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Análise | Candle: The Power of the Flame

Disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC

Candle: The Power of the Flame é um game do estilo ação, aventura e plataforma, com visual 2D. Foi lançado originalmente no PC ao final de 2016, mas ganhou uma nova versão para os atuais consoles (PlayStation 4, Nintendo Switch e Xbox One) em julho de 2018. Desenvolvido pela Teku Studios e publicado pela Merge Games. A versão utilizada para este review foi a do Xbox One.

Para deixar a leitura da análise mais dinâmica vou me referir ao jogo apenas como Candle, combinado?

Candle é um típico jogo onde o importante é sua história, a forma de sua narrativa e seus gráficos que remetem aos livros infantis, totalmente pintados à mão em aquarela. É um choque para quem está acostumado aos games mais insanos de hoje em dia, mas nem de longe achei isso ruim.

As partes não jogáveis da aventura são narradas com maestria por uma voz muito bem escolhida que é boa de se ouvir e vai explicar muita coisa (o áudio é todo em inglês, mas contamos aqui com legendas em português). Caso você se lembre da sua infância (e espero que se lembre) ouvir a história aqui é como quando seus pais lhe contavam uma história na hora de dormir. O jogo é como uma fábula.

O jogo se inicia falando da criação do mundo pelos Deuses e a fúria dos mesmos em destruir suas criações e seres que dali surgia. Até darem mais uma chance à vida. O jogador está nesse ponto, onde a civilização recebeu uma nova chance. A sua missão é controlar o jovem Teku e o auxiliar na sua viagem pelo mundo em busca do xamã de sua tribo que foi sequestrado pelos malignos Wakchas. Estes são a tribo rival, maligna, que destruiram grande parte da vila onde a tribo de Teku vivia.

O fogo parece ser um símbolo de bastante importância dentro do game. O fogo pode destruir a vida, mas também desperta a evolução da civilização. Ao jogador essa habilidade, de entender e controlar o fogo será um grande elemento em sua jogabilidade.

Jogabilidade e mecânicas

Ao longo desta jornada teremos várias situações onde deveremos descobrir a saída da área ou superar enigmas e quebra cabeças pelo cenário, que são bem inteligentes e com gatilhos bem pouco óbvios à primeira vista. Candle tem uma inspiração em jogos de point & click, onde o jogador deve interagir e recolher objetos pelos cenários e entender posteriormente onde usá-los.

Além disso, temos as ações que realizamos para outros habitantes deste mundo, como achar moedas especiais para o barqueiro, ajudar uma menina a encontrar cogumelos especiais ou até mesmo resgatando um filhote de macaco que havia se perdido da mãe. Todos estes ao receberem o que lhe pediram vão disponibilizar ações ou itens necessários para ir em frente. Então se acostume a ir e voltar nas áreas do game, a cada volta ou ida novas funcionalidades podem ser apresentadas. Candle não apresenta uma progressão linear. Revisitar áreas faz parte da experiência.

Por não existir combates diretos contra inimigos, e o jogador estar constantemente morrendo com as armadilhas do cenário, diante do perigo resta ao jogador descobrir formas de enganar criaturas e os Wakchas (os inimigos) para seguir em frente, seja empurrando eles em armadilhas (a única atitude de ataque de Teku), ou desviando deles por meio de saltos e escaladas. Caso você seja visto por algum deles… bem… eles irão atrás de você rapidamente escapar é quase sempre impossível.

A habilidade especial de Teku é pode queimar um dos dedos de sua mão em forma de vela, o que se torna vital para ativar diversos mecanismos que dependem de fogo. Esse elemento também pode ser utilizado para revelar partes ocultas do cenário (ao se fazer um clarão) e para afastar animais hostis (muitos têm medo de fogo). Mas claro que há uma pegadinha aqui: o fogo não é eterno e constantemente vai ser apagado por interações com o cenário (se passar na água, por exemplo) ou até mesmo por você, como jogador. É preciso apagar a chama em seu dedo para não ser visto e chamar a atenção dos terríveis Wakchas. Passado o perigo, fique tranquilo, é possível voltar a acendê-lo ao achar fontes de chamas.

Considerações finais

Uma coisa que poderia ser simples, mas achei que acabou se complicando um pouco foram os controles do jogo. Estes não são tão simples como seria o esperado. A movimentação de Teku é bem lenta, e bem truncada. Por vários momentos acaba sendo imprevisível ter total controle sobre o personagem. Infelizmente é normal ter a sensação de que a resposta do apertar do botão não é imediata e isso resultar em mortes, quedas bobas e sem sentido. Especialmente quando há poucos segundos atrás você fez a mesma coisa, mas com resultados diferentes.

A interação com algumas partes do cenário também nem sempre são claras. Onde você pode subir, onde deve interagir? No caso de objetos que podem ser coletados é fácil porque o jogo lhe dá um indicador, ou quando há uma óbvia interações de cenário, como uma escada. Entretanto as vezes só mesmo na experimentação para entender o que fazer ou para aonde ir. E para ser justo, a observação é um elemento de mecânica do game, onde o cenário (pinturas e indicações) oferecem pistas para a solução de alguns puzzles. Há algumas bem inteligentes, entretanto a sensação de estar perdido e não saber o que fazer a seguir por incomodar alguns jogadores.

Fico na dúvida se elogio o sistema de save do jogo, afinal aqui não há salvamento automático. Os checkpoints no caso de certas mortes não são penosos, fazendo-o retornar ao ponto exato antes da morte, mas o jogo em si só salva em certos pontos específicos. Houve um momento em que um me bug  em um local onde claramente não poderia estar e somente recarregando o save foi possível sair dessa situação. Nesse caso o checkpoint não foi tão generoso como gostaria que fosse.

Vale à pena jogar Candle: The Power of the Flame? Depende de você. Sim, o jogo tem toda uma fábula interessante e instigante que nos é contada de forma especial. Inicialmente há uma vontade de viver essa experiência, de querer ajudar Teku a salvar seu amigo xamã, e assim consequentemente salvar sua tribo e sua vila. É fácil se animar pelo bonito visual gráfico do jogo.

Entretanto dificilmente acho que um jogador ficará instigado em jogá-lo novamente. O que é até razoável ao se pensar de que trata-se de um quase point & click, em quê a surpresa está na primeira vez em que os puzzles são solucionados. Não há claros momentos de ação ativa. Combates ou grandes desafios de plataforma. O valor de replay acaba sendo muito baixo. O que vale aqui é exatamente a primeira jornada, a experiência de adentrar dentro da fantasia a ser contada, explorar e solucionar seus mistérios. Será sua única aventura com Teku… pelo menos por enquanto.

Galeria

Dando uma nota

Visuais e detalhes gráficos realmente são de impressionar - 9
Fábula e fantasia em uma boa história com um ótimo narrador - 9
Enigmas são bem engenhosos, requer observação e atenção - 8.5
Há momentos que a falta de objetividade pode frustar os menos pacientes - 6.5
Controles não são precisos quanto talvez devessem ser - 6
Funciona bem dentro do conceito de um point & click, e está em português - 7.9
Valor de replay é baixo, talvez você não queira jogar uma segunda vez - 7

7.7

Bom Puzzle

Candle: The Power of the Flame apresenta fantásticos gráficos pintados a mão e uma narrativa que nos remete a nossa infância. Se a jogabilidade fosse um pouso mais fluida seria um clássico. Bom para aqueles que apreciam puzzles e enigmas.

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Paulo Roberto L. S.

Gamer desde o antigo Master System 3. Leitor de HQs (Marvel/DC) e de Mangás, como atividades extras me dedico a treinar Pokémon e sair em busca de conquistas e troféus.
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