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Análise | Legend of the Skyfish

Disponível também para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC

Legend of the Skyfish é um game indie que foi publicado pela Ratalaika Games e desenvolvido pela Mgaia Dtudio (estúdio brasileiro), abrangendo por sua vez os gêneros ação e aventura, tendo uma cara de The Legend of Zelda. Chegou ao Xbox One em agosto deste ano. Vale destacar que o título possui versão para iOS e Android, com uma recepção pela crítica muito positiva. Além disso também está disponível para PC, PlayStation 4 & Vita e Nintendo Switch. O jogo não conta com tradução em português, então há que se jogar tudo em inglês.

Ter The Legend of Zelda como referencia nem sempre facilita as coisas para um jogo indie, e isso foi ponto de argumento recente na análise que escrevi, mês passado, do jogo independente A Knight´s Quest. Logo de cara, ao vermos o visual de Legend of the Skyfish, nos lembramos dos antigos Zeldas clássicos 2D que jogamos. E as referências não param por aí: se lembra do hookshot que Link usou em várias destas aventuras clássicas? Aquele gancho que puxava coisas ou nos levava até locais de difícil acesso de outra forma? Pois bem, aqui temos exatamente essa ferramenta como destaque principal da jogabilidade, porém forma de uma vara de pescar.

Tudo aqui gira em torno da temática oceânica e do uso desta vara de pescar pela protagonista da aventura, seja ao usá-la como arma branca e resistente (da mesma forma que usamos uma espada) para derrotar inimigos acertando eles com 2 ou 3 golpes, seja para puxar os inimigo para perto (retirando assim a vantagem de atacar a distância que muitos deles possuem), ou para fazer a movimentação/puxão de pesadas pedras no formato de blocos para acionar dispositivos ou mesmo para nos locomovermos para áreas inacessíveis de outra forma usando a função gancho do aparato. É tudo muito simples e em aproximadamente 3 minutos já somos introduzidos a todas essas mecânicas pelo próprio jogo, depois disso estaremos por conta própria, cessando por completo os tutoriais.

Mal nas profundezas do mar

A ganância do homem devastou os grandes mares ao redor do mundo, a ânsia por pescar cada vez mais peixes por séculos a fio e não se importar com as consequências fez com que as pescas se aprofundassem cada vez mais na imensidão profunda do mar. Até o momento em que estas chegaram as profundezas dominadas pelo Skyfish (peixe-céu), que estava adormecido e, ao ser acordado trouxe a tona seus soldados (criaturas marinhas), começando seu reino de terror ao escravizar homens e mulheres livres. Mas por uma jogada do destino, você foi poupada ao cair do barco onde estava com seu irmão. Quando estava por ser afogar na imensidão do mar, a Moonwhale (baleia da lua) aparece e salva sua vida.

Agora cabe a esta jovem encarar o Skyfish, salvar a sua família e de quebra, salvar o mundo. O nome de nossa personagem é Red Fishhook que podemos traduzir como a Pequena Anzol Vermelho, fazendo obviamente referência a todo esse universo oceânico. Depois deste salvamento feito pela Moonwhale, a baleia passa a ser uma espécie de táxi marítimo, nos levando de ilha em ilha pelos arquipélagos e comentando um pouco sobre os desafios apresentados.

Toda a base para a história é contextualizada de forma completa no início da aventura e até mesmo no trailer que traz a maioria destas informações relatadas acima. Não temos praticamente mais nada adicionado ao enredo no desenrolar das 45 fases (15 em cada um dos 3 arquipélagos), sendo que temos nos níveis finais de cada arquipélago (15, 30 e 45 respectivamente) um confronto com um dos chefes do jogo.

Jogabilidade simples

O combate não é lá muito complexo, basta acertar os adversários com a vara de pescar repetidas vezes para acabar com eles. Para inimigos que atiram ou inflam (se tornando intocáveis devido a espinhos), podemos puxar eles com o anzol, deixando eles confusos nesse momento e nos dando a oportunidade de partir para o ataque sem sofrermos danos. Em cada conjunto de fases temos 3 inimigos diferentes, totalizando 12 com os chefes finais inclusos.

A exploração do cenário é que se revela a cereja do bolo aqui, pois precisaremos descobrir como abrir os portões, ao atingir interruptores muitas vezes distantes dos portões em si, ou eliminar todos os inimigos da área para conseguir ganhar acesso a nova área. Após algumas áreas teremos que nos mover em cima de pranchas pelo mar e estas serão acessadas ao nós puxarmos com o anzol e nos movermos alternadamente entre estruturas como essas.

As próprias ilhas estão repletas de azulejos com pontas retráteis, pedestais que atiram flechas ou bolas de fogo ao se pressionar botões no chão, armadilhas de peso e muito mais, apresentando aos jogadores quebra-cabeças ambientais que se tornam cada vez mais difíceis. O jogo lhe dá uma mão e salva após cada área interna das fases ser completada e ao realizar tal ato completa a sua vida de volta a totalidade. Ao final de cada fase temos um totem que representa o domínio do local pelas forças inimigas e ao destruirmos o mesmo (atacando ele diretamente ou acionando armadilhas que façam este ataque) completamos a fase e abrimos caminho para a próxima.

Temos itens secretos espalhados pelas fases que são novos equipamentos para a protagonista, variando entre novas túnicas com diferentes propriedades (como o aumento da vida durante o uso), varas de pesca e anzóis – todos também com diferentes atributos (aumento do alcance, maior dano aos inimigos, habilidade de deixar os inimigos paralisados ou congelados, e por aí vai).

Achar estes segredos requer uma exploração das fases, mas não se preocupe, Moonwhale deixou sua amiga Fizyn (um pequeno peixe voador) para nos acompanhar durante a aventura. Ela se parece com uma pequena fada (mais uma referência aos jogos da série Zelda) que no avisa sobre a disponibilidade de um destes itens perto do local onde estamos, e a medida que nos aproximamos do local, as atitudes de Fizyn se tornam mais agitadas até encontrarmos o item em questão.

Os controles em si são de fácil assimilação ao jogador, sendo o analógico esquerdo para movimento (caminhar, correr), enquanto o analógico direito controla a vara de pesca mirando para onde devemos apontar o anzol (e usamos o botão RB – no Xbox One – juntamente para dar a fisgada e puxar coisas ou arremessar a protagonista), os botões A, B, X e Y são utilizados para interações e para realizar os ataques em si.

Beleza visual e musical

Temos um estilo visual bem artístico aqui e admito que Legend of the Skyfish chamou minha atenção no momento da escolha para ser meu próximo review aqui no site. As vezes queremos algo simples para jogar, mas que tenha algum encanto. As artes são pintadas a mão no caso dos ambientes/cenários e dos personagens. Não é aquela coisa fantástica que vai deixar seus olhos brilhando por horas a fio, mas de certa forma se diferencia do estilo clássico para jogos indie de pixelart de 16 bits. Há um charme peculiar.

As músicas e os efeitos sonoros presentes são bem simplistas, mas a apresentação como um todo é definitivamente agradável de se ouvir ao longo da jornada, a trilha sonora de Legend of the Skyfish foi composta por Sean Beeson, famoso compositor de mídias para diversos empresas do ramo de entretenimento como Disney, Wizards of the coast, Kabam entre outros.

Considerações finais

Posso concluir que vale a pena jogar Legend of the Skyfish, mas leve em conta que é um título menor dentro do segmento independente. É possível vencer sua campanha, conseguindo 100% das conquistas/troféus, em menos de 4 horas caso joguei ininterruptamente. Se preferir jogar em doses homeopáticas – foi como eu joguei – pode durar por até uma semana. E recomendo desta forma, pois algumas áreas podem acabar incomodando após várias tentativas frustradas e parar, respirar um pouco, e voltar outra hora aos desafios se revelou ser a escolha certa a se fazer.

Ressalvo apenas que não existe um motivo para se jogar a aventura por uma segunda vez, já que não existem colecionáveis além dos equipamentos mencionados mais acima e todos podem ser encontrados em uma só jogada. Isso certamente compromete um pouco o valor de replay que o jogo poderia ter, além da ausência de uma modalidade multiplayer.

Legend of the Skyfish é simples, mas oferece uma aventura boa para passar um agradável final de semana. É um título que pode ser interessante a um público mais causal, e também para crianças menores. Tem uma leveza, mas nada que impeça um adulto de se divertir com o mesmo. É uma produção que tem uma boa ideia, mas que não necessariamente inova ou apresenta algo além do que se pode esperar dentro de sua apresentação inicial.

Galeria

Dando uma nota

Tem um visual cheio de charme - 8
Baixo nível de dificuldade, puzzles simples e sem muita enrolação - 7
Combate superficial, não chega a dar tempo de estressar - 6.5
Curtinho, terminado em poucas horas - 5
Jogo simples, sem estresse, com uma experiência bem casual - 7.5
Carismática trilha sonora - 7.5
Bacana ter opções de customizações - 7.5

7

Bom

Legend of the Skyfish é uma prova de que é possível desenvolver jogos independentes simples e dar charme a eles. É um título humilde, pega uma ideia de uma ferramenta clássica dos videogames - o gancho - e cria todo um universo em torno dessa premissa. É um game bonito e também gostoso de jogar. Simples, curtinho, mas com coração.

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Paulo Roberto L. S.

Gamer desde o antigo Master System 3. Leitor de HQs (Marvel/DC) e de Mangás, como atividades extras me dedico a treinar Pokémon e sair em busca de conquistas e troféus.
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