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Catherine nos ensina qual o preço a se apagar por enganar uma mulher! (Impressões)

Ah… mulheres, o que seríamos nós sem elas (cuidado com a resposta)? Este ano a ATLUS resolveu nos mostrar uma curiosa história que serve bem como lição para todos que estão nesta árdua caminhada da vida: minta para uma mulher e encare as duras consequências desse ato. Curioso? Então clique em continue lendo para conhecer a trajetória de Vincent, a nossa ovelha alpinista.

Era uma vez Vincent, Katherine e Catherine…

Era uma vez um lindo casal de namorados. De um lado ela, a preocupada, atenciosa e inteligente garota que sonhava com os sinos do casamento. Mas do outro lado estava ele, mais desleixado, sem pressa para constituir uma família e sem a menor vontade de assumir responsabilidades. Esses são Katherine e Vincent, aquele tipo de casal que está prestes a desfazer sua relação a menos que um milagre salve a união dos dois. mas ao que tudo indica nenhum milagre será concedido ao casal tão cedo, porque logo após passar quase uma tarde inteira bebendo em seu point preferido, Vincent conhece outra garota. Uma mulher livre e desimpedida, sem preconceitos, sem planos para o futuro. Ela quer apenas viver o agora e nada mais. Dois drinks e uma boa trilha sonora ao fundo, foi o bastante para Vincent acabar se envolvendo mais do que devia com a moça.

Como os momentos bons passam sempre voando, Vincent nem mesmo conseguiu se lembrar do que houve no dia seguinte, mas acordou assustado com o sonho que teve. Ovelhas correndo, escalando blocos suspensos no ar sem o auxílio de nada e lutando para não cair num abismo negro sem fim. O que era aquilo tudo? Antes que ele pudesse descobrir, estava acordado em sua cama ao lado da misteriosa garota da noite passada. Seu nome? Catherine.

Escale isso se quiser viver

Como muitos já viram nos trailers de divulgação, quase que todo o gameplay de Catherine se baseia no puzzle de escalar os blocos mágicos até que se possa chegar ao topo antes que você caia junto com eles. É nesses cenários que todos os pesadelos de Vincent acontecem ao longo do jogo e como todo quebra-cabeça que se preze, o nível dos desafios vai aumentando gradativamente. Num primeiro momento começamos devagar e sozinhos escalando e acompanhando o pobre garanhão que não tem a menor idéia do que está fazendo num lugar desses, enquanto no momento seguinte já estamos correndo contra o tempo e derrubando as ovelhas exiladas como nós ao redor para ver quem tem condições de chegar ao fim do trajeto primeiro.

Logo de cara recebemos diversas dicas de uma voz do além, são dicas rápidas e que podem clarear a sua mente sempre que você estiver preso em alguma situação. A técnica básica é ir fazendo escadas para subir, seja empurrando ou puxando um bloco, mas às vezes é necessário caprichar e fazer mais do que isso para seguir em frente. O caminho também é bastante traiçoeiro e guarda algumas surpresas desagradáveis como blocos mais pesados ou danificados que se partem caso você fique tempo demais em cima deles. Com o tempo esse tipo de coisa desagradável e muito inusitada vai se tornando cada mais rotineira nos pesadelos de Vincent.

As escaladas vão ficando mais cruéis a cada andar novo conquistado, morte e aprendizado aqui chegam a se confundir e o que você não viu com clareza no turno anterior pode ficar mais nítido depois de um deslize ou dois. A parte chata é perder um checkpoint depois de insistir tanto na morte, a cada game over você também é forçado a voltar para tela título, uma falha bem chata do jogo e que te força a rever eventos anteriores caso você se esqueça de salvar o seu progresso. Mas pior que todos esses problemas juntos, é quando surgem as fases chave onde enfrentamos… ou melhor dizendo, fugimos escalando o mais depressa possível para escapar das garras de uma velha voz te exigindo mais responsabilidade ou de um bebê gigante tentando encontrar um pouco de carinho com seu suposto pai. Eles são alguns dos digamos chefes do game e correr deles significa pressão do começo ao fim, mas depois de chegar ao topo você até se sente mais forte do que antes (isso até outra criatura maior do que você aparecer).

Entre um estágio e outro você chega a estação dos condenados, onde basicamente estão todas as ovelhas (ou se preferir, os homens que cometeram o mesmo pecado que você) que assim como Vincent vieram parar nesse pesadelo por algum motivo. É essencial que você sempre converse com todos, pois alguns mais experientes podem te ensinar alguns truques e até revelar detalhes que podem explicar porque esse sonho ruim não termina, já outros podem lhe vender itens que facilitam muito as coisas quando você está enrascado e ainda há aqueles que só ficam choramingando e resmungando que não querem morrer. Apesar das conversas com esses últimos parecerem mais inúteis, é exatamente neles que estão os diálogos chave da história, onde muitas vezes você será obrigado a fazer um escolha como resposta que pode mudar o rumo da trama.

O recanto da ovelhas oprimidas mais parece um pedaço de uma igreja abandonada com apenas alguns bancos, velas e um tapete vermelho que leva direto ao confessionário. Dentro dele mais escolhas te aguardam, mas ao invés de Vincent ser forçado a confessar seus pecados ele simplesmente ouve uma velha do além lhe fazendo perguntas do tipo: você prefere coroas ou mocinhas? A vida começa ou termina antes do casamento? E por ai vai, para cada resposta um medidor misterioso aparece, provavelmente medindo as suas boas ou más intenções. O curioso dessa parte do game é que a cada escolha dentro do confessionário é mostrado o que outras pessoas que também jogaram responderam. E pelo meus cálculos não existem muitas mulheres jogando esse jogo, porque será hein?

Muitas perguntas, poucas respostas

O circo está formado, Vincent não sabe o que fazer. Durante o dia ele se culpa por ter enganado Katherine com a outra Catherine (não façam confusão gente, olhem a letra inicial) e quando a noite chega  ele é forçado a escalar os temidos blocos para salvar sua vida. A situação fica ainda mais tensa quando ele começa a ouvir boatos no bar através de amigos de que se um homem morre sonhando, ele também morre no mundo real e como se não bastasse um conhecido seu acaba de morrer de forma extremamente misteriosa.

É focado nesse assunto que entra a segunda parte da jogabilidade de Catherine, além de disputar o seu lugar ao sol com outros puladores de cerca vestidos de ovelha, você também deve procurar pistas sobre esse estranho boato fora dos seus pesadelos. Pode parece chato no início, mas com o tempo acaba ficando interessante acompanhar os diálogos de Vincent e seus colegas no bar que frequenta.

Entre um papo e outro, o celular toca, ou notificando que você já completou mais uma capítulo do jogo ou recebendo mensagens da Katherine e seus sermões ou as mensagens da Catherine, cheias de provocação e segundas intenções. Pena que a vida dupla seja difícil de se aproveitar quando a sua vida corre perigo a cada vez que a cabeça encosta no travesseiro.

Andando pelo bar podemos ver uma série de detalhes bacanas e que levam sempre para o assunto que mais aflige o protagonista. O noticiário da TV segue mastigando o caso da morte misteriosa de seu antigo colega bem ao estilo do que fazem as nossas emissoras quando uma tragédia de altas proporções acontece. Os amigos também não ajudam muito, uns aconselham você a relaxar e curtir ambas as conquistas, outros resolvem dar opinião sobre o que realmente é o casamento e ainda há aqueles dispostos a explicar como é a lenda dos homens que morrem dentro dos seus próprios sonhos. Infelizmente o nosso garanhão não tem para onde correr.

E só para não dizer que a vida do rapaz é um completo tormento, o bar também esconde alguns mini-games nas máquinas de arcade pra relaxar. Eles seguem a mesma premissa do game, mas não deixam de ser divertidos também, o problema é arranjar fichas suficientes para terminar os joguinhos. No mais, os modos multiplayer estarão lá para prolongar a sua diversão quando você enfim chegar ao fundo de todas a verdades com o pobre Vincent. Tenho certeza de que você não perderá muito tempo tentando encontrar outras ovelhas da sua espécie para jogar.

Finalizando

Catherine é um jogo divertido e muito bem trabalhado, tanto no visual em gráficos 3D quanto no visual em animação impecável do Studio 4°C. Ele é capaz de entreter até os mais improváveis interessados no gênero. Não digo que gostaria de ver montanhas de games assim daqui para frente, ainda que dando uma folga para essa avalanche de shooters que vemos todo ano, mas é uma idéia bacana, relativamente nova e que dá certo quando se propõe a cair nas graças da maioria dos jogadores porque tem uma história atraente e personagens interessantes que podem até mesmo fazer com que quem joga se identifique com algum deles, mostrando que Catherine não foi feito para ficar restrito ao público oriental. Enfim, acho que é de mais títulos fora do mesmo feijão com arroz de sempre como esse que precisamos atualmente. E não, eu não odeio feijão com arroz, antes que alguém me pergunte isso.

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K o n S a m a

Do ser sem razão a essa explosão de emoção, do preguiçoso leitor ao (meia-boca) escritor, do tímido calado ao ator inquieto, do caminho já traçado à esquina do destino incerto. Tentei me definir, mas sem sucesso. Games, filmes, música, animes, são só o começo desse quebra-cabeça sem nexo.
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