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Cinema: Por que Alice no País das Maravilha de Tim Burton não supriu as expectativas? [Eu Fui! – Extra]

Este post terá pequenos spoilers. Nada muito importante, mas melhor deixar avisado .

O Théo escreveu dias atrás o post do “Eu Fui” de Alice no País das Maravilha, para quem perdeu, basta clicar aqui. Segundo as opiniões que rolaram no post, parece que o pessoal não curtiu tanto quanto esperavam curtir com o filme. Li também algumas críticas em torno do filme e a maioria parece que também ficaram nesse “é muito bonito, mas deveria ter sido muito melhor”. Ainda assim, é um filme imperdível por se tratar de um clássica da literatura, um clássico também da Disney e também um filme de Tim Burton, não havia como deixar de ir ao cinema e conferir pessoalmente o que deu errado com o mesmo. Sendo assim, resolvi deixar aqui a minha opinião. Vale lembrar que trata-se de uma mera opinião e não a verdade absoluta sobre o assunto, se você tem uma opinião contrária, seja bem vindo a compartilha-la nos comentários. 😉

Acho que o maior problema com Alice é que todo mundo colocou na cabeça aquela idéia de que por ser um filme com direção de Tim Burton, poderiamos esperar algo surreal, original, totalmente supreentente do começo ao fim. O que na verdade ficou longe de ser. Tim Burton tem uma porrada de filmes em seu curriculum que me agradam, como Bettlejuice, Edward Mãos de Tesoura, O Estranho Mundo de Jack, A Fantástica Fábrica de Chocolate e até mesmo Sweeney Todd. É um cineasta que gosta de surrealismo, personagens bizarros, fantasias e orignalidade. Mas que também já vem a algum tempo usando determinados elementos que o permitem ficar noma certa zona de conforto e não o deixa voar mais alto do que deveria, só pra citar um exemplo que quero argumentar logo em seguida, cito o ator (excelente antes de mais nada) Johnny Deep.

Logo quando saiu o primeiro trailer de Alice, se não me engano foi também o próprio Théo que o mostrou por aqui a primeira vez, cheguei a comentar que ficara um tanto quanto apreensivo com o uso de Deep neste filme. Tive na época um certo receio de que ele fosse acabar tirando totalmente o contraste necessário de outros elementos em cena, afinal, Deep não é um ator de pequenas aparições, daqueles que entram, fazem o que tem que fazer e some depois, deixando outros elementos brilharem sozinhos. Johnny Deep é um ator que rouba a cena e é exatamente isso que aconteceu em Alice, na minha opinião.

O Chapeleiro Maluco ficou ótimo, bem típico das interpretações bizarras e bem sucedidas de Deep, mas que ganhou, presumo, um baita destaque no filme unicamente por causa do ator. Fazendo com que outros elementos ficassem para escandeio. E isso foi uma coisa que apontei logo quando a Disney divulgou o primeiro trailer. E ainda assim, não foi um dos meus personagens favoritos nas mãos do ator, particularmente continuo sendo mais fã de Jack Sparrow.

Já em relação a atriz Mia Wasikowska, que o Théo mencionou não ter gostado muito da interpretação dela como Alice, eu achei totalmente o contrário. Gostei da atriz, da Alice mais adulta e até mesmo da forma como ela interage no País das Maravilhas. Admito que assisti a versão dublada no cinema, e a dublagem ficou por conta da dubladora Ana Lúcia Menezes, reconheci porque era a mesma voz da personagen Gwen, a prima do protagonista de um dos desenhos mais pops da atualidade, o Ben 10. Ficou bacana, combinou e os diálogos ficaram bem dublados, nesse quesito é muito raro ver a Disney errar. Pra mim a Disney é um dos estúdios que tem o maior cuidado com dublagem do mundo todo. Só quem já viu o documentários e extras sobre o assunto em seus DVDs entende o que estou dizendo. Claro que nem sempre acertam, o próprio Chapeleiro Maluco mesmo, não teve uma dublagem agradável na minha opinião.

Quanto a atriz Helena Bonham Carter, só tenho que tirar o chapéu, pois foi um dos destaque do filme na minha opinião. Ficou engraçada, mesmo como vilão e roubava quase toda em que aparecia. Inicialmente na primeira cena em que ela aparece, é notável que o efeito especial, que permitia sua cabeça ser maior que seu corpo ficou péssimo, bem irreal e falso, coisa que ao longo do filme não chega a ser perceptível. Me pergunto se ninguém da equipe de produção de efeitos não notou essa falha. Na versão brasileira, a dublagem ficou por conta da dubladora Mabel Cezar que também mandou muito bem.

Alias, não tenho uma única reclamação quanto ao Gato Risonho (Cheshire). Uma bela animação bem real, e com uma balanceada participação. Conseguiu inclusive roubar a cena da quase morte do Chapelheiro de Deep, na minha opinião.

Muita gente também questionou o 3D do filme. Quanto a isso não posso argumentar, pois optei assistir ao filme em sua versão normal mesmo, economizando assim algumas moedinhas. Na verdade não tenho uma experiência muito boa quanto ao 3D que os filmes vem adotando atualmente. Só assisti a um filme nesse formato até o momento, que foi Avatar e ainda assim fiquei deveras insatisfeito. Os óculos utilizados no cinema (fui no Cinesystem de São José dos Campos/SP) machucaram e me incomodaram durante toda a sessão, ainda mais porque nunca na vida precisei usar óculos e não estou acostumado mesmo com eles. Mesmo assim, achei que a material do tal óculos, deveria ser muito mais confortável. Quanto ao efeito de profundidade dado ao filme de Cameron, fica bonito, mas pra mim, não é nada para ficar boquiaberto, o dia que eu tiver a sensação de que estou dentro do filme, como uma verdadeira realidade virtual, aí sim eu aplaudo até de pé a novidade, mas no momento, a era do 3D no cinema, ainda não conseguiu me empolgar. E Alice segundo o que me contaram, ainda usa aquele 3D anterior ao Avatar, onde os efeitos mais se preocupam em tentar assustar o espectador do que dar a sensação de imersão.

Mas o maior problema do filme pra mim é ele tentar ser politicamente correto demais, desperdiçando assim o talento de Tim Burton. Os personagens já conhecidos do público estão ali, não há nada original, não existe nenhuma situação realmente original, as maluquisses do País das Maravilhas estão dentro do que se espera ou até menos, não rolou uma única cena desse universo onde você diz “UAU” de tamanha surpresa. Me lembro de Tiny Toons do Steven Spilberg, desenho animado da década de 90, onde dentro do universo da série, foi criado o personagem Cuco, baseado num Looney Tunes, que morava na Malucolândia (Wackyland, também baseado num clássico dos Looney Tunes). Lembro que todo episódio em que Perninha e Lilica acabavam indo parar na Malucolândia era algo surreal, me surpreendia a cada cena do desenho com personagens e situações que não faziam o menor sentido. Em Alice não tem isso, não há nada que fique sem sentido, que esteja ali, porque todos são malucos mesmo. Os personagens parecem corretos demais. O Coelho Branco inclusive teve uma participação tão fraquinha, enquanto a ratinha, que esqueci o nome, acabou recebendo um maior destaque. Por que não criar algo novo e original para o filme, aproveitar que trata-se de uma repaginação do clássico e tomar um pouco de liberdade criativa? A própria personagem da Rainha Branca, mal tem propósito na minha opinião, ela está ali apenas para substituir a maluca da Rainha Vermelha.

Pra mim, Alice no País das Maravilhas não supriu as expectativas por causa disso. Tim Burton voltou a usar velhos truques que já usa em vários de seus filmes, deu um destaque grande demais ao Deep, um dos atores mais badalados do momento e acabou no final, seguindo demais as regras do game, sem criar nada original ou surpreentede. No final estava tudo ali, como um belo quebra-cabeça com poucas peças que se encaixa bonitinho, mas vindo de Tim Burton, todo mundo meio que esperava um baita quebra-cabeça, com aquele caos de peças pulando para tudo quanto é lado e propositamente um monte de coisa sem sentido, estando ali unicamente para o entretenimento de retornarmos ao País das Maravilhas depois de tanto tempo.

No final, foi como um parque de diversões que você já visitou várias vezes, com os mesmo brinquedos e sensações. Sem novidade alguma.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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