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Análise | Chocobo’s Mystery Dungeon: Every Buddy!

Disponível para PlayStation 4 e Nintendo Switch

Lançado originalmente em 2007 para Nintendo Wii, sob a alcunha de Final Fantasy Fables: Chocobo’s Dungeon, talvez este seja quase um jogo esquecido no tempo, cuja a lembrança está sendo resgatado em 2019, graças a iniciativa da Square Enix de trazer para as atuais plataformas diversos clássicos da franquia Final Fantasy. Mas ao contrário dos ports que estão feito na série numerada de Final Fantasy, aqui a decisão foi remasterizar e aprimorar a experiência original, resultando em seu novo título: Chocobo’s Mystery Dungeon: Every Buddy.

A justificativa para o novo título (Every Buddy) tem seu valor: agora é possível jogar todo o jogo em multiplayer local com um amigo, a qual ele controla uma das inúmeras opções de parceiros a qual Chocobo pode se aliar na aventura. Quando não se está com um amigo para isso, este buddy system é gerenciado pelo jogador principal, tornando a experiência e a jogabilidade desta nova versão um tanto quanto mais flexível do que a do jogo original. Explico mais sobre isso mais a frente desta análise.

Vale também mencionar que esta é só uma de algumas tentativas da Square Enix de emplacar uma série própria do Chocobo baseado em exploração de masmorras. A primeira vez em que isso aconteceu foi em Chocobo’s Mystery Dungeon em 1997, lançado no primeiro PlayStation. Uma sequência numérica também viria a ser lançado um ano depois, em 1998 para a mesma plataforma. Final Fantasy Fables: Chocobo’s Dungeon nem sequer foi a última investida na série, pois em 2008 foi lançado uma sequência para o mesmo, desta vez exclusivo para Nintendo DS, e que saiu apenas lá no Japão: Chocobo to Mahou no Ehon: Majo to Shoujo to Go-nin no Yuusha (algo como Chocobo and the Magic Book: The Witch, The Girl and the Five Heroes). Este último já tinha uma jogabilidade um tanto diferente quanto a versão do Wii, já todo adaptado às duas telas portáteis, bem diferente do jogo de 2007, mais focado no gênero adventure e puzzle. Seria interessante se essa sequência também ganhasse uma versão readaptada e remasterizada aos atuais consoles… mas talvez não seja muito simples fazer isso.

O ponto é que desde então a série Chocobo’s Dungeon deu uma sumida do mundo dos jogos eletrônicos. Levou-se todos estes anos para a Square Enix decidir revitalizar a franquia, ainda que com uma versão revisada do que talvez fosse a versão mais viável de se fazer algo assim. E que bom que ela fez isso! Resta torcer para que suas mecânicas agradem uma nova geração de jogadores e que permitam que novos títulos desta simpática e divertida série possam voltar a acontecer. Da minha parte, digo com tranquilidade que adoraria um novíssimo Chocobo’s Mystery Dungeon. Porém, independente disso acontecer ou não, Every Buddy parece fazer um ótimo trabalho apresentando a série para toda uma geração que talvez nunca tenha ouvido falar nela.

Ave amarela e as masmorras misteriosas

Chocobo talvez possa tranquilamente estar em uma lista dos animais mais famosos do mundo da ficção dos videogames. Certamente é o animal mais famoso, e possivelmente mais recorrente, da franquia Final Fantasy. Parceiro e ajudante dos heróis, um meio de transporte em muitos dos universo imaginados na série Final Fantasy. Não se trata de uma ave lendária ou algo assim. É um animal comum, mas nobre e que todos os fãs se simpatizam. Há um charme e simpatia pelo mesmo. Natural imaginar que o personagem poderia ganhar jogos spin-offs em que o mesmo funcionaria como protagonista. No passado dos jogos os mascotes eram algo muito importante aos estúdios. Chocobo se tornou um dos mascotes do universo de Final Fantasy, portanto, normal que tenha recebido diversos jogos no passado.

Na série Dungeon, ou mais especificamente aqui, em Chocobo’s Mystery Dungeon: Every Buddy, o jogador irá explorar e desbravar, tal quam o título sugere, masmorras, um cenário comum de muitos jogos. São basicamente cavernas recheadas de inimigos, em que o jogador deve sobreviver até o fim das mesmas e enfrentar um perigoso chefe ao final delas.

O mystery – de mistério – no título sugere outro elemento comum dentro desse gênero: as masmorras mudam cada vez que o jogador entra nelas. É um esquema procedural, onde o caminho segue uma espécie de labirinto, onde a exploração não é nada linear, assim como a disposição de itens encontrados e inimigos enfrentados. Aqui o jogador precisa explorar masmorras por meio de andares, e sobreviver até o final delas. Morrer tem uma penalidade alta: tudo que você estiver encontrado, ou levado consigo ao entrar na mesma, incluindo suas moedas e itens, é perdido ao fracassar. E não, você não pode recuperar o que perdeu (dou uma dica mais a frente de como evitar isso).

Há mais de suas mecânicas que merecem explicação: o jogador, na pele de um Chocobo, progride pelo game ganhando nível, tal qual um RPG, enquanto seu personagem também dispõem de jobsmeio que classes de heróis. Subir de nível garante melhor defesa, ataque e saúde. Atributos básicos de um RPG. Já as classes permitem mudar as habilidade de Chocobo. Guerreiro usa potentes ataques físicos, enquanto Mago usa e abusa de magia. Mago branco pode usar magias de cura, enquanto a classe Dragão mistura atributos mágicos com ataques de longa distância. Há diversas classes para testar e criar diferentes tipos de estratégias quanto os mais diversos tipos de inimigos e chefões. O ponto é que todas estas classes usam habilidades que são geridas por uma barra que poderia ser colocada como a mana (SP) do jogo. Não é porque seu guerreiro usa a espada para potentes ataques, ao invés de fogo que é uma magia elemental, que isso não vai gastar SP, pois vai. Apenas o ataque básico, que consiste em Chocobo chutar um inimigo não gasta essa barra (e esse ataque existe para todas as classes).

Outra ponto curioso, e talvez o grande diferencial do jogo, que o afasta dos tradicionais RPGs, seja os elementos de combates que exigem estratégia de movimentação e posição. Funciona assim: dentro de uma dungeon, o tempo só avança de Chocobo se mexer. Andar, atacar, usar itens… tudo isso faz os inimigos se movimentarem dentro do local. Em combate, realizado por turno, é a mesma coisa. Se for a vez do jogador, enquanto o mesmo não realizar uma ação, tudo segue parado. Pra mim esta é uma das mecânicas mais legais do jogo, que o tornam diferente dos tradicionais RPGs por turno. Aqui não há uma arena fixa. Andar, se posicionar, acaba sendo uma importante. E andar faz com que os inimigos andem, lhe cerquem, lhe persigam. Gastar um turno com algo que não seja um ataque cria uma dinâmica bem diferente dos tradicionais RPGs.

Sino do esquecimento

Chocobo’s Mystery Dungeon: Every Buddy não é somente um jogo de mecânica, mas também apresenta uma trama envolvente e interessante, dentro do que que se pode querer referente ao universo de Final Fantasy. Chocobo e seu parceiro, um humano chamado Cid, são caçadores de tesouros que estão atrás de uma lendária nave, e enquanto exploram esse inóspito deserto vão parar em uma pequena cidade chamada Lostime.

A cidade sofre de um estranho fenômeno em que sempre que o sino badala, seus habitantes perdem preciosas memórias. E todo mundo meio que se adaptou a isso, conformados que vivem se esquecendo de tudo. O problema é que Cid passa a sofrer disso logo que o sino badala pela primeira vez, enquanto Chocobo parece não se afetado pelo estranho fenômeno.

Tão logo a estes acontecimentos um estranho meteoro cai na cidade, revelando um pequeno bebê dentro do mesmo. Esse bebê, de cabelo verde, logo revela uma estranha habilidade de entrar em estranhos portais que aparecem quando as pessoas estão sofrendo desse mal da memória. Chocobo descobre poder fazer o mesmo. Estes portais os transportam para estranhas masmorras, onde ao final das mesmas estão algumas das memórias perdidas. Cada portal tem diferentes memórias, de diferentes habitantes. Diferentes portais levam a diferentes masmorras.

Qual o mistério por trás de tudo isso? O estranho bebê? O sino que faz todos esquecerem as memórias? Uma estranha bruxa surge para dizer a Chocobo parar de restaurar a memória de todos. Guardiões são descobertos e grandes templos são revelados, quatro para ser mais exato. E Chocobo deve entrar em todos eles e descobrir a verdade escondida.

Ao longo dessa jornada o jogador irá se relacionar com todos os habitantes da cidade. Vendedores, guardiões, habitantes, crianças, figuras importantes como o prefeito e o padre. Todos acrescentam algo a jornada. Todos tem uma história, umas mais simples, outras mais profundas. Nos moldes do que se espera nesse universo baseado na franquia Final Fantasy. O que Cid está procurando e qual o mistério por trás da cidade onde todos perdem suas memórias? Só Chocobo poderá revelar!

Aparências que enganam

Outro elemento bacana de se apontar em Chocobo’s Mystery Dungeon: Every Buddy é sobre seu visual versus sua dificuldade. O jogo tem um visual meio fofinho, meio infantil, mas isso não reflete na complexidade de suas mecânicas ou na dificuldade de progredir em sua campanha. Parece um título para crianças, mas não necessariamente é.

O jogo é bem difícil em diversos momentos. Especialmente em suas batalhas contra os principais chefes de cada uma das quatro principais masmorras da trama. São batalhas que exigem muito do jogador, em termos de estratégias, itens utilizados, classes a se utilizar e até mesmo o companheiro certo para lhe acompanhar. Eu me peguei, já com mais de 10 horas de jogo, preso por horas e horas até conseguir passar o chefe do Templo de Água. Em determinado momento até achei que seria impossível vencê-lo sem passar mais 10 horas farmando e subindo de level (algo que não foi necessário no final das contas).

Talvez isso até possa ser apontado como um pequeno problema do jogo, pois avançar pelos andares de cada masmorra não chega a ser difícil em grande parte do tempo (há salas que podem lhe derrubar se não prestar muita atenção, especialmente em inimigos que lhe prendem, envenenam e usam confusão – ou então nas salas chamadas mar de monstros). Com isso, a sensação de que tive é que o título pede que o jogador passar um tempo “treinando”, farmando, e fazendo grinding de suas classes e seu nível de poder para conseguir vencer algumas batalhas de chefes. Isso interrompe, momentaneamente, o que deveria ser uma progressão mais natural pela aventura.

A solução que encontrei para contornar um pouco isso, pois não gosto de ficar fazendo grinding, foi usar e abusar de itens, e felizmente o jogo dá uma alternativa interessante para essa mecânica: pescar! Há um simples mini game de pesca no mundo principal, que permite o jogador ganhar dinheiro vendendo peixes e também pescando itens – meio que na sorte. Admito que passei algumas horinhas em um final de semana me dedicando a isso.

Pescar aumenta itens de um NPC que armazena itens pra mim, pois assim não perco eles caso morra dentro das masmorras. Também me enriquece, pois posso vender os peixes para outros NPC na cidade. Com dinheiro também posso melhorar meus equipamentos, colocando habilidades passivas, aumentando seus ataques e defesas. E enquanto pesco, vou coletando itens, como poções mais fortes e alguns tipos de itens que não podem ser compradas em vendinhas (no ponto em que me encontrava na ocasião), como uma poção que explode ao arremessar em um inimigo ou uma muito boa chamada Damaging Drink, que retira metade da barra de saúde de um inimigo (ou uma pedação de HP de um grande chefe).

Essa é a parte que mostra que Chocobo’s Mystery Dungeon: Every Buddy não é simples como poderia se esperar de um título com o protagonista sendo uma ave amarela, que parece uma galinha. Não é só ir entrando nas masmorras e socar os inimigos e seguir avançando. Há muito, dentro de suas mecânicas, que exige que o jogador pare e pense o que fazer para vencer um desafio. Travar no jogo é mais comum do que você pode imaginar. E aí é ver o que você está fazendo de errado, ou mais provavelmente, o que você não está fazendo, dentro da cartilha de possibilidades.

Mudar e testar as classes e habilidades que vão abrindo ao longo da aventura. Usar e abusar de itens, como poções que podem ser chutadas nos inimigos, ou livros de magias que podem ser coletados ao longo da aventura. Melhorar e refinar seus equipamentos, colocando selos de habilidades passivas nos mesmo (algo que demorei muito na minha progressão a entender como fazer). Ajudar os NPCs da cidade, e habilitando alguns recursos que estes podem lhe ajudar. E principalmente: aprender a desistir de uma masmorra quando estiver claro que não vou conseguir chegar ao final dela. Para isso o jogo conta com um item para sair dela a qualquer momento, porém é possível desistir sempre que você encontrar as escadas no final de cada andar (e aí não precisa queimar esse item). Sair de uma masmorra, antes do final dela, permite levar os itens encontrados nela para seu inventário. Assim você planeja melhor, organiza, equipa algo mais forte, e retorna para a masmorra depois de tudo isso.

Considerações Finais

Chocobo’s Mystery Dungeon: Every Buddy é um excelente resgate da Square Enix. A decisão de reapresentar esta série a uma nova geração de jogadores é fantástica. A versão remasterizada também não deixa a peteca cair, apresentando novidades e aprimoramentos em relação a versão original de 2007.

Eu me lembro de jogar a versão para Nintendo Wii, mas de forma vaga (memória de gente velha, sabe?). Em relação ao que vi nesta nova versão, a qual testei no Nintendo Switch, realmente não tenho do que reclamar. Assisti alguns vídeos no YouTube (como esse) e notei que a versão remasterizada recebeu um corte estranho nas cenas de animações (cutscenes), ficando mais chapadas, sem muitos lances de câmeras para dar um efeito mais cinematográfico. Perderam um pouco do dinamismo que existe no original, mas sinceramente isso não me incomodou. Visualmente o jogo está mais bonito, com melhores texturas, com as cores mais vivas.

Sem contar que as novas mecânicas com o sistema de companheiros é uma ideia muito interessante para o jogo. Permite aquela sensação de colecionismo. O jogador quer batalhar com todos os tipos de inimigos, pois é assim que você os destrava como companheiros. Cada um destes companheiros tem status próprios, como resistências e fraquezas diferentes, além de habilidades que ajudam a extrapolar o conceito das classes a qual as habilidades de Chocobo ficam por vezes presas. E além destes inimigos, NPCs da trama principal também podem ser usados como companheiros. Fica ainda como o recheio do bola, a ideia de poder usar esse sistema em multiplayer local, com um amigo.

O que fica a se lamentar é a falta de uma localização para nosso idioma. O jogo está todo em inglês, com legendas. Há muito áudio, mas parte da experiência é em texto mesmo. Seria legal se o jogo tivesse recebido uma tradução, evitando essa barreira que muitos jogadores ainda sofrem. Fora que o título foi lançado apenas para PlayStation 4 e Nintendo Switch, deixando de lado as plataformas do Xbox One e PC. Não precisava.

No geral acabei me surpreendendo ao revisitar esta série. É muito mais agradável e divertida do que me lembrava. Os elementos de estratégias, ao se navegar pelas masmorras, me soarem mais interessante hoje em dia, com certa maturidade para pensar a respeito dessa mecânica. Também fiquei surpreso com o quanto o jogo me desafiou e se mostrou difícil em algumas batalhas. Tive que usar a velha técnica de salvar manualmente antes de entrar em uma masmorra para o caso de morrer poder fechar e abrir o jogo para não perder meu precioso arsenal de itens (levados para batalhar contra poderosos chefes). Felizmente o jogo permite isso – há jogos que são malandros, colocando um salvamento automático logo depois de uma morte para evitar que o jogador trapaceie dessa forma.

Bons desafios, masmorras que mudam cada vez se entra nelas, sistema de companheiro com doses de colecionismo, muitos elementos de RPG e estratégia, uma história simpática, segredos para se descobrir, chefes secretos e opcionais, sistema de itens que são necessários para o avanço do jogo, diversos tipos de equipamentos, assim como classes com habilidades próprias. Chocobo’s Mystery Dungeon: Every Buddy parece entregar o pacote completo do que se pode esperar desse tipo de jogo, independente de existir um ciclo de repetição ao batalhar pelas masmorras, você só vai cansar se ficar fazendo sempre a mesma coisa, pois o jogo lhe dá dezenas de opções para jogar de diferentes maneiras e táticas. Ele quer que você experimente classes diferentes, parceiros diferentes, itens diferentes.

Chocobo’s Mystery Dungeon: Every Buddy honra a ideia de recordar o legado da franquia de Final Fantasy, tema que a Square Enix tem celebrado em 2019. É um clássico que foi remasterizado com muito carinho. E certamente fará alguns fãs lembrar que Chocobo é um carinha que merece um título inédito. Ficarei torcendo por isso.

Galeria

Dando uma nota

É um bom resgate de uma série adormecida no tempo - 9
Sistema de companheiros, que acrescenta um multiplater local, é ótima adição - 9.5
Divertido e viciante, porém também pode ser difícil e repetitivo - 8.5
Falta de localização em português pode criar algumas barreiras para entender o jogo - 6.5
Visualmente é bonito, tem um charme singular - título envelheceu bem - 8.5
Manda bem nos combates e ainda mais nas batalhas contra chefes - 9
Possui ótimas mecânicas, que mesclam elementos de estratégia e RPG - 9.5

8.6

Ótimo

Chocobo's Mystery Dungeon: Every Buddy não é um game inédito, mas é quase como se fosse. É uma série que estava há tempos guardada no baú da Square Enix e está sendo resgatada com diversos méritos. As novidades, novos gráficos, multiplayer, sistema de companheiros renovam o espírito do jogo, que tem uma ótimo desafio e um charme incrível. Para quem gosta de elementos de jogos de estratégia e também de RPG, vai encontrar algo bacana por aqui.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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