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Pura Risada com o Mickey #1 tem charme de banca? Qualidade versus proposta editorial… [Impressões]

Sabe o que é “charme de banca”? Isso acontece algumas vezes por quem frequenta bancas de jornais. As vezes você fica sabendo de uma revista nova pela internet, pela TV, por um amigo e não dá a devida atenção. Não é uma revista que lhe interessa, que você não compraria, até… que você passa na banca e encontra tal revista. Há uma troca de olhares rápido, mas você pensa “é… é um pouco mais diferente do que pensei que fosse”. Aí você resolve folhear e assim que abre a revista, você já estar 50% tentado a comprar a desgraçada. No final, você acaba levando ela para casa. Pura Risada com o Mickey #1 tem esse charme perto de um fã de quadrinhos Disney e isso aconteceu comigo ontem quando fui na banca buscar Clássicos da Literatura Disney #24. Lá estava a revista, eu olhei, ela me olhou, eu a folheei e quando dei por mim, já estava com ela debaixo do braço indo para casa.

Ontem, comentei por aqui sobre Minnie Pocket Love #1, mas ela não é a única novidade na linha Disney nesta última semana de outubro. Pura Risada com o Mickey #1 é completamente diferente da revista da Minnie, na proposta editorial e no formato físico. para começar a revista tem quadrinhos em formato americano e papel de melhor qualidade em relação a linha de formatinhos.É sério, veja:

Mickey acima em formatinho e Pura Risada embaixo dela. Formatinho vs Formatão!

Depois do continue, mais fotos e detalhes dessa nova revista que tem uma proposta editorial que não via mais de uma década com quadrinhos Disney. O que funciona e o que tem de errado com essa revista?

Páginas branquinhas que ressaltam o colorido da história e uma das mais recentes produções italianas de 2010! Mickey e a Foca com 26 páginas inéditas no Brasil.

Antes de entrar nas questões polêmicas, acredito que o melhor seja apresentar a revista, pois ao contrário da Minnie, ela não possui apenas quadrinhos. Na verdade das 68 páginas do gibi, apenas 48 páginas são de quadrinhos. Basicamente é o número de páginas que a revista mensal do Mickey em formatinho possui. O resto da edição trás duas páginas que mostram como desenhar passo-a-passo o rosto do Mickey (frontal e lateral) e as outras são dedicadas a passatempos (tirando as páginas finais da revista que trás as respostas para tais). Isso de revista com passatempo me faz recordar dos tempos de Almanacão de Férias da Turma da Mônica (acho que existe ainda, não?) que comprava quando era criança mesmo.

O interessante é que nem todos os passatempos são fáceis, acho possívelmente se você entregar alguns deles para uma criança fazer sem a supervisão de um adulto, é bem provavel que ela não consiga resolver. Alguns envolvem até aquelas charadinhas e enigmas matemáticos. Ótima idéia para o desenvolvimento infantil, e não impede também que um marmanjão tenha que pensar com mais atenção em alguns puzzles da revista.

Ligue os pontos na página da direito é moleza, mas o passatempo da página da esquerda, meio sudoku, não é tão simples assim de ser resolvido.

O interessante é que a Abril não exagerou demais nas páginas de passatempo. Para uma revista de 68 páginas, ter 48 de quadrinhos e o restante dedicado a outras coisas (tem sumário, como desenhar, passatempos e respostas). O bacana é que como a revista segue o formato americano, a cada página de passatempo, dá para se colocar dois puzzles, então em duas páginas, já se tempo 4 passatempos para a garotada. Economizando espaço para mais conteudo então.

A revista trás 4 histórias nesta primeira edição, Mickey e a Foca com 26 páginas, uma ótima história inédita produzida este ano com o traço do excelente Stefano Intini. E ressalto os elogios a mesma, porque ficou ótima as expressões do personagem. Pluto está impagável imitando foca em certo ponto da história, o cachorrinho do Mickey nunca esteve tão simpático. Lembrando que esta história é uma variação de um clássico da animação do personagem. A Itália anda fazendo algumas histórias em quadrinhos com base nestes roteiros clássicos. A cena do Mickey na banheiro com a foca é hilária, assim como  no desenho. E já que estamos relembrando:

A história não é uma réplica exata do clássico, mas uma reimaginação da idéia original. Por exemplo, achei bem inteligente a piadinha que tem na história relacionado a videogames como Nintendogs, que abriu as portas para um novo gênero de “pet games”. São detalhes assim que trazer a história um pouco mais para a realidade das crianças hoje em dia. Não digo que esta história sozinha valha a compra da revista, porque ela é meio cara, mas quem não precisa regular as moedinhas do mês com HQ, certamente fica satisfeito só por ter lido essa história na qualidade que a revista apresenta em suas páginas.

As outras duas histórias são: Os Problemas do Pateta com 06 páginas, produzida em 2001, também inédita no Brasil, mostra o Pateta como ele é, tentando comprar um sapato novo. E Mickey contra Wurzack, com 08 páginas, produzida em 2002, e que saiu aqui no Brasil em 2003 na Mickey nº692. Na história temos o Coronel Cintra e Mickey atrás de um ladrão hipnotizador.

Mas disse que a revista contém 4 histórias. Qual é a última? É chamada de “Questória”. Nem sei se pode se considerar uma história. Acredito que sim. Ela se chama O Safari Fotográfico do Donald, com 8 páginas, e foi produzida em 1986. É uma histórinha com passatempos embutidos. Me lembro que nos anos 90, a Almanaque Disney tinha histórias assim, em especial as do Tico e Teco Conexão Salva-Ação (um exemplo aqui), mas a diferença é que nas do Tico e Teco o leitor precisava desvendar os puzzles para avançar na história, enquanto nesta do Donald, há apenas brincadeiras espalhadas pela história.

História com passatempos era algo comum na década de 80/90 na extinta Almanaque Disney

Só acho que a escolha dessa história do Donald em específico para inaugurar a revista Pura Risada foi uma escolha meio fraquinha. O traçado da história não combina com as outras histórias publicadas, podia ter se escolhido uma “questória” mais recente ou com um traço mais bonitinho. Particularmente acharia mais divertido se a Abril resolvesse publicar as histórias da série “Você escolhe o Final” (inducks), onde você vai lendo a história e ela pausa em certos pontos e dá ao letiro a opção de escolher o que deve acontecer a seguir, e com isso gera uma história com múltiplos finais. Sairam algumas dessa série no Brasil no passado e ainda tem muitas inéditas.

Basicamente é este o conteúdo e a proposta editorial de Pura Risada. Uma revista de qualidade, com quadrinhos e passatempo para um público realmente mais infantil. Se você tem filho, recomendo mesmo a revista e acho que não tem como qualquer criança não curtir uma revista com passatempos e ainda de lambuja, elas acabam lendo as histórias e curtindo os personagens da Disney.

Porém nem tudo são flores. A revista tem uma qualidade física realmente de impressionar e de deixar qualquer fã triste pelo fato de não ser uma publicação voltada ao público mais adulto. Afinal, formato americano e papel de melhor qualidade para os pequeninos rabiscarem os passatempos e nós, colecionadores, ficamos com as revistas em formatinho e aquele papel de qualidade duvidosa? Ou o público adulto não compra revista cara e por isso não merecemos isso? É uma questão complicada. Anos atrás a Abril tentou colocar revistas Disney em formato americano, senão me engano eram as revistas Quac! e Pato Donald Extra e acabou não dando certo. Talvez o período não tenho sido bom, talvez as hsitórias que saiam nas revistas não faziam jus ao formato, não sei porque sinceramente, não tenho nenhuma delas para poder comparar com Pura Risada. E o preço da revista também é um pouco salgado, R$ 7,95, para uma revista para criançada. Se fosse uma publicação mais madura, eu não acharia o preço ruim de forma alguma.

Por sinal, a revista é bimestral, essa informação não consta em lugar algum da revista, então perguntei diretamente ao editor Paulo Maffia da Abril sobre a periodicidade da revista.

Se eu recomendo a revista? Sinceramente não sei dizer. Conforme contei, eu fui na banca sem a intenção de comprá-la e quando vi já estava em casa com ela, lendo e olhando os passatempos. Não é a revista ideal para adultos e colecionadores, mas também, não acho que seja uma revista inútil. Ela realmente é voltado a um público em específico, mas nada impede que outros também se divirtam com a mesma. Só acho que a proposta editorial meio que contradiz com a qualidade do material na qual ela é feito. Nessa qualidade fica a impressão de um quase tapa na cara dos colecionadores que pedem por algo assim faz anos e a Abril nunca conseguiu emplacar nas bancas.

Vou colecionar? Ainda não me decido. Edições número #1, sempre tenho hábito de comprar, para a coleção. Acho que na segunda edição, tudo vai depender das histórias. Mickey e a Foca era realmente uma história que queria de qualquer jeito na minha coleção, então foi inevitável a compra. Vamos ver se a Editora Abril consegue me convencer a comprar a segunda edição daqui dois meses. 😉

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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