tiro, que mais matam e pontuam e em mapas pequenos e jogabilidade mais frenética, PUBG inverte todas estas regras, deixando todos os jogadores, novatos ou veteranos, tensos em um sistema onde cada um precisa caçar o melhor equipamento e se manter correndo em um cenário onde nunca se sabe ao certo de onde virá o ataque inimigo. O início é tenso porque o jogador precisa cumprir dois objetivos, encontrar equipamentos e se manter dentro de uma área de segurança, enquanto que no fim da partida a tensão aumenta por ter que encarar os melhores jogadores da partida se quiser ser o número um.

É um jogo que equilibra bem as chances de novatos e veteranos. Dá espaço para todos sobreviverem, desde aqueles que preferem fugir a aqueles que não têm medo do combate direto. Você não precisa ganhar uma partida como aquele que mais matou e isso por si só já é um grande incentivo àqueles que não se dão bem em jogos de tiro.

Considerações de momento

“Acessível a todo tipo de jogador”. Este parece ser o segredo para o sucesso de PUBG. O game parece entender e equilibrar suas regras para que todo mundo se divirta, à sua maneira, dentro das partidas do jogo.

Agora, quanto à questão de chances iguais para todos por iniciarem sem nenhum equipamento, isso pode ou não funcionar. Na verdade mesmo que o jogo se esforce para que veteranos e novatos se equiparem, quando mais alguém jogar PUBG, melhor eventualmente irá se tornar. Conhecer a ilha parece ser uma boa decisão estratégia para vencê-la. Entender onde pode estar os melhores locais para encontrar equipamentos, saber traçar rotas e bons locais para ficar escondido enquanto espera por outros jogadores. Os equipamentos podem mudar a cada partida, mas a ilha é sempre a mesma, a topografia não muda (ou eu não percebi, mas mesmo que mudassem pontos de referência ainda são pontos de referência, como pequenas cidades e fábricas).

Experimentar cada uma das armas e conhecer melhor os equipamentos também ajuda bastante. Ainda que nada disso vá lhe ajudar ao ser pego de surpresa de alguém que você não ouviu chegando. Alias “ouvir” é um dos grandes pontos de mérito de PUBG.

O som é um elemento tão importante do game que é quase que um requisito obrigatório jogar Playerunknown’s Battlegrounds com fones de ouvido. Isso porque o jogo segue de forma bem realista um apurado sistema de som localizado. Você conseguir ouvir tiros a grandes distâncias e identificar qual a direção veio o som. Passos também são ouvidos se o jogador se mantiver imóvel e atento a passadas de outros jogadores próximos. Ouvir é imprescindível para se dar bem nas partidas. Também é um elemento importante para dar aquela sensação de tensão que mencionei mais acima. Ouvir um jogador, mas não vê-lo é sempre alarmante.

Ao fim, digo que entendo todo o sucesso de PUBG na atual geração. É diferente de tudo que existia até então, onde multiplayers de tiro online normalmente colocam times de seis ou oito jogadores para competirem entre si. São 100 jogadores, em uma área ridiculamente grande, onde mesmo que o jogador morra nas longas partidas, que podem durar até 30 minutos, se você sobreviver por alguns minutos já vai se sentir satisfeito por não ter sido o primeiro a cair fora. Ah e detalhe, se morrer não é preciso esperar a partida acabar. Volte ao lobby e entre imediatamente em uma nova partida.

Particularmente ainda prefiro algo mais frenético e partidas menores e com sistema de progressão, como encontradas em jogos como Gears of War, Destiny ou Call of Duty. Mas isso porque estou habituado com esse gênero e não me sinto intimado ou frustrado por encontrar jogadores muito melhores do que eu nestes jogos online. Mas não significa que desgostei de PUBG. Achei divertido e interessante, um título que certamente vale a pena ter na biblioteca digital de um console ou PC, para dias em que se quer algo mais calmo, com um tempo maior para longas partidas. Há valor em sua proposta e nesse momento, em sua versão para Xbox One, vale bastante a pena ficar de olho em seus próximos patchs, que devem trazer aprimoramentos e melhorias na experiência como um todo do jogo.

Não consigo dizer que Playerunknown’s Battlegrounds é o meu melhor game do ano de 2017, mas certamente é aquele que parece ser para muitos jogadores. É aquele título que conseguiu pensar além da bolha de um gênero que há muito pedia por algo diferente, tanto para atrair novos jogadores, quanto para dar uma experiência diferente a quem se cansou de tantos multiplayers de tiro online idênticos que dominam a atual geração.

Curte do nosso conteúdo? Saiba que é possível ajudar o Portallos!
Siga-nos em nossas redes sociais: Facebook | Twitter | Instagram
(Novidade) Estamos começando, dê uma força: YouTube | Mixer
— Entre e participe do nosso Grupo de Leitores no Facebook!
Seja um apoiador no Apoia.se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!
Etiquetas
Isso também pode lhe interessar

Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
Botão Voltar ao topo
Fechar

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios