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[MdQ] Todas as histórias Disney de Janeiro/2011! [TP546] [MK820] [PD2390] [ZC2355]


Este mês vou abrir esta matéria com uma questão polêmica. Você, leitor e fã de quadrinhos, ao abrir uma revista, o que acha melhor? Quando uma história se mostra moderna, original e criativa em seu enredo, mostrando sintonia com os tempos de hoje e com o próprio leitor, que se identifica totalmente com o tema na qual ela é feita, ou quando uma história presta uma homenagem a um grande mestre, colocando pequenos detalhes que apenas os verdadeiros fãs irão notar? Como definir qual destes parâmetros, “modernidade” ou “homenagear”, é mais importante para encabeçar um argumento de “esta é a melhor história de todas as histórias lançadas este mês”?

Se você leu as edições de Pato Donald e Tio Patinhas deste mês de janeiro (capas acima), já deve saber do que estou falando. Por um lado, a edição do Donald presta uma bela homenagem a Carl Barks na história que fecha a edição, enquanto a do Tio Patinhas chega com duas histórias moderníssimas em temas, produzidas a poucos meses na Itália, onde uma fala sobre  TV Digital e pirataria de TV por Assinatura, dois assuntos atuais, e uma outra sobre “Green Economy”, a economia do verde, onde fala um pouco sobre habitações autossustentáveis, uma forma de contribuir com o planeta e o meio ambiente. Duas edições excelentes, com alguns problemas porém, mas que são imperdíveis este mês, devido as suas qualidades.

Não querendo menosprezar a revista do Mickey, pois este mês, Casty vem excelente, sendo apenas o roteirista, deixando Paolo Mottura dar vida aos desenhos do rato, este excelente desenhista que é responsável por muitas das mais belas artes em quadrinhos Disney da atualidade, responsável por exemplo pela história do Pardal Galileu de novembro passado. Já Zé Carioca vem em último da fila, sempre com suas republicações, sem apelo algum aos leitores atuais, com histórias antigas para satisfazer os que gostam de histórias mais de outras décadas , meio clássicas e cheias de mofo, vivendo apenas em coma vegetal devido a falta de produção nacional neste século. Isso porque em janeiro agora, a sua revista completou 50 anos de vida, sem qualquer comemoração. Pobre Zé Carioca.

Lembrete: Está acabando o prazo de enviar a sua pergunta ao Paulo Maffia. Já mandou a sua? Não sabe do que estou falando? Enão clique aqui! É uma boa oportunidade para perguntar sobre novos gibis, novas séries, mais material inédito etc.

Prévia em Imagens: Quer ver uma prévia das revistas que estão em destaque neste post? Basta clicar aqui! Já atualizei o post do começo do mês com as scans das primeiras páginas de cada história delas.

Após o continue, história por história deste mês de janeiro  e meus respectivos comentários:

TOP 03 – Mensais de Janeiro!

1ª Posição: Superpato e o Mistério do Impacto Zero! [TP 546]

2ª Posição: A Saga do Capitão Trambolhão [PD 2390]

3ª Posição:O Vale do Pica-Pau Gigante [MK 820]

Posição Extra/Especial: A Origem da Princesa Oona [PD 2390], produzida em 1995 e inédita no Brasil até hoje! Uma história que todo colecionador precisa ter na sua coleção sem a menor sombra de dúvida. Não merece ficar no Top 3, mas uma menção honrosa pelo peso que uma história de origem possui, não pode passar batido.

Obs: Nem todas as histórias merecem comentários enormes. Vou refletir e divagar apenas nas histórias que achar que merecem uma atenção maior ou quando tiver alguma curiosidade relevante.

Tio Patinhas Nº 546

Tio Patinhas e a TV a Cabo Extraterrestre (Inducks): Toques de modernidade não faz mal algum. Este é um grande mérito da história que abre a edição de Tio Patinhas deste mês de janeiro. Muitas vezes leio uma história dos personagens de Patópolis e percebo que eles podem estar vivendo em qualquer década passada. Em algumas não existem celulares, em outras os telefones são quase que a manivela, as TVs continuam sendo de tubo, a internet de vez em quando nem foi inventada, isso quando os carros não são calhambeques! Veja bem, não que isso seja um problema, pois certas histórias são mesmo atemporais, ou seja, funcionam a qualquer momento, mas ainda assim faz bem ver os personagens passando por aventuras e enredos onde podemos identificar com a nossa época atual. O leitor novo e jovem, que não está habituado com este universo, aprecia ainda mais estes elementos.

Nesta história temos os Metralhas envolvidos numa trama onde mostra que os conversores digitais chegaram em Patópolis, um tecnologia não tão nova assim, mas que ainda está sendo disseminada pelo mundo, incluindo o Brasil. Além disso, também a dicussão dos canais por assinatura pagos, e da pirataria de sinal, que é algo que também é muito comum nesta geração. Todos os elementos clássicos de décadas de quadrinhos do Tio Patinhas estão ali também, como a rivalidade com o Patacôncio, os atrapalhados Metralhas, o Prof. Pardal com sua tecnologia que só existe no mundo da HQ e o Tio Patinhas querendo lucrar de qualquer forma. Mas é bom ver elementos que demonstram que a história gira neste século, possibilitando se identificar com certas frustações que a história brinca, como por exemplo, o fato de nem todos poderem ter uma TV a  Cabo ou que certos canais são realmente ruins (os do Patinhas só tem filmes velhos e programas de economia, rá!).

Claro são quadrinhos, e a história deslancha para a fantasia e a criatividade que este meio de entretenimento possibilita. Os Metralhas acabam meio que hackeando o conversor digital do Pardal e conseguem obter canais além do esperado, canais alienígenas literalmente. Patinhas descobre e reproduz em escala de comércio esse hack. No final, o próprio muquirana acaba sendo acusado de piratear sinal que não lhe pertence. Um desfecho engraçado e dentro da fantasia desse universo.

Fica meus elogios também aos belos desenhos do Paolo Mottura que já virou um dos meus desenhistas italianos favorito desta década, sempre com desenhos com feições expressivas e ótimos detalhes. Com um traço mais estiloso que o de Giorgio Cavazzano, mas não que isso seja um ponto negativo. Gostei do final da história, com o Patinhas mais uma vez provando que tem faro para negócios e dobrando toda a situação a seu favor.

Superpato e o Mistério do Impacto Zero (Inducks): Soberba a história com o Superpato. A melhor da edição e do mês inteiro. Primeiro porque mais uma vez, ela tem aquele toque de assunto atual, da modernidade citada na história comentada acima. Gosto muito quando resolvem criar estas histórias temáticas com uma mensagem ecológica, mesmo que nesta, a trama não se prenda muita apenas nisso. Lembro de uma antiga história, publicada lá no distante ano de 1992, em Tio Patinhas 327, chamada O Comando Ozon, que mostrava a importancia que deveriamos dar a Camada de Ozônio em nosso planeta. Curiosamente, esta história foi feita no Brasil, pena que o Inducks não dê os devidos créditos ao seu brilhante roteirista.

Histórias assim são importantes serem produzidas, pois dão o contexto aos jovens de que precisamos cuidar do planeta e o conceitos que o Patinhas dá aqui, de casas autossutentáveis, existe e é possível que se expanda ainda mais no futuro se continuarmos matando o equilíbrio ecológico do planeta. Então é uma mensagem bacana e histórias assim estão sempre em pauta na Topolino italiana. A Editora Abril deveria trazer mais histórias assim pra cá, assim como a própria já produzia este material no passado, como no exemplo que citei no parágrafo anterior. O Comando Ozon chegou até mesmo a ser publicado na Colômbia e Itália na época.

Quanto ao enredo, também é muito bem estruturado, com o Superpato tentando descobrir o verdadeiro sabotador do bairro ecológico do Patinhas. E apesar de estar falando de uma revista infanto-juvenil, até mesmo os mais velhos vão ficar em dúvida com o responsável por tudo. Jogada de gênio colocar o Pardal na história, como possível suspeito número 1, confundindo ainda mais a cabeça do leitor. O interessante é que no momento que o Patinhas apresentou o cientista responsável por criar o projeto do bairro, eu logo pensei, “o que diabos aconteceu para o Pardal não estar envolvido?” e logo em seguida, o criador da história explica porque o projeto não é do Pardal. Qualquer roteirista amador, poderia simplesmente ignorar o personagem e deixar esse furo na história caso o Pardal não se envolvesse.

Também elogio os desenhos de Andrea Freccero, que estão tão bonitos quanto o do Mottura na história anterior. Sabendo reproduzir com muita habilidade as expressões de personagens, passando a emoção exata da cena. Pra mim, o mistério do Impacto Zero é a melhor história do mês. Gosto de histórias que me surpreendem, e mais ainda quando por trás de toda a trama, ainda consegue colocar debates atuais e modernos aos jovens leitores de quadrinhos. Isso pra mim é até mais importante que homenagear algum clássico, que irei abordar mais quando chegar na revista do Donald. Mas é por isso que O Mistério do Impacto Zero, pra mim, é a melhor do mês.

Tio Patinhas e a Inversão Cósmica (Inducks): Mais uma velharia que jamais deveria ter sido publicada. Outra horrível história de Jerry Siegel, que se provou um péssimo roteirista para quadrinhos Disney. História sem pé nem cabeça, totalmente inexpressiva, com um roteiro fraquíssimo. Eu queria ter feito o MdQ dos quadrinhos Disney de Dezembro, pois teria dito que Siegel até que mandou mais ou menos na trama do mês passado, com O Tesouro de Atlântida, ao trazer o Patinhas numa aventura solo com o Pardal, algo raro nas HQs atuais, mesmo que história não fosse lá muito genial e nem superasse qualquer outra aventura com o tema do mito de Atlântida. Mas ainda bem que não o fiz, pois mais uma vez, não deu para engolir outra pérola que ele criou.

A Inversão Cósmica não fica ruim só de roteiro, mas até mesmo os desenhos são péssimos, basta comparar o quadro acima, com os outros quadros das história já comentadas. Um contraste ridículo entre 1973 e 2010. Os italianos evoluiram e muito no quesito traço. O pior é que não entendo como o editor Paulo Maffia foi capaz de selecionar e manter a decisão de publicar estas histórias meia boca do Siegel. Eu ainda não vi UM leitor dizendo que curte elas. Pelo contrário, todo mundo acha elas ruins demais. Estão estragando o mix de histórias do Tio Patinhas e espero que terminem logo e que nunca mais voltem.

E novamente critico a decisão da Editora Abril de criar uma edição desta forma, colocando histórias produzidas atualmente, com estas antigas, sem dar ao leitor qualquer contextualização. Um leitor novato não sabe que as duas primeiras foram produzidas em 2010, enquanto a do Siegel é de 1973. Este tipo de informação, nestes casos, precisa obrigatóriamente ser mencionada na edição. Alias, pra mim, toda edição de qualquer quadrinhos, deveria ter ao menos uma página, dedicada a um texto criado pelo editor, explicando o contexto original das histórias, quando foram produzidas e o motivo de te-las escolhido para a edição. Uma página editorial, por assim dizer. Pois um garoto qualquer que pega uma revista assim hoje nas bancas e se tiver o azar de abrir a revista nesta história do Siegel, vai pensar “Meu Deus, como é que fazem quadrinhos tão horríveis assim hoje em dia?“. Contexto histórico nesta situação, é mais do que obrigatório. Ou clássicos assim, deveriam sair numa revista especialmente para este propósito. E não nas mensais de linha, onde ficam as novidades e inéditas.

Mickey Nº 820

No Vale do Pica-Pau Gigante (Inducks): Paolo Mottura pula da edição do Tio Patinhas e cai perfeitamente na edição do rato. Só para quem ainda não sabe, a revista do Mickey fecha este mês a seleção de histórias do roteirista e desenhista Casty. Ao longo dos meses que passaram, algumas boas histórias deste Mestre Disney moderno e atual, foram publicadas em Mickey, dando um charme diferente ao personagem, num clima mais de aventuras e ficção, com altas doses de originalidade e critividade.

Mas Casty não é o mestre dos desenhos. Particularmente não gosto do traço dele, com personagens sem linguas e num estilo meio corrido, na falta de uma melhor maneira de expressar. Não que as história sejam ruins, pois não são, mas Casty ainda tem muito que aprimorar em termos de desenhos. Basta ver o quanto fez bem deixar o tempo rolar em cima do traço de Cavazzano. Leva-se anos e décadas para isso. Casty me lembra um pouco o traço de Romano Scarpa, enquanto Paolo Mottura segue mais o traço do próprio Cavazzano. Fico grato então que nesta história, seja Mottura o encarregado pelos desenhos.

Só para terminar de falar do Casty antes de entrar na história. No geral eu gostei do material selecionado para o Brasil. Apenas as Garrafas de Avaloa (Mickey 817 – Outubro/2010) foi meio boba e fantasiosa demais, mas tirando ela, todas as outras me agradaram, incluindo a melhor, Perigo em Órbita com o Mancha Negra (Mickey 818 – Novembro/2010). E no mês passado não pude comentar a edição de dezembro, mas a Editora Abril cometeu uma gafe e falha muito feia, pois a história mostra um personagem-vilão chamado Pegadinha. Você já tinha ouvido falar do mesmo? Pois é, a Abril novamente ignorou uma história de origem! RIDÍCULO! A Neve Colorida é a 5ª aparição deste personagem, que estreou em 2004 na história chamada “Topolino e il magnifico Doppioscherzo“, também roterizada pelo Casty e com desenhos do Massimo de Vita. Pare de pular histórias de origem Editora Abril!! E a origem do vilão irá continuar inédita por aqui ao menos por enquanto.

Agora sobre No Vale do Pica-Pau Gigante, rá!, adorei a piada acima, com o Pateta e sua geladeira. Gosto como o Casty constroi a narrativa de algumas de suas histórias, como nessa onde a geladeira velha e acabada do Pateta acaba sendo o pontapé inicial da aventura. E uma história muito bonita, em visual e na mensagem final. Eu não esperava que a trama fosse descambar para aquele momento de traição e que também iria construir as lacunas do flashback com sobre o tio do Pateta.  E nem que os animais na cavena seriam pterodátilos. Casty prova mais uma vez que sabe surpreender o leitor.

Uma pena que o Casty ainda não consiga trabalhar com o Mickey da mesma forma que outros conseguem quando precisa do Mickey originalmente detetive de Murry. Eu queria ver ele enfrentando este desafio. No geral, ele leva as histórias do Mickey mais para aventura e fantasia, com leves toques de mistérios, mas não foi mostrado muito por aqui o Casty trabalhando com o Mickey detetive e policial, mais clássico. E gostaria muito de ver isso.


Mickey Crusoé (Inducks): História tapa buraco. Eu tinha expectativas de que fosse uma história legal quando vi o título dela antes de conseguir a edição, mas na verdade ela é bem sem sal. Butch, esse personagem criado em 1930, não é um personagem muito bem estruturado. Não cheira originalidade, parece mais aqueles personagens secundários que só preenchem a história por falta de ter algo melhor para colocar. Se trocasse o Butch nesta pelo Horácio, não ia mudar nada. Não é um personagem essencial, como o Pateta, e por isso, toda santa história atual dele, criado na dinamarca, é ruim ou xarope. É um personagem típico da faceta de malandro, com fala cheia de gírias, e preguiçoso. Até o Zé Carioca nesta história ficaria melhor posicionado do que o Butch.

Uma pena que a revista do Mickey não tenha 80 páginas como a do Tio Patinhas, onde permitiria histórias italianas, e menos deste Mickey sem graça feito na Dinamarca atualmente. Pouca coisa se salva destas histórias do rato, com esse visual retro, ou a Abril não sabe selecionar direito boas histórias dinamarquesas com o personagem. Porque todas tem que ser tão bobinhas? Eu preferia mais histórias como O Mistério do Tem Expresso (Minnie Pocket Love 1), com mais mistério e humor na faceta detetive.

Pato Donald Nº 2390

A Origem da Princesa Oona (Inducks): Antes de começar a falar da origem da Oona, quero dizer que eu tinha em mente um post separado, a parte deste MdQ, só para falar deste quadro acima, mais precisamente sobre esta Máquina do Tempo do Pardal. Mas o tempo anda escasso, então vou resumidamente falar aqui mesmo. Se você é leitor das antigas, talvez tenha sentido um deja vu ao ver esta máquina do tempo. Sabe o porque? Eu vou explicar, e mais uma vez, falha da Abril, de não abrir um espaço na própria revista para contextualizar o leitor novato.

O Inducks lista as histórias onde essa máquina do tempo aparece como “Time Machine Graphic Novels“. Não vou dar uma explicação absoluta porque se chama assim, pois nem mesmo eu sei. Histórias de máquina do tempo com o Pardal existem aos montes, mas em geral, em cada história, ele inventa uma nova. Neste série de histórias que acabo de mencionar, o Pardal tem apenas uma ÚNICA maquina do tempo, esta que você vê no quadro acima. E ela está sempre quebrada ou num estado meia boca. Rá! Esta série já teve algumas histórias publicadas no Brasil, principalmente as primeiras e o interessante é que no geral, a Dinamarca sempre cria histórias de poucas páginas, indo de 10 a 15 apenas, mas em algumas destas séries, o número de páginas ultrapassa 40! São histórias enormes, bem desenhadas e totalmente fabulosas, sempre envolvendo o Donald, as vezes com os sobrinhos e as vezes com o Pardal, viajando pelo tempo. Recomendo a procura em sebos de uma clássica história chamada “Os Lendários Vikings” (Almanaque Disney 301 de 1996), uma das melhores histórias que saiu por aqui nos anos 90 que pertence a esta série, e com o traço do excelente Marco Rota. Uma pena que algumas ainda permaneçam inéditas no Brasil.

Enfim, quanto a origem de Oona. Adorei a história. Bem naquele climinha que o Donald tinha nos anos 90, com o traço bem clássico do Vicar. História criada especialmente com a ideia de apresentar Oona ao universo da Disney.  Algumas pessoas não curtem a Oona, mas eu não sou uma delas, pelo contrário, acho ela muito melhor que o Bubba, aquele garoto da pré-história que foi criado quando Ducktales era um sucesso. Bubba é uma criança, então as situações de roteiro com ele são limitadas, mas a Oona não, ela já entra no elenco mais adulto dos personagens, se envolvendo em brigas, em romances, em confusões generalizadas, o que combina muito bem com o universo do Donald. Existem boas histórias com ela, mas é claro que também tem as ruins. As vezes eu fico achando que a galera fica de bico com a Oona porque ela não é criação de Barks, mas se ficarmos limitados apenas ao que Barks criou, será sempre a mesma coisa. Eu apoio personagens originais e mais recentes, pois eles dão diversidade as histórias. Por último, adorei o Pardal acompanhando o Donald na história, assim como gostei dele no mês passado acompanhando o Tio Patinahs na aventura de Atlantida.

A Batalha dos Abelhudos (Inducks): Dobradinha com William Van Horn neste mês em Pato Donald. Até aí não vejo problema algum. É verdade que eu já meio que cansei do mesmo artista todo mês na revista do pato, com dezenas de outros que merecem a vaga (Marco Rota por exemplo). Seria bonito um volumão inteiro de Mestre Disney com o Horn, mas a coleção mal durou nas bancas.

Em A Batalha dos Abelhudos temos a clássica situação barkaniana, com Silva e Donald em pé de guerra. O enredo não é lá muito original e criativo. Donald está cuidando das suas flores e Silva com suas abelhas mecânicas começa a atazanar o pato. Insultos vem e vão, as abelhas robóticas entram em pane e o caos impera. Previsivel e nada fora do comum do que o leitor das antigas está habituado. Vale algumas piadas engraçadas aqui e ali. Mas os três ultimos quadros da história compensam, adorei ver o Donald perguntando ao Silva porque ambos vivem brigando o tempo todo e o Silva respondendo que é da natureza de ambos. Momento engraçado, num final, onde ambos se dão mal.

Inverno Quente (Inducks): Se a história acima tem suas qualidade, Inverno Quente é totalmente descartável. A história de alguma forma não combina nem um pouco com o leitor brasileiro, um país que nunca vemos neve (não que não tenham boas histórias com esse elemento, quando é boa, vale a pena trazer pra cá). Os sobrinhos querem brincar na neve, mas tem que ser numa montanha que é na verdade um vulcão. E o Donald só quer ficar em casa lendo um livro. Mas depois da pressão dos sobrinhos, ele cede. Vão para a montanha só para ve-la entrar em erupção e acabar com toda a neve do pedaço. Gostei da piada final da história, com o Donald sugerindo que os meninos leiam um livro, a cara do Luizinho (ou seria Zezinho ou o Huguinho?) no último quadro ficou impagável. Mas no geral é uma traminha safada, sem muitas gags interessante, com um roteiro ralo, porém rápido devido as poucas páginas. Parece ter sido feita, justamente para que o leitor ria com a ultima piada no fim. Mas uma história na minha opinião precisa ser muito mais do que isso, não acham?

A Saga do Capitão Trambolhão (Inducks): A segunda melhor história do mês. Mais uma homenagem em quadrinhos a Carl Barks. Engraçada, cheia de referências clássicas as obras do mestre (você consegue listar todas?). E o melhor, a trama da história funciona não apenas na forma de homenagem, mas é engraçada mesmo se não fosse o Carl Barks ali em cores e nanquim.

Não acredito que seja melhor que O Homem dos Patos, republicada recentemente em Disney Big 5 em 2010. Até porque adoro essa história produzida em 1992 para homenagear o mestre, ainda mais no traço de Giorgio Cavazzano. Mas é inegável que isso não tira a qualidade de Capitão Trambolhão.

Mas é como disse lá na resenha da revista do Tio Patinhas na história O Mistério do Impacto Zero, não escolhi ela para a melhor do mês porque dei preferencia a algo moderno e original, com um tema mais incomum por aqui. Carl Barks é um gênio, mas as vezes é chato ver que tanto artista da casa Disney não consegue ir além de Barks, limitando apenas a copiar o mestre. Vejo a genealidade de Don Rosa, de Marco Rota e até mesmo Paul Halas, que conseguiram criar um estilo único e ainda assim respeitar a doutrina Barks, enquanto outros apenas ficam no traço e estilo de Barks. Não pensem que isso é ruim, mas depois de décadas lendo Barks, é bacana mudar de ares, experimentar coisas novas, ainda que não sejam tão bom quanto. Diversidade, esta é a palavra chave para tudo isso que não estou sabendo colocar no papel e o escolhido para a primeira posição do Top 3 possui isso, algo novo e atual. Se não fosse por isso, Capitão Trambolhão tinha ficado em primeiro lugar.

Outro detalhe é que mais uma vez faltou contextuar. Uma palavrinha do editor, explicando e mostrando as referencias clássicas desta história faria crescer e muito a qualidade da edição.

Zé Carioca Nº 2355

Não vou me estender muito falando da revista do Zé Carioca. São republicações, algumas com cheiro de naftalina até. Sem nada novo ou original fica difícil ser um fã de carteirinha da revista. Continuo sem ver sentido algum em manter uma revista assim, sem qualquer material novo. Deveriam transformar Zé Carioca, em um Almanaque Clássico Mensal, temático dentro do seu universo, com edições de histórias separadas por décadas, por sub-temas, como Anacozeca, Carnaval, Pedrão e Nestor, Morcego Verde etc. Mantém a memória do Zé, mas sem essa mistura bizarra que é sua revista. Ou voltar a criar histórias inéditas do mesmo.

(Zé Carioca) Zé Carioca X Alakibu (Inducks): História com a Anacozeca. Eu sempre gostei da ideia de um grupo de cobradores para o Zé e a Anacozeca realmente tem histórias muito engraçadas. Esta eu ainda não tinha lido, por isso gostei, pena ser tão curtinha. Engraçado ver como o hipnotizador resolve a questão no final. Alias, podiamos ver com mais frequencia outras histórias da Anacozeca na revistas, fazia um tempinho que não via o grupo.

(Superpateta) O Herói dos Superforas (Inducks): Horrível história com o Superpateta. E olha que é uma das mais longas do gibi. Já me cansei do personagem nestas histórias dos anos 70. Elas são simples demais, com as mesmas piadas quase sempre e o traço também não é lá grande coisa. Preferia que esse espaço no Zé pudesse ser ocupado com histórias inéditas  mais recentes do personagem produzidas na Dinamarca, pois lá elas são curtinhas. Não posso afirmar que sejam boas, mas qualquer coisa um pouco melhor que esta dos anos 70 já é lucro pra mim.

Sei que alguns curtem e tal, mas prefiro se for o caso, as histórias brasileiras com o Superpateta do que estas feitas nos EUA. Esta desta edição mesmo, alguém consegue achar engraçado o Superpateta comentando gafes atrás de gafes na trama? É tudo tão sem sal e previsível… felizmente no próximo mês não teremos Superpateta, mas isso é assunto pra um outro post.

(Zé Carioca, Mickey e Pateta) O Tesouro de Lampião (Inducks): Desta história, mesmo cheirando naftalina, eu curti. Ela é bem velha, dos anos 60. No passado era comum misturar personagens do universo Disney em histórias assim, e o Zé nessa época não tinha ainda um universo tão bem construido e consolidado como é hoje (graças a Ivan Saidenberg e Renato Canini), por isso, dá para entender porque ela é tão diferente.

É uma história gostosa de ler, ainda que tosca até onde você puder imaginar, com o Zé fora do Rio de Janeiro, levando Mickey e Pateta de carro (que parece 313 do Donald) pelo Norte do Brasil, onde acabam esbarrando na lenda do tesouro do Lampião, um personagem que você precisa consultar um livro de história para saber de que se trata. (Culpa mais uma vez da falta de um editorial dentro das revistas explicando estes detalhes).

E o Pateta não parece mais pateta ainda na história? E o Zé ainda tem uma personalidade vazia, sem algo muito marcante, como a preguiça, a alergia a trabalho, entre outras características mais atuais. Mas é assim mesmo. Valeu como curiosidade histórica.

(Donald & Peninha) Experiência Anterior (Inducks): A história mais engraçada da revista. Hilário ver o Peninha procurando emprego.O gozado é que mesmo sendo feita nos anos 70, a indagação do Peninha de como arranjar um emprego, sendo que todos pedem experiência, sendo que ninguém dá uma chance para que ele tenha experiencia, é válida até os dias de hoje! Passei muito por isso mais jovem quando procurava emprego e a minha esposa passou pelo mesma situação recentemente.  E o Peninha brasileiro é sempre garantia de bom humor.

Se houvesse produção nacional nos dias de hoje, seria obrigatório que o personagem tivesse uma revista própria. Mas como não tem, só matando a saudades dele nos clássicos brasileiros, se bem que também gosto muito do Peninha italiano, mas admito que não é a mesma coisa. Pra mim, o Peninha é mais brasileiro e um personagem mais interessante do que o próprio Zé Carioca.

(Zé Carioca) Minhocas na Cabeça (Inducks): Outra história horrível. Fora do contexto dos dias de hoje. Me diga, você sabe o que é as tais barbatanas que o Zé vende durante toda a história? Porque eu não sei. Faltou uma nota de rodapé explicando o que é esse treco. Não sei se é algo antigo da época que a história foi criada, se é algo regional que não existe aqui no interior de São Paulo, ou se existe e tem outro nome. É estranho demais. E isso me incomoda na hora de ler, mesmo que a história não peça que você entenda literalmente o que diabos o Zé está vendendo. Existem histórias que não envelhessem bem com o passar dos anos. E esta é uma delas.

Bem com isso eu encerro as resenhas das edições mensais de janeiro. Eu queria ter comentado mais coisas, outras queria ter detalhado mais, porém o tempo anda meio apertado pra mim. Mas ao menos este mês eu consegui comentar sobre todas as histórias e trazer as curiosidades que queria trazer. Agora deixo para continuar a prosa nos comentários!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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