Eu, Robô | Clássico de um dos maiores gênios que já habitou o planeta Terra! (Impressões)

É com muito prazer que, no primeiro Livroteca do ano, escolhi comentar justamente sobre um dos maiores gênios da ficção científica Issac Asimov. O livro da vez é um dos maiores clássicos desse autor, nada menos que Eu, Robô. Livro que há alguns anos virou modinha depois de um filme lançado com o mesmo nome. Mas será que o filme faz jus ao livro? Será que é possível o convívio pacifico de humanos e robôs? Essas e outras perguntas serão respondidas logo mais.

Portanto, prepare-se para conhecer um mundo em que robôs têm que respeitar as leis, uma época em que máquinas ficam de porre, faz besteira se arrependem no dia seguinte, e conheça também o primeiro robô telepata da história!

Bom, ‘Asimov’ e ‘gênio’ são palavras que aparecem constatemente juntas. Tarefa complicada falar dele, mas vamos lá. Se você ainda não sabe quem é o sujeito (foto ao lado), saiba que Asimov foi um cientista e escritor russo que contribuiu muito com a ficção-científica. Foi ele quem criou a palavra ‘robótica‘ e foi também o autor que apresentou as Leis da Robótica. Talvez, essas duas sejam as suas maiores contribuições. E as tais Leis são as seguintes:

  • 1ª lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.
  • 2ª lei: Um robô deve obedecer às ordens dadas por seres humanos, exceto se tais ordens contrariem a Primeira Lei.
  • 3ª lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei.

Qual a importância das Três Leis? É que, antes de Asimov, as histórias de FC (ficção-científica) estavam dominadas pelo clichê de que os robôs (ou qualquer outra criatura) sempre acabavam se rebelando contra o domínio humano, o chamado “complexo de Frankenstein”. Portanto, as Três Leis surgiram como uma alternativa a esse clichê, apresentando uma nova forma de se fazer histórias, mudando de uma vez por todas o rumo da FC e servindo de inspiração para outros grandes autores e cineastas. O livro é  composto por nove contos, todos com tramas focadas no relacionamento entre humanos e robôs. E, logicamente, as Leis da Robótica são parte fundamental, são a base de cada conto.

Resumo:

O livro começa com uma entrevista com Susan Calvin, uma psicóloga de robôs da U.S. Robôs, a empresa líder na fabricação dos autômatos. Como Susan está para se aposentar, ela começa a narrar algumas histórias interessantes que aconteceram ao longo de sua carreira, essas histórias são os nove contos. O interessante é que o livro começa com o inicio da robótica, da fabricação dos primeiros robôs domésticos, chegando aos modelos mais avançados. De um robô babá incapaz de falar a um mundo em que sociedades são completamente gerenciadas por máquinas.

Título: Eu, Robô
Editora: Ediouro
Autor: Isaac Asimov
Tradução: Jorge Luiz Calife
Edição: 1
Ano: 2004
Páginas: 320
Acabamento: Brochura
Formato: Médio
Comprar: Link

Opinião:

Gostei muito do livro, excelente. Diferente de tudo que eu já tinha lido sobre robôs. Contudo, antes de começar a ler, vi alguns comentários de pessoas que acharam o livro chato, como o leitor Matheus Jardim aqui no Portallos. Creio eu que a razão de tanta gente não gostar seja o fato de  que o livro não oferece histórias épicas de ação e aventura. Os contos tem uma abordagem mais social, promovendo muitas reflexões. Só que eu achei desnecessário foi que em todos os contos as três leis eram discutidas incansavelmente.

— Agora olhe, vamos começar com as três leis fundamentais da robótica; as três leis que estão gravadas mais profundamente no cérebro positrônico de um robô.

Outro tema bastante abordado é a tecnofobia, ou seja, justamente o medo de uma rebelião das máquinas. Mesmo com as Três Leis sendo inquebráveis e todos os robôs saindo de fábrica com as Leis programadas, sempre há alguém inseguro. Isso é visto logo no primeiro conto quem tem o título Robbie, uma história simples, mas extremamente cativante. É quando os primeiros robôs domésticos são lançados e é mostrada uma mãe que não se sente segura em ter um robô como babá de sua filha e tenta se livrar do homem de lata a qualquer custo.

— Agora me escute, George. Eu não quero confiar minha filha a uma máquina. Não me importa o quão esperta seja. Ela não tem alma e ninguém sabe o que pode estar pensando, Uma criança não foi feita para ser guardada por uma coisa de metal.

As histórias de Asimov também são muito bem humoradas. Em Brincando de Pique, por exemplo, o segundo conto do livro, nos é mostrado como um robô pode ficar embriagado ao receber ordens que gere conflito entres as leis. E em Razão, o terceiro conto, que foi uma das histórias mais engraçadas que li até hoje, temos um robô que começa a questionar a sua própria existência e chega a conclusão que é um ser superior que foi criado por uma divindade para substituir os seres humanos.

— Eu passei os últimos dois dias numa introspecção concentrada, e os resultados foram muito interessantes. Eu comecei com o pressuposto que me permito considerar como correto. Eu existo, porque penso…

— Por Júpiter, um robô Descartes!

Não foi falar de cada conto, mas outro muito bom que eu gostaria de destacar é o Mentiroso!, com uma história que mostra um robô capaz de ler os pensamentos dos humanos devido a um erro em seu processo de fabricação. Uma história realmente interessante que trata de questões humanas, algo do tipo “cuidado com o que deseja”. Depois desse as histórias começam a focar em questões mais políticas e fica realmente um pouco chato.

Conclusão:

Torno a repetir que achei o livro excelente, tanto que devorei o livro e terminei em menos de uma semana. O que mais me agradou foram os diálogos, realmente interessantes. É verdade que as histórias não são tão ‘movimentadas’, mas Asimov conseguiu imaginar um mundo onde o convívio de homens e máquinas era possível, mas não ficou apenas nisso, ele abordou questão éticas, morais, religiosas e políticas, ou seja, sobre tudo questões humanas. Um grande autor que infelizmente não caiu no gosto popular e não é tão conhecido do grande público.

É certo que muita gente buscou conhecer Asimov depois do lançamento do filme com Will Smith que leva o mesmo nome desse livro. Creio que por conta disso também muita gente se decepcionou com livro, não que o filme seja melhor, mas é que no cinema optaram por contar uma história de ação, enquanto que o ponto forte do livro são os diálogos e debates. O filme é inspirado apenas em um conto do livro e claro, aproveita as leis da robótica criadas por Asimov.

Essas foram as minhas considerações sobre essa obra, mas aprecie a leitura e forme a sua própria opinião. Mantenha a sua mente aberta, sabendo que é uma história de ficção, tenho certeza que assim a chance de você gostar, tanto quanto eu gostei, será absurdamente maior. É isso, deixo aqui mais essa recomendação e a certeza de que voltarei a comentar sobre Isaac Asimov mais algumas vezes por aqui.

Deixo você na companhia do mestre. Abaixo uma entrevista gravada em 1988 com Isaac Asimov falando sobre o impacto da tecnologia e sobre a mudança no consumo de informação devido a Internet. Eu já tinha postado esse vídeo aqui, mas não custa nada repetir.

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27 Comentários

  1. Li esse livro recentemente (ou melhor, quase terminei de ler, já que faltaram apenas umas 20 páginas e não encontro mais o livro ¬¬).

    Sou um pouco suspeito para falar, pois adoro robótica e os outros temas que o livro trata. Aliás, não senti falta de ação, a proposta dos contos realmente é debater a existência de robôs de pontos de vista sociais, éticos, políticos, etc. Como foi dito no texto, Isaac Asimov abusa bastante das 3 leis, mas acho que ele explora elas de maneira criativa e bem pensada, mostrando as diferentes interpretações e conflitos das mesmas.

    Quando soube que era um livro de contos fiquei meio receoso com uma possível “fragmentação”, que felizmente não ocorre pois, embora sejam histórias “independentes”, elas seguem uma linha cronológica e usam os mesmos personagens. Asimov, embora se não me engane fosse um bioquímico, pode ser considerado pai da robótica justamente por conseguir ser um visionário nessa área, criando na ficção muitos conceitos da ciência atualmente. Caso (ou quando, sou otimista quanto a isso) tenhamos máquinas com inteligência artificial sofisticadas o suficiente para podermos considerá-las “vivas”, com certeza muitas das questões levantadas nos debates desse livro precisarão ser analizadas.

    Realmente, quem procurou o livro em busca da ação e aventura do filme (também já vi) talvez se decepcione com a simplicidade dos contos, mas acho que fãs de ficção ciêntifica não tem porque duvidar da qualidade da leitura.

    1. Concordo com tudo, Ícaro.
      Mas eu só achei que não precisava ficar repetindo as leis o tempo todo como se a gente não soubesse cada uma de có. Gostei das discussões sobre as leias, mas não precisava listar todas em cada conto também… até porque os contos senguem uma ordem cronológica, como você mesmo disse.

    1. Os que eu mais gostei foram ‘Razão’ e ‘Mentiroso’, mas ‘Pique’ é muito bom também. Aliás, percebeu como a dupla Powell e Donovan só dão azar com os robôs? PQP! bora tomar um banho de sal groço aí… auhuahuha

  2. eu gostei do livro justamente por não ter tanta ação,afinal em livros eu sempre me perco em cenas de ação e tenhu que ler a cena repetidas veses ate consequir imaginar de uma maneira satisfatoria

  3. Asimov será sempre um dos melhores autores do século XX. Suas histórias são sempre muito bem escritas, dando uma enfâse maior ao coletivo do que a personagens individuais.
    Para quem leu Eu, Robô e gostaria de mais livros, indico a trilogia Fundação. Primorosa é a primeira palavra que me vêm a mente.

    1. Não tenho palavras para dizer o quanto desejo a trilogia Fundação.
      Até hoje tenho convencer alguma alma caridosa a me dar de presente, mas não consegui ainda. auhauhuahua
      Estou prestes a começar a ler O Fim da Eternidade, já leu? Dizem ser muito bom também, breve comentarei sobre ele aqui…

      1. Também ouvi falar bem do “Os Próprios Deuses”.

        Mas também, ele escreveu…

        “Asimov pretendia escrever 500 livros e, por pouco, não atingiu essa marca; escreveu 463 obras. Mas, somando todos os livros, desenhos e coleções editadas, totalizam-se 509 itens em sua bibliografia completa. Asimov pode ter escrito Opus 400, que seria uma comemoração de 400 publicações; contudo, a lista de comemorativos da bibliografia vai apenas até o Opus 300.”
        http://pt.wikipedia.org/wiki/Isaac_Asimov#Bibliografia_selecionada

  4. Eu li esse livro tambem, ha tempos, no original em ingles. Sim, *original em ingles* e nao russo como alguns podem pensar, pois se lerem a biografia de Asimov, ele emigrou para os EUA quando tinha so 3 anos de idade e foi la que ele construiu sua carreira, entao ele e praticamente um escritor norte americano. Ademais, os pais dele so falavam com ele em hebraico (o pai era judeu) e ingles, portanto ele nunca aprendeu russo.
    Sobre as comparacoes entre o livro e o filme, sucede que o filme se baseia muito mais no livro “Cavernas de Aço” – traducao direta de Caves of Steel no titulo em ingles, que foi a versao que li, nao sei se mudaram ao traduzir para nosso idioma. Esse, ao inves de um livro de contos, e praticamente um romance policial no futuro.
    Cavernas de Aço e Eu Robo sao os unicos livros que li por enquanto da serie sobre robos de Asimov. Mas a serie fundação eu li inteira, que alias nao e uma trilogia (li isso em algum dos comentarios), mas uns 7 livros.
    Isso e tudo o que tinha a acrescentar. Um excelente artigo, parabens.

    1. Valeu pelos esclarecimentos, Grenmao.
      Mas sobre a Fundação, deve ser o mesmo caso de O Senhor dos Anéis, não? Se não me engano, a série de Tolkien foi lançada primeiro como seis livros, depois editaram para uma trilogia…
      E não sabia sobre Caves of Steel também, quero dizer.. Asimov tem livro pra cacete, mas poucos lançados aqui no Brasil, nunca vi esse por aqui, mas vou procurar mesmo assim. Nessas horas eu queria saber ler em inglês =(

  5. ah livros sempre têm e sempre terão mais detalhes que nos filmes. Não que os filmes sejam ruins…tentem entender que para fazer um filme cheio de detalhes como nos livros não é tarefa nada fácil…mas um bom exemplo de filme e livro, é Anjos e Demônios, muito bom!!!

  6. Asimov é gênio. A Fundação é a melhor obra dele. Simplesmente incrível. Você passa pouco tempo com cada personagem, mas consegue se apegar a todos, e todas as fases da história são excelentes. O Fim Da Eternidade é no mesmo nível de Eu, Robô. Os Próprios Deuses é bom, mas os outros são melhores. Recomendo fortemente todos.

    E sobre a questão das leis, seu comentário faz sentido, Eduardo, mas tem uma questão importante. Ao passar dos contos, todas as leis são tratadas de maneira diferente. [SPOILER ALERT] Em Pique, por exemplo, o problema é causado por um conflito entre a Segunda e a Terceira Lei, que só pode ser resolvido com a Primeira. Em Razão, o problema é um robô que ignora a Segunda Lei para seguir a Primeira totalmente. E assim vai. [FIM DO SPOILER] Então, o Asimov repete as leis, mas quase sempre usa elas de maneira diferente.

  7. Comecei a ler ele mais vim para Portugal e esqueci de trazer -_-‘. Li a pouco tempo ”Little lost robot”, se não me engano é isso, em inglês mesmo, mais li pelas metades era só para um trabalho de inglês xD.

  8. Asimov é um dos meus pecados de leitura, ainda não li nenhum livro dele. Pretendo corrigir isso logo, parece que Eu, Robô é uma boa maneira de começar.
    E lendo sobre robôs bêbados, não pude deixar de me lembrar do robô bêbado favorito, Bender! =)

  9. Muito bom o post, sempre quis ler Asimov mas nunca tive a oportunidade ou sempre me esquecia. To com uns livros do Lovecraft e do Poe na fila pra ler…
    Depois que terminar estes vou ver se consigo o livro e o filme 🙂

  10. Não sabia nada sobre o livro e só conheço e acho foda esse Isaac Asimov justamente por causa desse vídeo! 8D
    Parece bem interessante, vou ver se acho.
    Gosto muito das suas matérias Eduardo! xD

    E ainda tenho que terminar de ler a prévia de Necromancer… xD

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