Color Symphony 2 | O mundo das cores infernais! (Impressões)

Há mais ou menos duas semanas atrás escrevi o review de Fenix Furia aqui no site. Na ocasião falei um pouco de forma geral a respeito desse gênero de games como Super Meat Boy, na qual o jogador tem pequenos estágios onde precisa correr, pular, passar por armadilhas para chegar ao final de cada fase, sendo que muitas vezes você precisa morrer um monte de vezes até pegar o tempo certo dos comandos no controle e da própria fase. Pois bem, Color Symphony 2 é mais um game deste gênero infernal (mas que amamos)!

Infernal no bom sentido então. São games que oferecem um desafio absurdo aos jogadores que gostam do estilo de game, que requer atenção, precisão e comandos de respostas ágeis. São games de ação e reação. Certamente não é um título para qualquer um, especialmente para aqueles que se frustram após morrer 15 vezes em um mesmo estágio. E sim, você vai morrer dezenas de vezes em alguns momentos de Color Symphony 2, até seu cérebro conseguir alinhar certinho a sequência e o momento em que deve apertar cada um dos botões do game.

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Apesar de ter citado Super Meat Boy e Fenix Furia lá no começo, que são games de plataforma com uma pegada mais na ação e reação, Color Symphony 2 tem alguns elementos diferentes destes games. Senti uma pegada um pouco mais focada no plataforma puzzle aqui. O jogador não pode apenas sair pulando pelos estágios como um maluco, dependendo apenas de sua habilidade com pulos. Há momentos em que se precisa parar e pensar bastante como fazer para ultrapassar certos obstáculos, dada as mecânicas aqui apresentadas. Vou explicar melhor.

As cores do mundo!

Tal como o nome sugere, Color Symphony 2 é um game na qual as “cores” são de suma importância as mecânicas do game e a jogabilidade em si. O jogador controla esse pequeno personagem em um mundo quase abstrato, com plataformas e armadilhas, na qual deve chegar a um portal ao final de cada um dos estágios.

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Para tal, o jogador tem o poder de trocar as cores desse mundo: amarelo, vermelho e azul. Um mundo vermelho vai revelar armadilhas e plataformas em amarelo e azul, escondendo tudo que for vermelho. E esse “esconder” não significa que estão invisíveis mas acessíveis, significa que estes elementos simplesmente vão desaparecer desse mundo, ao menos até você trocar de cor.

A mesmo lógica vale para as outras cores: mundo amarelo revela plataformas e armadilhas em azul e vermelho, escondendo o amarelo e o mundo azul revela tudo que for vermelho e amarelo, escondendo o azul. Deu nó no cérebro? Inicialmente isso acontece, mas logo o jogador se acostuma.

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Existem plataformas e armadilhas na cor preta. Preto é uma cor sólida. Ela jamais desaparece do mundo do game, independente de quantas trocas de cores o jogador faça nas fases. Essa troca é feita a partir de três botões no controle (no caso do Xbox One – versão testada para o review). X (azul), Y (amarelo) e B (vermelho). Com o botão A o jogador pode pular e também fazer um pulo duplo no ar.

Até aí tudo bem você pode pensar. Basta ter cuidado, trocar as cores do mundo antes de sair pulando para a próxima plataforma, certo? Inicialmente o jogo começa realmente bem simples, mas logo a dificuldade vem como um soco na sua cara. Aí você se encontra em uma plataforma vermelha, precisando ligar o mundo vermelho para que a próxima plataforma apareça, o que significa que você precisa pular, mudar a cor antes de chegar na próxima plataforma. Faça isso 3 ou 4 vezes seguidas rapidamente, porque as vezes tem armadilhas ao seu redor que só são reveladas mudando as cores do mundo. Aí é que tudo se complica.

Color Symphony 2

O jogo vai lhe matar dezenas de vezes nessa história das armadilhas. As esferas de espinhos que estão por toda a parte. Nem sempre é fácil fazer essa conexão da cor certa no meio de alguns pulos, já que o game apresenta plataformas verticais e horizontais, ou seja, você quica de uma parede a outra para subir em plataformas mais altas.

Basicamente então é um game onde você pula, trocar de cor (uma ou duas vezes) antes de chegar aonde quer chegar nesse pulo, só para pular novamente e trocar de cor (mais uma ou duas vezes) antes de chegar na próxima plataforma, sendo que essa troca é sempre um misto entre as três cores e a cor errada guarda armadilhas que matam o jogador.

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Se fossem apenas duas cores, Color Symphony 2 seria moleza, porém são três cores desde o começo, sendo que mais próximo do final do game, outras cores são inseridas nas mecânicas, como o Verde e o Roxo. E os puzzles se intensificam ainda mais, mesclando cinco cores diferentes, tentando encontrar a ordem certa de cada fase.

Outros aspectos do game

Color Symphony 2 apresenta 120 níveis separados em sete mundos e alguns mundos especiais. No geral o game tenta inserir novas mecânicas frequentemente. Por, exemplo, a partir de um determinado estágio o jogador ganha uma barra na qual pode suprimir simultaneamente mais de uma cor, basta segurar LB no controle.

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Nos mundos mais avançados, novas armadilhas são acrescentadas, incluindo máquinas que atiram no jogador, plataformas móveis e voadoras, e até mesmo as mecânicas com as novas cores (Verde & Roxo) que criam novos ritmos aos desafios. O mais difícil talvez seja os blocos plataformas que desaparecem após pisar ou encostar neles, pois ou você avança para o próximo ou morre. Não há tempo para segundas chances quando não há mais chão ou parede para voltar e consertar um pulo errado!

Porém no geral, o elemento mais consistente no game do começo ao fim são as espinhos giratórios. Estes estão presentes por todo o game. Chega a ser um pouco cansativo ter uma armadilha que seja tão frequente. Chega a cansar o jogador.

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Há também estágios que consistem em pular dentro de quadrados de espinhos, desligando a cor da grade e a religando quando o personagem estiver exatamente dentro dessa grade: são os momentos mais infernais do game! Eu cheguei a me frustrar com alguns destes estágios, e não de uma forma positiva.

Felizmente Color Symphony 2 parece entender que sua dificuldade as vezes pode ser extrema, pois em cada mundo o jogador só precisa passar por doze dos quinze estágios para poder abrir o próximo. Então dá para pular algumas fases que lhe pareça impossível de serem vencidas.

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Eu já digo que o último mundo, que consiste em apenas seis fases, não consegui terminar. São fases de sair socando a parade! Vi alguns gameplays no You Tube e não me vi tendo a destreza para tal. Entretanto tenho a impressão de que jogar este game no teclado no PC pode vir a ser mais tranquilo do que no controle do Xbox One. Não que o controle responda de uma forma ruim, mas controlar na mesma mão o pulo e a troca de cores (pois no controle estão todos próximos) me parece mais difícil do que em um teclado, onde posso trocar as cores com a mão esquerda e com a direita comandar o pulo e o movimento do personagem.

Não sei, admito que fiquei com a curiosidade de testar, especialmente após ver vídeos como este aqui.  Em todo caso, tive mais trabalho em me adaptar com os controles do que com a proposta do game em si, especialmente nestas fases onde o personagem pula de uma grande, desligando-a, para entrar em outra, ligando-a no momento em que se está no meio dela. Meus dedos gordos simplesmente não tinham a agilidade suficiente para completar essa tarefa de micro segundos na velocidade que o game me pedia. Foram dezenas de mortes em muitos destes estágios para conseguir completá-los.

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Tirando esse detalhe, de resto me sai relativamente bem.

Vale ou não vale?

Há que se ponderar que este é um indie game pequeno. Desenvolvido por um pequeno estúdio de um homem só, chamado REMIMORY, localizado lá na Coreia do Sul. O que é algo digno de se impressionar. O game originalmente foi lançado primeiro na Steam em outubro de 2015, chegando somente este ano ao Nintendo Wii U e Xbox One.

Color Symphony 2, como o número no título sugere, é uma sequência. Existe um primeiro Color Symphony, um projeto do mesmo estúdio, lançado em 2009, e que está na Steam desde 2014, sendo que no momento em publico este review o game se encontra gratuito por lá.

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Quem tiver a curiosidade de conferir a primeira versão do game pelo link acima, verá que o jogo mudou um pouco para sua sequência. Especialmente a arte final. O jogo de 2009 lembra mais um game em flash, enquanto a sequência de 2015 tem movimentos de jogabilidade bem mais fluido, mais rápido. Só achei uma pena que a sequência tenha perdido alguns dos elementos do primeiro game, como os animais selvagens que eram uma ameaça ao jogador. Também achei interessante a arte do primeiro game, não que a arte do segundo seja ruim, mas as vezes a arte me pareceu mundana demais, como se não se destacasse o tanto quanto inicialmente havia me chamado a atenção. A impressão é que a arte de Color Symphony 2 não progride e evolui com o game. É apenas a mesma coisa do começo ao fim.

Sinto que Color Symphony 2 é um bom título dentro do seu gênero, oferecendo o desafio que esse tipo de game precisa oferecer, mas tem uma carência ao não oferecer frescor ao longo das 4 ou 5 horas que parece levar para que o jogador chegue ao final do último mundo. Até mesmo a trilha sonora do game não se esforça em mudar ao longo de toda a experiência da campanha principal. Os novos elementos inseridos ao longo da campanha também as vezes repetem propostas de estágios anteriores, porém inserindo estes novos elementos. Há então uma pequena sensação de repetir certos padrões.

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Color Symphony 2 aliás me parece ter uma história, mas ela não é muito bem contada, estando apenas em algumas pistas nas enigmáticas frases ao longo dos estágios. Frases estas que nem sempre tive tempo para ler, pois estava ocupado tentando não morrer nas fases. Aprendi muito pouco sobre o personagem e o mundo do game, não que isso fosse necessário neste caso específico, mas é sempre um elemento a mais para se considerar, não?

A boa disso tudo é que um título barato, custando em geral apenas 19 reais. Para o desafio apresentado, a proposta criativa das mecânicas de gameplay mesclando cores, e a disponibilidade em três plataforma distintas (Steam, Wii U e Xbox One), se este é um gênero que lhe agrada, acho que vale totalmente dar uma espiada. Na dificuldade do gênero Color Symphony 2 não desaponta, isso posso afirmar.

Mais Imagens!

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8.2 Mecânica das cores é uma ótima ideia
8 Desafio na insanidade do gênero proposto
7.2 Formato do controle causa dificuldades as vezes
7 Ótimo visual, mas não muito diversificado
6.5 Progressão de elementos, mas também há repetição de padrões
7 Boa quantidade de estágios (vale o preço)
6 Formato da narrativa de sua história não funciona
7.1
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