Lendo

[MdQ] Todas as histórias Disney de Outubro/2010! [MK817] [PD2387] [ZC2352] [TP543] [MPL01] [PRM01]


Apesar de criar posts todos os meses anunciando e mostrando o conteúdo das quadrinhos Disney que estão saindo aqui no Brasil, já faz um tempinho que não faço uma edição do Mesa dos Quadrinhos para cada um. Nos anúncios que eu faço, muitas vezes não consigo dar uma real opinião sobre todas as histórias, em parte porque eu faço logo na lançamento, então nem sempre eu já estou com as edições completamente “devoradas”, apesar de que sempre dou aquela folheada para poder dar as informações corretas.

Então vou tentar uma coisa nova. Ao invés de comentar individualmente sobre cada edição do mês, como toda a equipe faz com mangá, vou juntar todas as revistinhas Disney no mês num único postão e comentar sobre todas. Afinal, quadrinhos infantis não precisa teorizar e divagar tanto quando um mangá, então dá para fazer uma prosa mais simples e descontraída, sem precisar de textos “bíblicos” sobre cada canto da publicação. Fico devendo apenas as Clássicos da Literatura Disney, mas em breve voltarei a resenhar as edições. Na verdade eu parei de falar porque apesar de continuar comprando toda semana, estou com a leitura atrasada (parei no volume 12), mas pretendo tirar este atraso nas próximas semanas.

Depois do continue, um Top 5 com as melhores do mês e alguns pequenos comentários sobre cada história das revistas: Mickey 817, Pato Donald 2387, Zé Carioca 2352, Tio Patinhas 543, Minnie Pocket Love 01 e Pura Risada com Mickey 01.Tirando a revista do Zé, todas contém publicações inéditas no Brasil.

Obs: Nem todas as histórias merecem comentários enormes. Vou refletir e divagar apenas nas histórias que achar que merecem uma atenção maior ou quando tiver alguma curiosidade relevante.

Obs 2: Para mais informações técnicas das histórias das revistas mensais, passei elas neste link.

TOP 05 – Outubro!

1ª Posição: Os Espectros da Cidade Fantasma – Donald #2387!

2ª Posição: Mickey e a Foca – Pura Risada #01!

3ª Posição: A Isca Arisca – Tio Patinhas #543!

4ª Posição: O Mistério do Trem Expresso – Minnie Pocket #01!

5ª Posição: Férias Perigosas – Minnie Pocket #01!

Mickey Nº 817

As Garrafas Sonoras de Avaloa: Sabem, ainda não estou convencido que  Casty, roteirista e desenhista dessa nova fase do Mickey, é realmente esse talento na qual alguns fãs anda pintando o cara pela internet. Admito que no começo do ano estava muito empolgado para conhecer as suas histórias, mas depois de algumas amostras dos últimos meses, não acho ele tão excepcional assim. Suas histórias são bem fantasiosas mesmo, e seu Mickey é mais voltado para aventuras do que para mistérios de Detetive. Não que o rato não posso ter histórias assim, mas quando você pensa em aventuras de fantasia, não tem como ser melhor que o Tio Patinhas, que já viajou para tudo quanto é lugar. Mickey fica muito melhor quando está dentro de uma história policial e de mistério, como, por exemplo, O Último Caso do Detetive Mickey, que saiu em Novembro de 2009 no Brasil. Dito isso, acredito que o roteirista Tito Faraci, que é o responsável pelo exemplo que acabei de dar, seria muito mais interessante para a revistinha do Mickey atual do que o Casty. Quer um outro exemplo genial desse roteirista? A Lenda do Pianista do Mar que saiu por aqui em 2008. Pra mim essa história humilha qualquer história do Casty que tenha saido aqui no Brasil nestes últimos tempos. Isso relembrando que nem mesmo com o Indiana Pateta o Casty trabalhou direito recentemente em Indiana Pateta e o Fantasma de Cleópatra, publicada em maio deste ano. Ele descaracterizou bastante as piadas do personagem e o ritmo da história, numa qualidade bem inferior ao de Bruno Sarda, que é o criador e roteirista responsável pelas melhores aventuras do personagem que sou fã. Alias uma matéria sobre o Indy está nos meus planos para agora em novembro no blog. Aguardem.

Voltando um pouco ao Casty como desenhista, uma coisa que óbviamente deve ser a marca do autor, é o fato de seus personagens não terem língua. Nossa, isso não devia me incomodar, mas sei lá, seu me pego encarando os quadros do Mickey e Pateta falando e aquele buraco negro dentro da boca de ambos é são… esquisito. o traço do autor também não chega a ser um dos mais bonitos da Disney Itália. Italianos como Massimo de Vita e Giorgio Cavazzano que estão aí na luta a décadas, dão um show no traçado. Tudo bem, o Casty é um cara novo no estúdio ainda, ele vai se aprimorar, e espero que melhore. Por estas e outras, que aguardo com bastante ansiedade O Turista Espacial que será publicado em Mickey 818 (Nov/2010), que coloca o Mickey contra o Mancha Negra, uma idéia de enredo mais clássica para o personagem. Quero ver o que o Casty faz nesta história.

Quanto As Garrafas Sonoras de Avaloa, ela tem altos e baixos. O conceito de guardar mensagens sonoras dentro de garrafas, assim como usar música para mover objetos, cuidar de enfermidades, ou interagir com plantas, não é totalmente falsa, como o próprio Mickey afirma dentro da HQ há estudos envolvendo a ciência das ondas sonoras, assim como motores movidos por ondas sonoras, o ultrassom na medicida e os estudos sobre plantam que reagem a música. Lembrei da cena da animação da Pixar com o bebê, onde a Babá diz que música clássica ajuda  no desenvolvimento das crianças. Tudo isso tem uma certa ciência. Casty nesse ponto manda bonito na história, pena que apesar disso, a história segue um lado fantasioso demais e a ciência acaba sendo deixado de lado logo no começo da história. Saudades do tempo de Viagem ao Centro da Folha com o Tio Patinhas, que me fez tirar dez em biologia na 5ª série. A história tem esse clima de desenho animado, tudo começa com Mickey e Pateta visitando a velha casa de praia do tio-bisavô do Pateta. O parente era marinheiro e tinha muitas histórias sobre o mar guardadas dentro da casa, e uma delas era sobre essa ilha onde os habitantes viviam e usavam o som para realizar tarefas, onde entra as garrafas sonoras do titulo. A ilha se chama Avaloa, como também sugere o nome da história. Coincidentemente uma garrafa sonora chega na praia pedindo por socorro, e com isso os dois resolvem ir até a ilha, seguido as direções de uma outra garrafa encontrada dentro da casa. Depois dessa conveniente coincidencia do destino, a aventura segue dentro da ilha, que tem um rei tirado e Mickey e Pateta precisam trazer a paz de volta a ilha. O melhor momento da história é com o Pateta, quando a princesa susurra uma canção-da-força, para o Pateta enfrentar o monstro da lilha, mas não existe isso de canção que dá força, e tudo só foi armação para o Pateta ganhar confiança, mas ainda assim não deixa de ser engraçado o Pateta achando que pode colocar o monstro gigante para correr. No final, não chega a ser uma aventura que ficará marcado na minha cabeça, mas também cumpre seu objetivo, que é divertir e entreter. Mas ainda assim, é fantasia demais pro meu gosto. Prefiro quando as coisas são mais ambíguas, como O Vale dos Ursinhos (Rá! Tirei essa lá do fundo do baú!).

O Mistério das Múmias: Nunca entendi direito o personagem Horácio nos quadrinhos Disney. Quer dizer, o Gastão e o Peninha fazem sentido existirem, eles criam histórias próprias quando aparecem, mas o Horácio no universo do Mickey, não tem tanto valor assim. Ele sempre está trabalhando como um faz-tudo, mas não tem uma personalidade que marca a história, deixando-a única. Nesta história mesmo, se ele não aparecesse, não faria a menor falta. Não existe nada ali, que torne a sua presença essencial, tando é que o roterista Doug Gray, ainda coloca o Pateta na história para dar o toque de humor que a mesma precisa. Horácio é bem diferente da Clarabela, por exemplo, que no geral funciona como a amiga fofoqueira da Minnie.  Sei lá, é um personagem muito antigo e que até hoje poderia ter um refinamento em sua personalidade e histórias em que aparece. Aqui, histórinha de 11 páginas, que envolve um ataque de múmias na casa de um lutador de vale-tudo.  Interessante ela sair por aqui no mês de halloween, mas só. O personagem criado para história, assim como a bruxa vilã da história. Tudo é meio sem noção, e serve como desculpa para Mickey, Pateta e Horácio aprendenrem alguns golpes de vale tudo e quebrarem algumas múmias. Mas coadjuvantes bem mal trabalhados e uma histórinha sem sentido. Serve unicamente para divertir com o enredo tosco de dia das bruxas e mais nada.

Pato Donald Nº 2387

Os Espectros da Cidade Fantasma: Fausto Vitaliano, marque este nome na sua memória, porque esse é outro grande roteirista italiano dos últimos anos. O cara é novato no universo Disney, assim como o Casty (comentado acima), mas na minha opinião, ele é bem mais genial que o Casty. E o cara andou escrevendo muita coisa interessante recentemente, como Topolinia 20802, que por ter 148 páginas, dúvido que seja publicado no Brasil (e um dos motivos de estar me planejando para assinar a Topolino Italiana em breve, pois acho um absurdo a falta de espaço em nossas revistas para estas histórias gigantes), e também foi dele a história da Copa 2010 que foi impedida de ser publicada no Brasil em Junho deste ano (Paperino, Paperoga e il grande Mou) por problema com um personagem dentro da história baseada em um de verdade, ou sei lá o que realmente rolou, só sei que essa história foi notícia pelo mundo inteiro na época da Copa e a Abril não conseguiu publicar ela por aqui. Ah, Fausto também é responsável por “Missione Cuore Termico”, um arco de 120 páginas envolvendo a série Donald Duplo, que segundo o Paulo Maffia, pode vir a ganhar um encadernado no Brasil em 2011 (ou voltar a sair em alguma revista atual, mas ele já expressou o desejo de voltar a publicar Donald Duplo por aqui).

Outras duas histórias recentes deste ano que espero que saia por aqui o quanto antes: “Zio Paperone e il doppio sogno”, publicado na Itália em maio, com o Tio Patinhas e parece brincar um pouco com o seu passado e “Paperino e la polenta universale”, publicada agora em agosto na edição italiana do Mickey, não faço idéia de como é a história, mas participam dela o Donald, Gastão, Pardal, Margarida e Tio Patinhas e como extra, ainda tem desenhos do Giorgio Cavazzano, e parece mexer com uma comida italiana que é muito conhecida por aqui, a polenta. Acabei ficando curioso por causa disso, é uma idéia diferente para uma história em quadrinhos.

Todos estes elogios e dados sobre Fausto Vitaliano não são sem sentido, mas porque a história desse mês da revista do Donald é uma das mais bacanas dos últimos seis meses. Tio Patinhas manda Donald pra uma cidade fantasma de verdade, para, pásmen, despejar os fantasmas! Chegando lá Donadl acaba conhecendo os principais habitantes da cidade e suas histórias, que envolvem um mistério do passado, que talvez o Tio Patinhas possa estar relacionado. O roteiro se encaixa perfeitamente, e apesar da HQ se passar apenas com o Donald de personagem conhecido do universo Disney, é impossível não se simpatizar com os outros personagens fantasmas criados para a trama. É assim que se constroi um bom roteiro e coadjuvantes. São personagens completos, com personalidades e um passado nas costas que dão o tom certo para serem complexos. O Donald também não é tão “abobalhado” como as vezes o rotulam. Ele escuta as histórias, pensam sobre o passado, desconfia do seu tio, não fica intimidado quando o ameaçam, e dá uma de “respondão” quando o um dos fantasmas acha que ele está escondendo algo (e realmente está). É uma ótima história onde você se envolve na trama e não apenas fica rindo aleatoramente porque o Donald se machucou ou saiu correndo covardemente ou explodiu de raiva por algo mínimo. Merece também os elogios ao desenhista Andrea Freccero, que traz um traço impecável, inclusive a arte de capa desta edição é dele. Cenários rico em detalhes e expressões faciais dos personagens perfeitas. Com certeza uma das melhores histórias publicada aqui no Brasil este ano com certeza. Provando que não precisa de arcos e mega sagas para que os gibis façam sucesso, apenas uma boa história de qualidade. E esta história sim é um perfeito exemplo de porque sou fã de carterinha da Disney Itália. Essa HQ sozinha podia virar uma animação Disney para o mercado de Home Video. Alias, eu cheguei ao fim da história sem saber o que realmente tinha acontecido no passado, gostei de ser surpreendido no fim.

Meus Primos Macacos: História curtinha com o Peninha, onde ele está convencido de que em uma vida passada ele foi um macaco. Achei cômica a resposta dessa afirmação no fim da HQ. No geral é uma histórinha de piadas, com o Peninha fazendo confusão na casa do Donald e deixando pato em fúria. Engraçada e nada mais do que isso. Mas fico feliz de ver o Peninha em HQs inéditas, como ele não tem uma revista própria é cada vez mais raro vê-lo por aqui, a não ser por republicações. Gosto mais do Peninha italiano, até mesmo da roupa vermelha. Essa roupa rosa que ele usa na história desta revista meio que fica fora de harmonia a própria cores da HQ. Não tira a diversão, mas ainda soa estranho. Peninha enfrantando o Silva na história é impagável.

Cresça e Apareça: Na edição passada da revista do Pato Donald, reclamei da história do William Van Horn, que tinha um roteiro meio sem noção, onde um cientista leva dez anos para criar uma máquina que acaba encolhendo os Patos e o Pardal no final da mesma, acaba criando uma máquina para reverter o encolhimento num piscar de olhos. Nesta edição, mais uma pérola do WVH, mas desta vez o roteiro é invertido, Donald é acertado com uma invenção defeituosa do Pardal onde ele começa a crescer descontroladamente. Apesar da falta de criatividade do Van Horn em usar um plot invertido (ainda que esta tenha sido produzido em 2003 e a da edição passada em 2006), esta história é assustadoramente melhor do que a do encolhimento. A piada do Pardal com o rato é genial, ainda mais quando rola o final da história. O traço do desenhista também merece os elogios apropriados, porque deve ser um saco escrever uma história onde 80% são de nevasca, com neve em todo o canto e entrando em contraste com a paisagem e o personagem, é preciso muito cuidado com esse efeito numa história em quadrinhos para não ficar feio ou falso e Van Horn deixou esse detalhe perfeito. Piada inteligente da HQ, quando Donald diz que está assistindo um programa de debate sobre a filosofia da mecânica quântica e a sua relação com a gelatina de limão. Rá! Sem noção, mas esse tipo de humor é ótimo!

O Limpador de Janelas: História de duas páginas. Tapa-buraco da edição já que sobrou estas páginas. Nada excepcional porém. Nem tenho o que comentar.

Zé Carioca Nº 2352

A revista do papagiao continua apenas com republicações. Nada de histórias inéditas. Rolou uma mudança editorial alguns anos e a as histórias do protagonista da revista perdeu espaço para dar algumas páginas a outros personagens, já que quase tudo já foi republicado por mais de uma vez. Assim a publicação contém histórias antigas do Superpateta, A Patada e Urtigão, histórias que não tem espaço nas outras revistas e que já não saem no Brasil a muito tempo. Refrescou a já exausta revista, mas ainda tirou o “cansaço” da mesma. Felizmente está prometido que saia na Zé as histórias do Comando Laser, cronologicamente, em 2011. Particularmente, acho que seria muito especial se elas saissem num encadernado todas juntas, mas a revista do Zé precisa de atrativos.

(Zé Carioca) O Rei da Seda: Gosto de muitos clássicos do brasileiro e roteirista Arthur Faria Jr, que já trabalhou com muitos personagens da Disney, quando tinhamos nossos estúdios por aqui. Esta história é um bom exemplo do tipo de humor que gosto no Zé. E são várias cenas que fazem essa diferença, como o Zé gritando “Mandruvas Venenosos” eo Nestor xingando “moleques safados”, ou como o Nestor atua de fundo da história, tentando criar os bichos de seda para no fim, ser devolvido aos moleques. Até os sonhos do Zé são engraçados, sempre revertando a situação para um verdadeiro pesadelo. Boa histórinha. Tenho alias a revista de 1996 de quando ela foi publicada originalmente. Sendo assim, esta é sua primeira republicação.

(Superpateta) A Classe dos Profissionais Sem Classe: Ótima história clássica do Superpateta, em grande parte, porque boa parte dela se passa com o personagem sendo o simples e abobalhado Pateta. É a primeiria republicação de uma história que saiu em 1975. E uma ótima lembrança de outro grande Mestre Disney do Brasil: Ivan Saidenberg! Engraçadissimo o momento de desepero da cidade sendo judiada pelo badalar do sino ampliando ao máximo pelo vilão do clube dos vilões e o Pateta achando tudo isso normal. Só o finalzinho onde o Super enfia a cara dentro de um supercanhão é que achei desnecessário, já que digamos assim, e se o Superpateta fosse menos indestrutível? Seria um problema isso. Mas não chega a ser um problema isso, ainda mais em quadrinhos infantis, afinal, é um tipo de humor clássico explodir canhões com personagens dentro. Mas o Superpateta levando a montanha inteira com os bandidos nela foi ótimo.

(Urtigão) Garota Inteligente: Sinceramente, qual a graça desta história? Firmina caça sapos no brejo para matar os gafanhotos da plantação. E? Uma das piores histórias do Urtigão republicada desde que ele começou a aparecer na revista do Zé. Falo de novo, Ed. Abril crie vergonha na cara e republica cronologicamente as séries Zé no Brejo e Urtigão in Rio, onde ambos os personagens atuam juntos em muitas confusões. É ótimo o contraste dessa série com o Zé na vida rural e o Urtigão na vida urbana do Rio de Janeiro. Tem coisa do Urtigão que não merece mesmo ser republicado, a história desta edição é um exemplo perfeito.

(Zé Carioca) O Jurado Assustado: Mais uma do Arthur Faria Jr, desta vez brincando com o fato do Zé ser intimado ao serviço de jurado, baseado em boa parte de acordo com as leis brasileiras alias. Passa uma certa verdade nessa coisa de “ser jurado”, a de que um dia o réu possa ir “caçar” os jurados que o condenaram. Tem uma dose de humor mais deferente, mas brinca com uma realidade meio real meio fantasiosa. É interessante. Alias, uma história de 1992, e o Zé ainda usa aquele visual clássico de terninho, chapéu e guarda-chuva. Não contra o Zé de camisa, boné e shorts, pois até curto o visual, mas realmente o look antigo dá um ar bem mais “malandro” ao personagem.

(Zé Carioca) Com uma Baita Fome: Se a história acima é de 1992, esta um ano depois, dá um enorme pulo no visual do personagem, basta ver um Pedrão com esse visual meio estranho de óculos. Como o visual pode mudar tanto assim o mode de ver de todo um universo. Novamente, nada contra, mas ainda assim, soa meio estranho. Mas o problema nesta história nem é o desenho e o visual, mas achei ela de extremo mais gosto, fazendo o Zé passar literalmente fome (de fome MESMO) perto de todos os seus amigos a ponto deles ficarem com pena do personagem para no fim, darem um jeito de preparar um sacolão de compras de supermercado para o personagem, usando ainda o nome da Rosinha, já que sabem que o Zé ficaria extremamente envergonhado de aceitar isso de seus amigos. Sei lá, precisava realmente mostrar esse tipo de humilhação para o Zé Carioca. Está certo que mostra a realidade de muitos brasileiros, mas puxa, estamos falando de uma história em quadrinhos infantil. Parece uma realidade tão cruel sobre a pobreza e a fome. Se fosse tudo um esquema para o Zé filar bóia na custa dos outros tudo bem, mas vale lembrar que uma das caracteristicas do personagem é a aversão ao trabalho. Oras se ele não trabalha, como é que vai comprar comida. Em nenhum momento da história ele cogita trabalhar para comprar comida. Sei lá, pra mim pareceu uma história de extremo mal gosto. O mais curioso ainda é que no Inducks, não se lista quem foi o roteirista da história, ou seja, o responsavel por essa péssima idéia de mostrar o Zé passando fome de forma tão cruel.

Tio Patinhas Nº 543

O Ouro Frio e Os Três Lobos Siberianos: O roteiristas Rodolfo Cimino é da velha velhíssima guarda dos estúdios Disney. O cara tem cerca de mais de 700 roteiros listado no Inducks, ou seja, é muita coisa. Já trabalhou com basicamente todos os personagens da casa, com quase todo tipo de premissa para história. Imagino como deve ser trabalhar assim, não chega um dia que você fique sem idéias? Com certeza deve rolar. Ele escreve roteiros desde 1962 para a Disney. UAU.

Dito isso, a história de capa desta edição de Tio Patinhas não é a mais brilhante que já li recentemente, mas ainda assim tem um certo charme, ainda mais porque tem desenhos do Giorgio Cavazzano. Na verdade a história tem um roteiro bem corrido, ela começa como se já tivesse começado, a narrativa não para por um minuto e quando você percebe, ela já acabou. Por exemplo, os lobinhos que surgem na capa e no título da história, só surgem a 4 páginas do fim. É uma história que mesmo que o Tio Patinhas tenha se dado bem no fim, ainda assim soa estranho já que até quase até o fim da mesma, tratava-se de uma história “caça ao ouro”. Ok, o ouro já era, mas ainda assim, o lucro do Patinhas parece… pouco.

O roteiro se preocupa com o aventureiro que se acidentou e achou algo incrível, colocando-o em foco por várias páginas inicias e depois some com essa premissa. Mas para que então se dedicar tanto a um personagem que mais pra frente, será irrelevante. Não podia apenas ter sido uma nota de jornal qualquer e daí já ter começado a aventura? E porque do Donald e sobrinhos no começo, se eles acabam ficando de fora depois? Apenas para dar um certo humor? O melhor mesmo acaba sendo quando a história entra no foco certo, com o Tio Patinhas saind atrás do ouro frio. Onde a narrativa desacelera e o leitor pode apreciar o momento.Pra mim, a impressão que fica é que esta é uma história que originalmente seria muito maior, mas que teve o roteiro podado e refeito para ser menor e com isso, acabou prejudicando a narrativa. Novamente, não é uma história ruim, em parte por mérito dos belos desenhos do Cavazzano, mas que poderia ser muito melhor se não fosse esse roteiro incomum.

(Pardal) Oferta e Demanda: Adoro as história do Pardal, mesmo que o Tio Patinhas tenha uma particação enorme nesta, o foco a todo momento fica para o Pardal. Na realidade é interessante ver como as invenções desastrosas do Pardal podem ser um sucesso de venda, se elas forem vendidas por quem sabe vende-las, como o Patinhas. É engraçado ver o trabalho de marketing do velhote na história. A única coisa que ficou meio sem graça foi o final. Quando o Donald se intromete na história, eu achei que ele seria mais original e criativo em como iria manipular o Tio Patinhas, mas no final ele acabou tendo uma idéia que não trouxe aquele “tcham” que faria você pensar “como não pensei nisso antes?”. Pelo menos o Pardal se dá bem no final.

A Isca Arisca: Estranhamente, esta é a melhor história da edição. Daan Jippes é realmente um ótimo roteirista, assim como desenhista, quando não está preocupado em ficar criando remakes das histórias de Carl Barks. A história é criativa e engraçada, com o Donald tentando impedir o roubo de uma maleta do Tio Patinhas, nas mãos de um Metralha, porém, o Tio Patinhas queria intencionalmente que o Metralha a roubasse para localizar seu esconderijo. Hilário ver o velho seguindo o Donald e o Metralha por um dispositivo localizador sem ter idéia do que está realmente acontecendo. A piada com o Donald na sala de espera com os Metralhas disfarçados tem o toque certo de humor. Daan Jippes se sainda tão bem quanto Don Rosa no humor da história. Mais histórias assim são muito bem vindas!

A Máquina do Heroísmo: Como prometido pela Abril no primeiro semestre de 2010, esta edição continua publicando as histórias que Jerry Siegel, o criador do Superman, escreveu para a Disney na década de 70. Temos também o Giorgio Cavazzano, ainda em seu antigo traço, o que traz um contraste bem diferente da primeira história da edição. Parece mais o traço do Romano Scarpa alias. O caso é que Jerry Siegel ainda não me convenceu ser um roteirista que merece ser resgatado lá da década de 70 para os dias de hoje. Ainda mais na revista mensal do Tio Patinhas. Não teria este tipo de objeção se fosse numa publicação como Disney BIG, alias até elogiaria essa idéia de resgatar clássicos inéditos na Disney BIG, que continua só com republicações.

A cena inicial da história, por exemplo, com Donald e Sobrinhos num banco, onde começa um assalto a mão armada é muito surreal. Donald se esconde atrás de uma planta e os Sobrinhos com uma corneta, estilingue e uma zarabatana  enfrentam bandidos portanto revólveres? Não dá. Para com isso. Sei que os sobrinhos tem essa caracteristica de serem corajosos e tal, mas toda a situação beira o absurdo a forma como é feita.  E tudo isso é desculpa para o Donald se sentir um covardão, e um cientisma maluco bater a sua porta com uma máquina que lhe dá “senso de heroísmo”. Tudo isso para tornar o Donald chefe de segurança da Caixa Forte do Tio Patinhas e com isso ele reverter o raio da máquina e tornar o Donald um bandido. Bizarro demais. Tem uma parte da história que o Donald vai para o espaço monitorar certos locais de investimento de seu Tio, e depois no final tem uma cena onde ele sai voando com a Caixa Forte como se ela fosse um foguete, e os sobrinhos ao final revertem o efeito do raio a quilometros de distancia com a máquina. Nossa, é realmente uma aberração tal história. Não sei qual era a proposta do Siegel quando a fez ou porque ele fica criando estes coadjuvantes mal feitos ao invés de usar ícones clássicos como os Metralhas ou a Maga Patalógica. Não sei não. O jeito é continuar torcendo para as histórias dessa grande figura do mundo dos quadrinhos melhore na próxima edição.

Minnie Pocket Love Nº 01

A revista dá Minnie tem histórias inéditas e republicações. Quando for republicação irei avisar, e se não avisar, fica entendido que trata-se de uma história inédita, combinado?

(Minnie e Mickey) Férias Perigosas: Tive uma agradável surpresa ao ler esta história, pois achava que seria uma história chata usando aquele velho clichê de “estamos em férias”, mas tirando o título e o pretexto de que Mickey e Minnie estão em um reino para turismo, a história nada tem a ver com férias. Não podia esperar menos do roteirista Bruno Sarda, que é um dos mais brilhantes do estúdio italiano. Alias, Sarda trabalha fazendo roteiros para Disney desde 1985.

A trama é complexa e bem estruturada. Com muita ação e temá de golpe de estado. Minnie acaba sendo confundida com a rainha do reino, é sequestrada e sobra para o Mickey atuar sozinho com os coadjuvantes do reino por várias paginas. Adorei a parte da perseguição de moto no momento em que Minnie é sequestrada, assim como a referência do livro/filme O Homem da Máscara de Ferro. É um enredo que lhe prende na leitura, com reviravolta, personagens duas caras e em certo momento da história, você já não sabe mais quem é mocinho e que é vilão da história, assim como o que é verdade e o que não é verdade sobre o reino. É uma boa história para surpreender o leitor e mostra que em se tratando histórias do Mickey, nem sempre o Pateta se torna obrigatório para que a história seja bacana. Está certo que o Pateta dá aquele toque de humor, mas nem sempre os mistérios do Mickey precisam de comédia. As vezes a ação e o mistério da trama são o suficiente.

(Margarida e Donald) O Meu Namorado é Melhor: Republicação! Não adianta, não gosto muito da Margarida. Esta foi uma história produzida no Brasil na época em que os estúdios da Abril estavam quase indo pro buraco. Mesmo assim é engraçado o mauricinho qualquer chamando o Donald de ralé e o pato virando um tapão na cara do cara. Fora isso, nada mais a dizer aqui.

(Minnie e Mickey) A Cidade Sempre Acessa: Boa história, com roteiro de Alessandro Sisti e desenhos de Lorenzo Pastrovicchio. A pegada diferencial aqui é que a história traz essa idéia de energia ecológica. São raras as histórias publicadas por aqui que trazem qualquer conciencia ecológica como foco. A história discute energias alternativas para o mundo moderno, em pró de um planeta melhor. Diferente, mas muito interessante. Essa história foi produzida em 2010, então é interessante ver algumas coisas atuais, como Mickey guiando um carro com GPS e a Minnie citando o Facebook (mas com um trocadilho, chamando a ferramenta de “Micebook”). Engraçado ver a cena onde a Minnie chega a uma conclusão para um enigma de forma mais rápida e inteligente do que o Mickey. Enfim, um excelente argumento politicamente correto, para sair da mesmisse de sempre. Mesmo que o mistério e a sabotagem que rolam no enredo, são fáceis de adivinhar quem é o responsável.

(Oona e Donald) O Par Perfeito: Republicação! Antes de mais nada, quero reclamar e dizer que a Editora Abril continua devendo a publicação da primeira história da Oona aqui no Brasil, a patinha pré-histórica que já teve um monte de histórias publicadas por aqui. “Princess Oona”, de 1995, continua inédita por aqui, então os fãs continuam sem saber em detalhes a sua origem. Uma pena. E olha só, um dos herdeiros de Carl Barks, na revistinha da Minnie: Vicar! Quanto a história em si, ela é engraçada, já que a Oona vive atrás do Donald, e aqui temos um interessado nela e o Donald faz de tudo para que Oona se apaixone por ele. O único furo do aqui é a desnecessidade do pretendente ser do futuro. Qual foi o objetivo desse elemento na história? Criar um contraste entre o homem do futuro e a mulher das cavernas? Não há piadinhas sobre o futuro em qualquer parte da HQ. A história funcionaria do mesmo jeito se fosse com um personagem do presente mesmo.

(Clarabela e Mickey) A Aventura Romântica: Republicação! Carlos Panaro também é um outro ótimo roteirista italiano, prova disse é esta história onde ele coloca Clarabela e Mickey atuando em dupla por várias páginas. Na verdade Clarabela já tem essa caracteristica de ser fofoqueira nos quadrinhos Disney, mas aqui ela acaba espiando a janela da Minnie e acaba achando que a sua amiga está traindo o Mickey, e Clara logo em seguida tromba na rua com o Mickey indo em direção da casa da amiga. A personagem então resolve impedir que Mickey descubra tal fato, ao mesmo tempo que tenta ligar para Minnie para tirar satisfação do que está rolando. De fato ela consegue, mas a conversa é ambígua e Clara acaba entendendo tudo errado, e continua a arrastar o Mickey até onde puder, para que ele fique o mais longe possível da casa da Minnie. É engraçado uma HQ Disney que trata de infidelidade, é preciso ser muito sutil em alguns momentos e por isso, não deve ser anda fácil criar uma história assim.

(Mickey) O Mistério do Trem Expresso: Rá! A segunda melhor história da edição. Minnie arrasta o Mickey para essa viajem de trem, mas o ratinho fica com tédio e acaba se envolvendo num suposto roubo de trem. A história é engraçada porque Mickey age sozinho o tempo todo com as figuras estranhas do Trem. E mesmo sendo um grande detetive, Mickey tira todas as conclusões erradas possíveis. O funcionário do Trem que parece um Frankstein tem uns momentos engraçados, porque aparece toda hora atrás do Mickey para assustá-lo e manda-lo de volta para seu assento. A piada final com a mesma fazenda passando pela janela do trem é engraçada.

(Margarida e Lalá, Lelé e Lili) As Voltas que um Vaso Dá: Republicação! Novamente, Margarida não é minha área. Gosto muito pouco dela, e a história precisa muito de uma boa atuação do Donald para não julgar como ruim. Não ajuda muito que esta seja uma história de 1978, velha demais e que destoa toda a beleza do traço da publicação. Por sorte, ele tem apenas 5 páginas. Lalá, Lelé e Lili também são personagens vazias, sem a graça dos sobrinhos do Donald. Ainda que elas tenham sido criadas por Carl Barks. Alias é a cara do Donald chegar a dar um presenta pra Margarida e deixar bem claro que foi um presente caro e ainda dizer quanto custou. Boa Donald!

(Minnie e Tebel) Os Desejos do Amor: Republicação! Admito que tinha expectativas maiores para essa história que tem traço do Giorgio Cavazzano, mas na verdade ele é bem confusa. Ela também traz uma personagem que poucos conhecem, uma ratinha meio hippie que lê cartas de tarô chamada Tebel. O Inducks não confirma exatamente qual é a sua primeira história, cronologicamente, acredito que seja esta: Minni e le stelle di Tebel“. Apesar de ter saiu no Brasil em 2006 em Minnie nº 22, poucos devem conhecer. Eu não tenho essa revista, então realmente fiquei meio perdido quando a idéia por trás da personagem. A história também não é tão perfeitinha assim, já que mescla alienígenas e adivinhação por meio da astrologia. É meio difícil engolir tudo o argumento da história. Alias até a personagem que aparece com o Mickey na delegacia é mal explorada e fica aquela sensação de que você perdeu algum pedaço da história. Ainda assim, é um enredo interessante que brinca com temas também incomuns para HQs Disney. Alguém aqui acredita em Tarô? Hum…

Pura Risada com o Mickey Nº 01

Mickey e a Foca: Já elogiei bastante esta HQ quando anunciei a nova revista do Mickey em formato americano dias atrás aqui no blog. O desenhista Stefano Intini manda muito bem nas expressões do Pluto nas HQ e torna muito engraçado as vezes que o cão está imitando uma foca, ainda mais até do que no desenho original na qual a história teve original. Esta história é até mais engraçada e bacana do que a do Casty publicada na Mickey 817 que comentei lá em cima. Conforme já havia comentando, a história não é uma reprodução fiel do desenho clássico, mas reproduz algumas idéias, como a do Pluto sendo expulso de dentro de casa ou da cena do banho com a foca, que por sinal, ficou até muito engraçado. Vale também mencionar outros elementos que tornam a história moderna, como a idéia dos sobrinhos do Mickey jogando games do gênero pets, como Nintendogs. E temos uma reimaginação que ficou melhor do que o original.

Os Problemas do Pateta: História curtinha com o Pateta tentando comprar um par de sapatos. Para rir e descontrair. Não chega também a ser a história mais engraçada do Pateta dos últimos tempos, mas não faz mal devido aos propósitos dessa revista. Ainda assim, eu, como vendedor, também iria querer pular no pescoço do Pateta.

Mickey contra Wurzack: Republicação! Como é uma história curtinha, fica difícil desenvolver um roteiro mais apurado, mas as páginas com o Coronel Cintra e outros policiais usando óculos escuros para burlar os poderes hipnóticos do vilão da história ficou no tom certo de humor. Só não sei se fico convencido com a solução encontrada pelo Mickey para não ser afetado pelo vilão, lentes de contato espelhadas. Isso realmente funcionária? E se é este o caso, ele não deveria estar sem enxergar nada na frente do vilão? Acho que essa história funcionario um pouco melhor se fosse extendida em mais páginas para trabalhar melhor com o roteiro, 8 páginas ficou tudo corrido e sem o devido refinamento.

O Safári Fotográfico do Donald: A tal “questória” (história + passatempo) da revista. Conforme já havia dito, o traço dela, de 1986, é antiguado e tira a harmonia da revista toda. Mas em relação a história, ela não tem profundidade alguma, o Donald em mais uma tentativa de não ser demitido pelo Tio Patinhas, topa viajar para a Africa tirar umas fotos de animais para o muquirana. Mas é claro que o Donald dá uma de Pateta e só se mete em enrascada para cada animal que tenta fotografar. Na verdade os passatempos tiram um pouco da atenção as piadas da história, assim como no final, você já nem se lembra mais que havia um macaco fotografando tudo.

E acabei. Agora é esperar as edições de Novembro. 😉

Curte do nosso conteúdo? Saiba que é possível ajudar o Portallos!
Siga-nos em nossas redes sociais: Facebook | Twitter | Instagram
(Novidade) Estamos começando, dê uma força: YouTube | Mixer
— Entre e participe do nosso Grupo de Leitores no Facebook!
Seja um apoiador no Apoia.se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!
Etiquetas
Isso também pode lhe interessar

Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
Botão Voltar ao topo
Fechar

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios