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Não inova, mas também não decepciona, assim é Uncharted 3: Drake's Deception! [Impressões] [PS3]

O amor da minha vida nem bem chegou e já teve de ir embora. A lista de games iniciados por mim este ano e que ainda não terminei não diminuiu muito nesses últimos meses, mas não pude deixar de ser injusto com os outros e colocar Uncharted 3: Drake’s Deception no primeiro lugar da fila. Conheci o jogo este ano e fui completamente arrebatado por ele antes mesmo de terminar Drake’s Fortune, em Among Thieves fiquei feliz que nem pinto no lixo ao ver o quanto a continuação evoluiu e se tornou cativante em todos os sentidos. Já nessa semana que passou eu fui trabalhar uns dois ou três dias todo acabado por não conseguir largar o controle antes das 02:00 da manhã. E tudo isso para quê?Para nada, apenas pra me certificar de quero mais dessa droga tão viciante que é a série Uncharted.

O mestre, o aprendiz e a vilã

Até então a série Uncharted sempre teve malfeitores que vestiam cuecas. Eram bandidos, terroristas, oportunistas de plantão ou somente vagabundos passando por ali. Parecia que não havia espaço vago para o time das mulheres, o que não foi de todo mal pois deixou a Elena em evidência no primeiro jogo. Já no segundo tivemos a adição da Chloe, mas no fim das contas ela não era nenhuma inimiga, apenas uma versão feminina e mais ousada do Drake. Então logo quando o primeiro trailer do jogo caiu na rede com os rapazes levando uma surra dos capangas da Katherine eu mesmo fui um daqueles que arregalou os olhos e se sentiu intrigado com que tipo de surpresas poderiam rolar com uma vilã do sexo oposto no comando.

Fora isso, a Naughty Dog ainda prometeu um aprofundamento na relação que existe entre Nathan  e Sullivan, além dos comentários sobre o fogo altamente detalhado e a beleza que ficaram os cenários do deserto, mas nisso eu já chego lá. A caçada para mais um mistério deixado por Sir. Francis Drake começa novamente, mas já posso adiantar que nem tudo serão flores, ainda que o balanço final siga a tradição da franquia.

Os lugares mais perigosos também são os mais bonitos

Você não precisa nem de 10 minutos para se empolgar com jogo (menos ainda se você é fã sofredor como eu), logo nos primeiros minutos já podemos perceber o pequeno, mas ainda assim notável trabalho da Naughty Dog no que diz respeito aos detalhes faciais dos personagens, principalmente em Drake e na Elena, que aparece pouco tempo depois. Não sei era a o combo: minha velha TV de tubo + óculos inúteis que não me deixava ver com clareza, mas eu nunca tinha reparado que o Drake tinha por exemplo pintinhas no rosto. Outra coisa bacana é a sensação de que as roupas dele estão sempre sujas, reafirmando aquela impressão de um cara totalmente desleixado (igualzinho a mim), ou então o efeito praticamente perfeito da roupa molhada que seca em poucos minutos, e o que falar do cabelo encharcado de areia? Sério, fica tudo mais claro, mais bonito , mais vivo quando você confere ao vivo do que ficar falando.

Parar para apreciar os cenários então é praticamente uma lei que não deve ser infringida e mesmo que você pouco esteja ligando pra isso a produção ainda assim deu um jeitinho de trazer visões super panorâmicas de alguns lugares. No meu caso, as cenas do deserto são as mais marcantes, aquela areia realmente parecia algo vivo e nem consigo imaginar o trabalho que deu para deixar um cenário tão inóspito extremamente lindo e rico em detalhes como foi aquele. O problema é que assim que me pego em lembranças daquilo que eu nunca quis que acabasse, acabo voltando tudo como se fosse uma fita cassete rebobinando e me lembro do quão incrível foi ver o mar revolto na infiltração do navio, ou na beleza indescritível de uma embarcação gigantesca caindo aso pedaços ancorada no mar ou na troca de tiros que se sucedeu sob cair da chuva misturada aos efeitos mais do que competentes de luz. Enfim, é melhor mudar o assunto antes que eu vomite um belo saco de spoilers pra vocês.

Hora de uma queda de braço, versão 3.0

E quando deixamos a parte que dá conta da exuberância vista nos cenários o que vem a cabeça é o gameplay, mas aqui eu lhe aconselho a não esperar muita novidade. Gostei bastante das mecânicas do Drake quando ele se move. Se você corre em direção a um parede ele esbarra nela, se esta passando por um corredor ele desvia com as mãos ou mesmo tropeça e até um pouco do que tinhamos visto da prévia do novo Tomb Raider na E3 está lá. Não é exatamente aquele sofrimento todo, mas é uma direção que a série pode tomar no próximo jogo, visto que em vários pontos da aventura se cria um questionamento, que é facilmente transmitido para os jogadores mais atentos, de até onde ou até quando o Drake vai conseguir continuar vivendo assim, às voltas com o perigo.

Agora uma coisa fica ficou nítida para mim é a dificuldade nos embates com os vagabundos. Senti uma evolução na inteligência artificial que pesou mais ainda com o arsenal mais poderoso dos bandidos. Não foram poucas às vezes em que morri demais por não ter dado uma espiada melhor ou não ter aproveitado a arma que o inimigo caído deixou. Em Uncharted 1 e 2, isso pouco fazia diferença pra mim, era muito raro por exemplo ser obrigado a pegar uma sniper (arma que não gosto muito) para facilitar o seu avanço, mas aqui além de estratégia, vale muito aproveitar o armamento mais potente. Já no que diz respeito aos puzzles, fiz um balanço e percebi que me sai melhor nos outros jogos, neste a variedade foi maior e eu como sou bem burrinho devo ter perdido mais tempo que a média para resolvé-los mesmo quando a resposta estava estampada na minha cara, a caçada pelos tesouros foi um pouco frustrante pra mim também, nem passei no nível de aprendiz desta vez, talvez porque a ação toda foi tão envolvente que pouco me lembro das vezes em que parei para procurar tudo, isso às vezes é um pé no saco e como não sou nenhum alucinado por platinas deixei passar mesmo. Outro ponto que chama a atenção é o fato o game apelar bem mais nesta edição para as lutas corporais, adotando um esquema de ataque, contra ataque e escape de agarrões. Ficou muito parecido com o esquema usado em Batman: Arkham Asylum (porque o City ainda não joguei), com você ali no meio distribuindo porrada em todo mundo, mas sempre atento ao botãozinho do contra ataque para não deixar ninguém tocar em você. Pena que alguns movimentos ficaram bem repetitivos, quando você encontra um grandalhão por exemplo, você já sabe aonde o Nathan vai mandar o primeiro soco ou  aonde ele vai chutar. Lembram daquela cena do avião? Aquela sequência de golpes já fica manjada antes mesmo de você chegar lá. Felizmente nada disso é problema quando as músicas de ação começam a embalar as quedas de braço, é uma música mais penetrante que a outra (sem piadinhas hein?), daquelas que entram mesmo na alma, fazem o coração bater mais forte e te dão mesmo a sensação de estar num filme de ação. Posso estar enganado, mas acho que perdi no mínimo meia hora ouvindo o soundtrack que rola na tela principal depois do fim do jogo, creio que foi um jeito de não dizer adeus logo depois dos créditos, snif… snif…

O que foi bom e o que nem foi tão bom assim 

A trama em Uncharted é algo que pode ser envolvente ou mesmo ficar para escanteio dependendo de quem joga, mas por estar completamente traduzido para o nosso português, não há desculpa para ninguém dizer que não entendeu a história. Já quem se ligou mais nesse ponto dos games anteriores vai perceber algumas situações meio forçadas no jogo desse ano, personagens que aparecem de forma bem inusitada e sem uma explicação muito convincente me deixaram com a pulga atrás da orelha. Em contra partida achei uma sacada de mestre ligeiramente mal executada essa atmosfera que a produtora implantou no jogo. conversas, flashbacks dos tempos de infâncias do Drake e algumas cenas que aparentemente eram, mas não são chave, estimulando você a pensar que alguém muito querido vai ser traído ou mesmo morrer. Essa tensão começa no meio da história e vai até o último minuto de ação no jogo, um dos poucos méritos do final desta terceira edição aliás. Adorei o aprofundamento da história com Sullivan e o Drake, apesar de algumas situações terem perdido o brilho pela simplicidade e falta de surpresas no final, e foi uma pena também a Elena ter aparecido tão pouco. Claro que a Naughty Dog bem que avisou que o foco estaria no mestre e o aprendiz, mas fiquei esperando muito para saber como  situação dos dois estava. No final de Among Thieves as coisas pareciam ter se ajeitado entre os dois, mas Drake’s Deception começa como se quase nada daquilo tivesse tido alguma importância e no fim a situação do casal segue a mesma, com ambos naquela situação de estar juntos e ao mesmo tempo serem bem independentes. Provavelmente é a Naughty Dog escondendo o doce para algo ainda maior. Pelo menos segundo eles, idéias não faltam.

E o que dizer da Katherine então? Ela infelizmente não foi a vilão que eu esperava, achei que ela ficaria mesmo marcada como um dos vilões mais perversos, se não o maior deles, de toda a franquia. Mas com o decorrer do jogo você percebe que ela recebe destaques bem esporádicos, acho que a única cena realmente marcante seja aquela que apresentou o jogo, com ela encarando o Nathan enquanto retira o anél do falecido Francis. Naquele pequeno teaser, dava até mesmo a entender de que a vilã era realmente má da cabeça até a última sujeira da sola do pé, mas no fim ela não passou de uma mandante que ficou apenas nos bastidores e nem mesmo o seu fim foi algo digno de ser chamado de memorável. Particularmente o maior dos desafios vistos em Uncharted ainda foi o chefão do segundo jogo. Ainda lembro com saudades o quanto foi massacrante derrubar aquele cara, que também nem foi muito presente na trama, mas deixou sua marca no final. E talvez seja essa mesmo a idéia da Naughty Dog com Uncharted, deixar todos na expectativa pra saber como termina, surpreendendo até o fim, seja para bem ou mal. Afinal estamos tratando de um mundo onde o mínimo da realidade deve ser respeitado, Drake é um aventureiro que sempre procura pelo desconhecido, mas isso não quer dizer que ele tenha que enfrentar alguém ambicioso que resolveu se tornar uma aberração a cada final de um jogo, e nesse ponto Uncharted 3 mostra que sabe diversificar, ainda que com um final deixando a desejar.

Aliás, se houvesse um pódium com os melhores momentos da série toda até aqui, este ai acima seria o primeiro enquanto o segundo seria aquela caçada às escuras com aqueles “zumbis” malucos em Drake’s Fortune, o ponto mais alto do jogo que chegou antes do final. Uncharted 3 também tem um momento assim e quando você chegar lá também vai reconhecer.

OH CRAP, é a versão brasileira!

Ah sim… por pouco me esqueço da versão dublada, eu fui um dos que quis xingar muito no twitter depois de ver as outras propostas para a versão brazuka, mas no fim das contas até que acostumei com quase todas as vozes, menos a da Chloe que parecia uma velha falando enquanto a Marlowe e todos os seus pés de galinha tinham voz de menina novinha (vai entender…). Infelizmente a qualidade da dublagem ainda está daquele jeito, a dubladora da Elena por exemplo mal consegue mostrar emoção nas suas falas, os poucos trocadilhos dela não fizeram nenhum sentido durante os diálogos. A voz do Sully ficou de bom tamanho pra mim, o único problema nele é o fato do personagem falar palavrão e ao mesmo tempo falar certinho demais, coisa que ficou muito ridícula. Outra coisa que ficou martelando na minha cabeça são os momentos em que você está trocando tiros com a rapaziada e de repente alguém joga uma granada. Como ele é seu parceiro, rapidamente ele vai gritar “GRANADA” pra que você fique esperto e não morra de graça, o problema é o jeito como ele fala, pois a voz chega a ter um tom de sarcasmo e parece que é o inimigo que gritou isso antes de jogar, perdi as contas de quantas vezes fiquei rindo disso. Quanto ao Drake para mim foi a voz que melhor se encaixou, não consegui detectar o “OH CRAP”, mas o já clássico “Não, não, não…” a cada explosão ao pé do ouvido no nosso bom e velho português ficou demais e durante as falas acho que ele foi o que mais manteve o bom nível de coerência no tom de voz. No mais, nada além do já esperado, mas muito bem vindo português brasileiro, eu espero mesmo que a nossa língua esteja presente também no próximo jogo.

Finalizando

Ainda que com alguns defeitos, sejam eles de história ou gameplay adicionados a um mar de expectativas que não foram totalmente cumpridas, Uncharted 3 ainda é tudo aquilo que eu aprendi a amar desde o primeiro jogo. A franquia se torna uma obra de respeito agora mais do que nunca pra mim, com tudo aquilo que uma trilogia que se preze tem de fazer para me conquistar. Transmitindo emoção a todo instante,  fazendo o coração bater mais forte a cada cutcene, com uma trilha sonora pulsando aventura, mistério, tristeza, tudo ao mesmo tempo. Rodando um filme de ação ininterrupta no seu console com total interação e o mais importante: reforçando o vínculo que cada amante da série tem com cada personagem. Eu não sei bem que tipo de droga é essa, deve ser parecida com a que a Globo coloca em suas novelas para deixar todas a donas de casa presas em frente à televisão. Mas enfim, é com essa palavras que nem de longe refletem toda a extensão da emoção que tive ao rever os meus queridos que fecho esta postagem já morrendo de saudades, aclamando a Naughty Dog mais uma vez e pedindo biz aqui mesmo, da cadeira da frente. Porque não precisa inovar muito, não precisa quebrar paradigmas, não precisa se desvirtuar para encontrar um caminho novo, só precisa me contar outra história apaixonante que eu virei correndo pagar o que for para ouvir.

Agora estou testando o modo multiplayer que estou achando bem mais equilibrado e justo que na beta que rolou tempos atrás. Não tem preço estar no nível 5 e matar a lindos headshots um gringo boca suja no nível 50, mas isso é assunto para um outro post. O modo cooperativo ainda não testei também, mas se der um bom post trarei minhas impressões sem falta aqui para o blog. Quem quiser me adicionar para marcar umas partidas é só anotar a ID na PSN: Satoshii_Kon que a gente se encontra por lá.

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K o n S a m a

Do ser sem razão a essa explosão de emoção, do preguiçoso leitor ao (meia-boca) escritor, do tímido calado ao ator inquieto, do caminho já traçado à esquina do destino incerto. Tentei me definir, mas sem sucesso. Games, filmes, música, animes, são só o começo desse quebra-cabeça sem nexo.
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