Analise | Code Vein II
Disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S & PC

Code Vein II é uma obra enumerada que indica uma sequência, mas o ideal é entendê-la como uma releitura de um universo familiar para quem jogou o título anterior. As apostas mudam para um conceito de mundo aberto, viagens no tempo e diversas mecânicas ampliadas, preservando os elementos pós-apocalípticos, os Códigos de Sangue e uma jogabilidade mais acessível dentro do gênero soulslike.
Lançado em janeiro deste ano, o título recebeu uma recepção mista em relação a algumas dessas mudanças de direção. Pessoalmente, acabei resolvendo colocá-lo em banho-maria por alguns meses, até encontrar o espírito ideal para aproveitar sua aventura. A ressaca dos muitos lançamentos do fim de 2025, somada à chegada de Resident Evil Requiem poucas semanas depois, talvez ajude a explicar essa decisão.
Alguns jogos simplesmente chegam em momentos estranhos. Ainda que isso dependa das circunstâncias de cada jogador, não é incomum que títulos inicialmente ignorados despertem maior interesse meses depois, impulsionados por atualizações, expansões ou pela mudança de contexto do próprio público. O ponto é que somente agora me senti verdadeiramente pronto para o título.

Code Vein II mantém o mesmo cuidado do primeiro jogo em termos de localização, chegando por aqui com legendas e menus adaptados em português. Sem dublagem, permitindo apenas que o jogador decida se quer as vozes no original em japonês ou pela adaptação em inglês. Opções de acessibilidade, como aumento da fonte, diferentes cores de legenda, tornam a leitura mais democrática a diferentes tipos de jogadores.
Para quem não jogou o primeiro Code Vein (2019), fique tranquilo, a sequência é totalmente independente. Nem se passa no mesmo universo e não dá continuidade a nenhuma história. O título apenas empresta alguns conceitos de construção de mundo e mecânicas correlacionadas, remodelados para uma experiência totalmente inédita.

Ficha Técnica
Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC
Desenvolvedor: Bandai Namco Studios
Publisher: Bandai Namco
Gênero: Soulslike, Action RPG
Lançamento: 29 de janeiro de 2026
Versão analisada: Xbox Series S
Consertando o Apocalipse / Mundo e Narrativa
Em termos de construção de mundo, Code Vein II faz uma escolha ousada. Embora funcione como uma aventura independente, a sequência presume que o jogador aceitará naturalmente muitos dos conceitos estabelecidos pelo título anterior: um mundo pós-apocalíptico onde seres conhecidos como Aparições (Revenants) representam a última esperança da humanidade diante de uma ameaça de extinção.
As Aparições são, ainda que o jogo evite chamá-las assim, uma versão própria dos vampiros da cultura popular. Vivem por séculos, envelhecem muito pouco e dependem do sangue de outros seres vivos para manter a consciência e evitar a loucura.

É justamente sobre essa premissa que o primeiro Code Vein constrói sua narrativa. O mundo colapsa após o surgimento de criaturas misteriosas em meio a uma névoa tóxica, levando a humanidade a criar as Aparições como tentativa desesperada de sobrevivência. O protagonista desperta nesse cenário sem memórias, descobre possuir a capacidade de purificar o ar e aliviar a escassez de sangue, enquanto aprende, junto do jogador, como esse universo funciona. Grande parte do fascínio da aventura nasce dessa descoberta.
A sequência segue outro caminho. Embora reutilize o conceito das Aparições, Code Vein II não compartilha o mesmo universo e abandona boa parte dos temas centrais do jogo anterior. A sede de sangue deixa de ocupar um papel importante, enquanto as Aparições passam a existir apenas como uma espécie de guerreiros quase imortais enfrentando uma nova ameaça em um mundo igualmente devastado.
Essa mudança revela a principal diferença entre as duas obras. O primeiro jogo faz questão de explicar quem são esses seres e por que existem; a sequência simplesmente parte do princípio de que isso já não importa. Basta saber que são poderosos, vivem por séculos e representam a melhor defesa da humanidade.

Agora, o colapso do mundo acontece por causa da Ressurgência, um misterioso fenômeno capaz de emitir ondas de energia que provocam mutações tanto em humanos quanto em Aparições. Após muito esforço, esse poder foi selado duas vezes ao longo da história, sendo a última graças ao sacrifício de cinco heróis lendários, aprisionados em casulos responsáveis por manter o selo ativo.
A aventura começa quando esses casulos dão sinais de enfraquecimento. Mais uma vez o protagonista desperta sem lembranças, mas logo descobre possuir habilidades únicas. Além de restaurar memórias perdidas, ele também descobre ser um híbrido entre humano e Aparição. Ao seu lado está Lou, uma jovem capaz de viajar no tempo. É aí que Code Vein II revela sua verdadeira proposta.

Mais do que uma aventura pós-apocalíptica, trata-se de uma história sobre viagens temporais. Enquanto tenta impedir uma nova Ressurgência no presente, o protagonista visita o passado para conhecer os heróis responsáveis pelo último grande sacrifício, recuperar as chaves dos casulos e compreender os acontecimentos que moldaram aquele mundo. Aos poucos, surge uma descoberta ainda mais importante: alterar eventos do passado modifica diretamente o presente, influenciando inclusive qual dos três finais será alcançado.
Essa escolha amplia significativamente a escala da narrativa, mas também reduz parte do fascínio que definia o primeiro jogo. Antes, o prazer estava em descobrir um universo inédito e compreender suas próprias regras. Agora, a fantasia já nasce estabelecida e utiliza esse universo como ponto de partida para contar uma história muito mais tradicional, centrada em viagens no tempo e no destino do mundo.
É como acompanhar uma aventura protagonizada por Hobbits sem que o autor considere necessário explicar quem eles são, presumindo que todo o público já conhece O Senhor dos Anéis. Quando essa nova história funciona, a experiência continua envolvente. Quando não funciona, parte do carisma inevitavelmente se perde.

Isso não significa que Code Vein II conte uma história ruim. Muito pelo contrário: seus personagens são bem escritos, emocionalmente convincentes e carregam conflitos pessoais que frequentemente superam a própria trama principal. O problema está justamente no conflito central. Enquanto o primeiro Code Vein construía uma fantasia marcada pela descoberta e pela luta pela sobrevivência, a sequência aposta em um enredo mais convencional, colocando o destino do mundo nas mãos de um protagonista capaz de alterar o passado. É uma proposta maior em escala, mas também menos marcante na construção de seu universo.
Lute do seu jeito / Jogabilidade
Code Vein II continua apostando em uma proposta já presente no jogo original: ser um soulslike que privilegia o fluxo da progressão em vez da frustração constante do desafio. A primeira demonstração disso é que o jogador nunca luta sozinho. Durante praticamente toda a campanha, um companheiro controlado pela IA participa ativamente dos combates, enfrentando inimigos, derrotando chefes e até concluindo batalhas caso você seja incapaz de fazê-lo antes.
Esses parceiros também podem reviver o protagonista quando ele é derrotado. Em troca, deixam temporariamente o campo de batalha, obrigando o jogador a sobreviver sozinho até seu retorno. Caso seja derrotado novamente antes do retorno do aliado, é fim de jogo. E sempre que um aliado realiza um resgate o tempo necessário para voltar ao combate aumenta, transformando esse recurso em algo poderoso, mas que exige cada vez mais cautela.

Conforme a campanha avança, novos aliados são apresentados, cada um especializado em diferentes estilos de combate e suporte. Utilizá-los por longos períodos fortalece o vínculo entre vocês, elevando seus atributos e desbloqueando novas habilidades, incluindo ataques especiais. Nem sempre é possível escolher livremente quem o acompanhará, ou seja, algumas situações da narrativa impõem restrições. Lou, por exemplo, não pode lutar ao seu lado durante eventos do passado, já que é justamente ela quem sustenta a viagem temporal.
As parcerias também estão diretamente ligadas ao sistema de Códigos de Sangue, equivalente às tradicionais classes de RPG. Cada Código altera atributos, favorece determinados tipos de armas e amplia diferentes estilos ofensivos ou defensivos. Quanto mais um Código é utilizado, maior sua proficiência, desbloqueando bônus permanentes que podem ser equipados independentemente da classe ativa. O resultado é um sistema que incentiva experimentar diferentes estilos de combate ao longo de toda a aventura.
Esse sistema se conecta a diversas outras mecânicas, cujo detalhamento pouco acrescentaria aqui. O importante é entender que Code Vein II amplia significativamente as possibilidades vistas no primeiro jogo. Há uma boa variedade de armas, espadas gigantes, machados, adagas e outras categorias, e qualquer uma delas pode equipar até quatro habilidades especiais, chamadas de Formae, independentemente do tipo de armamento utilizado.

As Formae consomem mana, mas sua recuperação também foge do convencional. Em vez de depender de poções ou itens de consumo, o jogador utiliza uma habilidade chamada Cela, que drena energia diretamente dos inimigos. O dano causado é pequeno, pois sua função não é ofensiva, mas sim representar mecanicamente a natureza vampiresca das Aparições enquanto restaura os recursos necessários para continuar lutando.
É justamente da combinação entre Códigos de Sangue, Formae, armas e equipamentos que nasce a flexibilidade do combate. Você pode construir personagens rápidos e focados em ataques consecutivos, apostar em armas lentas de alto impacto ou equilibrar diferentes magias de fortalecimento, projéteis de longa distância e golpes especiais, adaptando o estilo de luta ao seu gosto.
Naturalmente, essas características se somam aos fundamentos que definem qualquer soulslike. Esquivas continuam essenciais para evitar ataques, seja rolando, bloqueando com escudos, utilizando manoplas capazes de aparar golpes ou recorrendo a habilidades de deslocamento rápido. Todas essas ações dependem da barra de vigor e, quando ela se esgota, o personagem fica momentaneamente incapaz de agir.

Os inimigos derrotados deixam para trás Brumas, recurso que funciona ao mesmo tempo como moeda em lojas, experiência para subir de nível e custo para aprimoramentos de armas. Ao morrer, todas elas permanecem no local da derrota e precisam ser recuperadas. Caso o jogador seja derrotado novamente antes disso, o valor é perdido definitivamente.
As estátuas de divindade cumprem o papel tradicional das fogueiras do gênero. Servem como pontos de descanso, restauram a vida, reabastecem os consumíveis de cura, permitem viagens rápidas e, em troca, fazem todos os inimigos comuns reaparecerem.
Dentro das convenções do gênero, portanto, Code Vein II executa exatamente o que se espera. Cada inimigo possui ritmos próprios de ataque, alguns são perigosos individualmente, outros representam ameaça pela quantidade, enquanto criaturas gigantescas podem eliminar boa parte da sua vida em poucos golpes. Cabe ao jogador observar o cenário, administrar seus recursos e decidir como enfrentar cada situação.

O mesmo vale para o bestiário. Fora os chefes principais, cujos confrontos apresentam boa variedade de ataques e diferentes fases de combate, a maior parte dos inimigos aposta em conceitos bastante familiares: cavaleiros e soldados mortos-vivos, mutantes, criaturas lupinas e monstros de aparência genérica. Pouco surpreende em termos de criatividade visual.
Ainda assim, o que realmente define a diversão de um soulslike nunca foi a originalidade de seus monstros, mas a tensão constante da exploração. Entrar em uma área desconhecida, desconfiar de emboscadas, administrar recursos e tentar alcançar o próximo ponto de descanso sem cometer erros continua sendo o coração da experiência. Code Vein II entende isso muito bem, apenas escolhe apresentar esses desafios de maneira mais acessível do que a maior parte dos representantes do gênero.
As batalhas são mais permissivas, seja pela presença constante de um aliado controlado pela IA, seja pela ampla janela de tempo para esquivas e defesas. E isso não representa um defeito. Assim como no primeiro jogo, fica claro que a intenção dos desenvolvedores é oferecer uma porta de entrada para um gênero frequentemente associado à frustração.

Nada disso significa ausência de desafio. Chefes continuam exigindo diversas tentativas e aprendizado, grandes áreas de exploração punem descuidos e excesso de confiança quase sempre termina em armadilhas ou erros de ritmo durante o combate. Cautela e observação continuam sendo virtudes fundamentais. A diferença é que Code Vein II oferece ferramentas mais generosas para que o jogador aprenda essas lições.
Souls de Mundo Aberto / Vale Mencionar
A maior mudança de Code Vein II, e talvez aquela que melhor justifique sua narrativa mais ambiciosa, está na forma como a campanha é estruturada. Em vez da progressão linear do primeiro jogo, a sequência adota um conceito de mundo semiaberto. Digo “semiaberto” porque, apesar da liberdade de exploração, ainda existem regiões claramente pensadas para momentos específicos da aventura, enquanto os acontecimentos da história seguem uma ordem relativamente fixa.
A inspiração em Elden Ring (2022) é evidente, mas não na mesma intensidade. Diferentemente da obra da FromSoftware, que incentiva o jogador a construir sua própria jornada a partir da curiosidade e da exploração, Code Vein II continua conduzindo a campanha de maneira bastante tradicional. O mapa, por exemplo, marca exatamente onde está o próximo objetivo da história, reduzindo a sensação de descoberta espontânea.

É justamente nesse equilíbrio que surge a proposta do mundo semiaberto. Ao redor dos eventos principais existem inimigos opcionais, caminhos alternativos, áreas escondidas, missões secundárias e diversos itens espalhados pelo cenário. O resultado é uma sensação de escala que o primeiro Code Vein dificilmente conseguiria alcançar com sua progressão linear por mapas menores e mais contidos.
Pela primeira vez, existe espaço para interromper a jornada apenas para observar o horizonte e descobrir até onde aquele mundo permite ser explorado. Infelizmente, é também nesse aspecto que aparece a principal limitação da ideia.
A comparação com Elden Ring volta a ser inevitável justamente porque ele redefiniu esse modelo de exploração. Cada nova região daquele mundo costuma esconder algo inesperado, seja uma criatura incomum, uma dungeon, um equipamento raro ou simplesmente uma paisagem memorável. Em Code Vein II, essa curiosidade raramente é recompensada com a mesma frequência.

Itens estão espalhados por praticamente toda parte, mas a maioria consiste apenas em materiais de fabricação. Os equipamentos realmente importantes até recebem uma diferenciação visual, porém o jogo insiste em incentivar a coleta de recursos comuns, criando a impressão de que tudo merece atenção quando, na prática, poucas descobertas são realmente significativas.
O próprio design dos ambientes também contribui para essa sensação. Cavernas, esgotos, túneis industriais, cidades destruídas e estradas deterioradas dominam boa parte da aventura. Embora a direção de arte frequentemente impressione pela escala dos cenários vistos ao longe, os espaços percorridos pelo jogador raramente despertam o mesmo senso de maravilhamento.

Isso não significa que explorar deixe de ser prazeroso. A nova estrutura amplia consideravelmente a sensação de liberdade em relação ao primeiro jogo e representa uma evolução natural para a franquia. O problema é que esse mundo nem sempre recompensa a curiosidade do jogador na mesma proporção em que desperta sua vontade de explorá-lo.
Altos e Baixos
— O que funciona bem:
- Soulslike com acessibilidade, menos frustrante;
- Personagens secundários com trama pessoas bem construídas;
- Combate oferece grande versatilidade;
- Mecânicas expandidas e aprimoradas em relação ao primeiro jogo.

— O que poderia ser melhor:
- Narrativa central genérica, menos instigante que jogo antecessor;
- Mundo semi aberto funciona, mas a exploração não contagia;
- Direção de arte não causa o impacto esperado;
- Faltam elementos de progressão que satisfaça a busca por descobertas.

Considerações finais
Code Vein II é uma sequência que toma decisões audaciosas, mas nem sempre assertivas. O resultado é uma obra competente, divertida e mecanicamente mais robusta que seu antecessor, embora incapaz de reproduzir o mesmo impacto causado pelo primeiro jogo.
Talvez a própria linha do tempo da franquia ajude a explicar isso: lançado em 2019, Code Vein nasceu antes da reformulação que Elden Ring trouxe ao gênero em 2022. Quando a sequência chegou, este ano, era inevitável que carregasse parte dessa influência.

O curioso é que seu maior desafio não está exatamente na adoção de um mundo semiaberto, mas na forma como conduz o jogador por ele.
Gosto de pensar nessa diferença como uma sessão de RPG de mesa. Nos jogos da FromSoftware, quase não existe um Mestre conduzindo a aventura. O mundo está diante do jogador, e cabe a ele decidir para onde ir, o que investigar e como interpretar aquele universo. A exploração conduz naturalmente a narrativa.
Já Code Vein tem um Mestre de Mesa. A campanha é guiada, os objetivos são definidos e a história conduz cada etapa da jornada. Não há problema nisso. Pelo contrário: foi justamente essa condução que permitiu ao primeiro jogo construir um universo intrigante, repleto de mistérios, conflitos sociais e regras próprias que despertavam constantemente a curiosidade do jogador.
Só que é justamente aí que a sequência perde parte de sua força. Ao optar por uma releitura, ignorando os acontecimentos do jogo original, Code Vein II herda o conceito das Aparições, mas abandona boa parte do encantamento de descobrir aquele universo pela primeira vez. Não percebe que um fim pode criar novos problemas, e expandir o mundo como consequência de uma aventura anterior.

Em seu lugar surge uma nova aventura de escopo maior, centrada em viagens no tempo e na tentativa de impedir um novo colapso mundial. A história funciona, mas soa mais familiar, menos surpreendente e, em alguns momentos, excessivamente apoiada em clichês do gênero.
Felizmente, aquilo que o mundo deixa de oferecer em fascínio acaba sendo compensado pela jogabilidade.
A evolução dos sistemas de combate é evidente. Os Códigos de Sangue, armas, magias e possibilidades de construção do personagem criam uma experiência extremamente versátil, incentivando o jogador a experimentar novas estratégias durante toda a campanha. Poucos sistemas permanecem estáticos por muito tempo, e essa constante sensação de descoberta mecânica evita que o combate caia na repetição.
Também considero equivocada a possível crítica de que Code Vein II seria interessante apenas para iniciantes do gênero por oferecer uma experiência mais acessível. O jogo disponibiliza diferentes formas de elevar o desafio, seja desativando o aliado controlado pela IA ou ajustando opções de dificuldade. Talvez nunca alcance o grau de exigência característico da FromSoftware, mas essa comparação também parece injusta. Afinal, trata-se de um estúdio que criou, refinou e evoluiu essa fórmula durante mais de uma década.

No fim, Code Vein II transmite a sensação de uma franquia que tenta uma transição. A expansão da jogabilidade demonstra maturidade e aponta para um caminho bastante promissor. Já a construção de mundo e a narrativa parecem ainda buscar um equilíbrio entre preservar conceitos do primeiro jogo e encontrar uma nova direção própria.
Não apenas isso, mas pense que toda sequência enfrenta um desafio inevitável: o primeiro vislumbre não é fácil de replicar. As melhores sequências continuam ampliando esse encanto, explorando as consequências daquilo que o jogador já descobriu. Só que como sequência, se decidiu seguir outro caminho, tratando seu universo como uma releitura em vez de uma continuidade. E é isso que o enfraquece.
Talvez seja esse o melhor resumo da experiência. Code Vein II não supera o encanto do original, mas também está longe de representar um retrocesso. É uma sequência que experimenta, acerta bastante, erra em alguns pontos importantes, deixando a impressão de que a franquia ainda não chegou em seu ápice. Independente disso, ainda é divertido e desafiador o suficiente, para seguir torcendo pela continuidade de seu universo.
Galeria
Dando nota
História funciona, mas a releitura do universo perde parte do fascínio e da identidade do original. - 7
Mundo semiaberto amplia a escala, mas recompensa pouco a curiosidade do jogador - 7.2
Se o mundo não convence, ao menos os novos personagens são bem apresentados e possuem arcos envolventes - 8
Sistemas variados, combate versátil e grande liberdade para experimentar diferentes estilos de combate - 9
Direção de arte faz bonito no mundo ao fundo, mas inimigos e masmorras não chegam a fugir do padrão do gênero - 7.5
Assim como o original, consegue tornar o gênero mais acessível sem abandonar seus princípios fundamentais - 8.8
Aventura consistente, divertida e mecanicamente sólida, mesmo sem repetir o impacto do primeiro jogo - 8
7.9
Acessível
Code Vein II amplia praticamente tudo o que o primeiro jogo construiu em termos de jogabilidade, oferecendo um combate mais versátil, um mundo maior e sistemas mais refinados. O problema é que essa evolução acontece ao custo de uma narrativa genérica de seu mundo, mesmo que apresente bons personagens. Ao optar por uma releitura em vez de expandir as consequências da aventura original, a sequência entrega uma experiência divertida e competente, mas menos memorável. A exploração e descoberta do mundo não encanta e nem impressiona, ainda que funcione como pretendido. Independente disso, a aposta em um soulslike com acessibilidade, ainda funciona muito bem, criando desafios sem frustração persistente.


