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Análise | Arise: A simple story

Disponível para PlayStation 4, Xbox One e PC

Arise: A simple story é o primeiro jogo desenvolvido pelo estúdio espanhol Piccolo Studio, localizado na província da Catalunha, especificamente em Barcelona, que trabalhavam com publicidade e resolveram abrir um estúdio para fazer games para celulares em 2010 (com o nome de MacFlai Games). Depois de pegarem gosto pelos jogos resolveram mudar de nome e se dedicar aos games de PC e consoles. Arise é publicado pela publisher Techland. O título abrange os gêneros ação e aventura. Teve data de lançamento em dezembro do ano passado, chegando ao PC, PlayStation 4 e Xbox One. A versão utilizada para o review que nos foi fornecida é a do Xbox One.

Aqui, ao contrário dos outros games onde às vezes o protagonista vem a morrer no final do game, o jogador irá começar assistindo ao funeral do protagonista da aventura. Sim, ele inicia sua aventura morto. Temos os membros de uma tribo prestando suas últimas homenagens e realizando a cremação de seu corpo, com enormes chamas, algo que me fez lembrar dos rituais dos antigos vikings. A jornada deste personagem que conduzirá a aventura começa após sua despedida deste mundo a qual todos estamos.

Revendo sua vida

Após este impacto inicial de começar morto, e ser cremado, o espírito do protagonista vai acordar em uma espécie de plano celestial, aonde finalmente iremos ver nosso protagonista “vivo”, a qual assim podemos fazer uma identificação visual do mesmo. Trata-se de um senhor de mais idade, com uma longa barba e com trajes rústicos. Tem aquele jeitão de guerreiro viking, mas também me trouxe lembranças do protagonista do game Old Man’s Journey, o qual também analisei aqui há um tempo atrás.

Quem resolver se aventurar por este título terá então uma jornada composta por 10 fases, a qual presenciaremos as lembranças deste senhor ao passar por cada um dos momento chave de sua vida. É possível descrever como uma “digressão” (um flashback/volta do passado) para ele, onde o mesmo irá rever tudo o que viveu, mas que é uma jornada de novidades para o jogador. Os desafios apresentam-se como as passagens importantes de sua vida, momentos tristes, felizes e desafiadores. São literalmente suas lembranças. Ao final não é nada mais, nada menos, do que a sua última oportunidade para recordar a sua vida e as pessoas quem ama antes da verdadeira despedida.

Pode até parecer piegas, mas sem sombra de dúvida isso vai despertar lembranças adormecidas na mente do jogador, que poderá parar e fazer uma reflexão do que já viveu até então e de quais memórias são as mais marcantes em sua vida, sejam elas por serem queridas ou perigosas de se recordar. O game oferece uma reflexão bacana sobre aquilo que nos marcou em nossas vidas, tanto as boas quanto as ruins. O que você irá lembrar quando estiver indo embora deste mundo e puder reviver tais momentos?

Manipulando o tempo

O diferencial de Arise: A simple story está aqui, o jogador poderá manipular o tempo, avançando e retrocedendo da forma necessária para a situação apresentada. Em alguns lugares você manipula o tempo e seu clima, congelando lagos para atravessá-los ou derretendo os mesmos para navegar em pedaços de madeira, em outros as horas do dia, manipulando assim a movimentação de girassóis que seguem o sol ou restaurar rochas de um deslizamento para pausar o tempo e criar caminhos alternativos. O jogador também pode congelar relâmpagos para iluminar a escuridão ou, ainda, em alguns casos o passar de simples segundos para pegar carona em abelhas. Cada vez que utilizamos este recurso de rebobinar ou avançar o mundo ao seu redor há um efeito diferente e até mesmo inusitado.

Esta manipulação é feita ao pressionar o analógico da direita, avançando em uma direção e rebobinando na outra. Bem prático e intuitivo. Em outras áreas mais avançadas, teremos que manter um dos gatilhos do controle pressionado para congelar o tempo e conseguir avançar, ou rebobinar milimetricamente o tempo até conseguir o resultado desejado e necessário, como na parte em que acontecem desmoronamentos e o protagonista precisa agarrar em pedaços que caem da montanha em momentos específicos.

Quero explicar isso de forma mais detalhada. Por exemplo, há uma parte com apoio para o personagem se pendurar que pode estar muito alta, então se avança para o momento do desmoronamento e no meio deste evento, quando essa parte passar por você, devemos congelar o tempo e nos atirar nele, em seguida avançar ou rebobinar o tempo para conseguir subir ou descer pendurado até a área correta de avanço da aventura. Em outro ponto, figuras sombrias começam a aparecer e se acumulam na sua frente, impedindo o avanço, aqui vamos precisar trabalhar com a luz de relâmpagos para conseguir seguir em frente. Descobrir o que e como fazer em seguida é o que torna esse jogo desafiador e tão interessante. É pensar e analisar afim de ser recompensado com o avanço para um novo desafio e o avançar de sua história.

Controles e câmera

Como já mencionado, então o analógico direito é usado para manipular o tempo, já o analógico esquerdo confere a movimentação do personagem, como poderia se pressupor. Outros botões tornam-se necessários em momento específicos, como os gatinhos para se pendurar em estruturas em momentos de escalada, o botão A para conferir o pulo e o botão B para atirar uma corda e, por exemplo, laçar abelhas para pegar uma carona com elas. Em outros momento o botão B fica sem utilidade alguma e pressioná-lo não acarretará em nada. O jogo irá mostrar aonde e quando ele deve ser pressionado para conferir a “habilidade” necessária no momento. São controles simples, que não exigem demais do jogador e torna o título bem acessível.

No que diz respeito a câmera, ela é fixa. Por conta disso pode lhe colocar em situações perigosas em determinados cenários da aventura, ao lhe deixar em algumas perspectivas que não lhe oferecem os melhores ângulos para aquele salto, ou para uma escalada. Mas não é nada que vai causar muitos problemas ao longo da exploração, só fica o aviso de que este “cenário” existe.

A beleza está no ver e ouvir

O visual de Arise é algo maravilhoso que vai encantar as seus olhos já no começo da aventura. Há elogiáveis efeitos de luz, chuva, neve, lama, vento e muito mais. Revelar tudo aqui tiraria o prazer da exploração e da vivência dos mesmos. Mas fica uma dica, espere chegar ao campo de girassóis, se o ato de simplesmente ver o campo de girassóis não lhe animar os olhos, lembre-se de que você pode mudar a posição do sol, e ao fazer isso, os girassóis vão girar indo de encontro ao sol, criando por sua vez as plataformas que você precisa para continuar até a chegada ao próximo destino. Ver isso em prática é algo mágico. Leve em conta a produção do título como algo independente e dá para enaltecer ainda mais o cuidado com tais detalhes gráficos. É realmente de se ficar admirado.

Na parte do som, não temos vozes aqui e os únicos sons são os de ambiente (que são muito bons, como ouvir o barulho da água e das coisas que acontecem ao fundo do cenário). A trilha sonora foi composta por David Gárcia que também foi o responsável pelas trilhas de Rime e Hellblade: Senua’s Sacrifice. Esta trilha vai lhe acompanhar por toda a jornada de conhecimento, sendo melodias precisas e que tocam de forma certeira as emoções do jogador nos momentos onde temos uma mensagem a ser passada por certos segmentos.

Há desafio?

Arise: A simple story não conta com quebra cabeças complexos ou inimigos para serem derrotados por meio de combates, logo o desafio de cada área é simplesmente achar a saída e como manipular o ambiente e as coisas que se encontram em cada área para chegar ao seu próximo destino.

Mas temos algumas interferências que podem roubar um pouco do seu tempo e da sua atenção, já que ao longo do caminho teremos algumas estátuas de um menino em diversas situações. A partir de um ponto ele começa a estar acompanhado por outras estátuas. Essas por sua vez, apresentam momentos chave da infância do personagem.

Como não poderia deixar de ter algum item para ser coletado, aqui temos luzes que ao serem coletadas nos presenteiam com memórias que nos apresentam imagens muito bonitas de vários momentos vividos pelo protagonista. Encontrar todas passa a ser um extra bem interessante, mas que vai exigir um pouco mais de exploração dos cenários para encontrar todas em diversos locais das fases. As primeiras ficam próximas as já mencionadas estátuas. Caso perca alguma das memórias, você poderá voltar às fases após completá-las e partir em busca das memórias perdidas. Inserir esse elemento de exploração em um título como este, que poderia ser muito mais narrativos e direto, acaba sendo uma boa ideia para alongar sua cauda de replay, além de complementar sua própria trama.

Podemos de uma forma não esperada jogar este game em multiplayer de sofá, onde o segundo jogador irá realizar a manipulação do tempo enquanto o primeiro jogador vai fazer toda a movimentação do personagem em si. Não é algo fora da realidade, mas vai exigir comunicação por parte dos 2 jogadores para conseguirem o entrosamento necessário. Certamente um feature inesperado, mas que agrega valor à obra.

O personagem não conta com uma barra de saúde e qualquer deslize de sua parte vai acarretar em sua provável (segunda) morte. Seja ao cair de alturas muito altas, entrar na água (ele se afoga facilmente) e também pode ser esmagado por pedras e etc. Mas fique tranquilo, o jogo salva constantemente, então não se preocupe em errar e ter que repetir uma grande parte da fase novamente. Isso não acontecerá.

Considerações finais

Arise: A Simple Story é um jogo emotivo e que tem como meta atingir diretamente as emoções do jogador, através das memórias do protagonista. Exatamente como acontece ao se jogar, o já mencionado, Old Man’s Journey ou até mesmo GRIS, este último também analisado aqui no site. É uma jornada de descobrimento pessoal, a última antes desse personagem partir para o que lhe aguarda no além vida.

O tempo da experiência completa que o jogo vai lhe render é bem variável, pois o jogador pode ficar explorando o cenário em busca dos colecionáveis por um certo tempo extra, ou também ficar praticando a manipulação do tempo aos ambientes para ver o que acontece em cada parte do jogo e isso também consome um pouco mais dessa experiência. Não é um jogo longo, mas que ao se contemplá-lo na forma como existe um desejo por parte de seus desenvolvedores, dá se o tempo satisfatório por parte do jogador. Sendo uma produção independente, com um preço mais amigável, posso dizer que saio desta experiência bem satisfeito.

Além disso, Arise: A simple story nos apresenta o Piccolo Studio em sua primeira jornada de destaque no mundo dos games, nos presenteando com uma experiência diferente e marcante. Acho que isso faz com que a gente tenha que prestar um pouco mais de atenção no futuro deste estúdio, a qual certamente irei aguardar mais destas experiências emotivas e tão bem produzidas.

Galeria

Dando uma nota

Apresenta uma jornada emotiva e cativante - 9
Visualmente é fantástico, com um charme singular - 9
A jogabilidade é bem simples, porém acessível e funcional - 8
Entrega uma boa variedade de cenários e situações vividas pelo protagonista - 8
Músicas que demonstram a emoção do momento - 9
Câmera fixa atrapalha em algumas partes - 7
Tem valor de replay ao inserir exploração quando poderia ser apenas narrativo - 8.5

8.4

Ótimo

Arise: A simple story é um jogo que deixará uma marca profunda nos jogadores, sem nem ao menos proferir uma única palavra. Junte-se nessa jornada pela vida após a morte e seja encantado pelo visual, pela mecânica de manipulação de tempo e por toda uma narrativa emocional. Impossível não se emocionar e ficar indiferente após essa jornada. É uma experiência que vale se conhecer.

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Paulo Roberto L. S.

Gamer desde o antigo Master System 3. Leitor de HQs (Marvel/DC) e de Mangás, como atividades extras me dedico a treinar Pokémon e sair em busca de conquistas e troféus.
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