Lendo

Dom Quixote, Capitão Nemo, Círculos do Inferno, Aliens e uma Banheira do Tempo! [CLD 11~14] [MdQ]


Esta semana que passou não teve o lançamento de Clássicos da Literatura Disney.  O volume 26 (O Grande Motim) só será lançado dia 23 de Novembro. Infelizmente os cinco últimos volumes da coleção sofreram um pequeno atraso. Segundo a Editora Abril o atraso aconteceu pela mudança dos últimos temas das edições, que foram mudados a pedido da própria Disney em cima da hora. Com isso, a montagem dos volumes novos atrasou, a gráfica atrasou e enfim, todo o cronograma teve que ser jogado para daqui algumas semanas. Felizmente o motivo do atraso não tem nada a ver com vendas, já que a coleção está indo tão bem que após estes cinco últimos volumes, mais 10 serão lançados em 2011, porém os temas ainda não foram definidos. Para que ninguém se confunda com as novas datas, os próximos chegam as bancas no seguinte cronograma abaixo, confira também as capas:

  • Vol. 26 – O Grande Motim – Data de lançamento: 23/11
  • Vol. 27 – O Avaranto – Data de lançamento: 30/11
  • Vol. 28As Aventuras do Barão de Münchhausen – Data de lançamento: 21/12
  • Vol. 29As 1001 Noites – Data de lançamento: 23/12
  • Vol. 30Um Conto de Natal – Data de lançamento: 28/12

Repassado a notícia, vou aproveitar esta folga nos lançamentos para voltar a fazer os reviews dos volumes passados. Meu último foi do volume 10 em agosto, depois disso minha leitura dos volumes acabou atrasando e não consegui mais fazer os posts semanais sobre as histórias, mantendo apenas a prévia semanal. Mas mês passado consegui colocar a minha leitura de alguns mangás e quadrinhos em dia e com isso voltei a ler os CLDs que estavam aqui em aguardo. Então aos poucos irei tirando o atraso nos reviews. O sistema do post será o mesmo que fiz na virada do mês quando analisei todas as histórias lançadas em outubro dos quadrinhos normais da Disney (link). Ou seja, volume por volume, história por história. Após o continue:

Top 5 dos Volumes 11 ~ 14

1ª Posição: A Banheira à Beira da Eternindade – Vol. #14!

2ª Posição: O Mistério de Naútilus – Vol. #12!

3ª Posição: Dom Gansote e Sancho Pena – Vol. #11!

4ª Posição: O Inferno de Mickey – Vol. #13!

5ª Posição: O Ataque dos Monstros Espaciais – Vol. #14!

Volume 11 – Dom Quixote!

Donald em Dom Quixote (81 páginas – Inédita): Este é um daqueles volumes que provam o que venho dizendo recentemente quando digo que as histórias da fase extra são mais divertidas. Claro que é preciso enteder o contexto de uma história feita na década de 50 e nem é esta a questão. Acho que o problema é que passado tantos anos, ela não ficou melhor com o tempo, pelo contrário, ficou bem mais evidente as limitações da época. A narrativa é arrastada, as cores da história não possuem a tom mais real e detalhado que as histórias atuais. No geral, é uma história que se não fosse pelo carater especial desta coleção, não merecia ser publicada por aqui nos dias de hoje.

Quanto a história em si, Donald acaba revivendo as loucuras de Dom Quixote numa era mais moderna (mas não tanta, anos 50…). É como uma alucinação, Donald passa ver coisas onde não existem, assim como o perosnagem da obra. Alias um dos elementos desse tipo de história na década de 50 que não aconteceria nos dias de hoje é a surra que o Donald e o Pateta levam dos pescadores, com um peixe enfiado na goela do Pateta. Tem um tom mais violento do que deveria esta cena, mas quando ela foi feita, era algo natural tanto nos quadrinhos quanto nos desenhos animados. Hoje em dia os roteiristas e desenhistas tomam um cuidado maior com esse tipo de situação.

Outro exemplo de roteiro simplórico acontece quando Donald encontra Petróleo e o Tio Patinhas o engana para ficar com o terreno. Como se não houvesse dono das terras. Esse é mais um fator temporal acredito, quando nem todas as terras pelo mundo afora tinham donos. Hoje em dia, achar um pedaço de terra que não pertença a ninguém é impossível. Vale mais pela raridade da história, mas dificilmente é uma história que atraia leitores.

Mickey em Os Mistérios da Selva Negra (48 páginas – Inédita): A segunda história do volume é de uma obra pouco conhecida por aqui, ou pelo menos assim acredito. Isso ao menos traz uma vantagem na leitura, pois não fico comparando a idéia do enredo com a obra literária. Sem analisar por este angulo, Os Mistérios da Selva Negra não é de todo ruim. E nem poderia, tendo Bruno Sarda como roteirista e sendo uma história da década de 90, mais moderninha que a anterior em relação ao desenvolvimento.

Chega a ser interessante como histórias temporais com o Mickey se saem por vezes de forma mais dinamica do que as dos patos, ao menos nesta coleção literária. Gosto mais quando o volume coloca as histórias da série Máquina do Tempo, pois neste caso temos fatos históricos rolando. Aqui, o que temos é um universo paralelo, com personagens como Minnie, Mickey e Pateta vivenciando de verdade o conto. Dá certo em alguns pontos e em outros os elementos acabam ficando bobos demais. Por exemplo, adorei esta versão do Pateta, meio mestre da selva, meio hippie, mas o plot final da história com a idéia de musical, danças e a criação de uma peça teatral com os vilões da história não convence, mesmo que seja uma idéia diferente. No geral a história é muito melhor do que a primeiro do volume, é mais ágil no roteiros, o traço e as cores são mais caprichadas e você se diverte lendo-a.

Peninha em Dom Gansote e Sancho Pena (12 páginas – Republicação): Curiosamente a republicação é a melhor história do volume. Peninha, apesar de não ter surgido primeiramente numa história brasileira, foram os brasileiros que sempre souberam como dar personalidade a este grande personagem.  E aqui temos um excelente exemplo do talento do brasileiro Ivan Saidenberg, falecido ano passado. A história é divertida, original e atemporal. Mesmo criada na década de 80, possui um belo traço e uma narratida que agrada qualquer leitor. Aqui temos a visão de Sancho, parceiro de Dom Quixote, no papel do Peninha, restando ao Gansolino o papel do herói literário, mas como sabemos, Gansolino sempre foi um cara preguiçoso, assim tudo acaba sobrando para o Peninha.  História curtinha, mas que prova que nem sempre se faz necessário uma história de 80 páginas para se homenagear um clássico. Os estúdios brasileiros dando um show nos estúdios italianos. E nestas horas, fica a saudade e a infelicidade de não haver mais produção nacional.

Volume 12 – 20.000 Léguas Submarinas!

Mickey em O Mistério do Náutilus (55 páginas – Republicação): Particularmente adoro os contos de Júlio Verne, e gosto mais ainda quando os roteiristas dos quadrinhos Disney brincam com estas histórias, e referências a elas existem aos montes no Inducks. E adoro mais ainda a HQ que abre este volume. Eu tenho a Almanaque Disney 286, que publicou pela primeira vez esta história no Brasil nos anos 90, então ela não é nenhuma surpresa pra mim, porém ainda assim foi uma leitura agradável e muito divertida, mesmo conhecendo a história.

Trata-se de mais uma história da série Máquina do Tempo e também brinca com paradoxos temporais. Mickey e Pateta acabam encontrando uma foto onde eles estão ao lado do famoso Capitão Nemo. Mas o personagem é fictício, não? E como podem estar numa foto em que não se lembram? Rá! Paradoxo Temporal! Hora de visitar o passado e descobrir o que diabos está acontecendo e impedir a distorção temporal. Claro que como todos sabem, Mickey e Pateta podem viajar no tempo à vontade nesta série, seguindo algumas regras, graças a máquina do tempo dos professores Zapotec e Marlin.

E a aventura segue num ótimo clima de aventura no passado. O roteiro de Giorgio Pezzin é fantástico, reinventando o Capitão Nemo, o Naútilus e toda a origem do livro de Julio Verne. Gosto muito do final dessa história e de como tudo termina no passado. A história produzida em 1992 também traz ótimos traços nos desenhos e expressões dos personagens, cenários com excelentes detalhes, as cores dos quadrinhos estão ótimas. Gosto também da importancia do Pateta na história, é ele quem descobre a foto e é ele quem acaba consertando e ligando os pontos que precisam ser ligados no passado. É o Pateta sendo o Pateta como todos conhecemos. E a história ainda passa uma mensagem interessante sobre a poluição do oceano. Politicamente ecológica.

20.000 Léguas Submarinas (34 páginas – Republicação): Me desculpem, mas não tive coragem de ler esta história. Continuo discordando totalmente da publicação deste tipo de quadrinização com humanos, sem personagens Disney nesta coleção. Pra mim, esta história não deveria dividir espaço com os outros personagens de Patópolis. Trata-se da quadrinização oficial do antigo filme da Disney, feito em 1955. Não dá para engolir e não gosto desse tipo de material. Não consegui nem ao menos ler para poder resenhar aqui. Não deu…

Tio Patinhas em 20.000 Ligas Submarinas (37 páginas – Republicação):  Apesar da pequena referência a obra tema do volume, esta é uma história que não se prende as referências literárias, mas é mais uma história com temática de aventuras no mar. Apesar da história ser do Tio Patinhas, o astro dela é mesmo o Donald. Por ter sido produzida na década de 70, a personalidade do pato está bem mais explosiva que muitas aventuras atuais. Ele precisa ir amarrado na aventura, resmunga a todo momento, compra briga e faz de tudo para não continuar participando da missão de resgate do Tio Patinhas. Mas no final, ele acaba encontrando o barco do Tio que ele tanto queria evitar e acaba estragando tudo, mesmo que tenha pensado numa forma de ajudar o tio no final das contas. Esta é uma aventura que saiu aqui no Brasil em 2008 pela primeira vez. Achei meio desnecessário a sua republicação no volume, poderia ter se escolhido alguma outra história, mas ainda assim, é uma aventura de rotina de resgate marítimo com os patos. Não chega a ter nada excepcional, mas cumpre seu propósito como história em quadrinhos.

Superpateta em Aventuras Submarinas (07 páginas – Republicação): Não gostei muito da história do Superpateta neste volume. Na verdade ela nada tem a ver com literatura. Foi inserida no volume apenas como tapa buraco mesmo. Talvez não tenha curtido simplesmente porque já estou meio cansado destes clássicos com o personagem, que atualmente estão saindo regularmente na revista do Zé Carioca.  Ainda mais sabendo que existem histórias inéditas com o personagem feito pelos estúdios da Disney na Dinamarca, França e Itália para serem publicadas no Brasil. Eu gosto muito do personagem, mas eu gostaria de ver coisas novas sobre o mesmo, uma modernizada mesmo e não estes clássicos de décadas atrás. Não estou dizendo que não tem qualidade, mas manter o personagem no Brasil apenas com velharias é ridículo na minha opinião. História totalmente desnecessária para esta coleção e volume.

Pena Submarino em Azar Real (09 páginas – Republicação): Assim como elogiei a história do Peninha no volume 11 lá em cima, a mesma coisa vale para era volume. Porém acredito que a Abril tenha perdido a excelente oportunidade de republicar para esta geração a história de origem do Pena Submarino, que foi republicada aqui no Brasil pela última vez em 1990. Seria um excelente momento para “O Pena Submarino“, história de 7 páginas criada em 1983. Segundo o Inducks, existem apenas 21 histórias com esta faceta do Peninha, juntas elas totalizam 175 páginas. Seria sensacional se a Editora pegasse todas estas histórias e republicassem de uma única vez, num encadernadão. Para não se preocupar tão cedo em republicar as histórias em ordem cronologica. O Peninha tem tantas facetas que seria fabuloso uma coletânia de várias volumes chamada “As mil faces do Peninha”, fazendo uma alusão à antiga Edição Extra de 1989. Imagino que legal uma coleção assim, com cada volume dedicada aos personagens na qual o Peninha tinha quando exista produção aqui no Brasil. Pena Submarino, Pena Kid, Pena Gulliver, Pena das Selvas, Morcego Vermelho etc. Existem tantos lados do Peninha que certamente daria uma linda coleção separada por tema. E o Peninha é um personagem que teve tanta dedicação dos estúdio brasileiros para ser algo totalmente original. Merecia com certeza.

Volume 13 – A Divina Comédia!

O Inferno de Mickey (73 páginas – Inédita): Um volume só com histórias inéditas, ao contrário do anterior que não apresentou nada de novo.  O interessante é que a obra que inspira este volume da coleção é um pouco mais adulta do que alguns dos outros temas que surgiram até o momento. Afinal, parte da trama mostra os horrores do inferno do conto (tragédia) de Dante. Torturas e violências precisam ser adaptadas para um formato na qual não fique pesado demais para as crianças, mas ainda assim não podem ficar ridículas o suficiente para deixar a história imbecil. Felizmente este não é o caso, pois é uma história realmente bem feita, inteirinha rimada e realmente a qualidade é assutadoramente boa, ainda mais se for considerar que ela foi feita em 1949. Guido Martina, um dos grandes nomes italianos dos quadrinhos Disney, tendo produzido materiais para a Disney até 1991, é o grande nome por trás desta obra.

Um dos pontos positivos deste volume são as páginas explicativas, que explicam exatamente certos pontos da história do Mickey, como o o fato de muitos dos círculos do inferno estar relacionado a castigos juvenis e escolares, como o dos professores. Acho importante estes tipos de observações para posicionar o leitor sobre certos fatos de quando a história foi criada. Por mim, todos os quadrinhos da Disney atualmente teria estas explicações para posicionamento dos leitores, idem as pequenas curiosidades de roteiro. Isso mostra uma forma diferente de ler tais quadrinhos.

Por fim, gosto muito quando se criam estes diferenciais para grandes epopéias Disney. Temos a história toda em sistema de narrativa com rimas e vários personagens dos grandes clássicos animados Disney participando dos círculos do inferno. Até os três cavaleiros, Zé Carioca, Panchito e Donald. O começo dela com a desculpa da hipnose para a forma de se mostrar a homenagem a Dante é esquecida rapidamente (já que eles acabam dormindo) e no fim, essa idéia nem retorna, mas ainda assim, a história não perde seu charme, afinal, a grande questão é a poesia do enredo. E achar poesia em num formato de quadrinhos não é fácil. No fim, O Inferno de Mickey é uma das melhores histórias publicadas dentro da coleção. É ainda assustador o fato dela ter permanecido por tantas décadas inéditas no Brasil.

Donald Pocatesta e a bela Margarida Polenta (16 páginas – Inédita): A segunda história deste volume é curtinha demais, ainda que faça uma paródia bem amenizada de apenas um trechinho da obra literária. Não que ela seja ruim, mas a forma como acaba é meio abrupta e fica a sensação de que a história não termina. Esse é um problema com quadrinhos italianos, que usam 3 quadros de linha por página, neste sistema, ou a narrativa precisa ser ágil ou temos esse problema com ela se a história não tiver mais de 20 páginas. Acrescente o fato da protagonista da história ser a Margarida, uma personagem que nunca fui muito fã. O Donald acaba ganhando um destaque um pouco mais a frente. Ao menos o Tio Patinhas está em sua personalidade totalmente fiel,  preocupado mais com o dote de fubá do que com o fato da Margarida ser sua esposa. No fim, o resultado é uma história curtinha para esfriar a cabeça da história anterior para recomeçar novamente, desta vez com a versão de Donald para o inferno de Dante.

O Inferno de Donald (56 páginas – Inédita): A versão do Donald para o inferno tem 16 páginas a menos que a história que abre o volume, e é bem menos detalhista em alguns pontos da obra, mas ainda assim o enredo é bem melhor encaixado e realista dentro do universo do pato do que a versão com o Mickey, na qual o Pateta e o rato sofrem essa ilusão por meio da hipnose/sonho. Na versão de Donald, ele sofre de vários momentos de raiva dentro da temática da vida moderna, como burocracia e problemas de trânsito. Fatos cotidianos que mais a frente acabam influenciando na versão do inferno.

O pato acaba mentalmente instável e acaba indo para o campo esquecer dos problemas da vida moderna e para relaxar. Acaba dormindo numa canoa que desce o rio e com isso começa o sonho com os círculos do inferno. O genial na história é que as cores e o traço mudam, dando um colorido mais especial, como se fosse uma animação quando o sonho começa. Até mesmo os quadros de uma única página na horizontal (você precisa virar a publicação) dão todo o toque especial que a história precisa. Não é a toa que a história foi produzida em 1987, foram muitos anos para que o estúdio italiano se aperfeiçoar em roteiro e traço e por isso, tudo é visualmente mais bonito. E as narrativas da história ainda conseguem manter a forma rimada, mesmo que em menor intensidade do que a versão do Mickey. E ao contrário da versão Mickey, que escolhe terminar de forma mais fantasiosa, a do Donald retorna a realidade e termina de forma mais sólida. Ainda assim traz uma boa reflexão em relação aos nossos pecados, por assim dizer, pela vida em sociedade que muitas vezes tornam as pessoas infelizes. É uma critica bem fundamentada pela história e por isso, acredito que sobre esta perspectiva ela é melhor do que a versão do Mickey, que é sobre certo ponto de vista, mais infantilizada em relação aos pecadores do inferno do Mickey. No de Donald, eles são mais interessantes aos adultos.

Volume 14 – A Guerra dos Mundos!

Mickey e a Guerra dos Mundos (59 páginas – Inédita): Dos 4 volumes resenhados aqui neste post, este é o meu volume preferido. A temática de alienígenas sempre é um tema interessante pra mim, gosto do lado meio ficção científica que as histórias podem se tornar. Mas falando da história que abre o volume, ela é um pouquinho fraca. Não que seja ruim, mas gosto de quando o roteirista pega uma obra e, recria e reimagina a linha de enredo, com novos elementos e mais originalidade. A Guerra dos Mundos de Mickey é mais uma paródia, segue a história da obra bem na risca, mudando apenas alguns fatos e elementos para deixar a história mais acessível a uma faixa etária mais novinha. Mas a premissa é a mesma da obra. Os alienígenas chegam, querem dominar o mundo e acabam sendo derrotados pela gripe do Pateta. Cheguei a cogitar em algum momento que os ETs não fossem ruins e que a desculpa do roteirista para eles seria algo novo, mas não foi. Uma pena. No fim, a história apenas reconta a obra, o que a torna previsível e meio monótona. As histórias que envolvem a série Máquina do Tempo são mais interessantes exatamente por causa do fator imprevisibilidade, com Mickey e Pateta sempre tendo o risco de alterar o passado e por brincar de desvendar os mistérios do passado. Arrisco dizer que a história do Mickey não passa o suspense e mistério que a história precisa, assim como não tem o tom de humor que poderia ter já que não é para ser levada a sério. Faltou equilíbrio de elementos.

Biquinho em Os Marcianos estão Chegando (09 páginas – Republicação): A história com o Biquinho é curtinha, mas retrata um evento que realmente aconteceu na história. Ela brinca com aquele evento onde a humanidade achou que estava sendo atacada por alienígenas por causa de uma transmissão de rádio. A transmissão de Orson Welles de 1938. A HQ mostra de forma cômica Biquinho fazendo a mesma coisa em Patópolis, brincando com na estação de rádio, na qual ele consegue entrar as escondidas. A forma como os patopolenses reagem a notícia é a grande atração da história, principalmente o Tio Patinhas.  Uma boa história para o volume, com certeza.

Tio Patinhas em O Ataque dos Monstros Especiais (24 páginas – Republicação): Questiono um pouco a publicação dessa história do Don Rosa aqui na coleção. Mesmo que o tema seja alienígenas e que a idéia de Don Rosa seja realmente original, com o Tio Patinhas e família sendo os seres invasores de um certo local da galáxia, esta é uma história que está saindo no Brasil pela terceira vez, sendo a última em 2004. Totalmente desnecessário a publicação dela na coleção, sabendo que Disney Big anda republicando as histórias deste Mestre Disney. O espaço podia ter sido dedicado a outra aventura espacial inédita, que existem aos milhares para sair no Brasil. Soma-se também o fato da primeira página desta história ter saído da gráfica com problema, com a resolução baixa, ao menos no meu volume e nos restantes que estavam na banca na época que comprei.

Quanto a história, não tenho do que reclamar. Como disse, é uma idéia original, ela tem a excelente qualidade do Rosa, criando aquela leitura que deixa o leitor imerso na trama e com grandes e hilárias piadas a cada segundo da história. Não julgo a qualidade aqui, apenas a idéia de colocá-la desnecessáriamente na coleção literária.

Nota: A piadinha da imagem acima com as Torres Gêmeas foi feita antes do atentado de 2001. Mais uma daquelas irônias da ficção com o mundo real.

Donald em A Ajuda que Veio do Espaço (09 páginas – Inédita): Um ótimo exemplo de como existem histórias com esse tema e que ainda permanecem inéditas aqui no Brasil. E é uma história antiga, de 1987, com os desenhos do Vicar, que segue a escola de Carl Barks. Aqui, temos alienígenas capturando Donald e um deles acaba assumindo a forma do pato e indo investigar se os habitantes da Terra são pacíficos. Porém, assumir a forma do Donald não é uma boa ideia já que o pato irrita muita gente. O ET encontra uma Margarida nervosa e um Tio Patinhas irada. Rá! E no fim, a personalidade do Donald acaba salvando o mundo. Engraçada história de abdução, mas não tem o teor literário que talvez ela precisasse para estar na coleção. Por sorte é curtinha.

Donald e a Banheira à Beira da Eternidade (53 páginas – Inédita): De todas as histórias resenhadas aqui neste post, esta é a melhor. Ela é uma mistura interessante da ideia da obra A Máquina do Tempo e no título faz uma homenagem a um episódio da série americana Jornada nas Estrelas. Pardal cria um invento que pode enviar objetos e seres pelo espaço e tempo. Por exemplo, pode atirar um objeto para 10 segundos no futuro ou 100 anos no futuro. Recentemente teve um episódio hilário de Futurama (ainda inédito no Brasil) onde o Professor Farnsworth cria exatamente uma máquina que só avança pelo futuro. A do Pardal, porém também funciona no passado.

Na história Donald acidentalmente liga um outro invento do Pardal que na verdade é uma bomba que pode destruir todo o planeta. Mas ironicamente, a bomba não tem botão para desligá-la. O cronometro marca 48 horas para explosão. O que Donald faz? Joga a bomba no outro invento do Pardal e a manda para a pré-história. Não é uma boa idéia, já que destruir o planeta no passado é ainda mais prejudicial do que deixá-la no presente. Agora cabe ao Donald e sobrinhos viajar no tempo e resgatar a bomba em 48 horas antes que ela exploda, destruindo o passado, presente e futuro de todos.

A história é hilária, com Donald sendo pessimista a todo momento e o Pardal sendo mais maluco do que nunca como inventor. Ele prepara uma banheira para viajar no tempo. No final, a solução para o problema da bomba, também conserta um paradoxo temporal, já que na era da pré-história, a Terra tinha duas luas. Muito bem sacado a idéia mais no final que o futuro começa a desaparecer e ser alterado, ainda que o acontecimendo do passado ainda não tenha acontecido e a bomba não tenha explodido. Ciência do tempo é realmente algo interessante. Outra curiosidade é que apesar do traço parecer italiano, esta história foi criada em 1996 pelos estúdios da Dinamarca da Disney e alias, nunca foi publicada na Itália. Excelente história para a coleção sem sombra de dúvida. A melhor de todos os volumes aqui resenhados.

Etiquetas
Isso também pode lhe interessar

Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar

Adblock detectado

Dê uma ajuda ao site simplesmente desabilitando seu Adblock para nosso endereço.