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Os Mortos-Vivos/ The Walking Dead: Miles Behind Us (Caminhos Trilhados) – Mudanças! [Vol. 2][MdQ]

Demorei para escrever sobre o volume 2 de The Walking Dead, mas finalmente consegui. Este volume finalizou a construção de uma base forte para a qualidade e o sucesso da HQ de Kirkman. Fiquei extremamente satisfeito com a narrativa, o rumo de desenvolvimento da história e a surpresa reservada para a última edição (#12) – o início de uma nova era em The Walking Dead, pelo menos esse foi o meu primeiro pensamento. Resta ler para verificar se ele é realmente válido.

Antes que me esqueça, não darei nenhuma desculpa pelo atraso deste post; afinal há algo mais importante para ser discutido: a arte gráfica. O trabalho de Adlard não está tão ruim como muitos consideram – embora entenda que o problema não é Adlard, mas o grafismo descontínuo causado pela saída de Tony Moore. Falarei melhor sobre isso no fim do post. Agora, o principal é comentar sobre “Miles Behind Us” (Caminhos Trilhados).

Kirkman concretizou uma HQ de sobreviventes sem rumo que evolui potencialmente no rumo certo!

O volume 2 ficou marcado, como pudemos verificar, pela expansão do universo de The Walking Dead, introduzindo algumas novas personagens como Tyreese, Julie e Chris. Provavelmente uma boa adição, embora pouca coisa fique clara até a edição #12.

A dimensão das personagens não ficou muito bem definida, principalmente o impacto de Chris e Julie – cheguei até a considerar inicialmente que eles serviriam apenas para servir de exemplo aos perigos e consequência do mundo apocalíptico. Mas isso é um detalhe a ser explorado entre tanto outros. Há ainda muito mais a ser comentado sobre esse volume…

O Volume 2 – Miles Behind Us (Caminhos Trilhados)

“Rick: (…) Make sure we’re not forgetting anything… and then let’s get the hell out of here.”

Terminamos o volume 1 com uma reação forte de Lori e com a confirmação de um trágico caso amoroso entre Lori e Shane. Só o fato de Lori ter ficado com Shane quando Rick estava desaparecido (e provavelmente morto) já criou um triângulo amoroso problemático e que se revelaria mais tarde letal para Shane. Não satisfeito, Kirkman aumentou ainda mais o drama – Lori revela que está grávida. Não diz que o filho é do Shane, mas os presságios são fortes o suficiente para sabermos que essa possibilidade é quase uma certeza.

Tenho que agradecer pela intensificação do drama. O caos internamente acidental, mas criado externamente com um propósito pode ser uma estratégia construtiva, mas o melhor é perceber que ele se mantém ativo na HQ sem uma aparente previsão de exclusão (esse sim é imortal!). O único defeito consiste em alguns exagerados momentos mortos na história que servem apenas para preparar futuras “bombas” e/ ou criar suspense e ansiedade.

Pessoas normais abandonadas em uma inesperada anormalidade caótica… O que poderia dar errado?

Neste volume conhecemos também novos personagens, temos que nos despedir de algumas pessoas e tivemos uma fantástica surpresa no fim da edição #12 – por mais otimista que o leitor possa querer ser quanto ao fim, há uma clara mensagem de que o encontrado será apenas o começo de mais mudanças, reviravoltas, problemas e mortes – enfim, mais The Walking Dead.

A luta pela sobrevivência continua pois toda proteção é temporária e relativa, havendo perigo tanto nos vivos quanto nos mortos… E o futuro é completamente imprevisível – é isso que gosto na HQ. Desnecessário lembrar que toda a história está recheada de metáforas e denúncias da vida real, não é? Então, vamos passar para as particularidades de cada edição do volume 2. Abaixo haverá spoiler, se for alérgico, leia com cuidado ou não continue.

Edição #7 – “Fuga de um Passado e Busca por um Futuro”

Data de publicação nos EUA: Abril de 2004

Escrita por Robert Kirkman

Art por Charlie Adlard & Cover por Tony Moore

Já publicada no Brasil pela HQManiacs.

A primeira edição do volume 2 começou logo com uma memória de Lori de um passado desastroso não muito longe cuja consequência principal ainda estava a caminho. O diálogo dela com Shane e a forma como ela se deixou envolver foi algo básico, sem nada surpreendente. Ela estava se sentindo sozinha com o desaparecimento de Rick e Shane estava apaixonado por ela há muito tempo, oferecendo apoio e proteção. O processo foi natural, mas isso não diminui a responsabilidade dela com o filho que terá e que acredito ser de Shane. Convenhamos que a chance de ser de Rick é mínima e não interessa muito para a trama!

Tudo fazia parte do plano de Kirkman: criar uma relação entre Lori e o melhor amigo de Rick, sendo Rick o marido dela que havia sido abandonado em um hospital, durante um coma, que acabou sendo invadido por zombies. O detalhe da gravidez seria a forma de intensificar a curta relação entre Shane e Lori – sim, adorei descobrir que Lori estava grávida, que Shane estava morto pelas mãos do meio-irmão de seu filho que ainda estava para nascer. Trágico, mas talvez Lori não diga a Rick que Shane provavelmente é o pai da criança… acho que Dale já fez isso para ela.

A história de Tyreese revelou mais um exemplo de como as pessoas podem se transformar radicalmente quando estão sob ameaça e stress constantes. Um velho solitário que está a espera de alguém, encontra uma mulher e a primeira coisa que faz é tentar estuprá-la – o azar foi essa pessoa ter sido a filha de Tyreese, Julie. Mesmo assim, o melhor foi a reflexão conclusiva de Tyreese ao reconhecer que ele matou um idoso e que isso também faz dele uma pessoa diferente…

Edição #8 – “A Vila dos Mortos-Vivos”

Data de publicação nos EUA: Maio de 2004

Escrita por Robert Kirkman

Art por Charlie Adlard & Cover por Tony Moore

Já publicada no Brasil pela HQManiacs.

Não há tanto para dizer sobre essa edição. Claro que Rick recusou a ideia sugerida por Dale, só que ninguém pode fugir da verdade sem viver uma mentira – algo que fere muito, porque a consciência enganada por si mesma sabe da verdade. E, sinceramente, ter um filho durante uma luta pela sobrevivência não é nem um pouco recomendado. Se viver é difícil para adultos, imagina para adultos com uma criança recém-nascida?

Andrea e Dale parece que estão se dando muito bem, só não temos como saber se isso é algo sério ou se foi apenas algo do momento. Ela perdeu Amy, sua irmã mais nova, há algum tempo, mas incrivelmente está lidando bem com a situação. Concordam?

Apesar de tudo, essa edição foi um pouco “parada”: muito diálogo, uma vila abandonada com alguns zombies e a promessa de criar uma zona protegida para todos viverem o mais normalmente possível. As coisas não se resolverão tão facilmente, até porque a HQ é nova ainda e não devem estar interessados e estragar toda a história. Naturalmente, o fim foi um daqueles momentos de deixar o leitor boquiaberto e a imaginar inúmeras possibilidades e acontecimentos inesperados – a placa da entrada da vila coberta de neve (que no fim derreteu…) dizia: “All Dead, Do Not Enter”.

Edição #9 – “Ataque Zombie Surpresa”

Data de publicação nos EUA: Junho de 2004.

Escrita por Robert Kirkman.

Art por Charlie Adlard & Cover por Tony Moore.

Já publicada no Brasil pela HQManiacs.

Que cover perfeito! Arte pura! Provavelmente o melhor de todo o volume. E a edição não é boa apenas pelo cover. Há muita conversa, como tem sido habitual, mas ocorre mais ação e os sobreviventes ficam mais próximos da morte. Perdemos mais uma personagem que lamentavelmente foi Donna, algo um pouco imprevisível, mas aceitável. Até mesmo porque ficou clara a intenção do autor: usar o sofrimento causado pela morte de Donna para transformar Allen em um pai raivoso, deprimido e com tendências suicidas. Sim, isso parece ser bem ao estilo de The Walking Dead.

A descoberta de que a vila está toda infestada de zombies não chegou a tempo para Donna, mas evitou que outros morressem (embora Allen quisesse ficar com os zombies, abandonando os próprios filhos). É uma situação complicada você de repente ficar sozinho no mundo apocalíptico com dois filhos… A fuga pelo teto do trailer não é nada inovador, mas gostei mesmo assim.

Já fora da vila, tudo volta ao mesmo: a viagem contínua na estrada em busca de alimento e abrigo. Agora sem Donna e com um pai que está muito abalado para cuidar de seus próprios filhos. Saída? Nenhuma aparentemente e isso deixa a HQ mais interessante – pensamos “O que acontecerá agora?”, “O Allen se matará?”, entre outras questões. Mortes não são algo inédito na HQ, mas aqueles que morrem sempre são quem menos esperamos – a vida também é assim. Não esperava que Carl fosse levar um tiro aparentemente fatal, mas Kirkman ousou em fazer isso acontecer – a reação explosiva de desespero de Rick foi o ponto alto da edição #9, sem dúvida.

Edição #10 – “O Abrigo dos vivos… e dos Mortos!”

Data de publicação nos EUA: Julho de 2004.

Escrita por Robert Kirkman.

Art por Charlie Adlard & Cover por Tony Moore.

Já publicada no Brasil pela HQManiacs.

Em The Walking Dead podemos esperar por qualquer coisa, até aquilo que nem conseguimos imaginar como hipótese pode acontecer. Foi o que aconteceu anteriormente com Carl, mas o autor só quis dar um susto – Carl se recuperou. Se ele o matasse, as mortes repetidas começariam a perder um pouco o valor de impacto.

Nessa edição entrou um número relativamente grande de novas personagens – a família de Hershel, um fazendeiro veterinário. Desde que ele conseguiu retirar a bala de Carl, toda a história foi baseada em diálogos, na apresentação das novas personagens e de sutis determinações que possivelmente se tornaram em uma “daquelas” surpresas.

Allen continuar deprimido é normal, mas intratável é ainda melhor. Mas senti que houve muito foco em casais – novos, antigos e despedaçados. Glenn  encontrou Maggie, Sophia encontrou Carl (sutilmente), Julie e Chris juraram amor eterno de uma forma meio sinistra. Não sei se planejam fugir juntos, mas logo deve ser revelado o plano que possuem. O cuidado que tiveram em fazer o diálogo final de Rick e Hershel foi fantástico, plausível – começou calmo e terminou com um celeiro cheio de mortos. O contraste é óbvio!

Edição #11 – “A Revolta dos Zombies”

Data de publicação nos EUA: Agosto de 2004

Escrita por Robert Kirkman

Art por Charlie Adlard & Cover por Tony Moore

Já publicada no Brasil pela HQManiacs.

Mais uma edição, mais ação. Cada um possui a sua forma de lidar com o mundo e não é porque o mundo se tornou o mundo dos mortos-vivos que os sobreviventes não possam defender a sua liberdade de expressão e fazer tudo do melhor modo possível. O desentendimento entre Rick e Hershel está cada vez mais evidente e tenso. Há apenas duas saídas: as coisas se acalmam, ou tudo terminará com uma briga explosiva…

Sinceramente, na situação atual a melhor solução é matar os zombies para preservar o que restou da vida. Ou seja, concordo com a posição de Rick. Claro que Hershel possui argumentos válidos, mas manter a ameaça dentro de casa é quase loucura (por isso gostei dele ter feito isso). A teimosia dele não ajudou, mas o fato é que não sabemos o que causou a “zombificação”, nem se há alguma espécie de cura – dificilmente haverá já que todos morrem antes de voltar dos mortos. Só acho interessante imaginar a causa do caos, da “epidemia”.

De certo modo, essa edição foi pesada e cheia de emoções levando muitas personagens novas para o túmulo. Matar os seus próprios filhos, mesmo que sejam zombies, deve ser uma tarefa difícil e a atitude de Hershel nos permite sentir isso – aí notamos a qualidade da HQ. Infelizmente não havia outra solução… ou havia? Qual o sentido de tudo isso e qual o valor da vida quando a morte é a maioria? Matar a morte também parece muito redundante e absurdo, então os zumbis devem ter alguma espécie de vida, eles têm que ter. Não vejo a hora de ver esse mistério revelado, mas isso não deve acontecer tão cedo! E o fim sugere que Julie e Chris estão prontos para fugir. Acredito que teremos alguma surpresa com essa fuga.

Edição #12 – “Desentendimentos Explosivos”

Data de publicação nos EUA: Setembro de 2004

Escrita por Robert Kirkman

Art por Charlie Adlard & Cover por Tony Moore

Já publicada no Brasil pela HQManiacs.

Finalmente, a última edição do volume 2. A julgar pela capa, imaginei que a tensão entre Rick e Hershel terminaria em tragédia. Erro meu, mas a minha previsão não passou tão longe da realidade, afinal Hershel desesperado e desequilibrado quase atirou na cabeça de Rick.

Entendo que a morte dos filhos não foi algo fácil, nem vai sumir rapidamente, mas o egoísmo da personagem é tão exagerado que chega a denunciá-la como burra (ou talvez teimosa). Ele está sozinho e a sua família foi drasticamente reduzida. Os únicos sobreviventes que encontrou, ele expulsa por querer preservar os quartos com os fantasmas dos filhos? Estupidez! Mas as pessoas são mesmo assim (cada uma com a sua própria estupidez), o que torna tudo realista e interessante.

O celeiro não era o suficiente, nem havia outro local. Expulsos, Rick e todos outros voltaram para a estrada. Já começava a me perguntar até quando eles continuariam procurando por um abrigo fixo. Quanto ao Glenn, ele resolveu muito bem a sua situação – ficar na fazenda de Hershel com Maggie. Vou sentir a falta dele, mas pelo menos ele não morreu e algo me diz que todos que ficaram na fazenda voltarão a aparecer no futuro.

Eles não ficaram com a enorme vila. Não ficaram na fazenda de Hershel. À princípio, não encontrariam um local seguro onde pudessem reconstruir a própria vida. E no fim, no momento e no local menos esperados surge uma prisão enorme com espaço para várias e várias pessoas. Mesmo com zombies, nada melhor poderia ter acontecido! Será que encontram finalmente o canto deles?

O volume 2 está comentado, mas nem todas emoções que a HQ desperta puderam ou poderiam ter sido expressas inteiramente. The Walking Dead é ótimo porque joga com o leitor, criando possibilidades que o leitor transforma em suposições. E o trunfo: quase sempre o leitor é surpreendido. Com certeza vale a pena continuar acompanhando a história. E brevemente estreará a adaptação à televisão da AMC, dirigida por Darabont. Mal posso esperar!

Assim como havia prometido inicialmente, direi o que penso sobre a mudança gráfica. Essa é a primeira mudança que surge e não envolve nenhuma reviravolta na história, mas apenas uma revolução do traço. Tony Moore abandonou o grafismo da HQ e ficou responsável apenas pelas covers. Adlard assumiu o grafismo e devo dizer que ele possui um traço mais comum, nada desagradável, mas definitivamente diferente do traço realista de Moore. Aliás, já até comentei isso brevemente em outros posts. Porém, isso não é nada que a história não tenha conseguido dar a volta para que pudesse ser mantida a HQ de sobreviventes sem rumo no rumo certo.

Leia mais sobre Os Mortos-Vivos/ The Walking Dead aqui. Na próxima semana devo postar outro post sobre a HQ de Kirkman, provavelmente sobre o volume 3.

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Araphawake

Gamer de nascença, entusiasta do YouTube, cinéfilo e sobrevivente de The Walking Dead. Adoro livros e penso demais nas coisas. Na vida pessoal sou extremamente nostálgico e exagerado. Quem não me compreende ou conhece pode achar que sou antipático.
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