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E3 2011: Baixas expectativas para evitar futuras frustações? [Reflexão]

Sempre gostei da E3. O maior evento anual gamer que existe. Claro que mesmo gostando não dá para dizer que a E3 sempre supre as minhas expectativas. Decepções são normais: jogos que todo mundo espera e não são revelados, acessórios que todos sabem que serão inúteis e com baixo suporte, sequências óbvias de games que nem são assim tão originais, sem mencionar aqueles projetos que muitas vezes acabam sendo totalmente diferentes quando são lançados, isso quando não são cancelados.

Este ano, entretanto, não estou muito positivo com a E3 em relação a novidades realmente originais e interessantes. Vou explicar melhor as razões para tal, mas a sensação geral que sinto é que esta atual geração esfriou mais do que deveria. Os principais lançamentos do ano se resumem a sequências de franquias famosas, que já apareceram nessa geração. Sequências que muitas vezes não são assim tão diferentes de seu antecessor e por isso, amargam aquele gosto de “mais do mesmo”, ainda que a franquia seja ótima. Os consoles também não andam oferecendo muita coisa original e única, as plataformas parecem que já atingiram sua potencialidade e não tem muito mais o que fazer nesse departamento. E com tudo isso, a criatividade para novas propriedades intelectuais, personagens e games, caem na mesmísse da geração. Ser surpeendido está cada vez mais difícil hoje em dia. E é por isso, que as minhas expectativas para esta E3 está lá no fundo do poço, quem sabe assim, alguém não consegue me surpreender?

O que esperar da Nintendo?

A principal atração da Big N provavelmente será o Project Café. Tudo que se tem hoje em dia são especulações em torno do sucessor do Wii, então não dá para imaginar muita coisa, porém ainda não consigo ficar animado com esse futuro console da Nintendo.

Primeiro porque duvido que será muito superior ao PS3 e X360. Se for, será uma vitória da empresa, mas considerando a política da mesma de consoles baratos, duvido. Eu venho dizendo a anos que o Wii foi lançado com prazo de validade vencida, que seria o primeiro console dessa geração a morrer e dito e feito. Me preocupa o fato de que um novo console, no nível dos atuais, seja lançado em 2012 e em 2013 a Sony e Microsoft apresentem seus novos consoles, sucessores dos atuais, e com isso novamente o console da Nintendo fique defasado. O correto seria o Wii aguentar até o fim da geração, mas parece que a Nintendo não quer isso. Só espero que o Projeto Café use mídias de Blu-Ray, porque vou achar um enorme fracasso se ficar na mídia de DVD.

Outro ponto pelo qual não me animo por um novo console da Nintendo é em relação ao suporte online. O Nintendo 3DS é a prova mais recente disso (já irei falar do portátil também). A rede online do 3DS ainda não está 100% ativa, a Nintendo já disse recentemente que seu forte não é suporte online, o Wii já foi um lixo nesse departamento e duvido muito que o Projeto Café consiga uma rede online tão eficiente quanto uma PSN e ou uma Live. Enquanto a Microsoft e Sony já possuem a experiência e aplicação neste sistema desde o começo da geração, a Nintendo ainda tem que comer muito feijão com arroz para provar pra mim, que pode lançar algo no nível das concorrentes. Ainda tenho pesadelos com a Big N tentando justificar falta de suporte a chat durante partidas e pelos malditos friends codes. É ver pra crer…

No departamento de games, mais decepções pra mim. O que o Wii teve nesta geração? Super Mario aos montes, um Zelda de Gamecube (e outro que deve sair este ano), dois Metroids (este último que saiu não vez o barulho que estava esperando) e um Donkey Kong (uma das melhores coisas do Wii nesta geração, atrás apenas de Mario Galaxy). Nada de Pikmin, que ficou só na promessa desde o começo da geração, Star Fox que sempre foi um grande fã também não consegue se reeguer desde o Nintendo 64, Mario Party uma das minhas franquias favoritas na geração passada faliu, assim como os excelentes Marios esportivos da Cameloft ou um Luigi Mansion 2. O Gamecube teve tantos games originais da Nintendo, tanta coisa novas e refrescante e neste geração a Nintendo não fez um terço do que fez no Cube com suas franquias. E agora a vida do Wii começa a chegar ao fim, ainda que a empresa não diga que o Wii vai acabar, sempre que um console novo sai, o antecessor morre aos poucos, agonizando diante das novidades do futuro console. A Nintendo apostou demais nos games casuais, com os Miis e suas franquias acabaram ao relento nessa geração. Talvez ela resgate e trabalhe melhor com elas na próxima, mas ainda assim, não tenho tantas expectativas assim. Nintendo virou sinônimo de 1 ou 2 jogos ao ano, no máximo, que valha a pena jogar.

Quanto ao Nintendo 3DS, o portátil não anda fazendo metade do barulho que o DS fez quando foi lançado. As vendas foram altas, mas não tanta quanto a Nintendo esperava. Os games da primeir leva de lançamentos são descartáveis, tirando um ou outro talvez. Os jogos que prometem sair na segunda leva também não animam (remakes de games do N64? Não, obrigado). Franquias famosas como Resident Evil e Kingdom Hearts são legais, mas me diga um game de portátil  destas franquias de consoles de mesa que superam o nível de qualidade das versões não-portáteis? Eu não consigo pensar em nenhum. O 3DS não tem a inovação e originalidade que o DS tinha quando foi revelado. E não me surpreenderia muito se daqui uns 3 anos, a Nintendo não invente um sucessor para ele, do tipo que nada lembre a geração DS, um novo portátil, um novo nome, uma nova proposta, porque nesse conceito, o 3DS não tem nada disso.

Enfim, E3 da Nintendo vai ter console novo, games novos e muitas novidades é claro, mas algo verdadeiramente original, daqueles que lhe deixam com as pernas bambas? Eu não acredito.

O que esperar da Microsoft?

O Xisboca é outro console que já vem dando sinais de que está com o pé na cova, isso se já não estiver. E pensar que o começo desta geração a Microsoft criou tantas franquias novas. Crackdown, que teve uma sequência fraquíssima, Ninety Nine Nights, que também ganhou uma sequência que conseguiu ser pior do que o primeiro game, que mesmo com seus defeitos, era bem divertido, Kameo foi a tentativa de retorno da Rare que os fãs queriam e até foi ótimo pra mim, mas depois da Microsoft deu um pé na bunda da Rare e mandou ela pro departamento dos avatares e dos games casuais, não antes da vergonha que foi com Banjo-Kazooie Nuts e Bolts, que apesar de ser um game divertido não era Banjo 3, que era o que cada fã da franquia sonhou por anos. Halo também começou ótimo no X360, inovador e desafiador, mas a Microsoft conseguiu desgatar a franquia. lançando um novo game por ano. Agora Halo é mais do mesmo. Com Gears of War foi ainda pior, porque o segundo game até hoje tem um multiplayer escroto fora do território americano e o terceiro está vindo aí e mesmo com os bons resultados do beta, fico com um pé atrás na política de online da Epic Games. As parcerias da Microsoft com outros estúdios para games originais, assim como novas franquias caiu drasticamente nestes dois últimos anos, deixando toda a linha de exclusivos da empresa óbvia e cansativa.

O próprio console também está ficando ultrapassado. Enquanto os multiplataformas saem em um único Blu-Rayer Disc no Playstation 3, no xis eles precisam vir em dois ou três mídias, prática que nunca é bem vista pelos gamers, ainda que literalmente isso não atrapalhe em nada a jogativa. Os gráficos também começam a ganhar barreiras entre o PS3 e X360, basta ver o último Killzone lançado no console rival, que coisa mais impressionante que ficou.

Quanto ao Kinect, o aparelhinho até agora ficou só na promessa. Teve sua aparição em duas E3 e ainda não conseguiu convencer toda a comunidade do console. Os games são uma vergonha, cópias descaradas de games do Wii, apenas com melhores gráficos e sem apelo nenhum ao gamers hardcore. Sem mencionar as promesas de funcionalidades que ainda não funcionam. Cadê aquele programinha de pintura que foi mostrado na E3 de 2009? Aquilo era legal! Mesmo que nesta E3 a Microsoft apresente novos games para o Kinect, dificilmente eles irão se mostrar inovadores ou únicos. Shooters em trilhos? Ainda que seja Halo ou Gears, shooters em trilhas são toscos e frustantes. Mais jogos casuais? Uma das coisas que mais me animava no Kinect era o uso de comandos por voz nos games, mas nem isso parece que alguém lá teve a ideia de usar e abusar. E continuo achando que por mais prático que seja o Kinect não ter controles, ela não funciona nem em 99% dos games dos dias de hoje, simplesmente pela falta de um “nunchuk”. Precisa de uma alavanca para não deixar os personagens terem que andar automaticamente ou em trilhos. Isso é um dos principais defeitos dos games do Kinect, você é o controle, mas fica imóvel num ambiente, já que toda a movimentação de cenário e personagem, o game precisa fazer sozinho. Supresa pra mim seria a Microsoft revelar um “nunchuk” pro Kinect nesta E3 para games mais avançados, mas não seria nada original.

A única coisa que realmente me empolga no lado verde da força são os games via download da Live Arcade. Quero ver as principais atrações para o segundo semestre. Os games da Summer of Arcade e os remakes em HD de clássicos do passado. Não sei, por exemplo, porque diabos a Disney ainda não pegou aqueles clássicos games do Mickey e Donald de SNES e Mega Drive e remasterizou eles para a PSN e Live, assim como Earthworm Jim HD saiu ano passado e ficou genial.

Mas no fim, a E3 da Microsoft vai continuar no marasmo e no que for óbvio. Kinect casual, Halo e Gears, talvez um ou outro game sem expressividade que os novos tinham no começo da geração, mais games bacanas pra Live e quem sabe mais um roubo de exclusividade do PS3 (FF XIII Versus, por exemplo).

E será que o Kojima vai cozinhar por mais um ano o tal Metal Gear Rising? Fala sério, e o jogo nem é exclusivo. Ficar com expectativas de games que levam anos e anos pra sair? Já me cansei disso…

O que esperar da Sony?

Ao contrário das duas empresas acima, talvez a Sony seja a minha salvadora nesta E3. Isso porque espero ver um pouco mais do NGP, ou PSP2 ou PSVita (como andam dizendo que será o nome oficial do portátil). Realmente estou interessando no pequeno sucessor do PSP, que traz lindos gráficos e ótimos recursos, além de podar alguns defeitos que o PSP tem. Parece um portátil sólido, por isso acho importante nesta E3 a Sony reafirmar que a plataforma terá amplo apoio dos estúdios de games. Menciono isso porque o DS teve muito mais apoio do que o PSP, e a biblioteca do DS vence por nocaute os games do PSP, que acaba dependendo demais dos games da própria Sony. Espero que o NGP traga maior diversidade neste ponto e que o suporte ao aparelho seja pau-a-pau com o 3DS. Se não for assim, a Sony vai se ferrar novamente com seu portátil na minha opinião.

Não espero ver grandes games do NGP, além dos já anunciados, mas ainda existem coisas legais a se revelar. Preço e data de lançamento, o suporte das empresas como já expliquei, um pouco mais dos games já anunciado, mais detalhes da rede PSN no mesmo etc. Ah e acredito que o portátil custará uma verdadeira facada, do tipo o valor que o PS3 custava quando foi lançado.

Já na área do PlayStation 3, não tenho lá grandes expectativas. Acho que segue a tendência dos consoles de mesa concorrentes e já citados acima. A Sony vai apostar em mais sequências de franquias de sucesso, fazendo “mais do mesmo”. Claro que algumas destas sequências vem mostrando uma evolução notável a cada game, mostrando que o potencial do PS3 ainda não chegou ao máximo. Uncharted 3 mesmo deve disputar as atenções na feira este ano, ao lado de Gears 3 na Microsoft, mostrando e provando o quanto a franquia cresceu em tão pouco tempo (ao contrário de Gears, que não teve uma evolução assim tão rápida). The Last Guardian deve aparecer também e será que sai este ano? Final Fantasy XIII Versus também deve ganhar um espaço, assim como algum outro RPG de ponta e exclusivão do console. Torço também para que a Sony tenha roubado mais algum exclusivo da Microsoft (não sobraram muitos é verdade), pois isso é bom para a indústria, que compete mais acirradamente por melhores e exclusivos games e os gamers é quem ganham com isso. Mas no geral, como não tenho um PS3, minhas expectativas também são baixas e apesar da Sony ser a empresa mais original no desenvolvimento de games nestes últimos 2 anos e meio, ainda não achei um motivo bom para entrar no time de gamers da empresa.

Me animaria se visse um verdadeiro Kingdom Hearts, não aquelas versões bléh dos portáteis. E por mais que The Last Guardian seja um dos games mais esperados pelos donos do console, ainda não me encantei pelo game como Shadowm of Colossus me encantou, queria algo assim. Também sinto falta de Jak & Daxter no PS3, já que a Naughty Dog vive ocupada com Uncharted, e gosto muito mais de Jak do que do Ratchet.

Já na esfero do PS Move, a Sony mostrou que vem trabalhando muito bem no acessório, até mais do que a Microsoft com o Kinect, entretanto ainda não vi algo realmente imperdível de se jogar com ela. Um game que marque uma geração e que seja totalmente marcado exatamente pela jogabilidade com o Move. Está faltando isso para o sensor me interessar. Mas no geral, os games de movimento, parecem melhores na Sony.

Também estou curioso para ver se a Sony vai falar da PSN. Novos recursos de segurança? Alguma novidade? Games exclusivos? A PSN ainda tem potencial para crescer, então é sempre ter esperança de que novos recursos.

No geral, minhas apostas na E3 desta ano são na Sony, porque é a empresa que tem um console de mesa que ainda tem gás e potencial para pelos próximos anos, com novos games e originalidade (ainda que a Sony anda abusando nas sequências, assim como a Microsoft), além de um portátil que realmente tem cara de sucessor do portátil anterior. A Sony está sempre adquirindo estúdio, vem brigando muito com a Microsoft nestes dois últimos anos para manter games exclusivos ou conteúdo exclusivos, mostrando a garra que sempre teve na geração PS2 e que deixava a Nintendo com seu Gamecube largado as moscas. Acho que o grande auje desta geração já acabou, mas a Sony ainda tem ferramentas para impedir o marasmo de suas plataformas e games, muito mais que a Nintendo e a Microsoft. E digo isso, mesmo não gostando dela.

Para terminar… quero dizer que a E3 é festa, é a semana de ver vídeos novos de jogos já anunciados, de trailers e teasers de futuros games para 2012, de ver o que as empresas andam planejando para suas plataformas pelos próximos anos. Claro que mesmo que não seja revelado aquela montanha de games e franquias que se espera, a E3 é divertida e bem vinda. Mas vou manter minhas expectativas no chão, por enquanto…

Nota: Apesar desse post meio depressivo, a equipe do blog está nos bastidores preparando um mais animadinho, com games e expectativas específicas de certos games que estão empolgados para ver na E3. Também pretendo participar lá, e prometo está mais animado no post coletivo. XD

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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