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Reflexão/Opinião: Redução de preço do Nintendo 3DS indica o que exatamente? Cutucando feridas…

O Alex já postou aqui no blog a matéria que noticia a redução do preço do Nintendo 3DS, além de comentar a solução encoxada pela empresa para os gamers que pagaram o pato de ter comprado o portátil mais barato desde o seu recente lançamento. Admito que estava louco para escrever a notícia, mas quando comentei no fórum minhas intenções, o Alex já estava com tudo engatilhado para publicar a mesma. Ainda assim continuei com a pulga atrás da orelha e querendo cutucar mesmo algumas feridas. Esta é uma opinião pessoal minha, não há a necessidade de ninguém concordar com ela, é apenas um sentimento de um gamer que um dia foi fã de carterinha da Nintendo e que hoje em dia se sente traído pela mesma. Já vamos deixar isso bem claro antes que os leitores turistas venham aqui falar que sou “ista” e que não sei do que estou falando. Minha intenção aqui não é de ser troll, ao menos não aquele puro, que não tem argumentos.

Aos corajosos, o texto dá sequência após o “continue lendo”.

O Nintendo 3DS ainda não tem nem seis meses de mercado mundial. No Brasil é ainda pior, o console foi lançado oficialmente por aqui há 20 dias atrás, em 9 de julho. A Nintendo tirou basicamente 80 dólares do preço de venda dele no mercado norte-americano, passando de U$ 249 a U$ 169. Pulando os preços em outros lugares do mundo, o Brasil, como sempre, está atrasado com a notícia e ninguém sabe quanto será reduzido por aqui, nem mesmo se teremos uma redução. Seria uma boa reduzir oficialmente, pois o preço oficial de R$ 1.199 é ridículo, com isso você facilmente compra um Playstation 3 ou um Xbox 360 na República das Bananas.

É importante também dar uma lida nas justificativas que o presidente da Nintendo, Satoru Iwata, deu a investidores durante essa notícia do corte do preço do portátil. Para isso recomendo a leitura desta matéria feita pelo blog Wii Clube. O presidente reafirma que o portátil vendeu muito pouco, que a Nintendo tem sérios problemas com suporte digital e enche a galera de promessas que a gente sabe que só podem e serão cumpridas se determinados fatores se concretizarem é claro.

Pra mim todo esse circo já era muito óbvio. Quem acompanha o Portallos deve lembrar que eu cheguei a tecer algumas críticas ao 3DS no começo deste ano. Logo após ter visto o Playstation Vita da Sony já havia ficado bem claro pra mim que o 3DS não teria o mesmo sucesso e fenômeno mundial que o Nintendo DS teve quando surgiu pela primeira vez. O diferencial Nintendo de ser não foi forte e resistente o bastante. Não é para menos que alguns games de franquias importantes andaram sendo cancelados, como o Assassin’s Creed Legacy e Mega Man Legends 3 (veja outros games nesta matéria do blog Mania Gamer). Nem todos foram culpas das escassas vendas, mas é claro que se o 3DS estivesse vendendo tanto quanto o Wii vendia em seu lançamento, muitos estúdios estariam mais empenhados em evitar o cancelamento dos games, e em criar outros games para o portátil ainda mais hypados, o que não está acontecendo. Basta relembrar que nesta E3, que ocorreu em junho, a Nintendo tratou de correr com suas franquias grandes e infladas para que a biblioteca do 3DS não caísse no marasmo no atual e próximo ano fiscal.

Nem mesmo o lançamento do portátil a Nintendo acertou. Achei ridículo ele sair sem a base digital do sistema. A rede online saiu só depois. Outro erro foi ter apressado a nova geração de Pokémon para ser lançada no DS. Porque diabos não segurou Pokémon Black & White e a lançou no 3DS, com melhores gráficos, mais recursos e com o curioso efeito 3D? Com certeza ter criado a 5ª geração dos monstrinhos no 3DS teria impulsionado a venda do aparelho, principalmente no Japão. Prepotência de achar que o novo portátil não precisaria de um título dessa magnitude no lançamento? Ou afobação para limpar o resto do estoque de DS que ficou armazenado? Não dá para dizer, mas pra mim, foi um erro ridículo.

Outro erro com o 3DS foi apostar que os jogadores se interessariam por um aparelho que tem, em grande parte, remakes de games do Nintendo 64 como destaques iniciais. Não estou dizendo que Star Fox 64 ou Zelda Ocarina of Time são ruins. Eu sei que são épicos clássicos de uma era. Mas puxa, se estamos frente a um portátil novíssimo, eu não quero jogar coisas que já joguei no passado. Pra que criar um remake de Star Fox 64? É tão difícil assim criar um novo Star Fox? É um remake sem sentido. O jogo original está no Virtual Console, uma biblioteca ativa de antiguidades que a Nintendo mantém no Wii. Fica óbvio que a estratégia em usar remakes nada mais é do que custo versus tempo. Um remake não tem um custo de produção elevado, e ajustá-lo a uma nova plataforma é muito mais rápido do que criar um game do zero. A pressa mais uma fez foi inimiga da Nintendo. Poderia sim investir em remakes, mas não agora. Primeiro os games querem jogos novos!

Tenho muito medo do Super Mario 3DS e Luigi’s Mansion 2. Medo da Nintendo ter afobado a produção dos games e que isso tenha comprometido a qualidade dos mesmos. Mario Kart 7 eu achei ridículo pelo que foi apresentado na E3. É o mesmo Mario Kart de sempre. Não há reformas gráficas fabulosas, o gameplay é o mesmo de sempre. Até o elenco é manjado, batido e enjoativo. Tudo isso é culpa da pressa, de que o 3DS precisa destas títulos e franquias peso-pesados “pra ontem” para poder esquentar as vendas. Até um Smash Bros a Nintendo teve que “assoprar” na E3 para que o público levantasse a orelha para escutá-la.

Posso mencionar outros pequenos problemas iniciais que todo aparelho moderno parece enfrentar. Bateria que dura muito pouco. O designe do aparelho que é praticamente idêntico ao DS, o que afasta os desavisados e casuais, que ficam com a impressão de que é tudo a mesma coisa (em parte é mesmo, pois a potência gráfica deixa a desejar ainda). Eu passo em vitrines de lojas de games e a menos que olhe muito fixamente para ela, nem percebo em grande partes das vezes que tem um 3DS ali no meio de tantos modelos existentes de DS. Isso é ruim. Um aparelho que não se destaca no meio dos modelos antigos não chama clientela. Sem falar a tal tela negra da morte, que alguns gamers vem relatando nestes meses iniciais. Pessoas que passam por problemas técnicos com o aparelho, sem terem feito nada de anormal no mesmo (veja aqui um relato que a Dakini me passou). Nada disso ajuda a me interessar em ter um 3DS.

Soma-se ainda ao fato da política atual das empresas de games de lançar pouco tempo após o lançamento de uma plataforma nova, uma versão melhorada da mesma. O primeiro DS tijolão era ridículo se for comparado com o modelo Lite. Toda vez que eu penso em comprar um 3DS e passo por todos os problemas acima e acho que dá para relevar, travo quando penso na possibilidade de me segurar mais um pouco e esperar pelo 3DS Lite, com estes problemas de bateria, telas de erros e eventuais problemas consertados. Na geração portátil passada, a Nintendo basicamente obrigou os jogadores a comprar o DS três vezes, indo do tijolão para o Lite para o DSi (devido ao sistema online exclusivo da última versão). Passar por isso de novo causa calafrios na minha carteira.

Mudando o rumo da conversa, deixando de lado os problemas atuais e olhando o futuro… eu continuo não botando fé que a Nintendo pode oferecer uma rede online sólida e funcional como a Xbox Live ou a Playstation Network. O Iwata já deixou bem claro que a empresa tem dificuldades extremas em se adaptar a esse modelo de videogame. O Wii U será o verdadeiro desafio disso, enquanto o 3DS ainda não se provou ser nem metade do que a PSN já é no PSP (e olha que ela é limitadíssima no PSP). Os gamers querem lojas virtuais com ótimos games, não apenas emuladores de jogos velhos e mofados. Achei ridículo a Nintendo oferecer aos donos atuais de 3DS 20 games de NES e GBA. E olha que nem são jogos tão ótimos assim. Eu preferia muito mais economizar U$ 80 para comprar no fim do ano Super Mario 3DS. A Nintendo deveria dar um jogo mesmo, como esse Mario de fim de ano aos corajosos gamers que compraram o 3DS no lançamento. Pra mim ficou a sensação de esmola ao dar 20 joguinhos emulados das plataformas do tempo das cavernas da empresa.

Fica a insegurança em torno do 3DS para o próximo ano. Ele se comunicará com o Wii U de forma tão bela como a Sony já demonstrou que o PS Vita pode fazer? Os estúdios thirdies irão voltar a apoiar o 3DS ou veremos o efeito “3 games bons por ano” no portátil, problema que tanto afetou e deixou donos de Wii em frangalhos? A rede online vai deslanchar? Veremos finalmente demos em abundância no sistema?

A Nintendo começou essa geração Wii chutando bundas. Batendo recordes de vendas, enchendo os cofres, dando as costas aos gamers hardcore e fiéis da casa para chamar o público casual. O resultado é esse que vejo hoje. Excesso de confiança ao lançar um portátil com um sistema bem incompleto, com uma biblioteca de lançamento pra lá de fraca e com recursos que não saem tão a frente assim da concorrência. Em tempos de Iphone e futuramente o PS Vita, continuo com a impressão que o 3DS já nasceu derrotado. Fica difícil crer e acreditar que a Nintendo reverterá esse cenário. Mesmo com essa redução.

Quer apostar?

Obs: E pode anotar aí no seu caderninho de lembretes. Ano que vem, com o Wii U, o cenário pelo qual o 3DS está sofrendo, refletirá no console de mesa da Nintendo, que já está sendo lançado com a tendência de ficar ultrapassado em 2 piscar de olhos. Mas sobre o Wii U a gente conversa um outro dia.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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