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Finalmente conseguiram! O novo The Looney Tunes Show supera expectativas! (1×01-03)

The Looney Tunes Show: Ano 1, Episódios 01 à 03. A nova animação estreou nos Estados Unidos, pelo Cartoon Network americano, no dia 03 de maio:

1×01 – “Best Friends” [03/Maio/2011] 1×02 – “Members Only” [10/Maio/2011] 1×03 – “Jailbird and Jailbunny” [17/Maio/2011]

Enquanto isso no Brasil: Segundo rola pela internet, o Cartoon Network BR estaria planejando estrear a série em agosto, mas ainda não é algo oficial. E a animação deve primeiro estrear na TV por Assinatura, o que significa que ainda está longe de vermos o desenho na TV aberta.

Aviso: O texto inicial, após o continue, é livre de spoilers, somente depois quando for comentar individualmente os episódios, aí sim, haverão spoilers!

Não conhece o Papo de Série? Basta clicar aqui e ficar por dentro do projeto. Depois do “continue”, a gente conversa mais.

Um clássico supremo a uma nova geração! [Reflexão X Polêmica]

O Show do Pernalonga & Patolino, The Looney Tunes, Hora Acme… são alguns dos nomes que os desenhos destes personagens lunáticos possuem aqui no Brasil. Um clássico da animação para muitos marmanjos hoje em dia, sem mencionar que Pernalonga, assim como o Patolino, são personagens que vivem através das eras, criados a muitas décadas e que ainda conseguem inspirar novas produções e desenhos. São ícones do mundo da animação.

Dito isso, acho que é meio óbvio dizer que é muito difícil criar nos dias de hoje uma nova série animada com estes personagens que tenha como meta superar os clássicos. Não dá! Qualquer coisa que a Warner produzir não vai bater com os antigos desenhos. Não dá para ser isso como objetivo. Existem muitos fatores que impedem que algo assim possa ser feito. Conceitos de animação que se tinha na década de 50 até meados dos anos 80 não são mais utilizados da mesma forma hoje em dia. É preciso tomar muito cuidado com isso. Pego como exemplo Tom & Jerry, onde a nova versão não consegue nem chegar perto do antigo clássico, ou até mesmo o novo Pica-Pau. Quanto se tenta fazer algo com estes personagens clássicos do mundo dos desenhos animados, numa espécie de remake dos antigos desenhos, a nova versão numa supera os clássicos.

O que a Warner faz então no novo The Looney Tunes Show é aplicar conceitos do antigo show e personalidades dos personagens já conhecidos pelo público, mas foge da ideia de remake, de imitar o que se fez no passado. A proposta do The Looney Tunes Show 2011 é ser algo novo, moderno, e engraçado a uma nova geração de crianças, mas que também façam os adultos que cresceram vendo aquele o coelho e o pato maluco se identificarem com o que viam quando crianças. Não é uma tarefa fácil, mas comigo deu certo. Eu simplesmente adorei a nova versão. Total respeito pelo universo do Looney Tunes, mas com uma nova roupagem que seja adequado a animação infantil dos dias de hoje, sem estragar o que era bom no passado.

Os desenhos animados antigos, em geral feitos antes da década de 80, possuem certos problemas para exibição hoje em dia. Eles são politicamente errados, e não de uma forma debochada e escrachada como os desenhos novos são (onde fica óbvio que errado é errado). É por isso que desenhos como Tom & Jerry, Pica Pau e Looney Tunes apesar de reprisados até hoje possuem pilhas e mais pilhas de episódios censurados ou banidos da TV (sabia disso?). O que é mostrado destes clássicos hoje em dia são os episódios mais leves, sem tantas polêmicas ou coisas erradas. Nada de mostrar o Tom ou o Pica Pau bêbados após ingerirem alcóol. Nada de armas de fogo sendo atirado na cara dos pobres animais. OK, você pode alegar que ver tais desenhos quando criança não o tornou alcoólatra ou caçador de animais, mas é fato que as crianças (como você e eu) que assistiam estes desenhos no passado não possuem as mesmas informações e convicções morais que as crianças de hoje em dia possuem. Uma criança que viveu na década de 60 não pensa ou tem as mesmas informações que uma criança que viveu nos anos 80 e nem de uma que vive nesta década. A educação mudou, a informação que uma criança possui hoje em dia é muito maior do que no passado, sem mencionar que a influência da TV nos jovens cresce a cada década. Então acho que faz sentido que educadores tenham uma preocupação sim com o que os desenhos animados mostram e como eles influênciam as crianças de hoje em dia.

Por isso é errado querer comparar o clássico The Looney Tunes Show com o novo The Looney Tunes Show, e é por isso que o remake de Tom & Jerry não tem a mesma graça que os antigos desenhos do gato e rato. Se o público é novo, as regras são novas, não tem que se ficar prendendo a fórmulas do passado que possuem restrições e censura. O negócio é fazer algo totalmente novo! Respeitando os personagens, mas com uma fórmula que funciona na TV moderna.

E o que então a Warner resolveu fazer com os Looney Tunes?

Por dentro do novo The Looney Tunes Show!

Feito a reflexão, posso explicar com mais calma como funciona o novo programa. Os personagens são os mesmos que você conhece. O esforço dos produtores da nova série para manter as personalidades originais dos personagens é notável. O Patolino possivelmente seja o maior responsável pelo sucesso da nova série, pois eles está incrivelmente hilário, a cada 5 segundos de cena com o Pato é impossível não esboçar um sorriso pelo que ele fala ou faz ao longo dos episódios. Ele continua mesquinho, egoísta, egocentrico, maluco, paranóico, mal educado, escandaloso, preguiçoso e folgado, além de burro, incrivelmente burro. XD

A nova versão do Pernalonga também me agradou muito! Eu nunca gostei muito do Pernalonga, pois sempre o achei metido e convencido demais, não via graça num personagem que nunca se dá mal. Claro que a nova versão respeita a personalidade clássica. O Perna continua com aquela pinta de astro de cinema, fazendo suas poses e levando tudo na boa; esperto e nunca se deixando ser arrasado pela situação; ou deixando alguém se dar bem as custas dele. A maior mudança no Pernalonga é que agora ele e o Patolino forma uma espécia de Yin e Yang. O Patolino vive atrás do Perna, e com isso, se o Patolino se dá mal, ele faz de tudo para arrastar o Pernalonga junto com ele, ainda que o coelho leve tudo na boa. O Pernalonga está mais humilde também, pois o antigo nunca se daria mal pela trabalhadas do Patolino. Eu gostei dessa química que os escritores colocaram na dupla. Nem mesmo os filmes Live-Action que dão um pouco mais de atenção a esta fórmula conseguiram criar algo tão perfeito e engraçado como a nova série animada conseguiu. Parece incrivelmente natural a relação da dupla.

O cenário da nova série agora não é mais a floresta. O cenário agora é mais urbano, algo que seja fácil para as crianças se identificarem. Vale lembrar que na Disney, Mickey, Donald e Pateta já vivem em casas e nesse ares urbano desde que foram criados, então não é nenhum absurdo ver o Pernalonga vivendo numa residência, sentado num sofá vendo TV. Isso torna a série mais moderna, adaptado aos dias de hoje. O Pernalonga ainda vive com sua cenoura saindo de algo “bolso mágico”  comendo nas cenas de sarcasmo, mas também podemos vê-lo comendo comida japonesa numa mesa, enquanto discute com o Patolino. Isso dá um toque de refinamento de universo, onde clássico e moderno se fundem para criar algo confortável a todos os tipos de público.

Patolino vive com o Pernalonga. Segundo ele, temporariamente, é claro. Só que isso já faz 5 anos. Mas é só de passagem sengundo o pato, que não tem amigos, namorada, emprego, convívio social ou uma vida propriamente. Patolino faz o tipo sanguessuga, mas ainda assim ele é o melhor amigo do Pernalonga e vice-versa. Casa totalmente com a personalidade do pato não ser auto-independente, enquanto o Pernalonga é o amigo bacana, que não se importa em ceder cama, comida, dinheiro e tudo que o Patolino poder sugar. XD

A nova série brinca com situações urbanas, com os personagens participando de shows de TV, viajando pelos estados Unidos, sendo presos, se relacionando, invadindo clubes etc. Tudo na maior quantidade possível de bom humor. As gags e piadas surgem a cada poucos segundos em telas, seja uma piada visual ou um diálogo inteligente, mas debochado e sarcástico, em grande parte graças ao talento que o Patolino possui para este tipo de situação.

E diálogos inteligentes é a fórmula que os produtores encontraram para tornar a série especial. Sério mesmo! Em geral um desenho animado apela mais para gags visuais, mas The Looney Tunes Show manda muitíssimo bem nos diálogos. O sarcamo é sensacional, assim como o deboche. Patolino é impagável, o rei da comédia verbal. O show me convenceu ao assistir esta cena (veja aqui no You Tube), que mostra que os produtores não estão brincando e querem que a série faça sucesso mesmo! Eu adorei a conversa na cozinha, a participação do Ligeirinho (“ratazana”, rá!), a brincadeira com Superman e principalmente, com o diálogo final do Patolino.

E a cada episódio, antigos personagens dos Looney Tunes vão surgindo. Vejam nas galerias abaixo quem já apareceu nos três primeiros episódios. Os episódios focam no Pernalonga e Patolino, mas as participações especiais sustentam a originalidade e diversidade dos episódios. Gaguinho no terceiro episódio está impagável.

Se tem algo que não gostei do novo show são os curtinhas de menos de 2 minutos, homenageando o clássico Merrie Melodies, ao menos nestes episódios que vi. Remix de rap e musica de balada com personagens dos Looney Tunes? Para com isso, ficou ridículo e apelativo. Por sorte eles só possuem menos de 2 minutos por episódio. Espero que os temas musicais não fiquem apenas nestes gêneros modernos demais. Outra coisa que não vi graça foi nos curtinhas (em animação 3D), de também pouquísimos minutos (acho que 2 também) com o Coyote e Papaléguas, apesar de que só no episódio 2 que teve.

Para terminar, quero deixar a minha recomendação. Quem não viu, e não se importa em ver legendado, basta clicar aqui (via torrent) e baixar os 5 primeiros episódios. Mal posso esperar para ver os episódios dublados. Só espero que a Warner e o Cartoon Network coloquem os dubladores originais para dublar os personagens (porque o Pernalonga daquele último filme Live-Action que saiu nos cinemas me deu ânsia de vômito). Torço pelo sucesso da série, espero que possa chegar logo ao Brasil e na TV aberta inclusive! Torço também para que futuramente lancem a primeira temporada em Blu-Ray, pois a imagem em alta definição está belíssima!

E agora vou comentar rapidinho sobre os três episódios que assisti (agora começa os spoilers):

Episódio 1×01 – Best Friends!

O episódio piloto manda muito bem! Não tem Merrie Melodies ou curta 3D do Coyote. O Patolino está perfeito aqui e para um primeiro episódio mostra muito bem a química que a dupla de protagonistas terá ao longo da série. Adorei a brincadeira com o Superman, incluindo a trilha sonora oficial da Warner para a franquia do herói (show isso!).

Pode parecer clichê essa brincadeira de programa de TV de perguntas e respostas, mas serviu ao propósito de mostrar como Pernalonga e Patolino se relacionam. Como eles funcionam. Sem mencionar o auto-deboche quanto o bordão “O que é que há, velhinho?” (“What’s Up, Doc?”), que o Pernalonga sempre diz. Achei hilário o Patolino reclamando que a frase nem tem sentido, “a gente nem conhece um velhinho!”. Rá! E momentos depois, após a cena do carro, o Perna termina seu discurso em frente a casa com o bordão, no diálogo original em inglês ficou perfeito.

Ligerinho também ganhou uma cena importante no episódio, onde convence o pato que sem a amizade do “Senhor Coelho”, o Patolino não passa de um nada. Sem mencionar a piada de rato/ratazana. Provando o valor que uma amizade pode ter. A outra participação do episódio dentro do universo do Looney são da dupla de Esquilos, que também aparecem em episódios clássicos da série. Pesquisando no Google eles se chamam “Goofy Gophers”, algo como Esquilos Patetas. O nome original da dupla é Mac e Tosh.

O episódio segue divertido. Lá pelo fim, já no Cruzeiro, o episódio perde um pouquinho de força, com o Patolino tentando ser legal com o Pernalonga, mas nada que incomode e ainda tem boas gags nessa parte (como ele jogando o bastão do jogo de disco no mar, sende que poderia ter devolvido aos esquilos).

No fim desse primeiro episódio fiquei com a impressão que The Looney Tunes Show tem, de uma certa forma, aquela química hilária que Alan Harper e Charlie, personagens fictícios de Two and a Half Man, possuem. Dado as devidas ressalvas, é claro.

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Episódio 1×02 – Members Only!

Patolino aqui continua perfeito! Entrando num clube de milionários ao descobrir que pode ter acesso ao mesmo apenas dizendo um número de inscrição de um membro. E ainda começa a gastar na conta do tal sócio! XD

O episódio é mais focado no Pernalonga, que acaba conhecendo a Lola, aquela coelhinha que surgiu no filme Space Jam. Aqui eu não gostei muito da forma como a lola foi “reinventada”. Ela ficou xarope, auto-dependente de um relacionamente e meio maluquinha. Passou a ser uma perseguidora. Achei que enfraqueceram aquele gênio forte que a Lola de Space Jam possuia. Não gostei, mas de qualquer jeito isso rende boas piadas, como a cena do “dia seguinte” com o Pernalonga dizendo ao Patolino “não atenda esse telefone”, e o Patolino com o braço parado no ar. XD

Outro momento clássico rola no começo do episódio, quando o Patolino encontra um casal no clube, e começa a apresentá-los ao Pernalonga e todo mundo começa a dar as mãos para cumprimentar e  o Patolino não para de falar e introduzir tudo mundo e mais mãos vão surgindo, e todo mundo acaba enroscado em braços, mãos e até pés. Clássica gag!

O episódio ainda conta com o Pepe Le Pew e com o quase casamento entre Pernalonga e Lola! Episódio bacana, mas não superior ao primeiro, mas felizmente o terceiro voltar com força máxima! Veja abaixo!

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Episódio 1×03 – Jailbird and Jailbunny!

Putz, por algum motivo besta, eu morri de rir com o guarda e o juiz mandando o Gaguinho colocar calças! XD – Quer dizer, olha lá o Perna e o Patolino pelados (pela lógica de uso de roupas) e só porque o Gaguinho usa um casaco e gravata, todo mundo começa a implicar com ele estar sem calças! Adoro desse humor sem noção e tosco!

Morri de rir com o Patolino, na cenas de placas de nomes, dizendo que Darvin é o nome mais imbecil que ele já ouviu, e segundos depois a cena abre para uma criancinha com os olhos em lágrimas segurando uma plaquinha de Darvin.Logo depois o Patolino tenta subornar um guarda e se lembra que não tem carteira, e grita para o Pernalonga pagar ao guarda! Pow, é esse Patolino que todo mundo ama!!

O episódio corta para a excelente cena no tribunal, onde o Patolino tenta incriminar o Gaguinho por ele gaguejar em frente ao juiz (mas ele é gago oras! XD); para logo em seguida começar uma guerra de cuspe de refrigerante com o Pernalonga onde os dois acabam sendo presos por desacato.

Esse episódio demonstra como Pernalonga está mais flexível na nova série. Ele se ferra junto com o Patolino, mas leva tudo na boa, de fato, ele começa a adorar a cadeia (pode se exercitar de graça, pode ofender os presos sem apanhar pois os guardas apartam brigas etc). O Pernalonga está realmente engraçado neste episódio, quase que rouba a cena do Patolino, que aqui começa a ficar mais paranóico do que já é.

Gaguinho volta a aparecer depois, na cena de visita na prisão, levando um bolo, na qual o Patolino acha que tem alguma coisa para auxiliar na fuga da prisão. XD – Mas de qualquer forma, ele e o Pernalonga acabam fungindo, mesmo que o Perna não quissesse, mas como estava acorrentado! Outra cena que achei hilária é com os dois num posto de gasolina tingindo seus pelos de loiro. Eles ficam amarelos por quase todo o restante do episódio. E o episódio continua brincando com piadas de fugitivos!

O final do episódio também é um velho clichê de desenhos animados, terminando com o mesmo argumento que deu início a história, culpa de quem? Do Patolino é claro!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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