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Análise | Kirby Fighters 2

Disponível para Nintendo Switch

Kirby Fighters 2 coloca jogadores para novamente decidirem qual é a habilidade mais forte que Kirby possui em seu vasto catálogo de poderes copiados. Os embates são de Kirby versus Kirby versus Kirby versus… mais um Kirby! E sendo a bola rosa um dos personagens mais apelões (e queridos) de Super Smash Bros, este é quase um spin-off que faz mais do que sentido existir. Até podemos dizer que trata-se de um embate inevitável.

Seu lançamento ocorreu mundialmente no último dia 23 de setembro, em formato digital, exclusivamente para o Nintendo Switch. Aqui no Brasil o título também saiu oficialmente na eshop nacional. Também é interessante informar que o jogo veio com um preço mais acessível do que normalmente são outros títulos da Nintendo. Kirby Fighters 2 saiu ao preço de 19 dólares lá fora, e aqui, na conversão da loja digital brasileira, ficou em 99 reais. Justo levando em conta a desvalorização da nossa moeda ao longo desde complicado ano.

O jogo é uma sequência de um título que surgiu lá em 2014 no Nintendo 3DS. Kirby Fighters originalmente apareceu como um modo extra dentro de outro game do personagem, Kirby: Triple Deluxe. Certamente a modalidade foi bem recebida pelos fãs, pois no mesmo ano a eshop do 3DS recebeu Kirby Fighters Deluxe, expandido o número de lutadores e estágios. E agora, seis anos depois, sua sequência chega ao Nintendo Switch expandindo ainda mais seus modos, lutadores, estágios e extras.

E tal como ocorre com quase toda a franquia de jogos de Kirby, este foi mais uma vez desenvolvido pelos veteranos da HAL Laboratory, sendo que também contaram com a ajuda do estúdio japonês Vanpool, a qual já havia trabalhado com a HAL no desenvolvimento de Super Kirby Clash, lançado ano passado, também, no Nintendo Switch.

Beijo amigo

Uma boa maneira de exemplificar o que os jogadores devem encontrar em Kirby Fighters 2 talvez seja dizer que o título é uma mistura de Smash Bros apenas com as múltiplas facetas de Kirby, porém com a utilização de uma barra de saúde ao invés do contador de dano que te explode pra fora da arena, com a ideia do modo Torre dos atuais jogos da série Mortal Kombat, a qual o jogador deve vencer inúmeros lutas seguidas uma das outras, mantendo sempre certos status da luta anterior. E isso é só o Modo Story, ainda há outras modalidades menores que vão servir para lhe entreter ainda mais.

Mas antes de continuar, há um elemento singular na mecânica de combate que não consigo comparar com qualquer outro jogo de luta existente: a forma como funciona seu parceiro de luta. Isso porque o jogo tem uma sistema de Team Batte (batalha em equipe). O jogador e um companheiro (podendo seu um outro jogador ou simplesmente a CPU), contra outros dois adversários que também lutam em equipe.

Nesse sistema um companheiro pode apoiar o outro em combate. Pegue uma comida para recuperar um pouco da sua barra de vida, e aí basta se aproximar de seu companheiro para que role um beijo entre os dois (pois é) e ambos recuperam a vida. Isso vale também para alguns power ups que surgem nas arenas, como o pirulito que lhe deixa invencível ou uma folha que lhe faz cuspir algo que parece uma nuvem – o mundo de Kirby é estranho, gente, não questionem. Basta pegar esse poder e beijar seu parceiro de batalha para que ambos compartilhem a habilidade.

Além disso há um interessante sistema de retorno após um nocaute. Quando a vida de um dos membros chega ao fim, e ainda resta um membro da equipe em pé, basta aguardar alguns segundos para que o jogador nocauteado se torne um fantasma. Ao se tornar um fantasma, basta conseguir chegar até um adversário e acertar um golpe nele. Ao fazer isso o jogador fantasma revive e volta ao combate com parte da sua barra de vida restaurada. Ou seja, as batalhas nesse sistema podem ser intensas quando os lutadores podem ficar retornando enquanto a dupla não ser nocauteada. E sim, você pode bater no adversário fantasma para afastá-lo e não deixar lhe acertar.

Tenho que dizer que gostei muito dessa ideia de como o sistema de batalha em dupla funciona no jogo. Já vi outros jogos que usam esse elemento do Team Battle, mas aqui é muito singular e realmente é uma jogabilidade que faz todo o sentido de combate com um parceiro. É muito divertido mesmo. Realmente fiquei impressionando quando entendi a gama de possibilidades que isso dá aos jogadores.

Esse mecanismo aumenta exponencialmente quando se consegue jogar em multiplayer com uma pessoa real para ser seu parceiro. No meu caso, meu parceiro foi meu filho, de 8 anos. Foi uma experiência muito legal batalhar com ele no modo história, a qual precisávamos vencer 50 andares de batalhas, um cobrindo o outro, discutindo estratégias, falando pra fugir até que um de nós, como fantasma, pudesse voltar a arena. Até mesmo termos que nos beijar para compartilhar vida e poderes acabou se tornando engraçado. “Vem, me beija!“, se tornou uma frase estranhamente cômica enquanto jogávamos. Rimos muito disso.

Kirby versus Kirby

Então entra outro ponto que talvez seja importante discutir: um jogo de luta onde todos os personagens são variações do Kirby não é meio chato? Posso lhe garantir que não. Ainda que todos os personagens sejam versões de Kirby, cada um tem sua própria habilidade e lista de movimentos e golpes. Há personagens que usam diferentes armas e diferentes técnicas, que usam estilos de luta distintos.

Claro há os clássicos, como o Kirby de espada, ou o Mago que usa o raio de choque. Mas há também outros, como o Kirby arqueiro, que ataca de longe, o ninja, que avança de forma ágil em direção ao inimigo, o Kirby que usa um bastão, com um alto raio de ataque a distância. Há o Kirby festeiro, que irritantemente fica atirando bombas nos adversários, enquanto uma versão do Kirby como besouro agarra os adversários. Outro devastador é novo Kirby Westler, que fica lhe agarrando e faz investidas contra o solo, te usando como saco de pancada. Um dos meus favoritos é o Kirby que luta usando um iôiô, porque é maneiro demais vai! E Kirby pintor que pinta um quadro que ganha vida e sair andando pela arena causando dano em que encostar nele? Bem, há variações e estilos para todos os gostos.

Além disso o título traz também três inimigos de Kirby que podem ser selecionados, Bandana Waddle Dee, Gooey e Magolor. Todos com movimentos próprios, sendo o Magalor um personagem realmente interessante, com excelentes ataques a distância e que quebram muito fácil investidas de adversários. Com o tempo os jogadores também podem destravar os vilões do modo história: Meta Knight e King Dedede.

Com isso o jogo chega a ter dezessete tipos de Kirbys, mais cinco inimigos famosos de seu universo. Ao todo são 22 personagens para se escolher. Nada mal mesmo, especialmente quando se pensa que a primeira versão do jogo, lá no 3DS, tinha apenas 10 personagens. É um grande crescimento para a série, que pode tranquilamente a ganhar outras sequências daqui alguns anos, em próximos consoles. A HAL Laboratory conseguiu estabelecer uma fórmula que funciona incrivelmente bem.

Quanto as mecânicas de controles na hora da batalha, estes são um pouco mais simples do que a versão clássica do Kirby encontrada em Super Smash Bros, ainda que haja muito influência desse título. Alguns personagens podem ter uma ou outra variação, mas o jogo funciona com um sistema de três botões (porque não quatro é algo que não entendi). Um botão pula, um ataca e o terceiro Kirby abre a boca e pode engolir um adversários. No caso deste de engolir, não é como o ocorre em Smash. Kirby não suga o adversário próximo, ele apenas abre a boca e se precipita contra o adversário, que precisa estar realmente próximo. Com isso é possível cuspi-lo contra o outro adversário, causando um bom dano e afastando um oponente que talvez estivesse lhe pressionando contra uma parede, por exemplo.

Já o ataque básico, vai depender de Kirby para Kirby, mas no geral todos estes possuem uma investida quando se coloca para frente e ataque, um ataque carregado que causa um dano potente, mas como é carregado é preciso ter esse tempo para que ele funcione. Ao saltar e colocar pra baixo e ataque o ataque é direcionado para baixo, assim como o mesmo ocorre ao colocar cima e ataque. É simples? É. Não há nada como combos ou golpes tipo Street Fighter. A dinâmica dos confrontos aqui normalmente envolvem em pegar itens, bater com investidas e não deixar o cenário lhe atrapalhar ou até mesmo lhe matar.

Então sim, as arenas do jogo são, sem sua maioria, repleta de armadilhas e inimigos que surgem para atrapalhar os jogadores. Podem ser um grande robô, um trem desgovernado, uma grande ave ou mãos gigantes que lhe empurram para frente da tela. Quase todos os estágios do jogo tem algo que pode lhe causar dano. Há arenas apertadíssimas, enquanto outras nem tanto. Elas seguem uma dinâmica de criatividade tão boa quanto as que podemos encontrar em Super Smash Bros. E muitas destas arenas já existiam no primeiro jogo, porém estão bem mais bonitas aqui, graças ao poder gráfico maior do Switch.

Suba a torre, ou apenas batalhe por diversão

Sendo um título de apenas 19 dólares, cheguei a pensar que não encontraria muito conteúdo em Kirby Fighters 2. E felizmente estava enganado, pois o título oferece um conjunto satisfatória de modos, que normalmente jogos de lutam já entregam, e são vendidos por aí em seus 59 dólares. Então não se deixe enganar pelo preço, pois o pacote de conteúdo do jogo é bacana o suficiente para justificar seu investimento e satisfaz quem curte explorar esse gênero de forma solitária ou com amigos ou até mesmo online.

A meu ver sua principal modalidade ficar mesmo pelo Story Mode, que leva um subtítulos de The Destined Rivals. Modo que está disponível para até dois jogadores localmente. E assim, não espere uma incrível narrativa cheia de reviravoltas e momentos intensos. É algo simples mesmo. Meta Knight e King Dedede se unem para fazer coisas que malvados fazem, e cabe a Kirby e um parceiro de aventura colocar um fim nessa atitude dos vilões. E então o jogador sai em uma jornada afim de encontrar a dupla vilanesca.

Como já havia mencionado, esse modo de história funciona como o modo Torre de Mortal Kombat. É luta atrás de lutas, anda por andar, até chegar ao chefe final. A modalidade se divide em 5 capítulos, começando bem fácil e chegando ao final a qual você precisa vencer 50 andares (batalhas) afim de vencer o pós-game. O legal desse modo é que apenas parte da barra de vida é restaurada ao final de cada luta, e a cada rodada o jogador pode escolher um atributo que melhora seus status.

Isso ocorre porque as batalhas vão ficando mais difíceis conforme se progride pela modalidade. Inimigos causam mais dano e possuem mais vida, então o jogador precisa escolher com sabedoria o atributo a ser melhorado afim de acompanhar essa escalada da CPU. Este as opções estão maior vida, mais vida restaurada ao final de uma batalha, mais ataque, chance de defesa automática, mais dano contra certos inimigos, mais resistência a armadilhas, comidas mais eficiente, melhoria de power ups, ataque carregado carregando mais rápido e afins. São muitas opções, quase como se fosse um roguelike. A cada nova partida, novas opções serão oferecidos. Não é algo linear, a ponto de você conseguir decorar o que virá a cada andar.

Fora isso, é o modo que vai lhe entregar alguns estágios contra chefes especiais, e não apenas batalhas contra inimigos do elenco selecionável. Não são batalhas incrivelmente complicadas, mas é um toque carinhoso dos desenvolvedores terem feito algo assim. Melhora o ritmo e a dinâmica dessa modalidade de lutas sequenciais.

De longe é o modo que mais me entreteve e me diverti. O último capítulo há um limite de 3 vidas. Se perder todas é Game Over. É um desafio realmente legal. Nos demais capítulos é possível perder vidas à vontade. Além disso todo o jogo tem um sistema de level up (Fighter Rank), a qual o jogador vai assim destravando aos poucos tudo que o jogo tem a oferecer. O último tipo de Kirby, por exemplo, só apareceu pra mim quando cheguei ao level 40 desse sistema. É uma boa forma de incentivar a seguir jogando.

No que diz respeito as outras modalidades. Há um modo para um jogador, que te entrega nove batalhas em sequência, com diferentes níveis de dificuldade, assim como uma sala de treino para ficar fera com seus personagens preferidos. O jogo também permite batalhas locais, quando há várias pessoas com um Nintendo Switch que possam se comunicar entre si.

Aí vem as modalidades multiplayer. Battle Mode e Online Mode. O online lhe permite batalhar no modo rankeado ou com um amigo. Admito que tentei algumas vezes encontrar partidas aleatórias e não encontrei. Admito que dado o fato de ser um lançamento pequeno dentro da gama de jogos do Switch, não achei que encontraria fácil inúmeras partidas. Mas o sistema até ali, mas não parece ter uma comunidade grande jogando-o online. Se esse for o seu maior ponto de interesse no título, recomendo cautela.

Quanto ao Battle Mode, essa é a modalidade multiplayer local, a qual até quatro jogadores podem customizar regras de combate, como lutarem em equipe ou todos contra todos, e sair testando suas habilidades. Também é possível colocar a CPU para controlar quando não há jogadores o suficiente (mas não é obrigatório). Aqui o jogador escolher o estágio, suas regras e afins. É o modo que você vai jogar quando a pandemia passar e puder reunir novamente a galera pra dentro de casa.

Considerações finais

Kirby Fighters 2 é um lançamento a qual não vi chegando e não estava realmente esperando, mas que se tornou uma agradável surpresa para este momento do Nintendo Switch, a qual muitos aguardamos os próximos grandes pesos pesados do console. É um título leve e divertido, muito bem vindo para esse momento a qual o mundo anda tão complicado.

Nem sempre sou um grande aficionado por jogos de luta, entretanto aqui a proposta é aquela diversão casual, muitas vezes com resultados improváveis, tal qual temos muitas vezes em títulos como Smash Bros. Tem sido uma experiência divertida de jogar com o filho pequeno, que também não é um fã de jogos hardcore de luta. Simplicidade parece ser uma palavra chave aqui para dar acessibilidade ao título a jogadores de qualquer idade. E isso não significa torná-lo extremamente fácil (a torre com seus 50 andares deixa isso bem claro).

E cabe um lançamento assim para o Kirby neste momento, afinal o Switch já tem um jogo de aventura mais tradicional com o personagem, Kirby Star Allies, lançado em 2018. Com essa meta conquistada, há margem para se pensar nas séries derivadas do personagem, como a que ocorre com este lançamento. Kirby é esse personagem eclético, que funciona em jogos tranquilamente em diferentes gêneros, como plataforma, luta, puzzle ou até mesmo corrida – posso dizer que ainda sonho com uma sequência de Kirby Air Ride do saudoso GameCube?

Bem, o fato é que Kirby Fighters 2 é uma sequência que parece entender tudo que o jogo original tinha de bom e soube como expandir isso agora em uma nova plataforma, com o poder que a mesma oferece. Mais cenários, mais personagens jogáveis, mais modos de jogo. É um jogo que pensa no single além do multiplayer local e online. Super acessível e com aquele charme e carisma ultra colorido que o universo de Kirby possui. Amantes de gráficos sanguinários e ultra realistas talvez não se sintam a vontade com a fofura de Kirby, mas tenho certeza de que quem gosta e entende a Nintendo não se incomoda com tamanha explosão de cores.

Galeria

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Dando uma nota

Boa proposta, conseguer ser simples, divertido, acessível e com um bom desafio - 8
Elenco de muitas versões de Kirby, mas com seus próprios estilo - 8
Story Mode com um sistema de batalhas sequências é a melhor atração do título - 8.5
Divertido de jogar em família, sistema de parceiros é muito bem planejado - 8.5
Estágios são caóticos e repletos de armadilhas - 7.5
Preço menor é um ótimo incentivo aos donos do console - 9
Controles no combate são mais simples do que precisariam ser - 7

8.1

Divertido

Kirby Fighters 2 é uma sequência que talvez ninguém estivesse esperando, mas ainda assim parece saber como conquistar seu público. É um jogo para se divertir com amigos e a família, e que apresente um interessante single player baseado em batalhas sequenciais. Oferece de tudo um pouco, incluindo multiplayer online. Preço menor do que o de grandes lançamentos o torna bem atrativo. Apresenta boas ideias, boas influencias e tem o charme singular, e ultra colorido, do universo de Kirby.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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