Assistindo

E no fim, eles deixaram de ser perdidos. Nós… não! [O Final de LOST]

Perdidos. Esse termo sempre assombrou os personagens de Lost, e também todos os seus fãs. Que atire a primeira pedra preta aquele que assistiu todos os episódios do (já) mítico seriado e não se sentiu perdido. Mesmo com o fim do seriado, é justo afirmar que ainda assim estamos perdidos. Os personagens se reencontraram, e quem sabe um dia chegará a nossa vez? Por falar em reencontros, vou deixar no final do post alguns vídeos onde vamos nos reencontrar com as palavras que deram um charme a três personagens que curto, o Desmond, Hurley e o Sawyer.

Essa era a fórmula de apoio de tudo o que se passou naquela ilha, que ficava a milhas e milhas e milhas de qualquer lugar. Sem dúvida, aquilo que não era explicado nos impulsionava cada vez mais a tentar assistir mais vez, nos lançando em busca de respostas, em descobrir maneiras de fazer todo aquele quebra-cabeças se encaixar…

E tudo crescia gradativamente. No início, era só uma ilha, e no fim, foi sobre tudo e todos. Como se ao iniciarmos a jornada junto com os passageiros do Oceanic 815, abríssemos os olhos de repente, e a cada momento nossa visão se acostumava mais com a luz e íamos enxergando mais coisas. Eram tripulantes em uma ilha, descobriram que haviam mais gente por lá, que haviam pessoas ligadas á ilha fora dela. Que não era uma questão de escapar da ilha, e sim de não fugir de seu destino. Que os “donos” da ilha não eram Ben e Charles Wildmore, e sim dois antigos habitantes mais poderosos. Quando nosso olhar conseguia focar em algo, era como se a lente da câmera se abrisse mais, e víamos coisas mais grandiosas ainda.

Assistir Lost é assim, e não é raro encontramos um fã da série que não tenha assistido mais de uma vez a maioria dos epísódios. Lost não trazia consigo a fórmula padrão de apresentar episódios que começavam e terminavam sozinhos ao fundo de uma simples história. Não, cada episódio trazia mais um elo à corrente da história, adicionava mais uma cena ao espetáculo.

Lost sempre tratou de escolhas. E escolhíamos nossos favoritos, entre muitos personagens, lugares, frases, teorias, mistérios. Cada pessoa tinha em mente um pensamento único sobre tudo o que acontecia no decorrer da série. E esse sempre foi um dos maiores trunfos de Lost. Os pontos focais sempre estavam mudando, trazendo novidades e excitação. Desbravar a ilha era como descobrir admiráveis novos mundos. Era como encontrar sozinho uma escotilha, onde podíamos encontrar personagens de diversas etinias e personalidades, e sem falar nos misteriosos acontecimentos que podiam tentar ser explicados por ciência ou fé. Esses dois pontos sempre foram a chave para a fórmula de sucesso em Lost. As meninas podiam escolher entre amar o canastrão do Sawyer ou o galã protetor Jack. Os meninos babavam pela carência afetiva que Kate exalava, ou se derretiam pelo jeito lolita de Claire. Apontávamos o monstro de fumaça como sendo algo sobrenatural ou uma maravilha nanotecnológica. A ilha podia ser apenas uma ilha, ou um disco voador. Russeau podia ser uma maluca de pedra ou a mulher sexy e selvagem!

Sendo assim, a maioria das pessoas sempre encontrava algo no que prestar atenção em Lost. Conheço muitas pessoas que não possuem o hábito de acompanhar seriados, mas varavam a madrugada na espera pela legenda de Lost. Aliás, que outra série foi capaz de gerar tamanha expectativa em assistir o episódio apenas algumas horas de sua exibição original? Eu acompanhei o seriado Arquivo X inteiro, e enxergo nele muita coisa de Lost. Assim como Twin Peaks, portanto, Lost não reinventou a roda, mas assim como Ben, apenas a movimentou. As duas séries citadas foram objeto de discussão em um tempo onde só eram assistidas quando finalmente passavam na televisão brasileira, e ainda assim despertavam a paixão pela discussão. Esse foi outro pilar que sustentou a fama de Lost. Sua diversidade permitiu uma discussão aberta e rica em possibilidades. Atualmente, temos diversos sites, blogs e podcasts que trazem Lost como tema exclusivo, e a maioria deles indica que o conteúdo pode até passar a rarear, mas por enquanto, não tem data para acabar. Palmas para LOST!

E tenho muita satisfação em notar que tudo isso se fez valer no episódio final de Lost. O que vimos nele foram coisas esperadas e inesperadas. Não só entendo e aceito o final exibido, como acredito que esse é o melhor final que podia ser feito. Se Lost sempre foi sobre escolhas e caminhos, a “realidade paralela” mostrada nos flash-sideways trouxe outras escolhas e caminhos. Quem nunca ponderou sobre como a vida seria diferente se tivesse tomado outras decisões? Por isso, eu gostei e me interessei muito pelos flash-sideways.

E tenho certeza que a maneira como tudo “acabou” foi bem inesperado, a julgar pelos diversos comentários que li. Eu já estava ficando irritado por Vincent não ter aparecido até então, mas foi legal ver ele em cena novamente. Aposto que foi ele que jogou a corda para o Desmond sair do poço. A atitude de Ben foi coerente, ele exerceu o papel de pai vingador, e certos hábitos não podem simplesmente ser deixados de lado. Hurley, talvez o personagem mais bondoso, sempre foi a minha escolha para guardião da ilha. Kate encontrou a redenção enquanto personagem ao desferir o tiro fatal em (F)Locke. Jack parou de simplemente tentar reagir ao que acontecia á sua volta e voltou a ter atitude. No finalzinho, foi ótimo ver que Ben queria mesmo se redimir, ao tentar viver uma vida melhor, ainda que ele estivesse ciente que era só uma realidade de passagem.

A maioria das perguntas ficou sem uma resposta clara ou oficial. Ainda bem. Tudo que foi visto ainda pode ser bastante discutido e comentado. Assim bem, pois assim a chama não se apaga, e Lost pode ficar conosco por mais algum tempo. Podemos dizer que nós ainda não terminamos com a ilha. Temos muito o que buscar nela. A minha maior pergunta em Lost era: Como os habitantes da ilha mantinham as sobrancelhas tiradas, pernas depiladas, cabelos cortados, barbas só aparentes, etc. Me recuso a pensar que haviam centenas de lâminas de barbear naquele avião. E caramba, o Jack só ficou barbudo quando ficou fora da ilha!

Brincadeiras à parte, eu ainda tenhos as minhas perguntas pendentes. Acho isso legal, pois a minha vida é assim, e isso torna tudo em Lost mais verossímel. Continuo e sempre terei que buscar respostas para a minha vida, e nem por isso gosto menos dela. Não é por não ter todos os mistérios e teorias resolvidos que Lost perde pontos comigo, ao contrário do que se lê muito em comentários sobre a série agora. Há quem diga que desperdiçou 6 anos de sua vida. Bem, para esses, eu digo o seguinte, se Lost tivesse mesmo que responder todas as perguntas,  teríamos sim, que ver a série se extender até na outra vida, brotha!

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Mauri Link

Um gamer inveterado desde a primeira geração de consoles, aficcionado por histórias em quadrinhos, nerd de carteirinha, e super-herói nas horas vagas!
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