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Jogando… Red Dead Redemption 2

Disponível para PlayStation 4 e Xbox One

Tenho passado algum tempo, nas últimas semanas, no mundo de faroeste criador pela Rockstar Games em Red Dead Redemption 2. O título foi lançado em outubro do ano passado, apenas para PlayStation 4 e Xbox One, e segue ainda sem previsão de lançamento para o PC, mas só fui ter contato com o jogo em meados de dezembro. Desde então tenho jogado-o em alguns intervalos regulares.

Antes de continuar, acho que vale a pena pontuar que não cheguei a jogar o primeiro Red Dead Redemption, lançado em 2010. Sinceramente não me recordo o porque a oportunidade nunca surgiu. Talvez pelo fato de que a temática de faroeste nunca tem me encantado. Reconheço e respeito o tema, entendo sua importância, mas nunca fui exatamente um fã.

Ano passado até surgiu a oportunidade de jogar o primeiro jogo, pela retrocompatibilidade do Xbox One, mas resolvi começar a série pelo segundo, aproveitando assim um olhar realmente de novato, sem me preocupar se o título faria isso ou aquilo em relação ao jogo original.

Claro que mesmo sem ter tido esse contato o primeiro game algumas coisas foram inevitáveis de se descobrir. Como o fato de Red Dead Redemption 2 ser um prequel, se passando em 1899, enquanto o primeiro jogo se passa em grande parte em 1911. John Marston é o protagonista do primeiro game, e em Red Dead Redemption 2 ele tem sua participação e está sempre presente na trama, mas o jogador tem como protagonista principal aqui um novo personagem chamado Arthur Morgan.

E assim, realmente não quero me aprofundar demais na franquia. Não quero nem pensar que ainda existe um outro jogo, predecessor da franquia Redemption, chamado Red Dead Revolver, lançado para PlayStation 2 e Xbox lá no distante ano de 2004. A ideia é realmente escrever um texto para quem está chegando agora, com a experiência de não saber nada do passado. Red Dead Redemption 2 é auto suficiente, sendo uma ótima porta de entrada para a série.

IMPORTANTE: estas impressões estão sendo patrocinada pela SharePlay Store, que segue em 2019 sendo parceira do site e é responsável por nos ter concedido uma cópia digital de Red Dead Redemption 2. A loja também foi uma grande parceira ano passado, permitindo que o site trouxesse aos seus leitores os reviews de No Man’s Sky (2018), State of Decay 2, Sea of Thieves, The Biding of Isaac, Cuphead e Dragon Ball FighterZ. Para que essa parceria continue, contamos com sua ajuda. Visite o site da loja, conheça seus produtos e preços. Lá você encontra cartões pré-pagos para todas as plataformas atuais da geração. Fica aqui nosso pedido e indicação.

Méritos do mundo aberto

Não gosto de velho oeste. Já disse isso, certo? Mesmo assim é preciso tirar o chapéu para o mundo que a Rockstar Studios criou aqui. O cuidado, e até uma certa megalomania, nos detalhes. Não importa a ambientação, se é um gênero que lhe agradar ou não, pois é justamente na beleza de um mundo vivo que paria um dos maiores méritos do título.

Dito isso, na contra mão de não gostar de faroeste, sou um grande fã de jogos de mundo aberto. A liberdade para o jogador explorar, criar suas próprias histórias e eventos, decidir como progredir pelo jogo e ser livre para tomar decisões do que vai fazer, como quer fazer e até mesma a ordem como irá fazer. Jogos de mundo aberto são devoradores de tempo livre, e mesmo tendo tão pouco, os adoro.

Red Dead Redemption 2 impressiona justamente nesse aspecto. O mundo criado para o jogo é vivo e orgânico, sendo moldado a sua forma de reação, além de trilhar eventos e situações secundárias tão diferentes e inusitadas, que fica difícil adivinhar o que pode vir a seguir. Não é um destes jogos onde os padrões de missões são claros e óbvios após algum tempo. Quase tudo é uma surpresa.

Além disso as pessoas, os NPCs, lembram de atitudes e reagem ao que o jogador está fazendo, ou quem ele decide ser. Estamos na era dos fora da lei, dos bandidos. E os títulos da Rockstar trabalham aqueles personagem às margens da lei, então obviamente aqui você não pode ser o mocinho. Há um código e uma moralidade que o jogador pode decidir seguir, mas com o progredir da história, ser mal será inevitável.

Nisso os NPCs vão se lembrar de quando você foi um escroto. Bateu em alguém, causou confusão em uma cidade, ou até mesmo quando são testemunhas de algo que o jogador vez na estrada, ainda que você estivesse ajudando um terceiro. Há vários exemplos disso. Já salvei uma pessoa na estrada de um assalto onde matei o assaltante. O corpo ficou na estrada e a pessoa foi embora. De repente alguém passa por ali (já que é uma estrada) e me vê ao lado do bandido que virou presento. Pronto, saem correndo para me denunciar. Não foi diferente quando encontrei alguém morto na estrado e fui verificar o ocorrido (está bem, fui saquear o defunto), mesmo assim fui taxado por um transeunte de assassino. Bem, se é para ser, que seja. Eliminei a testemunha antes que ela pudesse contar à alguém.

E não são apenas estes elementos. A mecânica de mundo aberto de Red Dead Redemption 2 é repleta de pequenos eventos que estão sempre lhe chamando a atenção. Cidades com inúmeras tarefas para se entreter. dominó, pôquer, jogo da faca. Hotéis para tomar banho ou descansar. Aliás, até mesmo ficar jogo é algo que incomoda os NPCs do jogo. Eu já fui arremessado em um barril de água porque estava fedendo! Caçar, pescar, coletar figurinhas de maços de cigarro, conhecer pessoas que vão lhe dar novas missões secundárias, que vão desde coletar dívidas como peitar grandes lendas do saque rápido.

A coisa é em um nível tão maluco, que a barba do protagonista cresce com o passar do tempo. Dá para trocar de roupa com um nível de detalhes absurdos, assim como os da sela do cavalo, ou das armas que você carrega. Há até mesmo um aviso que comer demais lhe engorda, assim como não comer o fará emagrecer (na prática não percebi isso acontecendo, mas o jogo alerta para tal possibilidade).

Fora isso, o mundo é vasto, repleto de ambientes distintos. Há florestas, cidades, canyons, fazendas, trens e trilhos, riachos. Além disso o clima é volátil. O jogo começa em um território repleto de neve, até que logo em seguido o mesmo apresenta uma outra região de clima mais agradável. E há o clico de dia e noite, com direito a momentos de névoa e neblina, ou grandes formações de nuvens negras e chuva desabando sobre o jogador. O nível de preocupação com um mundo realista, mas ainda divertido para funcionar como um videogame, é inacreditável.

Mecânicas que nunca se cansam

Só de já estar explorando o mundo de Red Dead Redemption 2 se tem essa sensação da criação megalomaníaca, mas não basta ser bonito, bem detalhado, complexo ou recheado de eventos inesperados. É preciso que seja divertido de se jogar, que os controles respondam tudo na altura do que o mundo criado lhe entrega. E Red Dead Redemption 2 cumpre o que promete.

Veja bem, não sou exatamente um fã do sistema de tiro da Rockstar Games. Isso não vem deste título. Apesar de respeitar e entender o imenso sucesso de Grand Thef Auto (GTA), não o colocaria em uma lista de meus jogos favoritos. Acho que a imersão da narrativa e a liberdade entregue nos jogos da Rockstar são o trunfo pelo sucesso. Não necessariamente a jogabilidade do combate.

Não que seja ruim, mas eu me divirto mais com jogos de tiro como Destiny e Gears of War. Não sei explicar se é a temática, se é a forma como os combates ocorrem, se é o senso de ficção absurda científica. Apenas gosto de jogos de tiro assim. Nesse sentido o combate de Red Dead Redemption 2 não é algo que me impressiona.

O jogo é até mesmo flexível nesse ponto. A mira pode ter uma assistência para mirar melhor e mais preciso nos inimigos, na mesma forma que essa assistência também pode ser desligada. Existe também a mecânica de quase congelar a cena, mirar nos inimigos que agora estão em câmera lenta. Uma habilidade que pode ser automática com o passar do indicador do tiro ou manual. A justificativa é do jogador ter bons olhos, o que está dentro do que se pode contar dentro de um videogame.

Fora que há dezenas de tipos de armas, das pistolas, espingardas, rifles com uma mira mais longa, assim como seu laço (perfeito para laçar perseguições à cavalo), arco e flecha, faca e até mesmo seus próprios punhos. Normalmente não há que se preocupar muito com munição, pois inimigos mortos derrubam munição, mas nem mesmo quando o jogador tem preguiça de saqueá-los, a compra delas em lojas não é cara.

Em momentos de ação, quando inúmeros inimigos entram em conflito com a gangue a qual o protagonista do jogo faz parte, é possível morrer algumas vezes até acertar o compasso do ritmo, mas mesmo assim o checkpoint é positivamente generoso. Lhe deixando logo próximo de onde morreu, sem ter que rever as cenas de história, ou reiniciando todo o confronto quando for um daqueles em atos que demoram um tempo para acabar.

E assim, Red Dead Redemption 2 não tem parecido pra mim que é um jogo no estilo tiro frenético. Não é só um shooter insano de velho oeste. Não mesmo. Existe uma dinâmica interessante dentro do progredir do título, em que a narrativa tem um peso importante, sempre levando o jogador a experimentar eventos novos, que nem sempre culminam em um grande evento de tiroteio frenético. Meter bala em um ou outro bandido eu tenho feito a torto e reto, mas grandes tiroteios, que requerem melhor habilidades, são mais pontuais e moderados. Justamente para que sejam especiais e divertidos no ponto certo. Sem que cansem por seguirem uma certa fórmula fixa.

Conversar, analisar animais, brincar com o laço, com o arco e flecha, ficar de olho no seu vigor, na saúde, acampar, criar itens (cozinhar e fabricar remédios entre outras coisas), explorar, seguir rastros, tomar decisões entre ajudar ou não NPCs, explorar jogador, descobrir meios de ganhar mais dinheiro. Tudo isso faz presente no cardápio do jogo e ficam alternando entre um ou outro.

O cavalo, por exemplo, é um elemento do jogo que entretém. É preciso cuidar dele, alimentando-o e escovando-o. Tomando cuidado para não cansá-lo nas correrias no mundo aberto, assim como acalmá-lo diante de predadores. Ele possui um sistema de nível, onde quando mais afeto, carinho e uso pelo jogador, o faz ter mais saúde e vigor. Esse companheiro também carrega armas entre outras coisas que a sua bolsa não pode carregar em enormes quantidades.

Além da montaria, o jogador também tem um acampamento para cuidar. Todos os habitantes ali conversam coisas interessantes contigo. Lhe contam história e trazem personalidade própria. É fazer se preocupar com sua gente. E o acampamento é cheio de sistemas de gerenciamento. É preciso comprar melhorias, assim como doar dinheiro ao acampamento, para que o mesmo se mantenha quando você estiver por aí causando confusão.

Red Dead Redemption 2 é um destes jogos que lhe tiram da vida real para entregar algo bem imersivo no mundo virtual. É fácil se preocupar com estes pessoas, com suas histórias e com eventos que vão afetá-los ao longo da aventura.

Na prática o jogo tem muitos botões, muitos comandos, muitas opções que são fáceis de serem esquecidas. Tive a sensação de que é um título que alguém não habituado com jogos eletrônicos pode suar um pouco para dominar. O básico ajuda, mas nem sempre é suficiente. Já me peguei esquecendo os comandos para ativar rastros, ou até mesmo descer ou parar o cavalo, isso para não contar uma vez que dei um murro em sua cara. Coitadinho. Porém tudo isso anda de mão dada com a gama de complexidade que está em criar um mundo tão grande e tão cheio de eventos singulares, que exigem respostas e comandos singulares.

Concluindo… por enquanto

No momento em que escrevo este texto ainda estou bem distante de terminar a campanha principal. Joguei apenas em torno de 15 horas e só cumpri 25% da história. Há uma longa linha de enredo adiante, enquanto também sei que algumas surpresas dentro da trama me aguardam. Entretanto, no que diz respeito a entender o mundo, a proposta do game e suas mecânicas, tudo isso meio que já me foi mostrado. E é o suficiente para me impressionar.

No que diz respeito à história, não tendo acompanhando o primeiro Red Dead Redemption, como mencionado lá no começo, tenho que dizer que a Rockstar sabe contar apresentar uma boa narrativa. Arthur Morgan tem se mostrado um personagem interessante, assim como àqueles a sua volta. Não sei o seu destino, ou o que o jogo aguarda para o bandido de boa índole (ao menos pra mim ele é um cara legal quando necessário). A gangue a qual ele faz parte é repleta de figuras interessantes e carismáticas, e sair fazendo as missões principais ao lado de alguns destes personagens é sempre bastante divertido.

Gosto como o mundo apresentado no jogo, ainda que baseado na história desse período, é ficcional a ponto de permitir que o jogo tenha suas liberdade para funcionar para os jogadores. É um período histórico interessante, pois está naquele momento em que o velho oeste começa a dar sinais de seu fim, mas ainda está um pouco distante de acontecer. Tempos modernos se aproximam, mas ainda não é tão visível em diversos momentos do mundo do jogo. Ao menos nas localidades iniciais da progressão da campanha.

O ritmo de Red Dead Redemption 2 é dinâmico. O jogo lhe dá algumas missões principais, que podem ser seguidas em qualquer ordem desejada, assim como permite explorar seu mundo, entre missões secundárias, ou eventos aleatórios que acontecem nas estradas do jogo. Você nunca está fazendo exatamente a mesma coisa.

Roubar e assaltar são situações que não seguem sempre um mesmo padrão dentro das missões. Há momentos em que o jogador se encontra assaltando uma casa em plena madrugada, tentando não acordar nenhum dos moradores da casa, em outro está em um trem em movimento tanto chegar até o maquinista, ou até mesmo em situações em que tudo vai dar errado e um massivo tiroteio é inevitável.

O game também lida um pouco com moralidade, o que achei até interessante. Não estou certo se isso vá me dar algum impacto lá no futuro, mas ao menos faz com que alguns NPCs me tratem com educação. O jogador pode sempre escolher ser mais justo do que um sacana sem piedade nesse mundo selvagem. Ajudar uma pessoa na estrada ou roubá-la? Invadir uma fazenda e matar todo mundo ou tentar roubar na surdina? Esmurrar alguém que venha lhe confrontar ou matá-lo logo de uma vez? O jogo dá opções e percebe quando você resolve um dilema de forma pacífica. Apenas não se engane achando que pode ser bonzinho durante todo o jogo. Nada disso. Em algumas missões principais, matar geral ainda é um evento obrigatório. Eu me senti mal em uma situação em que um dos meus parceiros tacou fogo em uma fazenda para chamar a atenção de seus habitantes e depois saiu matando geral, inclusive a esposa do fazendeiro que contra atacou. Tudo isso apenas para roubá-los.

Este não deve ser o único texto que estarei escrevendo no site sobre Red Dead Redemption 2. Até porque ainda nem cheguei a testar seu modo online, que foi lançado posteriormente ao lançamento do jogo em si. O que sei é que o modo online apresenta uma história própria, assim como missões cooperativas e também modalidades de combate para aqueles que curtem testarem suas habilidades contra outros jogadores.

Red Dead Redemption 2 é uma obra prima da Rockstar Games. Não há dúvida que houve atenção em detalhes que sequer muitos jogadores vão perceber. Note como o barulho do tiro das armas mudam conforme o ambiente em que se encontra o jogador, ou como há uma beleza gráfica e atenção a detalhes como pegadas, ou sujeira no protagonista, seu cavalo ou objetos em cena. O trabalho de som é também de digno de elogios, auxiliando completamente a imersão proposta pela atmosfera do jogo. Isso para não dizer que o título está totalmente localizado em português, todas as falas, menus e caixas de textos explicativos existentes.

Para terminar, Red Dead Redemption 2 é um destes jogos que não apresenta problemas que tragam argumentos para não recomendá-lo. Não ter jogado o game de 2010 não atrapalha em nada a imersão de sua trama. Não gostar de GTA também não é um problema, pois apesar de ser uma criação do mesmo estúdio, Red Dead Redemption tem um estilo e um formato próprio, ainda que o esqueleto desses jogos sejam parecidos, ambos são igualmente singulares.

O jogo entrega uma massiva experiência de mundo aberto, mas com o cuidado para não cair nas armadilhas do gênero, sem oferecer mil tarefas repetidas apenas para ocupar tempo de jogo. Trata-se sim de um jogo com uma longa curva de gameplay, que a todo mundo fica lhe apresentando novidades, mas nunca dá a sensação de que não se está avançando ou progredindo dentro de seu mundo. É um jogo que irá figurar como um dos maiores e melhores destaques da atual geração, para todo o sempre.

— Novamente agradeço à SharePlay Store pelo envio do jogo para estas impressões. Fortaleça essa iniciativa indo visitar o site da loja e conhecendo seus produtos. Isso certamente fortalecerá a parceria, permitindo que ela continue acontecendo, gerando este conteúdo a qual adoramos produzir.

Galeria

Extra – Gameplay da hora inicial

A nota até aqui

Visualmente é impressionante, há extenso cuidado aos detalhes em vários aspectos - 10
Controles podem ser confusos as vezes, mas parece um mal necessário - 9.5
Mundo imersivo, personagens cativantes, trama que impulsiona a curiosidade - 10
Duradouro, e com extrema atenção para não soar repetitivo - 10
Tensão certa nos momentos de combates, especialmente no cenário do faroeste - 9
Totalmente localizado em português - 10
Atividades secundárias para todos os lados e gostos, há de tudo e nada chega a ser enfadonho - 10

9.8

BANG

Red Dead Redemption 2 soa como uma obra prima do gênero de jogo de mundo aberto. O mundo é vivo e orgânico, reage de forma convincente ao jogador. O título também foge dos problemas de repetição inerente ao gênero, sempre com algo novo e toneladas de diferentes histórias e atividades dadas ao jogador.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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