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Cyber Brasiliana | Ficção científica nacional? Acredite! (Impressões)

Demorou, mas estou de volta com um Livroteca nacional! E que Livroteca, hein? O livro da vez é Cyber Brasiliana do autor e editor Richard Diegues. Aviso de antemão que se trata de uma obra da mais alta qualidade, que irá satisfazer os já amantes de ficção-científica como também trará mais adeptos para esse gênero, com certeza. Mas não pense que essa é a primeira vez comento sobre o Richard aqui no Portallos, não, isso porque ele também escreveu o conto Planeta Incorruptível que foi publicado no primeiro volume da Coleção Imaginários.

Bom, você já sabe que após o bom e velho Continue Lendo irei comentar sobre o livro. Ah! Sim… também terá informações sobre o sorteio que será realizado aqui no Portallos. 😀

Sinopse:

“Uma Realidade Alternativa, que se desenvolve em um universo Pós-cyber, no qual os países do eixo-norte do globo se encontram em decadência, confrontados pelas três grandes potências surgidas no eixo-sul: a União da República Brasiliana, a Africanísia e a Euronova. A qualidade de vida abaixo da linha do equador assume ares de utopia, enquanto no outro hemisfério as corporações lutam pelo controle dos espólios dos antigos países. Nesse cenário, em que uma parte da economia mundial está visivelmente instável, o equilíbrio é mantido por meio da força, de uma consistente e bem defendida base econômica, e da tecnologia que avançou a passos largos até se tornar fundamental à vida.

Foi nesse contexto que o Hipermundo se desenvolveu. Um sistema baseado em uma super-rede de servidores, no qual as pessoas desfrutam de uma forma complexa de realidade aumentada, utilizando-a para trabalho, socialização, cultura e registro digital de todas as informações mundiais.”

Editora: Tarja Editorial
Autor: Richard Diegues
Número de páginas: 254
Acabamento: Brochura
Ano: 2010
Preço: R$30,00 (Frete grátis)

Opinião:

O livro começa com a proposta de ser de fácil compreensão tanto para leitores já acostumados com histórias de ficção-científica quanto para aqueles que não são tão íntimos desse gênero literário ou com os próprios termos tecnológicos. Bom, digo que em parte esse objetivo foi alcançado. Em alguns (poucos) momentos termos específicos são lançados em meio à história sem que haja nenhuma explicação. Um dos poucos exemplos que consigo lembrar é palavra backdoor. Creio que nem todo leigo em programação saiba o que significa, mas é algo bem simples de se explicar. Aliás, esse cuidado eu não deixar o leitor “por fora” foi um dos pontos positivos de Fortaleza Digital.

Fora esse pequeno detalhe eu realmente me surpreendi com a qualidade da história de Cyber Brasiliana, uma história muito interessante, inteligente, bem desenvolvida e original. Diferente de outros livros cyberpunks, em que vemos seres humanos vivendo em um mundo degradado, Cyber Brasiliana nos apresenta um mundo em que as pessoas vivem bem, de maneira quase utópica até (com exceção dos países do norte). Logo no primeiro capítulo, por exemplo, vemos a cidade de São Paulo com baixos níveis de poluição.

Mas, apesar do mundo real estar todo bonitinho e indo muito bem (no eixo sul), a história se passa, quase que totalmente, no Hipermundo. Ou seja, as pessoas praticamente vivem no mundo virtual. Na verdade, pouco se sabe do mundo real e esse pouco, ainda assim, torna-se desnecessário no livro. O que interessa mesmo é o Hipermundo. Imagine esse mundo virtual como o Second Life levado ao extremo, não apenas como entretenimento, mas como uma sociedade virtual. No Hipermundo há regras bem definidas e há também softwares responsáveis por manter a ordem no local e garantir o equilíbrio dessa sociedade. A conexão com o Hipermundo é possível através de óculos especiais.

Até que ponto desejamos nos afastar do convívio pessoal e transpor esse contato para a virtualidade?

Apesar de muito interessante, a história apresenta alguns pontos questionáveis. É muito estranho um programador de repente revelar que sabe realizar um parto como um verdadeiro médico. Assim como é frustrante o leitor criar muita expectativa na aparição de um personagem e o mesmo surgir com uma participação insignificante. Eu também esperava que o Brasil tivesse mais importância na história, até para se fazer jus ao título do livro, não é mesmo?

Também senti falta de seres humanos adaptados (ciborgues), não é que não tenha, mas em Cyber Brasiliana é algo muito sútil. Eu esperava algo mais punk, de fato, como é em Neuromancer, que temos bisturis implantados sob unhas e tal. Também dei por falta de uns robozinhos na história, mas emfim…

Creio que o melhor de Cyber Brasiliana seja mesmo todo esse aspecto visual. Fica fácil para o leitor visualizar o Hipermundo da forma como ele é descrito pelo autor. Além disso, a criação desse mundo virtual é toda baseada em mitologia hindu, o que dá um toque muito special a obra. Por conta do desenvolvimento do Hipermundo as ruas do mundo real vão ficando cada vez mais vazias ao ponto de não termos mais problemas de engarrafamento no trânsito. E como tudo está sendo levado para o lado dos zeros e uns, com a guerra não poderia ser diferente, mas as pessoas morrem em uma guerra virtual? Bom…

Do que seríamos capazes de abrir mão em troca da imortalidade?

Por fim, se era mesmo a intenção do autor, creio que ele conseguiu/conseguirá cumprir o papel de tornar Cyber Brasiliana uma referência do cyberpunk (ou pós-cyberpunk) da literatura nacional. O livro foi uma surpresa muito agradável e me prendeu de tal forma que terminei de ler em apenas dois dias. Isso porque eu não esperava algo tão intenso. Cyber Brasiliana possui um ritmo intenso, ação do início ao fim, mas também aborda diversos temas sociais e nos faz pensar em assuntos como religião, epiritualidade, vida eterna… Até porque, como eu disse, o Hipermundo não é apenas uma realidade aumentada, mas sim a projeção da nossa própria sociedade para o mundo virtual, mundo este onde teremos todos os tipos de problemas existentes no nosso mundinho “de carne e osso”.

Sorteio:

Muito em breve você poderá ter o livro Cyber Brasiliana em mãos sem nenhum esforço. Como? O livro foi fornecido pelo próprio autor para que pudéssemos sortear entre os nossos queridos leitores do Portallos. Isso mesmo, um(a) sortudo(a) levará um Cyber Brasiliana para casa na maior moleza. Ainda não foi definida uma data para começar, mas é só ficar ligado aqui no blog para não perder essa oportunidade. Será preciso twitter ou qualquer outra conta em redes sociais? Talvez sim, talvez não, mas irei procurar a uma forma que não exclua ninguém de participar. Enfim, notícias em breve.

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