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Análise | Katamari Damacy REROLL

Disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch & PC

Katamari Damacy REROLL traz de volta a aventura original para trazer as estrelas de volta ao céu. O título teve lançamentos distantes até chegar a todas as plataformas atuais: para Nintendo Switch e PC seu lançamento acontecendo dezembro de 2018, enquanto o PlayStation 4 e o Xbox One receberam o jogo somente recentemente, em 20 de novembro deste ano.

O jogo tem suas raízes lá em 2004, tendo sido lançando originalmente no PlayStation 2, e se mantendo exclusivo do console até então. Trata-se do primeiro título da franquia, que recebeu diversas sequências para diversas plataformas ao longo das últimas gerações de consoles. Portanto trata-se de um relançamento especial, um clássico do passado a se revisitar sem sombra de dúvidas.

REROLL não traz nenhum tipo de conteúdo original, tendo como proposta apenas reapresentar um clássico em uma resolução suportada pelas atuais telas de TVs e monitores. Entretanto, devo dizer que a versão de 2004 possuía áudio em inglês em certas cutscenes, e agora o jogo só possui áudio em japonês. O que convenhamos, combina bem mais com sua proposta. O único pesar fica no fato das legendas estarem apenas em inglês, sem qualquer localização ao nosso português.

Desenvolvido pelo estúdio japonês Monkeycraft em parceria com a Bandai Namco, este é um game que mistura  quebra-cabeça com aventura e traz uma abordagem inteiramente nova e diferente do convencional. Você controla um diminuto ser chamado simplesmente de Príncipe e deve rolar uma katamari (uma bola). Sua missão é ir aumentando o tamanho dela ao grudar coisas em sua superfície, expandindo assim seu diâmetro e consequentemente conseguir grudar coisas maiores, chega uma hora onde poderá grudar inclusive pessoas nela. Obviamente estas pessoas não vão reagir normalmente a isso, e o caos será causado por onde você passar.

Apesar de não possuir multiplayer online, podemos jogar com um amigo localmente, como nos velhos tempos de tela dividida. A versão utilizada para este review foi a do Xbox One.

Relembrando suas origens

Katamari Damacy, como já mencionado, teve sua estreia lá na geração PlayStation 2, época na qual também foram lançados outros grandes jogos que marcaram tal geração, como Halo 2, GTA: San Andreas e Metal Gear Solid 3. A ideia maluca para Katamari Damacy veio da mente de Keita Takahashi e foi jogo vendido a um preço abaixo dos grandes lançamentos (tal como agora com REROLL, inclusive). Com o passar do tempo e o sucesso da ideia, Katamari passou de uma ideia inusitada para uma série que deixou sua marca, na indústria dos games e nos jogadores, principalmente nos japoneses.

Em Katamari Damacy Reroll o jogador controla o Príncipe (um ser diminuto de 5cm), que é incumbido pelo Rei de Todos os Cosmos (seu pai) a consertar os estragos que o próprio pai fez em uma noite de loucura e diversão. Com seu tamanho gigantesco ele simplesmente destruiu a lua e todas as estrelas no espaço. Percebendo tarde demais o estrago feito, o Rei deixa para o pequeno Príncipe a missão de enrolar coisas em uma katamari e assim o auxiliar a construir novos corpos celestes.  Após terminar a fase e conseguir a katamari do tamanho solicitado, ou maior caso consiga, o Rei vai utilizar os objetos grudados nela para formar a nova estrela cadente e dar continuidade a história.

No início de cada as fases recebemos a informação do raio do tamanho (em diâmetro) que devemos deixar nossa Katamari e em qual determinado período de tempo terrestre. Algumas fases contam com objetivos especiais, como nas fases em que devemos nos focar na formação de constelações/signos, como, por exemplo, pegar o máximo de caranguejos para formar a constelação de Câncer, ou o máximo de objetos gêmeos para a constelação de Gêmeos. O jogo tem uma inspiração bem arcade, com pontuação e estatísticas de coisas coletadas ao final de cada nível, incentivando o jogador a tentar os estágios novas vezes afim de ir mais além do que seu placar original.

Uma curiosidade deste título de estreia da franquia é que aqui acompanhamos paralelamente a história da família Hoshino, que está atrelada a toda essa loucura, de formas variadas. O pai da família, um astronauta, fica impossibilitado de ir a lua, pois ela foi destruída pelo Rei, o filho por sua vez, nota o desaparecimento das estrelas, o repentino reaparecimento de algumas (conforme o Principe vai concluindo as fases) e ele até mesmo chega a ver o rosto do Rei de Todos os Cosmos no céu. Sua irmã, a jovem Michiru, consegue sentir quando as constelações retornam a vida e tem toda uma animação especial para isso. O destino dessa família está fortemente atrelado a katamari. Será que eles vão desvendar todo o mistério, ou vão acabar sendo grudados na katamari para fazerem parte de algo maior?

Controlando um tanque de guerra

Katamari Damacy REROLL possui o famoso controle de tanque, que é aquele onde cada analógico do controle é responsável por criar a movimentação em relação ao personagem controlado. Um exemplo mais conhecido desta forma de controle são os primeiros jogos da série Resident Evil, onde controlamos Chris Redfield em um ambiente 3D com apenas algumas opções de movimentação. O que não nos permitia andar em diagonal pelo cenário, e assim apenas direita/esquerda, cima/baixo, nada de direções entre estas. Aqui é exatamente a mesma coisa.

Sendo assim, os controles de Katamari Damacy possuem como parte central os analógicos do controle. Os demais botões não possuem qualquer função (minto, há um botão de pulo a qual Prince pula para ver rapidamente o que há ao seu redor, mas não leva a bola para o ar). Para fazer a bola se mover é preciso que ambos os analógicos estejam apontados para a mesma direção, colocar apenas um para frente fará apenas o Príncipe rotacionar ao redor da bola. Então, para frente, ambos os analógicos para frente, para trás, os dois para trás, assim como para ir para a esquerda e para a direita. Sendo os dois analógicos trabalhando juntos e em direção iguais. Colocar frente em um analógico e para trás no outro e ficar alternando isso rapidamente fará a katamari ganhar um turbo e se impulsionar para a frente. E tem mais uma coisa, a katamari se torna mais difícil de controlar, ficando mais duro o controle, conforme ela aumenta de tamanho.

Infelizmente em vários momentos você ficará rolando a katamari às cegas pois devido ao tamanho das mesmas e as coisas grudadas nela, vai ficando cada vez mais difícil observar o mundo na frente da katamari de forma eficiente. Rolar sem sabe o que vem pela frente pode frustrar em alguns momentos, mas é algo que soa um pouco proposital, como se o caos fosse parte de tal proposta, e, no fim, o jogador acaba se acostuma com o tempo e com a ótima trilha sonora que traz uma vibe musical que toma conta da imersão.

E a regra do jogo é realmente simples: saia rolando e colete coisas. Nem tudo irá grudar inicialmente, pois a katamari precisa ganhar tamanho para coisa além seu tamanho. É normal também bater nestes objetos maiores e outros menores já grudados nela escapar. E nem sempre fica claro o que é possível grudar e o que ainda não é. Parte da experiência bem de testar e ver o que ocorre.

Alma musical

Você precisa simplesmente se deixar levar pela trilha sonora encontrada em Katamari Damacy REROLL. Não existe uma definição exata em palavras para isso, mas a trilhas é composta por uma mistura de elementos eletrônicos, dance music, jazz e até samba brasileiro. Muitas das trilhas foram compostas por Yū Miyake e contou também com participações nos vocais, de estrelas do J-Pop como Yui Asaka e dubladores de animes (Nobue Matsubara e Ado Mizumori). Destaque para as faixas Katamari on the Rocks, Lonely Rolling Star e Que Sera Sera. E sim, a trilha sonora continua sendo a mesma da versão de 2004, provando o quanto uma bela melodia sobrevive tranquilamente ao tempo.

Vamos colocar dessa forma: é muito difícil jogos terem canções com vocal em meio a ação do gameplay, e Katamari Damacy encontrou uma forma de permitir isso e ir além, pois o jogo não teria o charme e a imersão pretendida se o mesmo apresentassem melodias unicamente instrumentais. São canções que grudam na cabeça, te fazem cantarolar e simplesmente conseguir te desligar de tudo ao redor e te deixar concentrado em rolar a katamari e fazê-la crescer mais e mais. E mesmo passado mais de 15 anos, a trilha ainda funciona e encanta. É inacreditável.

E a dificuldade?

Katamari Damacy REROLL não é um jogo difícil, mas existe um certo grau de aprendizado para jogá-lo com mais eficiência.  Muitos itens não podem ser grudados na katamari a qualquer momento, outros podem complicar a jogabilidade caso você pegue eles antes da hora. Um exemplo básico, não vamos conseguir grudar pássaros nela antes de conseguirmos grudar caranguejos ou ratos. A quantidade de itens é enorme e obviamente você vai perceber quando um novo item pode ser adicionado à sua katamari.

Ao tentar grudar um item impossível no momento, além de possivelmente sermos arremessados, perderemos itens grudados, o que vai diminuir o tamanho e nos deixar em maus lençóis. Note que animais e pessoas costumam entrar em pânico quando a katamari se aproxima e eles possam ser grudados nela, então se você cuidar da reação deles você saberá a hora certa de rolar por cima deles. Postes de luz podem ser uma boa ideia por serem grandes e aumentarem o diâmetro instantaneamente, mas imagine como deve de ser controlar uma bola com um poste de luz grudado nela… sim não é nada agradável e vai dificultar a movimentação pela fase. Deixar itens com formatos “específicos”, como um poste ou pedaços de cerca, ou até máquinas de doces para quando já estiver em um tamanho considerável é a melhor alternativa e vai evitar problemas de locomoção pelas fases.

Pessoas, animais, veículos e alguns outros itens e objetos possuem movimentação própria e interagem sob padrões definidos, enquanto quase todo o resto permanece estático. Não é impossível rolar ao acaso e coletar impulsivamente tudo o que você vê e ficar bem , mas também é possível ser mais eficaz, decorar a disposição de itens pelo cenário e voltar após estiver no tamanho aceitável para uni-los a sua kamatari. O que acaba sendo um método de aquisição de itens implacavelmente focado na sua lógica como jogador. Temos itens especiais localizados em alguns locais, como uma coroa para o pequeno príncipe, em momentos como esse, o rei lhe avisa de seu feito e lhe dá a dica de tentar não perder o item pelo caminho.

O jogo fica com toda certeza mais divertido quanto maior deixamos a katamari. Ao atingir o diâmetro de 20 metros nos tornamos uma força esmagadora capaz de adicionar à força qualquer coisa a nossa katamari, dobrando tudo e todos ao nosso bel prazer. Nos tornamos assim um Príncipe impiedoso na Terra e deixamos a população condenada à sua própria sorte. Do ponto de vista da população isso é algo terrível, mas do ponto de vista do jogador é um prazer momentâneo sair grudando coisas, aumentando gradativamente de tamanho e vendo a destruição causada. Infelizmente não podemos sair fazendo o que bem entendemos em todas as fases, pois o limite de tempo acaba não permitindo muitas quebras de tamanho mínimo nas fases iniciais. Por outro lado, e felizmente, mais tarde, ao progredir pelo jogo, especificamente após terminar a aventura e cumprir alguns pré-requisitos a possibilidade de andar pela fase sem limite de tempo. E isso sim é muito relaxante, diga-se de passagem!

Há um fato que nos remete fortemente a lembrança de que este é um jogo do passado: ausência de um salvamento automático. Exatamente, uma alteração (a única) que talvez devessem ter mexido. Então teremos que ir no menu (na casa do Príncipe) após cada fase completada e salvarmos o jogo, exatamente como era décadas atrás, com memory cards e afins. Esquecer de salvar e perder sua progressão é um temor real aqui.

Considerações finais

Vale à pena conhecer esse clássico atemporal? Com a mais absoluta certeza. Entretanto, por ser um jogo estranho e diferente dificilmente Katamari vai ser apreciado por todos os nichos de jogadores. É aceitável que parte da comunidade de jogadores já tenha experimentado algum título da franquia em alguma plataforma passada, e mesmo assim esse primeiro título é algo que você talvez queira conhecer.

Agora quem nunca experimentou um Katamari Damacy, este é um ótimo jogo para dar uma chance. É uma experiência que não deve ser levada muito a sério, porque há um DNA cômico em sua estrutural, feito para dar uma risada de algo nonsense. E é uma jogabilidade bem simples, consistindo basicamente em rolar uma bola e grudar coisas nela. Os controles de um modo geral respondem satisfatoriamente, ficando somente um pouco confuso quando não conseguimos ver para onde estamos indo, diante de uma câmera nem sempre precisa.

Entretanto, existe um ponto em que este primeiro Katamari Damacy merece grande elogio: seu design dos estágios. A forma como a equipe que o desenvolveu enxergou como reaproveitar ambientes dentro de fases distintas. Isso é possível graças a perspectiva progressiva do jogo, a qual se começa pequeno e o escopo vai aumentando. Apesar do jogo entregar fases com ambientes separados, todos meios que estão interligados, especialmente quando o mundo começa a aumentar drasticamente. O jogo sabe aproveitar isso sem que dê a sensação de estar repetindo áreas. Vocês está, mas em uma outra experiência de jogo. É brilhante como se planejou esse elemento.

Por fim, vale apontar que o título também tem seu multiplayer local que mesmo não sendo seu maior destaque, ainda é uma boa opção para se brincar em família, em um “roll-off” a qual o jogador que rolar a maior bola de Katamari ganha elogios do Rei do Cosmos. E quem não quer elogios do maior Rei de todos! Claro que em tempos de pandemia faz falta uma adaptação desse multiplayer para uma modalidade online, mas é total compreensivo que não tenham mexido nisso. Nem o save automático inseriram afinal. A proposta aqui é realmente manter fiel ao original. O que foi conquistado.

Sendo assim, a chegada de Katamari Damacy REROLL ao Xbox One e ao PlayStation 4 neste ano não se difere muito do que foi encontrado na versão original para o PlayStation 2, exceto pela resolução de alta definição agora suportado. Obviamente temos agora uma imagem ajustada para widescreen e com 1080p, além de também contarmos com um preço mais baixo, o que pode ser um chamariz para quem não experimentou esse título anteriormente. E os gráficos não estão velhos a ponto do título perder seu charme. Na verdade esse visual faz total parte do estilo visual escolhido para a obra.

Claro que seria interessante se houvesse um Katamari Damacy totalmente novo, e quem sabe esse relançamento não seja uma ponto para tal desejo. Mas enquanto isso não acontece, podemos apreciar pela primeira vez, ou pela segunda no caso de alguns, este grande clássico, que seja tão divertido e estranhamente legal, quanto era lá em 2004.

Galeria

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Dando uma nota

Rolar uma bola por aí? Nonsense e deliciosamente divertido! - 9
Visualmente é muito fiel ao jogo original, porém a alta definição gráfica favorece muito o jogo - 9
Trilha Sonora é contagiante, faz total parte da imersão do título - 9
Não aprimorar certos aspectos do jogo original (save manual) é questionável - 6.5
Jogabilidade no padrão tanque pode causar estranheza para alguns - 7.5
Tem como proposta entregar uma experiência para distrair, relaxar e dar risadas - 10
Contrução do design do mundo e sua divisão de ainda é impressionante até hoje - 9

8.6

Clássico

Katamari Damacy REROLL é uma experiência única para cada jogador. Devemos levar a história sem pé, nem cabeça e a loucura da jogabilidade na esportiva e curtir o momento com uma trilha sonora que vai ficar na sua cabeça por um tempo. Deixe o stress do dia a dia de lado e simplesmente role sua katamari por aí. Um clássico atemporal que segue incrível até estes tempos modernos. Mínimos detalhes poderiam ser atualizados? Sim, claro, entretanto o jogo como um todo segue impressionantemente fantástico .

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Paulo Roberto L. S.

Gamer desde o antigo Master System 3. Leitor de HQs (Marvel/DC) e de Mangás, como atividades extras me dedico a treinar Pokémon e sair em busca de conquistas e troféus.
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