Japão

Sugestão de animê: Le Chevalier D’Eon

Essa semana o Portallos recebeu vários posts com as impressões iniciais do Thiago sobre os animês que estrearam esse mês no Japão, então me animei a escrever uma recomendação pro pessoal que gosta de animês que não duram pra sempre: Le Chevalier D’Eon. Leia depois do continue.

Le Chevalier D’Eon é um animê ambientado numa França às vésperas da Revolução Francesa e reinada por Luís XV, mas os personagens também vão viajar por outros lugares da Europa, como Rússia e Inglaterra, por exemplo.

D’Eon de Beaumont é o personagem principal, trata-se de um jovem nobre que trabalha na Polícia Secreta francesa e, mais tarde, como um “chevalier” (um cavaleiro, espião pessoal) do rei. A história começa quando ele encontra o corpo de sua irmã mais velha, Lia de Beaumont, em um caixão flutuando no rio Sena e a partir daí começa a investigar sua morte e os crescentes desaparecimentos de mulheres pelo país.

Sua única pista, a palavra “Psalms” escrita em sangue no caixão da irmã, é o suficiente para que comece a descobrir a verdade, e o impressionante para quem assite ao animê é ver como uma coisa está ligada a outra, já que essa palavra vira uma constante pelos lugares que D’Eon passa, e em todas as vezes que a encontra acontece alguma coisa ruim.

O animê é uma história de lealdade e traição, e apesar de não haver grandes reviravoltas na trama, cada pequena revelação abre tantas novas possibilidades que você passa mais tempo pensando na história do animê do que realmente o assistindo. O centro de tudo, como fica cada vez mais claro, é Lia e os fatos que levaram a sua morte, mas ao mesmo tempo em que ficamos cada vez mais ansiosos para descobrir a verdade sobre isso, há uma segunda preocupação, já que D’Eon é “possuído” por sua irmã quase sempre que algo relacionado a ela aparece frente a ele e seus companheiros.

D’Eon é a própria imagem de Lia, o que conforme as possessões vão ficando mais constantes e longas o leva a um grande conflito interno, pois parece estar perdendo sua identidade e dando espaço ao que Lia era. A Lia que o possui, porém, não é a carinhosa e meiga jovem mostrada nas memórias do rapaz, mas uma pessoa dominada pela raiva e que destroi o que vê pela frente, algo muitíssimo útil nos momentos em que as habilidades de esgrima de D’Eon são insuficientes, já que Lia dominava a luta como ninguém.

Mesmo focado em investigar a morte da irmã, D’Eon é um homem do rei, e como tal sai em missões decretadas por ele, como ir à Rússia cumprir o papel de diplomata, mas o que no início parecia coincidência começa a deixá-lo receoso, já que parece que todas as pessoas importantes com as quais se encontra conheciam, admiravam e confiavam em Lia.

Em Le Chevalier D’Eon há a constante sensação de que todos sabem mais do que dizem saber, e apesar de alguns vilões serem bem claros logo de início, outros são extremamente difíceis de se identificar. No geral, porém, os “caras maus” são os membros da organização ligada ao Conde Guercy, e isso inclui o terceiro personagem mais interessante da trama (considerando que D’Eon e Lia são duas pessoas diferentes), Maximilien Robespierre. No começo tudo, o que sabemos é que ele sabe de algo a respeito de Lia, mas a coisa fica muitas vezes mais complicada com o passar de alguns episódios, e suas aparições nunca acarretam no que você esperava. Essa organização parece transformar as pessoas em uma espécie de zumbi, e os membros normalmente atacam com a recitação de frases em latim, mas lutas de espada também são comuns.

Além de D’Eon, Lia e Robespierre, há os três companheiros do chevalier: Durand, jovem estilo galã cujos reias motivos são duvidosos, Robin, pajem da rainha da França que se junta a D’Eon por pedido dela, e Teillagory, antigo professor de esgrima de Lia e D’Eon que encontra o rapaz pelo caminho e decide seguir viagem com ele; e Anna, noiva de D’Eon que não tem grande atuação no início da história, mas que mais tarde desempenhará papel importante. Esses são os principais personagens, mas o rei, a rainha, algumas figuras da corte francesa e quase todos os personagens que aparecem em no mínimo dois episódios têm seus próprios segredos e estão, de alguma forma, ligados ao mistério central.

Como disse antes, Lia e sua morte são o centro da narrativa, mas os movimentos diplomáticos de Luís XV e de outros governantes criam o clima de uma época de tensão, o que contribui ainda mais para a sensação de mistério do animê. A animação é de primeira qualidade, cortesia Production I.G., a mesma de Casshern Sins (recomendado por mim aqui) e de muitos outros animês afora, e o destaque vai para o traço dos personagens, que segue uma linha mais realista que a maioria dos animês, o que deixa a impressão de se tratar de uma história que poderia, sim, ter acontecido na França do século XVIII. E isso não é uma impressão tão errada assim, porque o personagem principal foi, de certa forma, baseado no verdadeiro Chevalier D’Eon, soldado, espião e diplomata francês que viveu metade de sua vida como homem e metade como mulher. Essa pessoa existiu de fato, porém, e alguns acontecimentos de sua vida (como a ida à Rússia a ordens de Luís XV) são retratados também no animê.

A forma como a história é revelada é, com certeza, o maior motivo das surpresas ao longo da trama, e apesar de se desenrolar rápido, os episódios são todos intensos, então não cometo o erro de recomendar que assistam ao animê de uma tacada só, já que falei isso sobre Casshern Sins e, bom, a verdade é que são animês densos, mesmo. Pra mim, Le Chevalier D’Eon vale cada um dos 24 episódios, e recomendo veementemente que deem uma chance a ele. Se ficaram de fato interessados (o/), podem baixar pelo tracker Anime Central, créditos ao ótimo fansub Aya. Link.

Fiquem, então, com a abertura e um trailer da versão dublada em inglês (o trailer japonês não mostra muita coisa) do animê.

É bom, bom, bom MESMO!

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Dakini

Viciada em RPGs, sejam eles Final Fantasy e Tales of ou Mass Effect e The Elder Scrolls! Fã incondicional de animês e mangás, e ousem criticar meus favoritos sem bons argumentos! Fora isso, podem me chamar de “a dama dos wallpapers”, hahaha.
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