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Análise | Yonder: The Cloud Catcher Chronicles

Disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC

Yonder: The Cloud Catcher Chronicles foi desenvolvido pelo estúdio Prideful Sloth, desenvolvedora localizada na Austrália e que até o momento tem Yonder como seu primeiro título lançado comercialmente. Fica a curiosidade de que os membros desse estúdio trabalhavam anteriormente na Activision e na Rocksteady, dentre outros grandes estúdios.

O game teve datas de lançamento bem diversas para os consoles atuais, ele saiu para PlayStation 4 e PC em julho de 2017, para o Nintendo Switch em maio de 2018, e para o Xbox One somente agora em fevereiro deste ano. A versão jogada para esta análise foi a de Xbox One. Uma observação importante é que o jogo tem a opção de localização para o português do Brasil, por meio de legendas em nosso idioma (com alguns errinhos aqui e ali, mas passáveis).

Yonder: The Cloud Catcher Chronicles é um game de aventura que brinca com pouco com elementos de simulação de vida cotidiana, que se passa em um mundo aberto. Iniciamos a aventura criando o nosso próprio avatar e decidindo características dele como tamanho, formato de corpo, cor da pele, cor do cabelo, aspectos do rosto e outras características. Depois disso o jogador passar a viver a vida deste protagonista criado, lidando com gerenciamento de uma micro vida dentro do jogo, lidando com tarefas, coleta de itens, criação de ambientes, e vivendo uma “vidinha” dentro do jogo.

O início

Estamos no mundo que dá título ao jogo, Yonder, e começamos o jogo navegando em direção ao continente de Gemea, que é uma ilha paradisíaca com oito cenários distintos. Contando com planícies, desertos, pântanos, praias tropicais e cumes de montanhas cobertos de neve. Este paraíso era até pouco tempo um ótimo local para se viver, mas subitamente teve várias áreas cobertas por um escura névoa (trevas) e todos os habitantes do local a temem, alegando que a mesma é maligna.

O barco onde o jogador inicia a aventura afunda e vai parar na praia de Gemea – curiosamente este início me fez lembrar, e com certeza vai fazer mais jogadores se lembrarem, de começos parecidos encontrados em jogos da série The Legend of Zelda. Ainda estando desacordado, o jogador conhece a Rainha Sprite, que vai falar sobre seus familiares, pequenos espíritos chamados de Sprites e a sua missão de erradicar as trevas de Gemea.

Os gráficos que o jogo apresenta são bonitos em qualquer plataforma, pois são bem coloridos e nos dão ótimas paisagens. Pode-se até dizer que elas são inspiradas com o que pode ser visto em jogos como The Legend of Zelda: Wind Waker. Aquele visual caricato, onde o nível de detalhamento é baixo, mas que fica muito bonito no contraste geral da obra. Isso chama imediatamente a atenção o jogador e lhe apresenta um mundo bastante acolhedor e convidativo a exploração.

A trilha sonora não vai mudar sua vida, mas conta com diferenciações conforme a área onde estamos, ficando mais suave nos momentos de pescaria, por exemplo, e nos dando um tom de descoberta ao retirarmos as sombras do mundo. E antes que eu me esqueça, temos os clássicos baús, que também me remeteram a série The Legend of Zelda, mas sem a animação do personagem quase caindo neles e nem a música característica da revelação do item. Enfim, a inspiração dos jogadores com a icônica série da Nintendo me pareceu bem óbvia, o que certamente dá um certo charme, mas sem soar como algo negativo.

A dificuldade

O título não possui uma dificuldade alta. Não há combates com monstros ou qualquer outra espécie de adversários. A única forma de morrer é caindo na água e se afogando, porém tal ato não é punitivo e logo se volta à margem do rio ou praia onde o jogador estiver tentando atravessar.

Resumindo em poucas palavras, Yonder é um jogo fácil. Para se relaxar das correrias do dia a dia. Aqui você dificilmente vai se irritar, e mesmo que trave em alguma missão, vai ter outras para fazer rapidamente. E aí você volta aquela que não estava dando certo quando estiver afim ou quando encontrar os itens necessários para realizá-la durante as outras missões e até mesmo mediante a exploração natural do ambiente.

O objetivo

Trata-se de um jogo de exploração de ambientes. Inevitavelmente me peguei ficando mais tempo apreciando a paisagem, os animais e os cenários, que vão surgindo, do que simplesmente achando soluções para as missões que me foram dadas. Estas missões normalmente se resumem em missões de pegar “tantos” itens, fazer (fabricar) um valor X de itens para entrar numa guilda e, é claro, sair em busca dos espíritos que nos ajudam a acabar com as trevas deste mundo.

Para auxiliar o jogador há uma bússola celestial que sempre vai indicar o caminho da missão atual ou outro caminho (dá para marcar um local no mapa e ser guiado até ele pela bússola e pela marcação). Dá para alternar livremente entre as missões ativas com um simples toque no botão. Nada de ficar perdido no mundo do jogo, sem saber para aonde ir, então.

Como mencionei anteriormente, a aventura em Yonder consiste em retirar as trevas dos locais onde elas estão. Para isso o jogador usar as tais Sprites. O que vai necessitar cada vez mais um número maior de Sprites. Estes Sprites estão escondidos em áreas do jogo, ao se manipular itens pelo cenário e muitas vezes em áreas acessíveis somente após concluir alguma missão ou até mesmo o objetivo o objetivo de certas missões. Até mesmo há habitantes que na verdade são Sprites disfarçados, e que se revelam ao se concluir eventos específicos.

Então o objetivo é sair resolvendo várias missões pelo mundo de Gemea. E geralmente serão tarefas como sair em busca de itens para utilizar o sistema de crafting e assim criarmos outros itens que vão, ou solucionar problemas do mundo (como a construção de pontes), ou permitir entrar em guildas e assim conseguir novas receitas. Estas receitas, por sua vez, vão precisar que você busque outros itens que vão nos levar a entrar em outras guildas para então conseguir fazer o item X para usar ele no projeto Y na guilda Z e assim sucessivamente. Nada parece simples quando colocado dessa maneira, né.

Algumas vezes não há outra saída a não ser comprar alguns itens dos vários mercados espalhados. Curioso dizer que aqui não existe dinheiro propriamente dito, é tudo na base da troca. O jogador vai colocando itens contra os itens que quer pegar e o vendedor vai dizer se aceita a oferta ou não. Geralmente a oferta é aceita caso a sua contraparte seja maior que a dele, mas não se preocupe, o povo de Gemea é bem camarada e compra até pedra, capim, gravetos e etc. Basta, então, ter um número X de itens e cuidar para não tentar trocar somente coisas de baixo valor, senão não teremos o valor necessário. A lei do escambo, basicamente.

Jeitinho “Animal Crossing”

Em Animal Crossing, outra famosa franquia da Nintendo, temos ferramentas que nos permitem fazer determinadas atividades. Como um machado para derrubar árvores, uma pá para cavar, uma vara de pesca para pescar… dentre outras coisas.

Em Yonder temos estas mesmas mecânicas nas ferramentas utilizadas. Há a vara de pescar para obviamente pescar (devemos mover a isca para chamar o peixe e depois quando derem a fisgada, puxar em direção ao jogador conforme uma flecha fica indicando até que a “pesca” se complete), o machado com o qual pode-se cortar as árvores de 2 formas diferentes (deixando o toco para trás ou cortando tudo, com o corte temos madeira e gravetos para serem coletados).

Mas também há ferramentas que não existem em Animal Crossing, como a picareta para retirar minério de formações rochosas, um martelo para quebrar pedras, caixas e barris, além de uma foice para cortar capim. Tudo isso vai gerar itens para serem coletados e usados em missões, vendidos/trocados nas lojas ou utilizado como alimento para os diversos animais na tentativa de domesticar os mesmos.

Particularmente gostei do sistema de pesca, por você pode escolher o tamanho do peixe ao ver a sombra dele na água, e especialmente por não ser apenas um simples apertar enlouquecido de um botão para fisgar o peixe. Gosto desse elemento de ir manipulando o analógico para as direções para cansar o peixe, ainda que seja algo que outros jogos já tenha feito igual.

Mais influências? Sim, claro. Vindo diretamente como uma homenagem, assim acredito, a série Harvest Moon, em Yonder há a possibilidade de fazer pequenas fazendas em locais determinados. Netas locações pode se construir celeiros para os animais, começando assim a ter uma produção de itens oriundos desses animais. Também pode se fazer pequenas plantações e produzir itens derivados das mesmas.

Também é possível contratar NPCs do jogo (subornando-os com comidas gostosas) para que eles gerenciam a fazenda para você. Basicamente fazendo todo o controle dela por sinal, desde as plantações e até os animais. Quando os trabalhadores contratados estiverem com 100% de felicidade ganha-se bônus que aumentam os rendimentos das produções da fazenda.

Há também como construir máquinas específicas nas guildas, e então utilizá-las, por exemplo, para fabricar queijos com a produção de leite da fazenda, que por sua vez poderemos vender por um maior valor ou utilizarmos para cumprir missões especiais.

E vale a pena?

Vai depender exatamente do que você espera do jogo. Yonder é bonito de se jogar, mas não é algo que vai agradar a todos. Afinal trata-se de um título sem ação, no sentido de não existe combate. Isso certamente afasta um pouco certo público. É uma jogabilidade que rapidamente pode se tornar cansativa.

É um jogo sem um final declarado, pois após livrar o mundo das trevas pode-se continuar cuidando das fazendas e dos animais, assim como continuar cumprindo tarefas para os habitantes da ilha. Assim como normalmente são jogos que simulam uma experiência de viver dentro de um micro ambiente.

Parte da experiência achei agradável. É gostoso explorar seu mundo aberto, e foi algo que me lembrou muito das descobertas que fazia ao explorar os mundos criados na série The Legend of Zelda. Além disso, a parte de ter várias ferramentas já me levou para as lembranças de quando tinha tempo de sobra para me dedicar a Animal Crossing.

Claro que há todo esse mecanismo de sair cumprindo missões e pequenas tarefas que levam a fazer outras coisas dentro do jogo que são as rodinhas de sua engrenagem. Há um ciclo dentro disso que pode se tornar enfadonho e repetitivo. O que, para ser justo, é inerente do gênero a qual Yonder: The Cloud Catcher Chronicles está inserido. É um jogo para seu nicho, e dentro disso, ele apresenta elementos divertidos. Ao menos pra mim, que não sou um aficionado por tal segmento, acabei encontrando um jogo agradável. Destes que você intercala com outros jogos mais complexos e desafiadores, para dar aquela relaxada. É um título mais tranquilo, mais como um passatempo. No fim, acabou me cativando.

Galeria

Dando uma nota

Há boas inspirações, de jogos como The Legend of Zelda, Animal Crossing e Harvest Moon - 8.9
Sistema de gerenciamento de itens e fabricração simples e intuitivo - 8
Visualmente é muito bonito, a ponto de ser acolhedor - 9
Missões principais possuem ótimos momentos, já as demais... nem tanto - 7
Inerente ao gênero, há um ciclo de repetição que pode ser cansativo - 6
Ausência de qualquer tipo de combate (o que poderia apimentar algumas mecânicas) - 5

7.3

Bom

Yonder: The Cloud Catcher Chronicles é um jogo que permite que se faça muitas coisas com as possibilidades que se apresentam, mas ao mesmo tempo falha em dar um real motivo para fazermos tudo o que podemos fazer. Mesmo assim apresenta um visual único e carismático, que lhe convence a ficar por algum tempo nessas terras. É um jogo relaxante, para aqueles que se deixar levar. Trata-se de uma aventura simples, de viva e deixe viver. De curtir o momento, de pequenas tarefas e descobrimentos.

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Paulo Roberto L. S.

Gamer desde o antigo Master System 3. Leitor de HQs (Marvel/DC) e de Mangás, como atividades extras me dedico a treinar Pokémon e sair em busca de conquistas e troféus.
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