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Ação Magazine: Eu li! [Made in Brazil]

Quando vi a notícia da publicação de uma revista brasileira nos moldes da Jump aqui pelo Rackor, fiquei deveras feliz. Gosto bastante de quadrinhos em geral mas sinto que o aspecto nacional é sempre tão pouco explorado no Brasil, e somos sempre sujeitos aos “enlatados” internacionais, não que eles sejam ruim, pelo contrário, são muito bons, porém como ficam os sonhos de quem quer fazer algo parecido no Brasil?

Para quem quer fazer quadrinhos, resta se empenhar muito para sair do país e ir desenhar fora do país, mas nada de uma realidade brasileira. Muitos aspectos podiam ser aproveitados de nosso país, seja ver uma São Paulo ou outra cidade que estamos tão acostumados, ou ainda aspectos culturais nossos, que diga-se de passagem nossa cultura é tão vasta e rica que pode encher livros e mais livros, mas são aspectos esses tão pouco explorado. Na música até vemos muita coisa, o cinema nem tanto.

Todavia, meus caros, os tempos estão mudando e em um trabalho de vanguarda, a Ação Magazine chegou.

Já nas bancas? Que banca?

Aliás, você viu ela por aí? Eu moro em São Paulo e mesmo assim só a vi na loja da Comix, nada de bancas de jornais com a revista para ser vendida. Portanto se você quer comprar e não aguenta esperar sugiro usar a loja da Comix, ou outra loja do gênero que faça vendas pela Internet. Acho que demorará meses até que ela alcance o país todo de verdade, pelo menos espero que apareça numa banca perto de você.

Esse problema de distribuição deve se dar pela Lancaster, editora da revista, ser muito nova e agora estar caminhando e vendo que quando falamos de Brasil, a distribuição é quase internacional devido ao tamanho do nosso país. Se as já conceituadas editoras também enfrentam uma tremenda dificuldade para distribuição em âmbito nacional, imaginem uma editora nova. Talvez, tudo podia ser resolvido com produção em polos para redistribuição setorial. Os meios de transporte aqui são muito caros e o único disponível de verdade é o terrestre que demora muito tempo e a qualidade das estradas é uma lástima, transporte ferroviário aéreo são inviáveis, aliás nem temos ferrovias suficientes.

Quadrinhos brasileiros? Ou seria abrasileirado?

Quando se fala em quadrinhos nacionais logo me lembro de Turma da Mônica, que li muito quando criança, mas quando crescemos não existem materiais nacionais que nos acompanhem. Sempre vejo o espaço de fanzines nos eventos de anime como algo bem underground, bacana o esforço de todos para tentar um lugar ao sol, mas não vejo frutos dessas tentativas. Outra coisa que me recordo do cenário nacional é Holy Avenger, fantástico aliás, mas tem uma temática mais medieval, nada assim tão nacional que carregue aspectos mais cotidianos, pelo menos eu não lembro.

Bem, mas vamos falar da revista Ação Magazine que adquiri recentemente.

A revista tem um apelo bem jovem, traz matérias relacionadas ao universo nerd, com matérias sobre games, celulares, e livros nacionais. Ela é até pequena com cerca de 160 páginas, mas mais página a deixaria mais cara e inviabilizaria a publicação, que ainda busca mais espaço para propaganda e assim cobrir uma parte dos custos.

Madenka

Após as matérias, a revista trouxe o que realmente importa, as histórias, e a primeira a lermos foi Madenka. Os traços do quadrinho parecem inspirados em Osamu Tezuka e Akira Toriyama, é impossível não notar.

A história tem um português bem coloquial com aspectos culturais típicos da região nordeste brasileira, ri muito de vários neologismo, além de trazer referência a criaturas como o saci, aliás a única por enquanto, espero ver a mula, curupira e tantos outros.

A transição dos quadrinhos as vezes parece confusa e eu não me apeguei muito ao personagem principal que parece um preguiçoso de mão cheia, mas é divertido e seja pelo traço cultural forte brasileiro, ele foi o meu favorito e pareceu ser o mais promissor de todas as histórias do almanaque, embora eu não tenha simpatizado nem um pouco com o personagem, e isso pode ser determinante para a popularização da série, pois acho que não fui o único.

Jairo

Logo depois tivemos Jairo, com a temática de boxe, e clima colegial. Não gosto do tema e os desenhos podem soar um pouco estranhos no começo, mas dá para ver um traço natural e que não soa similar a qualquer outro, e ao mesmo tempo carregado de inspiração nos mangas. A história é a mais divertida de todos, e ao que tudo indica, promete chegar até os jogos do Rio.

Tunado

Já Tunado, fará os amantes de Initial D se apaixonarem por trazer um aspecto mais condizente com a nossa realidade, com carros mais “normais” diga-se de passagem, e ruas de corrida que lembram muito as cidades do Brasil, mas parece ter concluído com apenas um capítulo, não sei se é porque o tema não me agrada, mas não vejo palco para mais história.

Compro ou não compro?

Em resumo, a publicação é promissora, mas claro que nada disso se faz de graça, manter uma publicação assim é deveras difícil e o apoio do leitor é muito importante, nós somos parte deste momento histórico. Para você que pensa em um dia criar sua história, pode ser que você apareça aí.

Ao que tudo indica, o site será o local para dar feedback de todas as as histórias, mas no momento em que escrevo isso, ainda não vi nada a respeito disso lá.

Agora eu não me referi de forma alguma como manga todas as histórias, dado a leitura ocidental, condizente com o país e a fim de acessiblidade para os leitores brasileiros. Muitos reclamam pela orientação de leitura, mas estamos no Brasil, e não faz sentido “japoneizar” demais os quadrinhos, vemos sim referências e traços baseados, mas se trata de um fator cultural manter o formato tradicional, não sei se fui claro, mas essa é a minha opinião.

Por outro lado também não é possível traçar paralelos com os quadrinhos tradicionais, seja pelo conteúdo, então podemos dizer que é quase uma fusão entre a arte japonesa, com formato habitual ocidental com um tempero brasileiro com pouca pimenta, dando assim uma característica única. Acho importante tentar dar um foco maior a toda a revista em si, se não gostamos de uma história ou outra, com certeza isso colaborará para trazer mais conteúdo para a revista e novas histórias, mas desprezar a revista por seu conteúdo é preconceito.

Vamos continuar avaliando a Ação Magazine para ver o que teremos pela frente no cenário nacional, isso se ela chegar até a sua cidade. Quem leu gostou do que leu? Opinem pessoal, a opinião de todos é muito importante.

Update!

Seguem algumas imagens da revista, para ter uma idéia de dimensões e tamanho.

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Pikachu

Gamer e nerd, meus gêneros favoritos são RPGs e Adventures, e claro que adoro Pokémon. Aprecio uma boa música também, em especial o bom e velho Rock N' Roll e o Metal e suas vertentes.
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