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Need for Speed Hot Pursuit e a necessidade por velocidade! [X360/PS3/PC][Impressões]

Tive a honra de ter Enduro como o primeiro jogo de corrida que tive contato, e desde então, eu tenho necessidade por velocidade. Mais velocidade…

E como jogador tenho que homenagear algumas pérolas do gênero corrida: Out Run, Mach Rider, Rad Racer, F-Zero, Top Gear, Cruis’n World, Burnout, e claro, o primeiro Need for Speed Hot Pursuit, cujo nome original era Need for Speed Hot Pursuit III – Hot Pursuit, lançado pela Electronic Arts (EA) para o primeiro PlayStation e PC em 1998 com grande sucesso, o que fez com que a EA lançasse uma continuação em 2002 para diversas plataformas, embora porém somente a versão PS2 prestava…

E depois disso vieram vários anos com a franquia NFS apresentando queda na qualidade. Até que a EA encontra na desenvolvedora Criterion a única saída para devolver o status quo perdido. A Criterion fora a responsável por lançar em 2001 o primeiro Burnout, jogo rapidamente roubou o lugar de NFS no coração de muitos gamers e iniciou uma série onde cada jogo lançado superava o anterior em qualidade e diversão.

Com o passar dos anos, Burnout se consolidou como a maior e melhor franquia de jogos de corrida do gênero arcade, enquanto a série rival mergulhava na decadência. Em 2004, a EA comprou o estúdio da Criterion em uma jogada muito esperta. Naquela época, já se especulava que a Criterion assumiria a franquia NFS, o que de fato somente foi acontecer agora, com o lançamento de Need For Speed Hot Pursuit (NFSHP).

Need For Speed Hot Pursuit é o 16º jogo da clássica série, um lançamento muito aguardado por gamers de todo o mundo, como há muito tempo não se via. O desafio com esse lançamento era revitalizar a franquia que já estava desgastada por jogos medíocres, embora o jogo anterior Need for Speed Shift seja bem interessante, vale lembrar, porém NFS Shift possui um estilo próprio.

Já NFSHP é basicamente uma releitura dos dois outros aclamados jogos Hot Pursuit, com pitadas de Burnout 2: Point of Impact, cujo gameplay por sua vez continha elementos de Hot Pursuit. Vale lembrar que a Criterion também já havia brincado com a fórmula na expansão Cops & Robbers de Burnou Paradise. A Criterion ainda teve a ajuda da desenvolvedora Dice, que auxiliou na construção dos cenários.

Falando nisso, NFSHP se passa na fictícia cidade chamada Seacrest Country, onde o jogador pode percorrer seus mais de 160 kilômetros de asfalto no papel de um corredor de rua ou como um policial. E isso resume a história do jogo. Isso mesmo, nada de enredos mirabolantes como nos últimos jogos, em NFSHP tudo se resume a eficiente fórmula polícia contra ladrão, ou melhor, contra corredor.

E como funciona! Nada de frescuras, é só ligar o console, escolher o carro e acelerar. Desde o início, a sensação de velocidade é ótima, graças ao “estilo Burnout” de pilotagem, que recompensa o estilo agressivo de pilotagem. O negócio é andar na contramão, passar raspando pelos outros carros, e inclusive fazer os já icônicos takedowns nos adversários e policiais. Vale arriscar tudo para encher a barra de boost e assim poder ganhar mais velocidade.

E mesmo com toda a velocidade, a jogabilidade é muito boa. Nas curvas, dá para fazer o drift numa boa (mas sem os exageros vistos em NFS Underground) mesmo com os carros mais velozes. A inteligência artificial é regular, mas em certos momentos ela surpreende, e é muito difícil ver os demais carros andarem em trilho, como em Gran Turismo, por exemplo (guardadas as devidas diferenças de estilo). A sensação de competividade é muito boa, as corridas nunca parecem ser fáceis, os cenários são muito diversificados e as pistas também, o que possibilita a adoção de vários estilos de pilotagem em uma mesma prova.

E tenho que falar na qualidade gráfica. NFSHP é muito, muito bonito. Não é foto-realista, mas ainda assim a variedade de paisagens e construções impressiona. Na verdade, nem precisava disso tudo, já que o ritmo alucinado do jogo torna a tarefa de olhar para a paisagem algo muito raro, mas mostra a seriedade com que o jogo foi concebido. Tem estradas com gelo, areia, urbanas,  tanto de dia como de noite, inclusive com tempestades de areia e chuva forte. Claro, as localidades parecem meio abandonadas, ainda faltam pedestres, mas essa falha assombra a maioria dos jogos infelizmente. Os modelos dos carros são impressionantes e claro, temos um sistema de danos, que se não é tão vasto quanto em Grid ou Burnout Paradise, ainda faz toda a diferença.

O som é incrível. Apesar da trilha sonora original ser legal, experimente rodar calmamente pelos cenários, com a trilha sonora desligada. Dá para ouvir os passarinhos cantando, helicópteros ao longe, a diferença na rotação dos giros do motor. O som ambiente é matador. Agora mesmo eu estou jogando com a trilha sonora desabilitada e estou curtindo, mas daqui a pouco vou colocar as músicas de Top Gear na minha setlist…

E a união dos gráficos competentes com o ambiente sonoro bem trabalhado pode ser vista em toda a sua glória quando você vai pilotar em uma pista durante a noite, com uma tempestade forte chegando. Emocionante como deve ser na vida real. Você sente a urgência de ter que terminar logo a prova antes que a tempestade te pegue de jeito. Obrigado Criterion.

Então, temos bons gráficos, um ambiente sonoro convincente, uma jogabilidade variada e competitiva. Parece ser uma combinação vencedora. Mas a Criterion foi além, e com a adição do sistema Autolog isso tudo fica mais diverido. Quando você seleciona uma prova, o Autolog já avisa quais dos seus amigos estão na sua frente em termos de tempo, e aí você já é incentivado a melhorar a sua performance e bater os tempos deles. Quando consegue, dá para mandar um recado mostrando que agora você é o rei, e eles que se virem para te alcançar.

Você está jogando e faz um takedown maravilhoso? Pare o jogo, acesse o Photo Mode e tire uma foto para guardar o momento pára a posteridade, colocando a foto no mural para que todos possam ver e fazer comentários. Só ficou faltando uma ferramenta de vídeo, quem sabe na próxima versão a Criterion não a implementa?

Mesmo só tendo jogado a campanha como corredor, e estar ainda na metade dela, já me sinto bem confortável em indicar a compra de NFSHP. A qualidade técnica do jogo é incrível, a sensação de progressão é bem legal e surpreendente. Por exemplo, eu já estava achando a noção de velocidade muito emocionante, e agora há pouco liberei a opção de uso do turbo. Estava correndo com uma Lamborghini, muito rápido. Usei o boost e consigui mais velocidade. Em seguida, usei o turbo e consigui mais, muito mais velocidade ainda!

Desde o primeiro momento em que você começa a jogar NFSHP, tudo é recompensador, com uma experiência de progressão constante. As horas passam e você não sente tédio em nenhum momento, sempre tem algum elemento novo para chamar sua atenção, seja um upgrade, um carro policial mais potente para te atormentar, um novo atalho descoberto, uma batida espetacular, uma perseguição cinemtográfica. E claro, a sua garagem vai sendo ocupada com carros sensacionais; pena que a Ferrari tenha ficado de fora!

Como fã da série Burnout, me senti em casa jogando NFSHP. Muita gente ficou meio desconfiada, alguns queriam mesmo era um novo Burnout. Mas quem ainda tem alguma pulga atrás da orelha, não posso recomendar outra coisa a não ser que joguem NFSHP e comprovem como a Criterion conseguiu novamente se superar. Vai ser muito impossível vermos um jogo melhor no gênero surgir nessa geração. Se tem uma desenvolvedora que persegue a meta de fazer um jogo de corrida melhor a cada lançamento, é a Criterion, a única que consegue satisfazer nossa necessidade por velocidade.

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Mauri Link

Um gamer inveterado desde a primeira geração de consoles, aficcionado por histórias em quadrinhos, nerd de carteirinha, e super-herói nas horas vagas!
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