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Análise | Anthem

Disponível para PlayStation 4, Xbox One e PC

Hoje estou aqui para defender um pouco Anthem. O título, lançado no último dia 22 de fevereiro, desenvolvido pela BioWare, estúdio da famosa franquia Mass Effect, tem sido alvo de duras críticas desde que chegou às mãos da imprensa internacional e da comunidade de jogadores. Algumas destas críticas são justas, mas nem tudo é tão ruim quanto a internet faz parecer. Eis então aqui uma opinião menos dura de Anthem.

Antes de ir adiante é preciso entender que Anthem está dentro de uma proposta bem parecido com Destiny, desenvolvido pela Bungie. Ambos apresentam um universo rico de eventos, aventuras, batalhas com foco em progressão de poder de personagem, focado em participação da comunidade em uma experiência social online.

A comparação entre ambos os títulos será inevitável em alguns momentos deste texto. Porém não é justo se limitar apenas as comparações. Destiny 2 está indo para seu segundo anos de manutenção após seu lançamento, e Anthem mal começou a trabalhar isso. Isso para não mencionar que o título da Bungie já está em uma sequência – o que significa que o primeiro Destiny, de 2014, lhes ensinou muita coisa antes de lançarem Destiny 2. Anthem começa agora sua cauda de aprendizado. Este é só o começo.

Hino da Criação

A premissa para a construção do mundo de Anthem é interessante. Um mundo, sabe lá quando, nem mesmo fica claro se estamos no planeta Terra, foi criado por uma raça que ninguém tem muitas informações. Estes seres criaram Bastion, suas florestas, criaturas e tecnologia. O Hino da Criação, chamado Anthem, foi algo que permitiu tal criação, um poder imensurável e incontrolável.

Mas a história se perdeu no tempo. Os criadores não completaram sua criação, não se sabe os motivos, ou para onde estes seres foram. O mundo ficou incompleto, cheio de ameaças e monstros. A tecnologia dos primeiros foi abandonada por todo esse mundo, o que não impediu que outras raças e espécies tentassem entende-la e dominá-la. Alguns foram corrompidos por tal tecnologia.

A humanidade sobreviveu graças a grandes fortalezas com imensas muralhas. Nós desenvolvemos uma tecnologia que permitiu poderosas armaduras chamadas de Lanças. Quem as controla são chamados de Freelancers, pois são estes que aceitam contratos para viajar ao mundo de Bastion, combater criaturas, procurar por tesouros e tecnologias perdidas. Sentinelas, portanto suas próprias lanças, protegem estas fortalezas.

O jogo ocorre muitos anos após um evento que destruiu a reputação dos Freelancers, quando grandes Titãs eliminaram um grande número destes. Desmoralizados, em poucos números, a humanidade tem se isolado cada vez mais em suas fortalezas. Mas ainda há Freelancers por aí, e uma nova ameaça está a surgir no horizonte, quando alguém parece ter encontrado e prestes a tentar domar o Hino da Criação.

É nesse plot que somos jogados dentro da aventura em Anthem, quando assumimos o papel de um Freelancer sem nome, com o rosto que nós mesmos escolheremos em uma seleção. É assim que a nossa aventura tem início.

Ambiente hostil

É sobre essa premissa que vai funcionar todo o mundo de Anthem, suas mecânicas e missões. É um palco para que o jogo funcione e convença o jogador de suas fundações. E funciona, ainda que seja como a premissa de Destiny: mistérios e perguntas sem respostas fazem parte dessa introdução. Nem tudo será explicado ou explorado nesse primeiro momento.

O que temos aqui é o ato inicial de algo que tende a crescer em eventuais expansões e sequências. Inclusive nem todos os perigos serão mostrados nesse primeiro momento, a cena pós-crédito no fim do jogo deixa isso bem claro. Ou seja, há pontas soltas e isso não precisa ser um problema (ao menos por enquanto).

O mundo fora da fortaleza, esta chamada de Forte Tarsis, em quê o jogador mora é bastante hostil, mas nem tanto para aqueles que podem usar as poderosas lanças. É fácil entender que humanos não durariam muito andando por aí, sem armas e armaduras para se defender.

A fauna de Anthem é bem mais interessante do que a de Destiny (que é praticamente inexistente). Há animais de médio e grande porte, que estão vivendo suas vidas de boa pelo mundo em seu modo para livre exploração. Alguns podem lhe atacar, mas é quase impossível morrer para eles. Você nunca está nesse ambiente selvagem sem a sua armadura. Posso mencionar algo que parece um búfalo com carapaça ou um coelho que em pé fica na altura da sua armadura. São animais que ilustram esse mundo.

Há também alguns mais violentos. Uma espécie de dragão alada, uma Serpe, que cospe fogo apenas ao avistá-lo é bem comum em certos lugares, assim como escorpiões do tamanho de leões. Lobos que lhe congelam também são comuns dentre as missões do jogo. Por fim, também encontrei uma espécie de caranguejo do tamanho de um ônibus que é bem de boa, basta que você não chegue muito perto.

Além destes animais há os seres que poderíamos chamar de monstros mesmo. São meio que criaturas de grande portes que poderiam ser ogros ou trolls em qualquer outro jogo de fantasia medieval. São grandes, fortes, ágeis e partem pra cima do jogador e causam grande dano. Além disso há toda uma raça que parece alienígena que são usados junto a uma das raças humanoides a qual o jogador está combatendo. Parecem inclusive terem poderem psíquicos. E, por fim, há o Titã, um ser enorme, parece de pedra, que é um dos maiores inimigos que Anthem oferece.

Toda essa diversidade é muito bacana e acrescentam camadas ao mundo orgânico do jogo. Porém, infelizmente, não são o suficiente para cobrir todas as áreas e locais que o mundo aberto do jogo pode oferecer no modo livre. Admito que queria ter encontrado mais criaturas e algumas tão grandes ou até maiores que os Titãs. O mundo do jogo é grande e a fauna não acompanha essa grandiosidade.

O que o jogo faz para encher esse mundo são as tribos humanoides em constante conflito contra os jogadores. Basicamente são três facções, a do jogador, uma chamada Escari e outra chamada Dominion. Há cidades e acampamentos por todos os cantos do mundo aberto e sempre há inimigos querendo atirar em você.

O ponto é que o mundo de Anthem é previsível. Não há animais brigando ou invadindo estes locais. A programação do game parece sempre muito certinha, sabe? A franquia Far Cry já provou que é possível fazer um sistema de animais e inimigos inteligentes que possam moldar o mundo conforme encontros inesperados possam acontecer. Em Anthem, nas 22 horas em que me aventurei pela campanha principal nada inesperado aconteceu. Tudo foi muito bem scriptado, sem margem para surpresas não programadas.

Vista sua armadura de ferro

O ponto alto de Anthem é seu combate e mobilidade dentro das lanças. Voar por aí é incrível. As lanças, armaduras a qual o jogador usa para explorar o mundo, são incríveis. O jogador sente-se como o próprio Homem de Ferro. É muito fácil pular e sair voando para qualquer ponto do ambiente. Há um pulo duplo, uma esquiva que pode ser feito no chão e no ar, e também dá para ficar parado no ar por alguns segundos usando sua arma ou algum super poder.

E os controles são muito responsivos. Respondem de forma precisa e exata a direção desejada a qual o jogador quer ir. Nunca me senti perdido nestes controles de mobilidade. É bem comum durante um combate sair voando e saltar grandes pontos de distância entre os inimigos. Não dá para se sentir preso ou cercado por eles.

Há também quatro tipos de lanças, que são equivalente a classes de personagens, como em jogos de RPG. Há a lança que é muito ágil, outra que é muito pesada e excelente para defesa e front de batalha, outra que usa ataques elementais e uma básica, que é a do patrulheiro padrão. Em boa parte da minha aventura fiz com a do patrulheiro padrão mesmo, pois ele é bem equilibrado e atendeu as minhas necessidades, mas foi na lança do Colossus, a mais forte e pesada (porém lenta), que me senti mais confortável para pular de cara na batalha.

Cada lança tem um setup de habilidades, que são ativadas usando os bumps dos controles (LB e RB no caso do Xbox One). Há casos em que algumas lanças podem compartilhar algumas destas habilidades, mas todos tem habilidades exclusivas de cada categoria. O Colossus é muito bom, por exemplo, em ativar é um grito de batalha que faz todos os inimigos redirecionarem seus ataques para ele, evitando assim que outras lanças mais frágeis fiquem apanhando e abrem espaço para que eles possam atacar de forma mais segura. Há também o grito que fortalece todo o time.

Anthem também tem um grande catálogo dos mais diferentes tipos de granadas, foguetes e armas. Assim como Destiny elas tem níveis de raridade e cores. Funciona no já conhecido sistema de loot – caem de forma aleatória e vai muito da sorte do jogador. São itens que não sobem de nível, cabendo ao jogador encontrar novos tipos conforme progride em missões. Inimigos dropam estes itens, assim como baús pelo mundo.

A parte chata é que essa customização de armas, habilidades e itens de suporte da armadura não podem ser alteradas a qualquer tempo durante as missões. Somente na base é permitindo customizar sua lança. Bem diferente, mais uma vez, de Destiny, em quê você pode carregar uma enorme quantidade de classes de armase poderes e ir trocando conforme for surgindo a necessidade.

Isso gera situações em que o jogador nem sempre está confortável para testar itens de suporte e classes de armas. Você pode sempre usar duas em missões, e quase sempre é um tipo de metralhadora com um tipo de rifle de precisão ou escopeta para dano muito próximo. Minha lança de Patrulheiro sempre carregou um rifle de precisão (sniper), enquanto meu Colossus que estava sempre no front usava uma escopeta.

Poderia haver um limite de armas ou tipos de granadas para se manter na armadura e que fosse possível mudar esse loadout durante as missões. Outro problema é que esse drop de itens em combate não revelam ao jogador o que ele está ganhando, o que é meio chato. É preciso terminar a missão e voltar ao Forte Tarsis para descobrir. Isso tira parte da diversão da caçada por melhores itens.

No geral o combate de Anthem é bacana. O “atirar” não é tão gostoso quanto as armas de Destiny, isso infelizmente é preciso dizer. Entretanto não é ruim. Anthem é muito sobre desengatilhar grandes explosões, usando foguetes, granadas para explodir tudo no campo de batalha. Há um sistema de combos, em que um jogador lança uma granada que congela um grupo de inimigos, enquanto outro lança ácido, outro bem com explosões inflamáveis e alguém usa algum outro tipo de ataque. É uma espécie de ataque coordenado de elementos com outros jogadores. Isso causa um ataque em conjunto massivo que derrota grandes números de inimigos ou casam dano exageradamente massivo a certos chefes. É bem impressionante.

Usar as lanças para o combate próximo também é muito comum. Dar porrada nos inimigos, literalmente. O combate de Anthem é muito sobre usar tudo, ao invés de ficar apenas na arma atirando a certa distância. Se você só ficar atirando vai achar o jogo um porre.

Você nunca está sozinho

Uma coisa que me surpreendeu positivamente em Anthem foi o fato de toda suas missões de campanha funcionarem no sistema de multiplayer cooperativo online. E não é um sistema de multiplayer privado com amigos, não. É matchmaking com pessoas aleatórias mesmo. O melhor é que realmente funciona!

É claro que, se for o desejo do jogador, é possível chamar três amigos e progredir para a campanha com times de quatro pessoas. Ou se você não gosta de nada disso e quer se aventurar pelo jogo sozinho… bem, há essa opção também. Ela apenas não é recomendada.

Anthem é um jogo online social. Você está sempre em time de quatro lanças, independente da atividade que estiver realizando dentro do game. Seja nas missões de campanha, contratos secundários, modo livre, fortalezas e afins.

E não tenho nenhuma história ruim de estar jogando com pessoas aleatórias e não ser bem tratado ou de algo ter acontecido que azedou a partida. Houve uma situação de alguém que estava com o som muito alto e tive que tirar seu som, mas fora isso, todo mundo em Anthem trabalhou junto e em equipe. Não que o jogo exija muito cooperação (como as Incursões em Destiny). Não é preciso ficar falando em microfone ou coordenando as coisas. Cada um se vira e se ajuda quando alguém cair. É o suficiente para diversão.

Há inclusive um momento da história em que um puzzle é proposto ao time. Nesse momento não tem uma solução muito óbvia (talvez porque a câmera e os controles não tornam sua solução intuitiva), mas os jogadores que estavam comigo ali foram realmente pacientes. Aparentemente ninguém sabia como resolver e ninguém desistiu. Levamos uns 15 minutos para entender, mas entendemos. Houve uma satisfação ao solucionar esse puzzles e não houve a frustração de ninguém entender ou sair antes de alguém resolver.

Eu gosto da forma como Anthem nos deixa sempre online em seu mundo. É diferente de Destiny, onde as missões de campanha normalmente são realizadas em single player (ainda que haja suporte para convidar amigos para coop). É uma experiência divertida compartilhar sua aventura com outras pessoas.

Minha única crítica diz respeito ao modo livre. Esse modo permite ao jogador passar pelo mundo de Anthem de forma a explorá-lo livremente. Porém o sistema do game fecha uma sala com 4 pessoas e as largam lá. Apenas quatro jogadores. Isso é muito ruim no modo livre. Diferente de Destiny, que largam vários jogadores em áreas públicas. Isso tira mais um pouco a sensação de um mundo online recheado de jogadores, algo que Destiny faz muito bem. Fora que o mundo de Anthem é muito, mas muitos grande para apenas quatro pessoas ficarem por aí explorando.

Já dentro do Forte Tarsis o jogador está sempre sozinho. É uma área single-player em primeira pessoa para conversar com NPCs do jogo, uns importantes para história, outros nem tanto. Há um NPC que está lá só para fofocar, o que achei engraçado. Existe uma espécie de hangar de lanças, onde é possível ver outros jogadores online, porém é uma área não obrigatória de se frequentar e não tem muito o que se fazer ali. Só é meio chato.

Talvez o problema esteja com o fato de que nessa área do Forte Tarsis ser todo feito em primeiro pessoa e o jogador nunca ser mostrado. Não dá para andar com sua lança, então não teria muita graça ver outros jogadores por ali. É diferente da Torre dos Guardiões em Destiny, em que essa área tem justamente como propósito a interação social com outros jogadores e todos os personagens NPCs.

Essa área do Forte Tarsis em Anthem tem um propósito bem diferente. É ali que o jogador vai se relacionar com os NPCs, onde a BioWare apresenta um sistema meio parecido com o que o estúdio já fazia em Mass Effect. Muita conversa, com opções de respostas, e histórias que os NPCs ficam contando ao jogador sobre o mundo do game. Essa interação rende pontos entre as facções do jogo que sobem de nível e lhe concedem algumas recompensas. É Interessante, mas está longe de ser a mecânica mais imersiva do jogo.

O melhor de Anthem certamente é quando o jogador está com um grupo de jogadores online, desbravando novas missões e contratos. Batalhando e explorando esse mundo recheado de bonitas locações e alguns segredos.

O que não funciona em Anthem?

Acho que o grande problema de Anthem é que ele dá a sensação de estar ainda incompleto. Algo que tanto o primeiro Destiny, quanto Destiny 2 sofreram em seu lançamento. Anthem não entrega potencialmente o que ele poderia entregar. Há algumas decisões ruins da forma como algumas mecânicas no jogo funcionam, assim como uma certa cota de eventos e acontecimentos que tornam parte da experiência um tanto quanto repetitiva, mas não de uma forma recompensadora como se aceitaria se fosse do correr por melhores recompensas.

As missões do jogo seguem uma mesma estrutura, do começo ao fim. Sempre. Colete orbs de energia para sobrecarregar um portal sinistro, colete peças que lhe impedem de voar e leve até uma máquina estranha de energia, proteja um local até que um indicador de tempo acabe ou sobrevive a combates por meio de hordas dos mesmos tipos de inimigos.

Há poucas batalhas de chefes. Há poucos grandes eventos que mudam a dinâmica do jogo e chacoalhe os jogadores. Os inimigos são meio previsíveis e burros, nunca se adaptando ou mudando estratégias de combate (esse ponto demonstra como a Bungie manda bem no sistema de inteligência artificial de seus inimigos, que sempre estão desviando e mudando pontos de ataques em Destiny). Não há pressão, não há grandes desafios ao derrotá-los, ainda que sempre venham em grandes quantidades.

O modo livre tem esse problema de sempre estar com apenas quatro jogadores, além do fato de seus eventos público sejam sempre sobre derrotar bandidos ou tarefas que você está sempre fazendo na campanha. Não há nada novo, grandes feras ou grandes e inesperados encontros. O jogo sequer lhe avisa aonde está acontecendo eventos, assim como também não há viagens rápida para pontos em que outros os jogadores se encontrem (e é muito chato ir aos extremos do mundo apenas voando, demora demais).

A forma como o loot ocorre em Anthem também não é o ideal. São há itens como armas e peças de suporte de habilidades. Não existe loot em partes estéticas das armaduras. Inclusive ao final das Fortalezas – as maiores missões do jogo, e não o local onde a humanidade vive – sequer há baús para serem abertos, o que não faz o menor sentido, sendo que cada fortaleza tem três etapas e nas duas primeiras etapas há baús.

As fortalezas alias deveriam ser o maior desafio que Anthem poderiam entregar ao jogador. Mas não apresentam nada realmente incrível. A primeira, com um inseto gigante é até legal, pelo chefe em si, mas não é problema nenhum vencê-lo em equipe. As outras duas fortalezas do jogo só são destravadas após o final da campanha, sendo que uma é muito boa, uma invasão a uma fortaleza Escari, enquanto a outra só repete exatamente a última missão da campanha contra o último chefe do jogo (pra quê?).

Bugs e glitches também são comuns em Anthem. Animais e inimigos que somem ou mudam de lugar (talvez uma latência em algumas conexões online façam isso), assim como raros casos em que fui desconectado no meio de missões – felizmente consegui voltar a mesma partida em questão de 1 ou 2 minutos – Destiny 2 não consegue isso e lá também tenho meu histórico de desconexões no meio de missões.

Telas de loading foram algo que não me incomodaram aqui. Estão aceitáveis, e em alguns casos bem mais rápidos do que certos loadings que também ocorrem em Destiny 2. No beta que joguei, e escrevi a respeito, esses carregamentos estava  insuportáveis, mas agora estão dentro do que aceito como normal e okey.

No geral não é como se Anthem fosse um game quebrado. Não é. Ao menos não tive grandes problemas de performances a relatar no meu Xbox One normal. Não gosto de como algumas vezes o jogo carrega texturas ou objetos de cenários do nada, mas imagino que o jogo deva sofrer um pouco nas versões menos parrudas dos consoles da atual geração. No Xbox One X, que infelizmente não tenho, acharia terrível se isso acontecesse também.

O problema de Anthem me parece mais de não ter todo conteúdo que poderia ter e não encontrar uma forma assertiva para que o jogo prenda sua comunidade, como um melhor sistema de customização e loot. A boa é que não é nada que o tempo não possa aprimorar.

E outra coisa: não faz sentido um jogo como Anthem não ter um modo PVP (jogador contra jogador). Isso faz uma tremenda falta após o final da campanha. Continuar a jogá-lo apenas para obter novos poderes e armas lendárias, sem ter novos objetivos para utilizá-los que não sejam as mesmas missões e coisas que você fez ao longo da campanha, porém em novas dificuldades, não é exatamente a coisa mais incentivadora do mundo. Faz muita falta ao título um modo competitivo.

Considerações finais

Anthem é um ótimo game, mas repleto de pontos a serem aprimorados ao longos dos próximos meses. Certamente a atual versão lançada é um tanto diferente daquela apresentada em junho de 2017 em uma E3. Há um visível downgrade gráfico, mas parte talvez seja justificável dado a falta de poder dos atuais consoles da geração. Mesmo assim o game não é feio, pelo contrário, tem ambientes e cenários incríveis – não a todo momento, mas há sim uma bela construção de mundo.

Sobre performance, não encontrei tantos problemas quanto algumas críticas internacionais mencionaram em seus reviews de pré-lançamento. Joguei Anthem no final de semana de Carnaval, já com o jogo tendo passado por seus primeiros patches. Encontrei um jogo sem tantos problemas quanto aqueles encontrados em seu beta. Partidas foram encontradas rapidamente, pouquíssimos casos de desconexão e apenas um bug que travou meu progresso, mas nada que uma rápida pesquisa no YouTube não tenha corrigido este problema (Missão Freelancer Abatido).

Não quero falar muito sobre o endgame aqui, pois acho que ao final da campanha, quando novos contratos secundários, níveis de dificuldades, entre outros conteúdos são abertos, o jogo não oferece uma experiência boa o suficiente para me deixar vidrado em querer apenas mais poder e maiores níveis para meu personagem. Mas devo voltar ao mundo de Anthem quando novos conteúdos e expansões forem lançadas, o que a BioWare parece ter prometido que serão, por enquanto, todos gratuitos.

Hoje, o jogo como ele está, sem se preocupar muito com sua cauda de endgame, oferece uma quantidade satisfatória de conteúdo. São de 20 a 30 horas para virar tudo e se sentir satisfeito com o título. O que é uma quantidade razoável para um jogo nos dias de hoje. Depois disso o jogador vai querer voltar ao título de forma mais pontual, para fazer algumas coisas vez ou outra.

Antes de encerrar esta análise preciso fazer uma pequena crítica quanto ao formato da localização do título ao nosso mercado. Anthem está em português, mas com legendas. Destiny, seu maior concorrente aqui, está 100% dublado. Acho essa uma desvantagem que não deveria existir. Não que a localização com legendas seja ruim, mas há diversos momentos no meio de missões em que há conversas importantes que rolam concomitantemente a ação. Para quem não está habituado com o inglês, ter que ler a legenda em português enquanto está no meio de um cerco inimigo não é a coisa mais simples do mundo. Anthem deveria estar dublado, e é uma pena que não esteja. Temos ótimos dubladores aqui que fariam um trabalho ótimo com a sincronia labial da BioWare, a qual eles se orgulham tanto. Tenho certeza.

Ao fim, acho que Anthem entrega uma experiência divertida e genuinamente original. Não é a BioWare tentando ser a Bungie. É o estúdio de Mass Effect realmente se esforçando para criar algo novo, um novo mundo, seguindo algumas regras de um gênero que se mostrou muito forte nestes últimos anos. E não há nada de errado nisso. Talvez o maior erro da BioWare, e da Electronic Arts, ao longo dos últimos anos tenha sido vender Anthem como algo maior do que esse lançamento original conseguiu entregar. Mas isso não tira os méritos e toda as boas mecânicas do jogo, assim como a imersão e diversão proporcionada. Problemas existem sim, mas nenhum deles é motivo para dar como decreto a opinião de que Anthem é um título que não vale a pena ser jogado. Não caia nessa.

Quem é fã da Bioware e gosta de seus jogos, vai sentir o gostinho do talento do estúdio. Quem gosta de Destiny, vai encontrar em Anthem o início de um novo universo que vai proporcionar centenas de horas de conteúdo, apenas dê tempo para isso acontecer. Anthem é um destes jogos em que você precisa investir seu tempo. Destes que você compra e pode ficar tranquilo que sempre vai ser algo para se fazer toda vez que voltar a ele. Acho que, por enquanto, isso é o suficiente para apostar algumas fichas em Anthem.

Galeria

Dando uma nota

Há uma boa construção de mundo, mas nem tudo soa muito... vivo - 7.5
Mobilidade das Lanças é um dos pontos altos do gameplay - 8.9
Combate é frenético e explosivo, mas armas e o loot ainda precisam de aprimoramentos - 7.5
Todas as atividades, eventos e missões funcionam com matchmaking para 4 jogadores - 8.5
Há muitos momentos repetitivos, e poucos momentos épicos com grandes chefes - 6
Localizado em português com legendas, talvez fosse mais interessante uma completa dublagem - 7
Bugs e glitches não favorecem o momento inicial do lançamento, mas tudo pode ser consertado - 6

7.3

Bom

Anthem chega com muitos pequenos problemas que certamente atrapalharam seu momento para brilhar com um sólido lançamento. Entretanto nada é perdido e o título entrega algo divertido e interessante, e que tende a melhorar nos próximos meses. Progressão, mobilidade, mecânicas e o mundo do jogo possuem boas bases e podem ser refinados. Ou seja, vale dar uma chance.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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