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Análise | One Piece: Pirate Warriors 4

Disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch & PC

One Piece: Pirate Warrios 4 é um lançamento importante para uma série que surgiu em 2012, ainda na geração passada, e totalmente exclusivo em um console da Sony. Também é importante para o universo de One Piece, porque em meio a tantas outras séries de jogos eletrônicos, Pirate Warriors é a que se sobressaiu e chegou mais longe, chegando a sua quarta edição.

Não para por aí. O quarto jogo da franquia ressurge após um longo hiato entre o terceiro jogo da série, lançado há cinco anos atrás, em 2015. E tem outro detalhe interessante: a queda de ser um título exclusivo a plataformas da Sony, como os dois primeiros se mantém até os dias de hoje. Pirate Warriors 3 fugiu desta regra tendo sido lançado no PC em seu lançamento original e depois, em 2017, foi a vez do Nintendo Switch ganhar uma versão Deluxe. Já neste lançamento, o título chega para todos de forma inclusiva, até mesmo para o Xbox One, que até então nunca havia recebido qualquer título desta série em particular. Versão a qual alegremente utilizei para esta análise.

Importante repassar os dados técnicos para aqueles que estão chegando agora. Publicado pela Bandai Namco, Pirate Warriors é uma série desenvolvida pelo estúdio japones Omega Force, pertencente a Koei Tecmo. São os mesmos caras que produzem os famosos jogos da franquia Dynasty Warriors. São jogos famosos por seguirem um estilo a qual todos conhecem por musou, o que se identifica como um sub-gênero muito específico de hack & slash, a qual um jogador movendo um único personagem entra em batalha com um imenso exército de inimigos, em batalhas que nada tentam seguir qualquer um senso de realismo, beirando um delicioso absurdo de um contra todos ao mesmo tempo. Sim, é um daqueles satisfatórios jogos que você dá um soco e consegue atordoar 50 oponentes de uma só vez.

E vamos ser sinceros… se você conhece One Piece sabe que o gênero musou combina perfeitamente com a loucura que esse universo pode oferecer. Há inúmeras cenas na animação em que personagens surgem com golpes que avassalam inúmeros inimigos ao mesmo tempo. Transpor isso para um jogo no estilo Dynasty Warriors é perfeito. Talvez seja por isso que outras séries de jogos de One Piece, desenvolvido por outros estúdios, não tenha dado tão certo quanto Pirate Warriors dá. Ainda que, particularmente, eu tenha gostado muito do que One Piece World Seeker fez ano passado, ao me entregar uma trama inédita e original escrita pelo próprio autor da obra, Eiichiro Oda.

Whole Cake & Wano (arcos inéditos)

Sendo a quarta edição de uma franquia baseada em um mangá/animê, One Piece: Pirate Warriors 4 não teria como reapresentar toda uma imensidão de arcos que os jogos anteriores certamente contemplaram. O terceiro Pirate Warriors, por exemplo, trabalhou com grande destaque no arco de Dressrosa, deixando para destaque nesta edição o arco Whole Cake e o início do arco de Wano, a terra dos samurais, que atualmente está em publicação no mangá (e ainda não foi finalizado) e que também teve seu início no final de 2019 na versão em animê.

Quando anunciado, Pirate Warriors 4 dava como destaque o arco de Whole Cake, com a Big Mom, que representa um dos quatros grandes imperadores piratas dos mares do universo da série. Porém dado o tremendo sucesso que o arco de Wano tem sido entre os fãs, tanto do mangá quando do animê, não fazia o menor sentido deixá-lo de fora do jogo, ainda que ele não tenha sido finalizado e portanto não sabemos exatamente como será seu desfecho. E o jogo deixa bem claro que não há a pretensão disso acontecer aqui. A saída foi inventar um desfecho, com direito a muito fanservice, que na minha opinião, por assumidamente deixar claro que é só uma brincadeira dentro de um videogame, me agradou muito a ideia apresentada.

Não vou revelar aqui qual a saída dos desenvolvedores para o desfecho de Wano, pois é uma das surpresas divertidas de se aventurar pela campanha do título. Quero só dizer que adorei a ideia que o jogo coloca em relação ao Barba Negra, que me deixou com calafrios se isso de fato acontecesse. Gosto como o game lida com o fato da Big Mom seguir a tripulação do Luffy até Wano, e como a batalha final contra o Kaido (o imperador pirata que domina Wano) segue ideias próprias, com base no que o game poderia fazer. E os reforços que chegam a Wano de acordo com o game, são divertidos, ainda que muito improváveis. Não é nada disso que vai acontecer na batalha final, e para quem acompanha o mangá já sabe disso (calma, eu não vou revelar aqui)

A única coisa que o arco de Wano deixa a desejar dentro do game, que por conta de seu desenvolvimento em paralelo a publicação do arco no mangá, é que importantes personagens, alguns que ainda nem apareçam no animê, estão de fora do jogo. Não temos os nove bainhas vermelhas, Kozuki Oden (seria legal poder jogar com ele), o detestável Orochi ou até mesmo alguns dos subordinados do Kaido, como o Queen, ou os que estão em vias de serem apresentados no mangá (capítulo 978). Acho curioso, por exemplo, que nem mesmo Kin’emon esteja na seleção de personagens jogáveis.

Isso provavelmente demonstra o quanto Wano deve ter sido inserido próximo ao estágio final de desenvolvido do jogo. Um exemplo que ajuda a corroborar esse pensamento se dá pelo fato de que os trajes típicos do arco usados por Luffy, Zoro, Nami e Sanji foram lançados a parte (e de forma gratuita), não estando presentes na campanha a menos que você faça o download destes DLCs. E depois, quando se olha para o arco de Whole Cake, apresentado aqui pela primeira vez, temos todo um elenco razoável de personagens, jogáveis e não jogáveis. E a condução do arco segue com mais fidelidade os eventos originais da série. Inclusive o estágio em que se precisa fugir da Big Mom para que a tripulação saia da ilha é eletrizante, pois é impossível derrotá-la, e há um risco enorme dela surgir juntamente com outros chefes de área. É muito bom a condução do gameplay neste estágio em particular, oferecendo um desafio que por muitas vezes eu gostaria de ter visto mais em outros arcos e momentos.

Grandes (e clássicos) arcos dramáticos

Agora veja bem, se Pirate Warriors 4 viesse apenas com estes dois arcos em sua campanha principal, isso o tornaria muito pequeno, não? Fora que não é uma boa forma de apresenta uma série tão longa a qualquer um que esteja chegando agora a franquia. O que fazer? Bem a solução foi recriar uma parte da jornada dos protagonistas até o ponto em que o jogo anterior já havia deixado os jogadores. E por isso, o game traz mais quatro arcos que condensam boa parte da série.

Temos o arco de Alabasta, que coloca um ponto importante a história da série, na qual os personagens se tornam parte do que tudo aquilo que a narrativa irá trabalhar em um futuro muito próximo na cronologia. E é ainda um grande arco que pesa muito sua história nos corações dos fãs. Antes do início do arco, uma animação CGI faz um resumo básico do que alguém que nunca assistiu One Piece precisa saber. É bastante importação, porém o suficiente.

Logo após Alabasta, o game volta a resumir eventos, como a aventura em Skypiea. Então não iremos jogar na Ilha do Céu nesta edição do jogo. O que é uma pena. Eu adoraria um DLC, ainda que pago, que pudesse introduzir esse arco aqui nesta edição do game, porém não parece que a Bandai Namco esteja interessada em DLCs nessa direção, já que o Passe de Temporada promete apenas novos personagens jogáveis. Mas o jogo menciona Skypiea para justificar o segundo arco dramático presente no jogo: Water7/Enies Lobby, aqui chamado apenas de Enies Lobby.

No caso de Enies lobby, preciso dizer que achei o arco muito mais condensado do que eu gostaria. Provavelmente porque jogos anteriores já devem ter trabalhado muito em cima do arco. Mas enfim, eu gostaria de ter revivido esse momento da série com um pouco mais de calma e até mesmo mais emoção. Queria batalhas no trem do oceano. E não rolou. Que pena. Também queria todo o elenco da CP9. Eu adoro na trama original uma das primeiras batalhas séries do Franky nesse arco ao lado dos Mugiwaras, que é contra o Fukurou (Chapapa!). Aqui nesta versão no game isso não aconteceu. Isso me deixou chateado.

Dando continuidade, próximo arco é o da Guerra dos Melhores, um dos pontos de viradas de One Piece. Certamente é um arco que não poderia ficar de fora. Mas curiosamente, o arco tem início lá no Arquipélago Sabaody, após um resuminho contar sobre a entrada do Brook na tribulação e mostrar os eventos de Thriller Bark, outro arco que também funcionaria muito bem como uma expansão via DLC (só estou dizendo). Em Sabaody, o game introduz os piratas Supernova, que são tão importantes aos eventos dos arcos seguintes no universo da série.

Tudo isso significa que esse capítulo da campanha condensa bastante o arco da Guerra dos Melhores (Marineford). Não temos nada de Impel Down, por exemplo. O que também me deixou triste. Note que eu queria tudo, né? Fá é isso, gente. Desculpa. Mas a menção dos eventos de Impel Down também estão aqui. A verdade é que narrativamente, a história não deixa nada de importante sem explicação para que o jogador não se sinta perdido. Os resumos cumprem muito bem esse papel.

Só um destaque rápido, mas nesse arco da Guerra dos Melhores tem uma ou duas fases realmente excepcionais. Ter a dimensão de uma guerra de One Piece dentro de um jogo usou é realmente animal. Faz todo sentido terem reprisado isso aqui novamente. Eu realmente me senti imerso nesse ponto do jogo. Suando para salvar Ace, para deter o avanço da Marinha, para escapar com vida. Mas ciente que não poderia mudar os tristes eventos que dão o desfecho desse arco. Mas a emoção aqui bateu forte, muito forte.

O que temos adiante? O jogo avança até Dressrosa, concluindo o arco da forma como originalmente o mangá terminou. Pirate Warriors 3 não fez isso pelo mesmo motivo a qual Wano aqui também precisou inventar um final. Faz sentido destinar um capítulo inteiro do jogo para corrigir a forma imaginativa como o terceiro conclui este arco. Ficou bem mais legal a forma como isso acontece aqui, obviamente. O jogo anterior sequer teve tempo de inserir a habilidade Gears Fouth de Luffy. Pirate Warriors 4 corrige isso.

E assim, todo o arco de Dressrosa estão muito bem animado aqui. Fazendo todos os pontos corretos da narrativa original. Gosto do estágio no Coliseu Corrida, assim como o estágio da gaiola de Do Flamingo, que coloca um tempo na fase e que me deixou apreensivo com a contagem regressiva enquanto queria fazer todas as missões secundárias que ficavam aparecendo no mapa, sempre distantes do local de onde estava. A geografia do mapa, bem vertical, ajudou a dar a emoção necessária a esse momento da saga. E o confronto final contra Do Flamingo, desta vez usando o Gears Fourth é animal.

Com isso, o jogo segue para os dois arcos já mencionados. Fica assim então: Alabasta, Enies Lobby, Guerra dos Melhores (Marineford) , Dressrosa, Whole Cake e Wano. Sendo que no ínterim destes arcos, também passamos por estágios baseados em Water 7 e no Arquipélago Sabaody.

Os arcos possuem em sua grande maioria de cinco a sete estágios. A duração das fases pode variar bastante. Tive casos em que conclui estágios em 15 minutos, enquanto outros foram quase 40 minutos. O último estágio é bem longo, foram aproximadamente 60 minutos de muita porradaria e cutscenes. E isso só da campanha principal, a qual o jogo chama de Log Dramático. É um bom tempo de jogo, considerando que isso não é tudo que o jogo tem a oferecer, o que irei explicar a seguir.

Mares de conteúdo

Aqueles não satisfeitos com a campanha principal ainda podem conferir outros conteúdos presentes no jogo. Há outras duas modalidades, o Log Gratuito e o Log do Tesouro. O Logo Gratuito permite rejogar toda a campanha do Log Dramático com qualquer um dos 40 personagens jogáveis que o título traz. Não importa se esse ou aquele personagem ainda não existia na época do arco, dá para inseri-lo ali. Obviamente vira um modo mais arcade e menos dedicado a história, o que justifica que é preciso jogar os estágios na campanha principal para que o mesmo seja destravado aqui.

O Log Gratuito também permite customizar o personagem da forma como quiser. Quer usar o Luffy com Gears Fourth contra Crocodile em Alabatas? Vai fundo! Não há qualquer problema aqui. É um bom modo para brincar, isso não há dúvida alguma.

Aliás, fazendo um parênteses aqui, voltando um pouquinho ao Log Dramático. Nos parágrafos acima me foquei bastante na forma como a trama é conduzida para contextualizar o jogador dentro desse universo incrível de One Piece, e acabei não informando que os estágios normalmente deixam que o jogador faça a escolha de usar certos personagens que estão presentes na trama original. Por exemplo, na fuga de Whole Cake, você pode jogar com o Luffy, ou com a Nami, ou com o Sanji, ou com o Chopper, ou até mesmo com a Carrot. Todos estavam presentes na trama original. Então no Log Dramático é possível refazer uma fase com diferentes personagens. Já no Log Gratuito, neste mesmo exemplo, quer usar o Zoro ou quem sabe o Barba Branca para fugir da Big Mom? Aqui você pode.

Jogar novamente os estágios do modo campanha também garantem ao jogador pontos de experiência que fazem os personagens utilizados subirem de nível. E também rendem moedas colecionáveis com os rostos dos personagens que são utilizadas para destravar enormes árvores de habilidades que todos os 40 personagens possuem. Há uma árvore de habilidade geral, que vale para todos e outras duas árvores individuais para cada um. É uma parada realmente megalomaníaca, pensada realmente em expandir os movimentos, habilidades, perks e outras melhorias para todos os personagens jogáveis. É uma evolução que se consegue sentir ao ir melhorando essas árvores. Então sim, Pirate Warriors 4 aposta muito no valor de replay e sabe como recompensar o jogador por isso.

Até porque não existe uma única forma de jogar os estágios presentes na série. Personagens diferentes agem de formas distintas frente a massa de inimigos e chefes que estão espalhados pelos imensos mapas abertos que representam cada estágio. Há muitas missões secundárias e rotas alternativas que podem ser tomadas. Personagens que são de categoria de técnicas, que exigem mais estratégia, enquanto outros personagens são mais velozes ou então mais fortes. O ato de jogar muda a cada escolha, a cada retorno a uma fase já vencida. O jogo recompensa isso com melhor ranking, mais pontos de experiências e mais moedas para seguir expandindo suas habilidades.

Mas ok, você cansou de jogar as fases da campanha e quer algo diferente? One Piece: Pirate Warrios 4 então oferece o Log do Tesouro, que são estágios extras criados para o único propósito de serem divertidos. São fillers, por assim dizer. Há uma histórinha, mas ela não se encaixa exatamente no contexto do plot original da série. São meio que missões extras criadas para colocar personagens improváveis juntos em uma missão que consiste em derrotar hordas e mais hordas de inimigos e chefes que vão surgindo ao longo da evolução da fase.

Cabe aqui dizer que essa modalidade se utiliza dos mapas e fases usados no modo da campanha, mas com pequenas mudanças em inimigos e chefes. Assim como a forma como o jogador tem que se locomover ou correr atrás de missões secundárias. Ao menos até onde fui dentro destas fases extras (ainda as quero terminar). O ponto é que parece uma chance perdida de talvez resgatar mapas e áreas já usadas nos jogos passados, mas talvez restauradas para essa nova versão. Teria deixado essa modalidade ainda mais divertida.

Avançando mar adentro, também é interessante informar que todos estes modos de jogo, incluindo a campanha principal, podem ser jogadas em multiplayer, local e online.  O modo local é para até dois jogadores, e rola em tela dividida. Está aí uma opção que não se vê em muitos jogos hoje em dia, a boa e velha quebra galho tela dividida. E funciona de boa, sem grandes contratempos.

Mas se você é desses possessivos e gosta da sua tela toda para si, o título suporta multiplayer online para até quatro pessoas ao mesmo tempo. Isso talvez dependa um pouco de um ou outro estágio na campanha principal, pois nem todos os estágios tem personagens disponíveis para todos, o que não se faz necessário no Log do Tesouro e no Log Gratuito. O ponto é que você pode abrir seu jogo para alguém entrar ou entrar no de alguém que esteja aberto. Eu suspeito que para alguém entrar no seu jogo, é preciso esperar isso acontecer para de fato entrar em uma fase. Digo isso porque cheguei a testar algumas vezes, mas não tive paciência de ficar esperando alguém entrar no menu para só aí ir para o estágio. Penso que seria mais prático se você pudesse entrar direto em fases em andamento. Mas tudo bem, me parece uma função importante só pelo fato de já existir. Basta combinar direitinho com os amigos, ainda que exista a possibilidade de jogar com qualquer desconhecido que só por gostar de One Piece já o torna gente boa.

No controle da pancadaria

Abordado a narrativa e o conteúdo oferecido, só me resta falar da jogabilidade. Aqui devo admitir que não sou um grande degustador de jogos musou. A própria franquia Dysnaty Warriors não é um jogo que poderia colocar no meu histórico de jogos jogados. Talvez até tenha jogado em um passado remoto, mas sinceramente não me lembro. Minha maior experiência com jogos musou é com Ninety-Nine Nights, até hoje exclusivo do Xbox 360, e um título que gosto muito, mas que tem muita gente que o acha uma porcaria (e que rebato dizendo ser uma tremenda injustiça).

Dito isso, me senti muito confortável jogando Pirate Warriors 4. Cheguei a brincar um pouco com o terceiro título da série em um evento da Bandai Namco em um passado hoje distante, além de possuir o game no Nintendo Switch (a qual ainda não consegui um tempo apropriado para passar da hora inicial). Então meio que já sabia aonde estaria metendo o pé. E as expectativas foram cumpridas.

A versão testada para esta análise foi a de Xbox One, utilizando um Xbox One S, uma versão do console que tem deixado um pouco a desejar em alguns dos lançamentos mais atuais. Entretanto aqui, nada me decepcionou. O jogo rodou bem, sem aparentes quedas na taxa de quadros, mesmo com centenas de inimigos em tela em combates frenéticos e caóticos que por vezes até me faziam me perdem na tela. Os loadings também são aceitáveis, e somente antes do início de cada estágio. Os controles respondem muito bem aos comandos desejados, ainda que o foco do jogo não seja criar combos muitos complexos ou ad infinitos. É um hack & slash na maior parte do tempo, do melhor amassar de botões que você possa imaginar.

O jogador tem dois botões de ataques, um de pulo e outro que faz uma investida. Simples e direto. Os combos surgem apertando os botões de ataques em sequência e vez ou outra alternando entre eles. Conforme o jogador vai destravando novos golpes na árvore de habilidade, mais eloquentes estes vão se tornando. Os personagens também possuem versões de eras diferentes de sua existência na obra. O Luffy em Alabasta combate de uma forma bem mais simplória do que sua versão apelona em Wano, ou até mesmo quando é habilitado o Gear Second, que o torna muito veloz em combate.

Alias, parabéns aos desenvolvedores por terem conseguido inserir 40 personagens dentro do jogo e dar a cada um seu próprio estilo de combate. E todos condizente com aquilo que os personagens são na obra original, ou ao menos no que já se foi mostrado de alguns até o momento. Cada personagem para único aqui, e isso é muito incrível quando se olha a galeria de quarenta estilos. Adorei jogar com o Brook e o Zoro, enquanto até mesmo o Sanji causa um estrago enorme em campo, especialmente depois que ele aprende a andar no ar (sim, isso é possível). Até mesmo o Usopp tem um estágio tenso em quê suas habilidades de segurar os inimigos são colocados em prática, enquanto ele precisa resgatar o dinheiro que seria usado para consertar o Going Merry (navio da tripulação).

E não só a tripulação protagonista da série manda bem aqui. Até mesmo vilões e outros antagonistas são excelentes para se controlar. Crocodile tem uma forma em que ele vira meio que um pequeno ciclope de areia que o torna imbatível por alguns segundos. Jinbe também é devastador, assim como Sabo ou até mesmo Ace. Os supernovas também recebem elogios, como o Law que tem boas habilidades que mexem com o campo espacial ao redor de seus ataques ou o Bege, que se torna um castelo imenso em meio ao campo de batalha.

Habilidades especiais também existem aos montes. Cada personagem pode ir para a fase levando quatro especiais, sendo que todos possuem muito mais para serem destravados. Há especiais que abrem animações especiais em meio a ação, enquanto outros são apenas ataques poderosos massivos. Mas sempre respeitando o legado da obra original.

Quanto aos estágios, todos são grandes mapas em que o jogador ficando correndo para todo canto, sendo possível dominar áreas após derrotar quantidades absurdas de inimigos, além de que objetivos secundários ficam aparecendo em diferentes cantos do mapa. São opcionais, mas normalmente você os quer fazer, pois tudo vai lhe recompensar com mais moedas e experiência ao final das fases. Algumas destas missões fazem com que certos personagens se tornem aliados do jogador, fazendo com que ele passe a lhe seguir durante a missão.

Inimigos também dropam itens que melhoram temporariamente alguns de seus status, como vigor, força ou defesa, além de ter o clássico itens de comida que restauram sua saúde. Só lamento que as fases não tenham colecionáveis. Imaginei que um jogo com áreas tão grandes e com essa liberdade para sair batendo em tudo me permitiriam explorar alguns cantos atrás de colecionáveis interessantes, mas infelizmente não vi nada nessa direção.

Quanto aos chefes, tirando raras exceções de alguns personagens gigantes, todos se comportam como os personagens jogáveis, e alguns até se tornam depois. Tem seus ataques e grandes barras de escudo que precisam cair para começarem a tomar dano de forma que impactem sua barra de saúde. Os grandões são mais devastadores, obrigando o jogador a ficar esperto com ataques que abrangem uma grande área. O ponto é que não são batalhas de estratégias, destas em que você fica analisando e esperando o melhor momento de atacar. É justamente o contrário, você sair metendo porrada sem parar afim de quebrar o escudo. E repeti isso até vencê-lo. Uns podem ser mais complicado, até porque há situações em que dois, três ou até mais chefes surgem e você precisa lidar com todos. Lidar contra quatro robôs Kumas não é uma tarefa muito simples.

Talvez a palavra chave de One Piece: Pirate Warriors 4 seja satisfação. É muito gostoso sair dando porrada em um mar de inimigos minions que não fazem nada se você ficar parado. Há sim alguns que vão lhe atacar, sempre aqueles com escudos menores do que os chefes principais. O ponto é que não é um jogo sobre se conter porque está tomando muito dano, e sim sobre sair causando dano em qualquer coisa que estiver se momento e se sentir bem com isso. Sei que eu senti.

Considerações finais

Ufa, foi um longo texto, não? Mas eu adoro falar de One Piece, me fez recordar dos bons tempos de Conversa de Mangá por aqui, e falar um pouco de Pirate Warriors 4 matou, de certa forma, essa saudade. Talvez uma pergunta que precise ser respondida para concluir essa análise seja se este é um jogo apenas para fãs ou se qualquer pessoa pode apreciar a investida?

Fico feliz em dizer que este não é um título somente para fãs. Não se engane, os fãs claramente vão apreciar bastante o game, pois respeita as bases e premissas da série, sem inventar demais coisas absurdas. Tudo está dentro da capacidade dos personagens, por mais absurdo que alguns possam soar. One Piece, assim como muitas obras de mangás são assim. Mas é um título que faz muito bem o papel de apresentar esse universo a quem nunca leu ou assistiu a obra de Eiichiro Oda.

Vai lhe dar alguns spoilers? Com certeza, mas a forma como conduz sua narrativa de forma condensada o fará ficar com vontade de correr atrás daquilo que o jogo não está lhe mostrando. Como assim uma ilha no céu? Como assim uma caveira falante? Como assim Luffy invadiu uma prisão sozinho e saiu de lá para cair em meio a uma guerra entre os caras mais fortes desse universo? Ou melhor, para aonde forma os Mugiwaras quando Kuma deu cabo de todos em Sabaody? O jogo não vai detalhar nada disso. Deixando aquele gostinho de “você só precisa saber que isso foi muito legal e devia complementar isso vendo o animê ou lendo o mangá“. As lacunas são saborosas para serem preenchidas. A meu ver, foi uma jogada bem inteligente da equipe de desenvolvimento para apresentar a série, mas não contar minimamente tudo que essa grande história tem para contar. Ok, você ficou sabendo de cinco grandes eventos… mas One Piece tem muito mais.

Outra forma de ver estas lacunas talvez seja uma oportunidade futura de quem sabe relançar a trilogia original de Pirate Warriors com uma remasterizada básica e em um único pacote de jogos. Como a Bandai Namco fez com os primeiros Naruto Ultimate Ninja Storm, todos portados para essa geração. Seria genial, especialmente se agora os dois primeiros se tornarem multiplataforma. Faz alcançar um novo público que nunca teve acesso a eles. Mas independente disso, One Piece: Pirate Warriors 4 oferece um ótimo ponto de recomeço.

Graficamente não é o jogo mais bonito da geração. Mas dado o gênero e a forma como suas mecânicas são conduzidas, eu fiquei satisfeito com a direção de arte. Há detalhes, há massivos inimigos em tela. O jogo tem aqueles diálogos mais estáticos, mas também tem muitas animações em cutscenes, especialmente perto do final do jogo. Visualmente me deixou satisfeito. Fora que em alguns momentos o jogo me pegou de surpresa, especialmente quando prédios e construções enormes eram destruídas por meio de um super golpe de meu personagem. Ah e que ótimo que não temos um personagem avatar customizável. Aleluia!

Na parte de trilha sonora, o jogo faz sua parte trazendo uma trilha musical que combina com o universo da série. Não é a mesma trilha do animê, o que penso que alguns problemas de licenciamento global podem ser responsáveis, mas se não é igual, soa na mesma vibe. Só não acho nada bacana a Bandai Namco vir com um pacote de músicas do animê por quase 70 reais via DLC a parte do jogo. Um conteúdo que sequer está na versão Deluxe do jogo (que pode custar em torno de 330 reais no Brasil) ou sequer no Passe de Temporada. Me parece um pack que  deveria estar prestigiado nestes pacotes mais caros do jogo. E não sou o único que partilha dessa opinião.

Indo adiante, também é legal informar que One Piece: Pirate Warriors 4 possui localização por meio de legendas e menus em português. Tudo certinho na localização, ainda que eu me incomode que o apelido do Trafalgar Law aqui tenha se usado Torao, ao invés de Traw ou Trafa. Mas parece que isso é coisa que até o mangá da Panini está fazendo “errado”. Enfim, um mero detalhe e totalmente discutível.

O jogo tem defeitos? Mencionei alguns ao longo da análise, como a chance de não usar mapas de outros jogos, condensar coisas que poderiam virar arcos jogáveis, o online não permitir entrar em fases iniciadas, a ausência de certos personagens do arco de Wano. Mas são coisas pequenas. Talvez um detalhe que me preocuparia em uma sequência seja a poluição visual de pop-up de textos de missões surgindo exatamente no meio da tela do jogo, atrapalhando o visual em certos momentos. É um HUD altamente poluído que talvez nem fosse necessário. Tem um estilo exagerado de informação na tela, característico de jogos japoneses. Poderia ser mais clean. Algo a se tomar nota no futuro, a meu ver.

No mais, One Piece: Pirate Warriors 4 até este momento de 2020, pra mim, é o lançamento mais legal da Bandai Namco em seu catálogo de jogos baseados em obras da Shonen Jump. Até mais que o Dragon Ball Z: Kakarot. Gostei da apresentação da obra dentro do jogo, de sua jogabilidade, de como é acessível a qualquer pessoa e como encontra meios de incentivar o jogador a ir conhecer a obra a qual o jogo foi baseado. Muitos poucos jogos baseados em outras obras de entretenimento conseguem tal feito. É um jogo de videogame em sua essência pura. É divertido, é eletrizante e tem um monte de conteúdo para expandir seu valor de replay. E se estiver muito fácil, há quatro níveis de dificuldade para esquentar as coisas. É um título que conversa para todos os lados, oferecendo opções de personagens que torna impossível não se interessar por algum. É um destes jogos que não tem como não amar. Simples assim.

Galeria

Dando uma nota

Conduz muito bem os pontos altos da série, resgatando arcos clássicos, e deixa novatos curiosos para saber mais - 9.5
Apresenta dois arcos inéditos, enquanto conclui Dressrosa que o jogo anterior não fez conforme a história original - 9
Gameplay não desaponta, apresentando muitos personagens diferentes e estágios enormes - 9.5
Há alto valor de replay, com modo de fases extras e missões secundárias - 10
Possui áudio em japonês, com uma ótima localização em português - 9
Multiplayer tanto online quanto local por tela dividida - 8.5
Boa trilha sonora, mas é sacanagem o pack de músicas do animê precisar ser adquirido à parte - 7.5
Ótimo sistema de experiência de personagens, árvores de habilidades e perks destraváveis - 9.5

9.1

Excelente

One Piece: Pirate Warriors 4 é uma grata surpresa para esta temporada de jogos baseados em animês. Sendo a quarta edição, de uma série que já tem uma longa jornada, é a melhor versão que poderia se esperar. O título sabe conduzir sua narrativa, apresentando de forma contextual o universo de One Piece, deixando espaço para novatos irem conhecer a obra original. Na parte do gameplay, pouco desaponta. Há 40 personagens jogáveis, fases enormes, alto valor de replay e poderes e golpes absurdos. É um musou da mais alta qualidade. Há multiplayer local e online, modalidades extras, uma boa localização em português. Imperdível para fãs e super indicado para quem deseja conhecer o universo criado por Eiichiro Oda.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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