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Cinema: Lanterna Verde – Eu fui!

2011 vai ficar marcado como um ano em que os filmes de super-heróis mais nos surpreenderam. Aqueles com expectativas duvidosas no fim se revelaram bons filmes, e alguns com hype no espaço nos decepcionaram. Bem, alguém tinha que” ficar na lanterna” entre os lançamentos de filmes de super-heróis, e essa “honraria” ficou nas mãos do Lanterna Verde. Essa ironia foi obra do acaso ou aconteceu por culpa de alguém?

O Lanterna Verde é um dos poucos personagens da DC Comics que curto, os outros dois são Superman e Batman. Os dois últimos já haviam ganhado filmes excelentes, e durante muitos anos eu sempre quis que o mesmo acontecesse com o nosso defensor do setor espacial 2814. Agora, o sonho de muitos fãs se tornou realidade. E a realidade, se tornou um pesadelo. Um pesadelo que nos fez ter medo. E isso não é bom. E se você não viu o filme ainda, também não é bom continuar a leitura para evitar spoilers!

A Warner resolveu apostar alto no filme do Lanterna. Não podia deixar a Marvel tomar conta desse filão e ficar depende de Batman. Então investiu mais de 200 milhões de dólares (há quem diga que foi mais de 300!) para transpôr o herói para as telas de cinema. Contratou como protagonista um ator conhecido por comédias românticas, Ryan Reynolds. Foi o primeiro sinal de que as coisas poderiam dar errado.

Mas o que me deu mais medo foi quando soube que a direção do longa-metragem ficaria por conta de Martin Campbell. Um diretor bacana e muito experiente, mas que não nutria nenhuma relação com o universo com o qual iria trabalhar. Campbell aceitou a direção de Lanterna Verde por causa do cachê. É aí que podemos perceber como o Marvel Studios é muito mais criterioso ao recrutar diretores. Kenneth Branagh em Thor, Joe Jonhston em Capitão América, Joss Whedon em Os Vingadores, todos esses aceitaram a direção por se identificarem com as respectivas obras, coisa que não aconteceu com Campbell.

Ryan Reynolds foi uma escolha ruim como protagonista. Não por ser um ator ruim, longe disso, mas a primeira opção que era o Sam Worthington era uma opção mais interessante, pois Reynolds não consegue passar uma imagem heróica, na maioria das cenas ou ele está com cara de dúvida ou com cara de receio. O personagem Hal Jordan é reconhecido como um homem corajoso, que lida com missões arriscadas sem pestanejar. Faço parte do time que considera o Sinestro o personagem mais bem adaptado. Embora tenha pouco tempo de exibição na telinha, o ator Mark Strong faz uma interpretação forte (com o perdão do trocadilho). E fico a pensar se ele não teria sido um Hal Jordan mais convincente. Blake Lively faz uma “mocinha” que na maioria das cenas está apática, nem de longe lembrando a enérgica Carrol Ferris dos quadrinhos. Peter Sarsgaard como o vilão Hector Hammond ficou em um meio-termo, tendo seus momentos em que desperta uma empatia com o público e em certas cenas mais parece um cara bobo.

O segmento inicial do filme é bem realizado, cheguei a ficar empolgado com a transposição dos elementos dos quadrinhos que estava vendo. Porém, assim que começa o treinamento de Hal Jordan em Oa, a qualidade geral do filme começa a despencar em voo livre. O que é curioso, tendo em vista que o script foi idealizado por escritores de quadrinhos: Michael Green (Superman/Batman) e Marc Guggnheim (Aquaman, Wolverine, Flash). Mas tudo indica que o roteiro foi reescrito por Michael Goldenberg (Harry Potter e a Ordem da Fênix) a mando da Warner para adequar a história de acordo com o que o estúdio queria.

O grande vilão do filme é Parallax, mas a ideia de um vilão secundário na trama vitimou a entidade maligna, que não apareceu como deveria e nunca foi mostrada como uma ameaça realmente assustadora. Lembrou-me o Galactus do segundo filme do Quarteto Fantástico, os dois tiveram suas formas alteradas e nem de longe conseguiram transmitir a imponência que possuem nos quadrinhos originais. Parallax parece só um bicho-papão espacial.

Em Oa, Hal Jordan tenta se adequar na rotina de um Lanterna Verde, e passa por um treinamento mais rápido que o Flash, e mal tem tempo para apreciar a beleza do lugar, não conseguindo se decidir se quer assumir o manto de patrulheiro espacial ou não. Ainda que breve essa passagem por Oa é um dos pontos altos do filme especialmente para os fãs, mostrando vários Lanternas diferentes, mas tudo é bom dura pouco.

Não demora muito a enrolação parece que vai acabar, e lá vai nosso herói defender a Terra da entidade maligna espacial, mas a sequência é extremamente chata e não faz muito sentido, talvez a Warner optasse assim por querer mostrar Hal Jordan enfrentando o vilão sozinho para destacar o herói. Se pensou assim, foi uma ideia idiota. Teria sido muito mais legal termos todos os Lanternas na batalha, unindo forças, fazendo construtos surpreendentes, e no fim o Hal ter uma ação que pudesse dar fim de uma vez por todas em Parallax. Mas um fim daqueles de mentirinha, de forma que ele pudesse voltar na continuação mais forte e perigoso, e justificar a opção de Sinestro em portar um anel amarelo.

No fim, Lanterna Verde foi uma aposta bem alta da Warner, e talvez suas intromissões no filme tenham estragado tudo. Ou será que foi o dedinho de Geoff Johns na produção? Como fã não gostei e já torço por um reboot, mas só daqui a alguns anos, quando a Warner aprender com o Marvel Studios como se faz um filme de super-herói. Mas para o público em geral, até que Lanterna Verde é uma boa opção, valendo a diversão de ver um herói espacial, algo não muito comum hoje em dia. Mas realmente, Hal Jordan vai ter que se contentar com o último lugar e ser o lanterninha desse ano.

Ficha Técnica

Título Original: Green Lantern
Diretor: 
JMartin Campbell
Roteiro:
 Michael Goldenberg
Gênero:
 Aventura
Elenco:
Ryan Reynolds, Mark Strong, Blake Lively
Estréia nacional:
19/08/2011
Duração:
 114 minutos

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Mauri Link

Um gamer inveterado desde a primeira geração de consoles, aficcionado por histórias em quadrinhos, nerd de carteirinha, e super-herói nas horas vagas!
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