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Albert & Otto: The Adventure Begins | Apenas um pontapé inicial! (Impressões)

Tenho um apreço por games como Limbo, Typoman, Inside etc. Onde há esse aspecto visual quase sempre monocromático, em uma atmosfera meio minimalista, mas que ainda conta com certa riqueza nos detalhes. Então logo fiquei interessado por Albert & Otto: The Adventure Begins quando descobri que o título estaria chegando aos consoles da atual geração neste mês de janeiro.

Originalmente Albert & Otto foi lançado apenas no PC em 2015, desenvolvido pela K Bros Games, um pequeno estúdio fundado em 2014 por dois irmãos situado em Nova York. Desde então outros títulos pequenos também foram lançados pelo estúdio para PC, mas Albert & Otto é um de seus primeiros projetos e talvez um dos mais instigantes.

Tanto que originalmente o game deveria ser um projeto episódico. The Adventure Begins é o primeiro capítulo do que seria uma série com quatro episódios. O tempo passou e o segundo capítulo até o momento não foi lançado. Albert & Otto chega aos consoles justamente na tentativa de ampliar seu público e quem sabe aumentar as chances de que um dia a série possa continuar sendo desenvolvida e assim novos episódios sejam lançados.

Por que é importante saber disso? Porque Albert & Otto: The Adventure Begins é, de certa forma, um game incompleto. Ele tem uma proposta, mas o que o jogador vai encontrar aqui é somente o que o subtítulo sugere: um começo. A história não chega exatamente a algum lugar e sequer explica direito o que está acontecendo nesse universo do game.

A proposta é que Albert é esse garoto vivendo na Alemanha em 1939 e se vê em uma situação em que precisa ir atrás de uma garota (e não fica muito claro se ela seria sua irmã ou apenas uma amiguinha) e encontra o pequeno coelho de pelúcia dela, chamado Otto, que carrega consigo inexplicáveis habilidades especiais. Assim, em posso de Otto, o mesmo auxiliará Albert em sua jornada.

Parece um plot bem interessante. Este início deixa claro que Otto é algo especial, talvez sobrenatural. Até a garota tem seus mistérios, sendo mantida presa em um lugar estranho com outras crianças, que as vezes usam máscaras de gás, mas talvez seu cativeiro esteja em movimento, pois ao longo do caminho Albert vai encontrando pequenos postais deixados pela garota que conta o que está acontecendo com ela.

Em posse de Otto, Albert passa a ter um pulo duplo, além de poder levitar objetos e interagir com máquinas e dispositivos elétricos. É possível deixar o coelho em um local e ativá-lo remotamente, ligando máquinas e plataformas à distância, porém ao fazer isso o jogador perde a mobilidade do pulo duplo. Legal, não?

Porém, como estava dizendo, o game não chega a ter um final que conclua as perguntas que o jogo levanta ao longo da pequena campanha, deixando claro que os desenvolvedores objetivaram mesmo continuar contando essa história. Só que até hoje não conseguiram.

Isso acaba sendo como uma faca de dois gumes. De um lado você tem um game que precisa mais uma vez do apoio e suporte dos jogadores, justamente por se tratar um indie game feito por um estúdio realmente pequeno e independente. Porém, é preciso deixar bem claro que aqueles que forem jogar Albert & Otto irão encontrar uma obra parcial e que sua sequência pode ou não vir a acontecer.

Máquinas na floresta

Deixando de lado essa questão de até aonde vai à história do game, e se focando mais no gameplay e suas mecânicas, o que o jogador encontrará é um jogo simples, porém que funciona em sua proposta.

Não há puzzles tão complexos quanto aos que me recordo de existirem em Limbo. De fato boa parte deles são simples e até óbvios, deixando o desafio em grande parte do tempo para o próprio tempo de resposta do jogador em pulos precisos, especialmente naqueles em que se faz necessário deixar Otto escorregando em uma plataforma e pegá-lo no ar do outro lado para aí acionar o pulo duplo e não morrer na queda.

Gostei de encontrar algumas batalhas de chefes, em particular um envolvendo um robô gigante (que não é muito fácil de entender porque ele estaria inserido no contexto da trama, mas é um robô gigante em um videogame, então faz sentido) e outro envolvendo uma serpente mecânica (novamente, parece existir porque é legal e ponto).

Interessante também a ideia de alguns puzzles envolvendo ovelhas e animais selvagens na floresta, como um enorme lobo e piranhas. É curioso como o jogo te obrigar a sacrificar as pobres ovelhas para avançar por tais empecilhos. A lei da floresta e do predador mais forte, certo? Só me decepcionei no sentido de que esperava que o lobo tivesse uma participação maior no decorrer da aventura. Gostaria de um segmento de perseguição com ele, deixando aquele desespero de correr para sobreviver,e infelizmente não há algo assim.

Toda a ambientação deste primeiro episódio de Albert & Otto ocorre numa floresta, mas é uma floresta realmente grande, tomada por áreas com cavernas e também por grandes máquinas, que muitas vezes parecem apenas servir para bloquear a passagem, como se fosse realmente proibido avançar por sua mata. O que está escondido nestas matas?

Não há inimigos ou qualquer presença humana, deixando o jogador à mercê apenas de alguns animais selvagens já mencionados e corvos que precisam ser abatidos com uma incomum arma que o garoto parece ter acoplada em seu braço. Fora isso, o jogador morre pulando em buracos ou caindo na água, já que a arma de Albert parece pesar bastante e isso o leva direto para baixo d’água.

Sendo um game de aventura em plataforma side scrolling, Albert & Otto não tem caminhos secundários ou alternativos. É seguir avançando tela após tela até chegar ao fim. Descobrindo novas habilidades que vão resolver os próximos desafios e coletando os postais deixados pela garota, além de coletar fragmentos de um mosaico que vai sendo montado no menu de pausa do game.

Consideração finais

Ter sido criado para funcionar de forma episódico ou não ter puzzles de arrancar os cabelos não são pontos tão ruins pra mim. Sabe o que mais me chateou? O fato do game ser muito curto. E quando digo isso não estou exagerando: o terminei em uma hora e quinze minutos. Muito pouco, mesmo para um indie game.

Não foi tempo o suficiente para me deixar satisfeito com o game. Senti que ele acabou quando estava ficando justamente bom. Após adquirir habilidades elétricas e seguir todo um segmento onde Albert desce um rio em cima de uma caixa abrindo plataformas e obstáculos a sua frente, estava realmente começando a ficar empolgado para onde o game estava me levando. E aí, depois de uma batalha final, o jogo acaba com um gancho para o que o levaria ao segundo capítulo. Puxa vida!

E sendo justo – okey – é um indie game que está custando 10 reais no Steam no momento em que publico estas impressões. Não está fora do que se espera desse tipo de indie game. Talvez nos consoles ele realmente custe mais do que deveria aqui no mercado nacional, graças a conversão do preço em dólar, saindo por 23 reais na Microsoft Store e 37 na PlayStation Store (29 reais para assinantes da PS Plus). Para um jogo tão curtinho, ainda que divertido, essa questão do preço acaba impactando o jogador, que pode se irritar não porque o jogo acaba rápido, mas porque existe de fato essa sensação de que não valeu o preço cobrado.

Se tivesse que recomendar, diria que a versão no Steam é o suficiente para agradar aqueles que ficaram interessados e decidirem que vale o apoio ao estúdio, que precisa realmente de mais audiência para conseguir uma sequência. Quem é do console e quiser dar esse suporte certamente estará fazendo algo bom para os desenvolvedores. Porém para quem não esbanja, porque não tem para tal, o melhor é esperar uma promoção nos consoles.

Ao fim, não acho que Albert & Otto: The Adventure Begins é um indie game que mereça ser ignorado. Ele tem uma proposta interessante e mecânicas que mostram um potencial que merece ser melhor explorado em novos episódios. Ser ou não ser como Limbo não é a grande questão hoje em dia.  O que importa é divertir e entreter, fazer o jogador ficar imerso na ideia do game. E isso certamente ele consegue fazer.

Inspirado em Limbo, mas um pouco mais simples
Habilidades dadas por Otto dão fluidez aos controles
Puzzles e ameaças são fáceis, falta mais dificuldade
Curtíssimo, pode ser fechado em 1 hora
Momentos contra chefes são legais
Precisa de apoio da comunidade para novos episódios

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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