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Análise | Daemon X Machina

Disponível para Nintendo Switch

Daemon X Machina é um título curioso, pois traz de volta um gênero que não tem tantas opções de títulos atualmente em comparação ao tanto que já tiveram no passado: jogos baseados em grandes robôs de batalhas (mechas). O título foi lançado na última sexta-feira, dia 13, tendo sido desenvolvido pelo estúdio japonês Marvelous First Studio, e distribuído no aqui ocidente pela própria Nintendo. Exclusivíssimo para Nintendo Switch.

Antes de continuar é preciso pontuar alguns detalhes em paralelo. O título conta com a produção de Kenichiro Tsukuda, desenvolvedor que trabalhou em alguns títulos da famosa franquia Armored Core – possivelmente a maior e mais famosa franquia dentro desse segmento de jogos utilizando grandes mechas. Isso quer dizer que as semelhanças entre as IPs não são exatamente mera coincidência.

Aliás, Armored Core, caso você esteja pensando o que aconteceu com essa série, é uma franquia do estúdio FromSoftware, e meio que encontra-se em hiatos desde 2013, quando foi lançado Armored Core: Verdict Day, nos sistemas PlayStation 3 e Xbox 360. É curioso ver que ainda não tivemos nenhum novo jogo da série na atual geração. Daemon X Machina parece chegar oportunamente se aproveitando desse fato.

Daemon X Machina também conta com o talento do artista Yūsuke Kozaki, responsável pelo design dos personagens. Kozaki já trabalhou como design de personagens em diversos jogos, incluindo trabalhos mais recentes, como em títulos como Travis Strikes Again: No More Heroes, Xenoblade Chronicles 2 e Fire Emblem Heroes. A lista de trabalhos do profissional é de respeito.

No geral, Daemon X Machina é um título focado muito em seu próprio nicho. É realmente um título para fãs do gênero mecha. Funciona como um jogo de tiro em terceira pessoa, baseado em missões de 5 a 12 minutos, com um alto poder de customizações de seu personagem e seu robô, enquanto avança por desafios que envolvem batalhar contra outros robôs como o seu, pequenos bots e grandes maquinários que serão 5 vezes maior que seu mecha. Tem a vantagem de oferecer um interessante modo multiplayer local e online, além de ser realmente muito acessível a jogadores nada habituados com o gênero. A proposta desta análise é destrinchar melhor alguns destes pontos.

Revolta das máquinas

Daemon X Machina se passa em um futuro distópico, onde as máquinas se revoltaram contra a humanidade. Segundo a trama, isso ocorre após um evento que quase destruiu o planeta, a queda da lua. Para sobreviver a tal evento catastrófico a humanidade inventou uma inteligência artificial, que acabou se rebelando contra seu criador. Agora os remanescentes da humanidade precisam lutar contra estas máquinas, em meio a um planeta que já sofre após receber o impacto da nossa própria lua.

A humanidade luta, não é lá muito organizada. Dependemos demais de grupos de mercenários, que se reúnem em um grande quartel general para discutir missões e serem organizados – ironicamente – por uma outra inteligência artificial que está do nosso lado. Temos acesso a tecnologia, dentre mechas, que não foram corrompidos pela IA contra quem lutamos. Os inimigos aqui são chamados, veja só, de Imortais.

Tudo isso soa interessante, mas acaba que sendo só um pano de fundo para o jogador sair com seu robô gigante metendo bala em todo maquinário que aparecer na sua frente. O desenrolar do enredo de Daemon X Machina acaba sendo um dos pontos mais fracos do título, ainda que seu plot seja interessante.

O jogador assume o comando de um novato nessa organização que reúne grupos de mercenários que cumprem contratos para combater as máquinas. E apesar de um incrível sistema de customização de personagem, realmente abrangente e com muitas opções, este personagem não é lá muito expressivo no enredo em si. Está mais para aquele personagem espectador: apenas houve as conversas e nunca diz nada. Sequer parece haver cutscenes em que sua expressão facial se torna… expressiva.

Outro ponto fraco é a forma como o título conduz sua narrativa, que se dá por meio de imensas conversas por blocos de textos que ocorrem antes de cada missão. As vezes estas ocorrem até no meio e no final das missões. Com a tela perecendo um grande chat de WhatsApp. Os personagens até estão dizendo coisas legais nestes momentos, mas certamente seriam mais interessantes se fossem cenas de animação. Estes segmentos só não são piores porque todos os textos possuem áudios, dublados por seus respectivos personagens. Então não é preciso ler. E a dublagem – neste caso em inglês – não as achei ruim, são vozes com expressividade.

Falando em dublagem, Daemon X Machina possui áudio em inglês e em japonês, e não há nenhum tipo de localização em português. Lidei com o jogo em inglês e não achei difícil entender seus menus e recursos. Há uma certa intuitividade em seu design para oferecer acessibilidade até mesmo a quem não domina o idioma a qual o jogo estiver configurado.

Um ponto que me agrada no aspecto da forma como o título conduz a sua narrativa é que todas as falas possuem áudios. Não há exatamente nenhum momento de conversa em que o jogo fica mudo, com textos para se ficar lendo. Ao menos isso melhor a apresentação narrativa do enredo.

Foram isso também gosto muito que os NPCs que participam das missões de campanha juntamente com o jogador conversam entre si e contigo em meio da ação. Isso me trouxe uma lembrança dos bons tempos de Star Fox 64. Eles falam sobre as ameaças, o que fazer quando as coisas dão erradas, as vezes lhe pedem para fazer algo e assim por diante. É uma boa dinâmica para torná-los mais carismáticos. Funciona em certa parte.

Entretanto, no geral a história de Daemon X Machina não é lá muito incrível. Seus personagens também tentam ser originais e carismáticos, porém acredito que a falta de mais cenas de ação com eles tornem a empatia do jogador para com estes bem superficial. Alguns são maneiros, mas se sumirem não fariam falta alguma, sabe? Enredo não é realmente o forte do título. É só um meio para a ação.

Máquinas em guerra

Daemon X Machina se sai muito melhor quando o gameplay é colocado em evidência dentro do pacote. Aqui as batalhas são realizadas em arenas abertas, a qual o jogador pode se movimentar livremente dentro dos limites da área. Não são fases lineares, onde o jogador vai do ponto A ao ponto B.

Nesse ponto ele é meio diferente da dinâmica, por exemplo, do já mencionado Star Fox 64, que mesclava fases lineares com fases de arenas. Até existem em Daemon X Machina cenários onde o jogador precisa ir para algum ponto específico de um cenário composto por corredores, mas não são necessariamente grandes fases lineares. Estes momentos me parecem apenas arenas “esticadas”. Tipo, não há grandes surpresas ou sacadas, sendo que estes estágios se comportam de forma semelhante aos estágios de arenas circulares.

As missões do jogo tendem a variar dentro de um pequeno leque de opções. O mais comum é enfrentar hordas de inimigos, que chegam a arena em forma de ondas, dos mais simples aos mais fortes inimigos ao final. Porém há missões em que o jogador deve ir até um local, proteger edifícios ou até mesmo destruir edifícios. Há missões que envolvem destruir um certo número de inimigos, e em alguns casos esperar um evento de história acontecer para detonar outros mechas invasores. As melhores missões, entretanto, são aqueles que envolvem grandes chefes robóticos, de proporções monstruosas, que darão trabalho para serem eliminados.

Em seu arsenal o jogador conta com uma gama realmente impressionante de armas. Das mais variadas possíveis, incluindo katanas, para aqueles que acham que um robô precisa de uma espada gigante para fatiar outros robôs. Claro que sim!

Além da katana, obrigatório para casos em que você ficar sem munição, as categorias de armas de fogo são bem vastas, passando por rifles automáticos, metralhadores, rifles de snipe, bazucas (claro!), lança chamas, arma com mísseis e assim por diante. Há também um escudo, que pode ser empunhado e que melhora a sua defesa e lhe faz tomar menos dano.

O jogador pode carregar até quatro tipo destas armas de uma só vez. O robô é multitarefa e pode segurar cada arma principal e uma das mãos, enquanto manter outras duas empunhadas em suas costas para trocar conforme a necessidade. E isso ocorre em tempo real nas batalhas, com um clique do D-Pad do Switch. É simples e rápido. Cada arma funciona pressionando cada um dos gatilhos do controle, o que também torna intuitivo saber o que você está usando na hora da ação. Gatilho esquerdo, mão esquerda. Gatilho direito, mão direita.

Há mais! O jogador ainda pode carregar duas armas auxiliares em seu ombro. Um normalmente uma bateria de lança mísseis teleguiado realmente útil e um outro aparato que pode ter diversas funções, como um coldre para suas armas carregarem mais munições. Ao todo são seis itens de fogo para entrar em batalha com o dedo em todos os gatilhos possíveis.

Falando em dedos e gatilhos, tenho que dizer que os controles são bem intuitivos. O estúdio de desenvolvimento do jogo fez um bom serviço ao não confundir demais os jogadores com controles malucos e absurdos. No geral, de forma bem simples, há três botões de ataques, que ficam na parte superior do controle (gatilhos e bumper da esquerda), enquanto o botão B faz o robô pular e sair voando. Descer é só clicar com o analógico da esquerda, enquanto o A pode agarrar alguns objetos (você quase nunca vai utilizá-lo) e o analógico da direita controla a câmera e ao clicar nele usa-se uma habilidade especiais. O D-Pad muda suas armas em tempo real, enquanto muda um escudo de energia que fica orbitando seu robôs (e que você também quase nunca vai sentir a necessidade de mexer). Parece complicado inicialmente, especialmente na parte de entender sobre a troca de armas, mas depois que se pega o jeito a navegação é muito natural.

Se movimentar pelo ambiente do jogo também é bem tranquilo. Em terra o robô sai deslizando, como se estivesse patinando, o que o torna ágil e muito fácil de manobrar. Já no ar o voo é controlado pelo botão B que o faz subir e o clique no analógico da esquerda (L), que o faz descer. A câmera também contra essa verticalidade, dependendo da direção que o jogador mirar. É fácil para onde se realmente quer ir. Em ambientes fechados essa mobilidade é um pouco menor, especialmente em túneis, porém não é nada desmereça estas mecânicas.

Na questão do que fazer no mundo ao redor da arena, há realmente muito pouco pontos de interesse. Os cenários funcionam meio como um palco de batalha mesmo. Ainda que haja situações em que os prédios são destruídos, há realmente muito pouca interação com o ambiente ao redor. Eles mais escondem tanques e outros drones menores em meios a edifícios mais urbanos, enquanto nos áridos são mais sobre grandes batalhas com inimigos gigantes ou em maiores números.

Há que se elogiar o sistema de mira do título, que funciona de forma semi automática, mas é satisfatoriamente eficiente. Pense no sistema de mira de Star Fox 64, em que é preciso ficar o alvo por alguns segundos dentro da sua mira para depois atirar. Funciona assim em quase todas as armas. Inclusive a estava. Você olha pro alvo, a mira vai carregando se estiver próximo o suficiente, e aí usa a espada, fazendo o robô avançar diretamente no inimigo. Como disse, é muito eficiente.

O grande porém das batalhas é que elas tendem a terem um ciclo de repetição, e os inimigos não tem a variação de que poderia se esperar ao longo da aventura. A programação da inteligência artificial, ironicamente sendo a vilão da trama, não é muito esperta na forma prática. Os robôs menores voam sem muita formação, quase nunca lhe acertam e são destruídos com uma facilidade ridícula. O desafio maior vem dos mechas como do jogador, mais resistentes, mais ainda assim são inimigos que não fazem pressão necessária nos confrontos, inclusive se afastando e fugindo para longa se o jogador tomar uma postura muito agressiva.

Os chefes presentes em algumas missões também são animais. Sempre estruturas colossais, cheio de pontos de ataque, que partem pra cima do jogador com uma agressividade sem tamanho. São batalhas épicas e extremamente divertidas. Pena que no geral a barra de saúde destes gigantes, assim como dos mechas inimigos, seja meio difícil de enxergar em meio ao caos do combate. Essa característica da visão de alguns status, tanto do jogador quanto dos inimigos, poderia ter sido melhor planejado no HUD em tela.

Mas assim, a ação de Daemon X Machina não deixa a desejar. Não tenho um histórico muito grande de jogos de robôs gigantes que vou me recordar quando mais novo, mas sempre fiquei com a impressão de que estes títulos eram complicados demais pra mim. Algo que não aconteceu aqui. Fiquei totalmente confortável com os confrontos e com o ritmo do jogo, mesmo que bem mais lento do que poderia se esperar.

Poder da customização

Outro elemento muito importante de Daemon X Machina é a sensação de progressão que o jogador tem ao avançar por sua campanha. Isso ocorre porque seu robô está constantemente recolhendo novas peças e partes que podem ou não se acoplados no mesmo.

Pernas, braços, tronco, cabeça. Todas estas partes possuem atributos e status, como em jogo de RPG, e o jogador pode trocar estas partes e combiná-las com outras ao derrotar e destruir os robôs, que despencam pelo cenário e o jogador pode ir até o corpo destruído e coletar uma das opções que vão ficar disponíveis para escolha. estes robôs também podem dispor de novas armas, e não apenas pedaços de armaduras.

Eventualmente, conforme a campanha progride, uma loja de peças ficará disponível, dando mais opções de equipamentos. O dinheiro é coletado cumprindo contratos, ou seja, fazendo as missões principais e objetivos secundários nos estágios. Pedaços de armas e armaduras também irão, mais a frente da aventura, ter espaços para anexar outros pequenos perks que irão dar uma incrementada em alguns status.

Além disso o visual também é uma peça importante nesse tipo de jogo. Afinal quem quer um robô feioso, certo? Há diversas texturas, camadas de pinturas e adesivos que podem ser coladas em diversas partes do seu gigante de ferro. São opções não muito complexas, mas o suficiente para tornar apresentável seu robô para quando resolver mostrá-lo na garagem do jogo quando o mesmo estiver em modo multiplayer online (a qual já falarei mais a respeito).

Customização atribuída com a escalada de nível e poder que seu mecha terá estão, então, intimamente atreladas. O que é uma coisa boa. É um elemento que incentiva a experimentação. Usar armas diferentes, braços e pernas com atributos diferentes, seja porque visualmente são mais maneiras, seja porque o robô está ficando mais maneiro com estas trocas. Tudo isso é feito de forma rápida e bem informativa no menu entre missões. Não é nada engessado ou complicado.

Além disso seu personagem, que também tem ótimas opções de personalização de rosto inicialmente, também possui uma árvore de habilidades, que também adiciona outros elementos visuais a sua aparência. Estas habilidades são adquiridas com o dinheiro conquistado em missões. E é uma árvore em que se escolhe uma habilidade em detrimento de uma outra. Não dá para ter todas. Então é preciso pensar e avaliar. Não vá adquirindo logo de cara. Espere um momento em que seja realmente necessário.

Parte da diversão que encontrei em Daemon X Machina está nessa mistura de entender o ciclo de missões com o escape de ficar mexendo em meu robôs e pensando em novas configurações para sua armadura e suas armas.

Lutando online

Inesperado, mas o modo multiplayer online de Daemon X Machina é realmente interessante. Primeiro que o estúdio soube fazer um looby realmente bacana, onde quatro jogador se apresentam nessa grande garagem, cada um com seu robô posicionado para que os outros jogadores o admirem. Lembra, em menor proporção, a área pública de jogos como Destiny.

O único porém aqui é que essa parte online funciona com sistema de salas. Os jogadores abrem e fecham salas, permitindo que mais três jogadores entrem para jogar juntos. Se o dono da sala sair, todo mundo sai. É um esquema meio arcaico nos tempos de multi online, mas que tenho encontrado com certa teimosia nos títulos do Nintendo Switch. Ao menos funciona bem. Joguei algumas partidas e sempre encontrei salas e nada de lentidão entre as partidas. Não ao menos que tenha sido perceptível pra mim.

No modo online, o jogador pode refazer missões da campanha, escolhendo os tipos de missão. A mais popular, assim acredito, tem sido as missões com grandes chefes. Há uma lista de busca por sala somente com ela. Torna mais fácil encontrar o tipo de confronto desejados pelos jogadores. Isso os fazem entrar nas salas certas e não saírem ao verem que estão em uma missão que não estão afim de jogar.

As missões nessa modalidade são meio que aleatórias – se você está na sala de outros. Você não vota exatamente em uma lista. É o que o dono da sala escolheu (dentro do tema selecionado). É um modo cooperativo para se divertir após terminar o jogo em modo solo. Ao menos é meio que recomendado isso.

Claro que o título também suporta multiplayer local, para amigos que possuam outros Switch (e o jogo também) perto um do outro. O que não há é o multiplayer de tela dividida, com cada jogador compartilhando um Joy-con em um único Switch. Acho que não funcionaria muito bem aqui.

Também não há qualquer modalidade competitiva, em que jogadores possam batalhas contra outros jogadores. Não sei, me parece uma oportunidade jogada fora. É uma modalidade que deveria ser pensada em ser adicionada futuramente, por meio de alguma atualização. Daria mais uma camada ao título.

Considerações finais

Daemon X Machina certamente é um título voltado a um segmento muito específico de público. É um jogo de nicho, e portanto não vai agradar a todos. E tudo bem ser assim, pois o permite realmente se aproveitar essa lacuna deixada por Armored Core, que por enquanto segue aposentado nesta geração. Mas mesmo focado em um segmento de jogadores que amam esse tipo de jogo, o título mantém a porta para novos interessados.

Visualmente o título desperta a atenção, com o bom uso de cores vibrantes e por seguir um estilo mais de animê e cel shading do que visuais ultrarrealistas. Combina com o estilo adotado por muitos jogos do Nintendo Switch e não sobrecarrega o poder de processamento do console. Algo que muitos jogos tem tropeçando nas versões bases do Xbox One e PlayStation 4 só porque estes consoles possuem versões “prós”. Mesmo nos momentos mais caóticos, não notei frame rate caindo, tela congelando ou sensação do jogo estar sofrendo com qualquer tipo de engasgo. O ambiente ao redor das arenas pode ser simples e pouco expressivo, mas é realmente difícil prestar atenção nos cenários que se está rodando como um maluco atrás de drones, tanques e outros mechas que estão por toda parte. Fora que os efeitos estilizados de laser, tiros, explosões e fumaça são realmente bem legais.

Adicione a adrenalina de uma boa trilha sonora rock e metal. A trilha sonora do título é ótima, ainda que algumas não seja memoráveis, mas certamente a que abre o menu de apresentação do  jogo deve ficar marcada na sua memória. Além disso, apesar dos norte americanos terem criticado um pouco a dublagem, aos meus ouvidos tupiniquim, isso não me soou um problema. Gostei das vozes e da interpretação dada ao personagens em inglês.

Na parte da trama, realmente Daemon X Machina deixa a desejar. O protagonista é aquele clichê de avatar do jogador, totalmente raso e sem qualquer profundidade. A forma como jogo conduz sua narrativa, com muitas telas de chat também não é a melhor ideia do mundo, mas há coisas boas ali. Posso dar um exemplo de conversa que me entreteve, que foi na missão em que se deve proteger uma biblioteca e os mercenários em questão começam a filosofar o porque deveria salvar livros, se os mesmos possuem versões digitais. Há bate papo realmente interessantes em alguns momentos do jogo. Dá para se surpreender aqui ou ali.

A campanha do jogo, que tem duração de 15 horas aproximadamente, é dividida em missões, que são realizadas em grandes arenas, com limitações de áreas, porém abertas o suficiente para o jogador voar e se movimentar como bem entender. Elas são categorizadas por ranking, a qual a dificuldade vai escalando. Dentro destas missões há objetivos secundários, assim como missões inteiramente secundárias e opcionais também vão sendo liberadas para o jogador que achar necessário ganhar um dinheirinho extra.

E depois disso, você fica livre para brincar em um bom modo online para quatro jogadores, que cooperam em conjunto para vencer o objetivo do estágio. Não há chat por voz nessa modalidade, mas foi inserido um menu de chat por texto que quebra bem o galho caso você precisa dizer alguma coisa a sua equipe. Apenas o modo local é meio decepcionante ao precisar de um segundo Nintendo Switch com uma outra cópia do game só para adicionar um segundo jogador.

O ciclo de missões é meio repetitivo, sem dúvida alguma, mas isso não torna o jogo tão cansativo quanto poderia tornar. O sistema de equipamentos e armas dão uma quebrada na repetição, enquanto adiciona replay aos recursos do título. E no mais os controles são ótimos e a ação é sempre frenética. Regata a um bom visual, que não torna nada confusão em tela, e uma ótima trilha de som, com personagens que conversam entre si em meio as batalhas.

Pra encerrar, Daemon X Machina é um título que me impressionou. Admito que não estava esperando muito sobre o mesmo, até porque não sou um grande conhecedor e jogador destes jogos de batalha com robôs gigantes. Sei que já joguei Armored Core no passado, mas sequer me lembro quando ou qual console e título foi. Aqui me senti apresentado. Em nenhum momento o jogo me deu a sensação de estranheza ou de que não era bem vindo por não ser um especialista em seu gênero. Fui bem recepcionado.

Não se engane, há alguns probleminhas sim. Há uma repetição de gameplay que poderia ser repensada, enquanto também não há uma grande inovação em seu estilo. A ausência de um modo competitivo certamente também é sentida. Só que no geral, o jogo é envolvente. Tem um bom sistema de customização, com uma construção legal de armaduras e equipamentos. É um título diferente que certamente adiciona repertório de variedades ao Nintendo Switch.

Galeria

Dando uma nota

Visualmente tem estilo, e sabe trabalhar sem usar realismo gráfico - 8.5
Sistema de customizar seu robô com novos equipamentos e peças é viciante - 8
Boas batalhas, com boa respostas de sistema de mira e controles - 7.8
Tem pontos fracos na condução de sua narrativa - 7.2
Pode ser repetitivo se não se atentar a outras fatores dentro do jogo - 6.8
Multiplayer cooperativo online é uma grata surpresa, funciona muito bem - 8
Ótima trilha sonora, com uma dublagem (em inglês) que funciona - 8.2

7.8

Bom

Daemon X Machina é aquele jogo de batalha de robôs que surge de forma muito oportuna nesta geração. Certamente coloca variedade à biblioteca do Switch e diverte os fãs do gênero. Não é um título isento de problemas, e nem promovem grandes inovação, porém é acessível e divertido de se aventurar. Bons controles, grandes batalhas e visualmente impressiona, colocando técnica e estilo em detrimento do ultrarrealismo. É um ótimo título para adentrar dentro deste segmento de jogos focado em mechas.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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