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Análise | Unruly Heroes

Disponível para Xbox One, Nintendo Switch e PC (em breve no PS4)

Lançado no último dia 23 de janeiro, Unruly Heroes é um agradável jogo independente desenvolvido pelo estúdio francês Magic Design Studios. É um destes jogos que encantam aos olhos, enquanto tenta se manter fresco e renovado durante todo o tempo de sua aventura principal.

Trata-se de um jogo de aventura com um grande foco em mecânicas de plataforma, possuindo a opção de jogadores desfrutarem de toda a campanha principal de forma cooperativa local para até quatro jogadores. Porém não se preocupe, Unruly Heroes se sai muito bem também na experiência solo para um único jogador.

O jogo parece muito uma mistura dos visuais gráficos de Rayman Legends com mecânicas de jogos como a franquia Trine, onde há vários personagens principais com poderes próprios que precisam assumir a frente de certos puzzles e desafios apresentado pelos estágios do título.

A história do jogo é inspirada no conto chinês do século 16 chamado Journey to the West, a qual já recebeu algumas traduções diferentes aqui no Brasil, como “O Macaco Peregrino ou a Saga ao Ocidente” e “Macaco: Uma Jornada para o Oeste”. Tenho que admitir não conhecer a obra, tendo apenas conhecimento de sua existência e importância como um clássico da literatura mundial. Portanto não tenho o conhecimento para comparar a trama do jogo com sua fonte original. Felizmente não conhecer a obra não me fez tirar os méritos da história do jogo ou do belíssimo mundo criado por seus desenvolvedores para. Pelo contrário, me deixou mais curioso para um dia conhecer a obra que serviu como inspirações, caso esta oportunidade vier a surgir.

Quatro personagens, uma única jornada

Unruly Heroes apresenta então um mundo onde as trevas tiveram sua ascensão quando um pergaminho sagrado fora rasgado e arremessado ao vento, se espalhando pelos quatro cantos do mundo. Cabe a quatro heróis embarcarem em uma jornada onde devem restaurar a paz do mundo.

Estes quatro heróis são Wukong (Rei Macaco), Sanzang (Monge Sonolento), Kihong (Porco Ávido) e Sandmonk (Bruto Sensível). Cada herói tem suas peculiaridades, assim como habilidades especiais. O Monge e o Porco pulam mais alto e podem planar ao descerem de seus saltos. O Rei Macaco e o Bruto possuem pulo duplo e são mais ágeis. O Bruto tem um raio de ataque menor do que os outros três heróis, em contrapartida seus golpes causam um pouco mais de dano. O Porco e o Rei Macaco atacam os inimigos com seus bastões, o que torna-se prático para combate não tão próximos ou contra vários inimigos. O Monge também tem um bom alcance, mas suas orbes giram de uma forma que seu raio de alcance se um pouco mais circular do que os dos demais personagens.

Cada um tem uma habilidade própria que são ativadas em pequenas estátuas com suas respectivas faces. O Rei Macaco pode esticar seu bastão para atravessar grandes buracos. O Porco pode se inflar e sair voando por grandes distâncias verticais impossíveis de se escalar (e pode levar todos os heróis em cima de cima). O Monge consegue criar uma esfera de energia para atingir certas mecanismos. Por fim, o Bruto pode quebrar paredes e estruturas que os demais não conseguem.

E é neste ritmo que o jogo tenta brincar com todos os heróis, criando estágios onde suas habilidades são necessárias, um revezando com o outro, para enfrentarem as adversidades pelo caminho. No modo cooperativo estes heróis compartilha a tela ao mesmo tempo, enquanto no single player o jogador alterna entre eles com o apertar de um botão, fazendo os que não estão sendo usados invisíveis na tela.

O título apresenta 29 estágios, divididos em quatro mundos. As fases são muito bem diversificadas e dinâmicas, nunca enjoando ou deixando de apresentar algumas novidades. Quase todos possuem um sub-chefe ou grande chefe ao final. Batalhas realmente divertidas e bem boladas, que divertem e ao mesmo tempo impressionam.

Ao morrer com um herói duas coisas pode acontecer, depende do estágio e da situação que gerou a morte. Em alguns caso, como as batalhas de chefes, ao morrer com um herói o jogador pode simplesmente selecionar outro herói (isso se estiver jogando solo). Quando se morrer nessa situação, uma bolha astral surge no cenário e o herói morto começa a renascer. Quando sua face aparecer na bolha o jogador pode atacá-la e recuperar o herói caído. Entretanto há chefes que podem atacar a bolha e banir o herói do combate, a qual ele só retornará se todos os heróis morrerem ou se o jogador vencer e ir para a próxima fase.

Essa mecânica é muito legal, pois traz tensão ao jogo, pois enquanto o jogador está tentando vencer um desafio, precisa ao mesmo tempo ficar atento ao herói caído que está renascendo. Porém há uma outra situação, que é quando se morrer com um herói e o jogo precisa retornar a um checkpoint para recomeçar o segmento da fase. Isso normalmente ocorre porque em trechos da fase é necessário ter algum herói em especifico para abrir caminho pela fase. Mas não se preocupe em voltar demais, pois normalmente os checkpoints são bem posicionados e pensados para isso não cansar demais o jogador.

Quanto aos estágios, estes possuem diferentes tipos de segmentos. Há desafios de plataformas, combate de arena contra inimigos que impedem o avança do estágio, chefes e sub-chefes, desafios de velocidade, que ocorrem quando a fase começa a avançar sozinha e o jogador precisa ir pulando e atravessando armadilhas pelo caminho. Quase todas as fases possuem 100 moedas que podem ser recolhidas para que novas skins dos heróis possam ser destravadas, assim como um pergaminho secreto que abre uma arte conceitual no menu de extras do jogo. Todos os estágios contam a quantidade de vezes que você morre e o tempo que se leva para terminar o estágio, e consegue ao jogador medalhas de bronze, prata ou ouro. São pequenos detalhes que dão um pouco mais de camadas e sabor ao jogo.

Multiplayer para melhor diversão?

Este é um ponto em que acredito que minha opinião possa divergir de algumas pessoas. Particularmente não gostei muito de jogar Unruly Heroes em multiplayer. Ao menos localmente. E infelizmente o título não oferece um modo online para o cooperativo da campanha principal.

O caso é que achei estranho a forma como o coop funciona. O testei com dois jogadores, eu e meu pequeno de 6 anos (vídeo), e já achei meio problemático assim. Fiquei pensando como deve ser com quatro jogadores, apesar de que reunir mais três pessoas e ter quatro controle não é algo comum de se ver hoje em dia, na geração onde todo mundo joga online em sua própria casa. Mas deixe-me explicar o que não me agradou.

Em coop, dois (ou mais ) heróis compartilham a mesma tela do jogo. Só que o jogo não trava a tela quando um avança demais e o outro player fica para atrás. Quando algo assim acontece, o jogador que estiver para trás é teletransportado para ficar ao lado do jogador que avançou. Eu já não gosto disso. Prefiro telas que travam, o que obrigam os jogadores a andarem juntos.

Outro problema surge desse teletransporte automático. O jogo não fixa alguém como jogador principal. Por isso, se o jogador 1 estiver subindo em uma plataforma para caçar uma moeda e o segundo jogador avançar a fase sem se dar contra disso, o jogador 1 é teletransportado para ao lado do jogador 2. Era de se esperar que ao menos o jogador principal pudesse prender ou dar a direção de para onde a equipe deve ir. Mas não, o jogo sempre teletransporta o jogador que está para trás, colocando ao lado daquele que está indo no caminho certo da fase.

Houve algumas vezes que joguei com o meu pequeno e não sabíamos aonde tinha que ir. Havia dois caminhos. Explorar o caminho certo automaticamente levado o outro jogador para ao lado do outro. E com isso ficava um caminho alternativo não explorado. Eu achei isso bem chato.

Fora que não é a mesma experiência de outro título que recém escrevi a respeito aqui no site, New Super Mario Bros U. Deluxe, em que os personagens se batem em si e causam confusões de forma divertida. Aqui em Unruly Heroes não há interações entre os jogadores. Um não pode bater no outro ou pular em cima do mesmo. Não há empurrões. Sendo um jogo como foco em plataforma, talvez essa fosse uma mecânica que o tornaria mais interessante.

Admito que esperava um pouco mais da cooperatividade. Rayman Legends, por exemplo, tem situações hilárias onde um jogador bate e empurra o outro. Realmente não me agrada a solução de teletransportar qualquer jogador que estiver para trás para ao lado daquele que estiver à frente da fase.

Ainda no modelo de multiplayer, Unruly Heroes possui uma modalidade menor, não tão expressiva, de Jogador contra Jogador. Aqui os jogadores combatem entre si dentro de uma arena fixa para ver quem consegue derrotar o outro. Há várias fases e é possível colocar até a CPU para batalhar. Não é ruim, apenas não achei nada demais. Ao menos nessa modalidade há multiplayer online.

Considerações finais

Quando comecei Unruly Heroes, admito que logo de cara o título não me agradou. Demorou umas seis fases para que o jogo me conquistasse. E comecei a aprecia-lo ainda mais quando passei a jogá-lo de forma single player. Sozinho foi mais divertido. Não que o meu pequeno jogue mal, mas a sintonia é diferente. Eu gosto de explorar as fases e pegar as moedas. Ele só está preocupado em achar o caminho e seguir em frente. Com dois jogadores em sintonia talvez o coop funcione melhor.

O visual do jogo também foi um fator importantíssimo para resolver jogá-lo. Gostei muito dos visuais animados, da caracterização dos heróis e muitos dos respectivos inimigo. Quase todos os chefes são muito impressionantes visualmente. Os ambientes também são bem legais, ainda que a paleta de cores em algum momento comece a soar meio enjoativa.

Os mundos são muito bem divididos, com várias surpresas entre eles. Nem sempre os jogadores vão assumir o comando dos heróis, existindo muitas fases onde um outro personagem precisará ser controlado, criando novos tipos de controles e desafios.

O terceiro mundo, em particular, é espetacular e inesperado. Nesse mundo as regras da jogabilidade mudam completamente, expandindo os desafios de plataformas do jogo e deixando combate com um plot twist divertido. Esse terceiro mundo é tão legal que acaba ofuscando o quarto (e último) mundo, quando o jogador retorna às mecânicas habituais do título.

O combate de Unruly Heroes não é a melhor coisa do mundo, mas não é de todo mal. Funciona muito bem contra os chefes, mas contra os inimigos menores é meio xarope. É normal para os inimigos não sentirem o impacto dos golpes e quebrarem o combo do jogador, enquanto que a esquiva dos heróis não é tão suave quanto talvez devesse.

Por fim, não posso deixar de mencionar a ótima trilha sonora do game, bem contextual com o conto a qual foi inspirado, assim como os personagens criados para engrossar a história. Casa muito bem com a temática oriental do game. O título também conta localização em legendas para nosso português, o que é sempre muito bom de se pontuar e ressaltar. E é legal que os personagens de história possuem vozes dubladas (nesse caso em inglês), não deixando os diálogos rolarem apenas em silenciosas caixas de texto. Dá muita personalidade ao jogo o trabalho de som e vozes.

Unruly Heroes é um título visualmente bonito. Não é perfeito em suas mecânicas, mas tem muita preocupação em entregar ao jogador um game de aventura em plataforma que não seja a mesma coisa do início ao fim. Isso com certeza é um dos maiores méritos do jogo, ter ritmo, dinâmica e muitos momentos inesperados em sua jornada. Não é um título desafiador ou com puzzles impossíveis, mas tem fluidez, nunca deixando o jogador desanimado. É gostoso e divertido de se jogá-lo.

Galeria

Extra – A primeira hora de gameplay

Dando uma nota

Incríveis visuais e fantástica ambientação - 9
Ótima dinâmica de estágios, sempre com alguma novidade - 9.5
Boa jogabilidade, puzzles simples, bom uso do elemento plataforma - 8.5
Combate normal não empolga muito, exceto pelos chefes (que são ótimos) - 7.5
Quatro heróis distintos e com personalidade própria - 8.5
Localizado em português, com excelente trilha musical e efeitos sonoros - 9.5
Funciona bem em single player, mas pode deixar a desejar no multiplayer cooperativo - 8

8.6

Divertido

Unruly Heroes é um competente jogo independente. Impressiona em diversos momentos, garantindo muitas surpresas e diversão. Visualmente é fantástico. Peca em pequenos detalhes, sem que isso estrague o conjunto da obra. É um título que vale a pena experimentar.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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