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Sonic Generations | Mantendo o velho ciclo quebrado! (+)

Uma bíblia nada sagrada sobre o assunto!

Quem aqui já não teve um bom motivo para temer os últimos jogos do Sonic? Eu não cheguei a pegar aquele barco chamado Sonic Unleashed, só fiquei sabendo que tinha ouriço virando lobisomen lá e… cruzes, só isso já valeu a história toda. Mas em vez dele eu cai em coisa bem pior, Sonic The Hedgehog. Na época eu nem internet consultava para comprar os jogos do meu então recém adquirido PlayStation 3, bem como nem sonhava um dia estar aqui tendo um espaço tão bacana para compartilhar as minhas experiências com vocês. Logo, pegar aquele jogo com um título tão forte e que parecia ser sinônimo de renovação para a série não foi difícil. Só não atentei para o detalhe de que a pérola parecia estar estar mofando ali há eras, tanto foi que o vendedor abriu o sorrisão quando viu meus olhinhos brilhando por pagar apenas 80 reais naquela velharia. Se eu soubesse, tinha exigido um desconto de outro mundo ao menos.

Correria por uma cidade chata demais para se explorar, as mortes idiotas do Tails (tá… isso nunca muda), gráficos que mais me lembravam um PlayStation 2 (compreensível já que o  game é de 2006, mas naquela época em ainda não sabia disso) e bugs à rodo para irritar até o mais zen dos seres vivos. Eu não sei o que a Sega tinha em mente quando mandou para as lojas um trabalho tão porco. Hoje quando a gente vê um caso sério de bugs destruindo a jogabilidade de um jogo ao menos resta às produtoras correr atrás do prejuízo lançando atualizações através das redes dos consoles, mas o ideal é que se trabalhe para que o mínimo de erros transpareça, cuidado esse que a Sega aparentemente não teve em momento algum durante aquele ano e sem as redes online bombando como hoje, o jogo que devia comemorar os 15 anos do ouriço ficou bugadão mesmo.

Não fosse Sonic Colors talvez eu nem tivesse me atrevido a olhar Generations. O jogo por enquanto ainda é exclusivo do Wii, mas nem por isso deixa de ser muito bonito e não é só nisso que ele me cativou. Gostei das músicas, amei o visual coloridaço de todas as fases e acima de tudo a escolha da Sega de alternar jogabilidade 3 e 2D. Com exceção daquela xaropisse de ter que usar aqueles aliens coloridos, me diverti pacas jogando e voltei a me animar com o anúncio celebrativo dos 20 anos do personagem.

Trailers liberados, pequenos detalhes soltos aqui e ali, fases se revelando. Eu juro que tentei segurar o hype com medo do velho ciclo se formar de novo assim que colocasse o jogo no console, mas não deu. Antes mesmo de anunciarem a data lá estava eu e mais uma legião doida pra ver o resultado final. Daí joguei, e joguei mais do que achei que iria jogar. Foi uma tarde de domingo inteirinha em frente à TV, aplaudindo a Sega (porque os fãs de hoje são os linchadores de amanhã e vice versa), relembrando toda a história do Sonic e pedindo aos céus que nenhum momento ali acabasse (porque eu tinha que trabalhar no dia seguinte).

Mas acabou, escrevi um post sobre o assunto ainda no antigo blog e hoje, 3 meses sem tocar no game, mas ainda com uma vontade incontrolável de jogar tudo de novo, arranjei uma boa desculpa para mim mesmo e fui buscar a versão do Nintendo 3DS para prolongar por mais algumas horas a mais pura diversão que em muito tempo não tive. O que aconteceu quando eu fiz isso? Ja já eu conto, antes também arranjei uma boa desculpa para reescrever essa postagem que foi ao ar em novembro do ano passado. Espero que gostem. 

Generations é Sonic clássico e Sonic moderno juntos, presos no espaço-tempo percorrendo toda a história do ouriço azul e coisa e tal, mas o melhor da história só pra começar é que antes mesmo de entrar em qualquer fase para jogar, dá pra correr, subir uma rampa, pegar um loopin maluco. Eu não sei vocês, mas esse início foi uma grande quebra de gelo pra toda a minha barreira de desconfiança antes de colocar o disco no drive do console. Ainda não era o melhor jogo do Sonic depois de tantos anos, não naquele momento, mas fazer da tela de seleção de fases uma… fase preliminar, foi a primeira grande sacada da Sega em meio à tantas que viriam depois.

A versão mais atual do ouriço é daquele jeito que a gente já conhece, basta um punhado de anéis e você sai voando alto na velocidade da luz sem muito controle ou intervenção da física, logo, o que eu quero falar dele eu deixo para depois. Agora quando o assunto é o Sonic clássico a coisa fica muito mais interessante. Quando os vídeos começaram a ser divulgados, a mistura de ângulos diferentes e as leves pitadas de 3D influenciando diretamente na visão do personagem não deixavam muito claro se a jogabilidade respeitava os velhos tempos do ouriço à risca. E quer saber? No fim das contas ela de fato não segue a velha receita rigorosamente e nem tem porque disso. Se você tiver jogado Sonic 4 vai perceber em poucos segundos a diferença monstruosa entre os dois. O Sonic clássico de Generations não é alto, não tem pernas enormes e finas demais, ele não patina antes de você começar a correr e por ai vai.

Na movimentação dele a Sega também procurou não inventar muito e fez muito bem na escolha. O lance é correr, pular e soltar o dash sempre que der na telha. O que vier para diversificar ainda mais o gameplay com ele só vai rolar dentro de cada zona reconstruída. As velhas características do antigo Sonic também foram respeitadas como por exemplo aquele som clássico das botas dele raspando no chão e cantando como o pneu de um carro… ou seria de uma bicicleta? É claro que não vai faltar quem diga que esse Sonic clássico TAMBÉM não chega aos pés do personagem que tanto brilhou no Mega Drive. A jogabilidade de Generations não faz questão alguma de esconder que ele sofre algumas influências que o Sonic mais moderno trouxe quando os seus games 3D chegaram, mas criticar as mecânicas do personagem e das suas fases por inteiro só por conta disso é a mais pura burrice. Quem desaprovar mais esse jogo do ouriço provavelmente está fadado a jogar as antigas versões para o resto da vida e se esse for o seu caso aproveite e coloque também um cabresto para não ter mais que olhar para os lados, com toda a franqueza do mundo.

Mudando de assunto, mas ainda falando do Sonic clássico, sentir o dedão doer de tanto ter que pular com o baixinho foi mesmo revigorante. Depois de tanto tempo correndo por aí com o Sonic velocista eu nem me lembrava mais dos tempos de Master System, quando o maior desafio que se podia encontrar estava sempre numa plataforma protegida por alguma parede cheia de espinhos ou bombas vindo na sua direção. O Sonic clássico resgata tudo isso de uma forma tão incrível que nem mesmo as pequenas pitadas de modernismo (ou velocismo?) vistas nas fases com ele tiram o brilho da sua presença. Muito pelo contrário, acho até que se não fosse o boom do 3D que levou Mario e Sonic a apostar mais nesses estilos por algum tempo, talvez o Sonic tivesse seguido esse caminho mais cedo e já estaríamos bem mais familiarizados com ele. Uma idéia disso já podia ser vista antes mesmo desse jogo sair com alguns remakes feitos por fãs que andaram ganhando fama pela rede e que a Sega fez questão de vetar. Na época muita gente achou sem sentido a empresa barrar a homenagem, mas depois de ver o resultado final dá até para ter uma idéia mais clara do porquê.

Agora vem a minha parte predileta, um monte de zonas para relembrar e duas versões de cada uma com vantagens e desvantagens para os dois Sonics. Por exemplo, na reprodução da Seaside Hill, a fase que abre Sonic Heroes, a música tema na versão do Sonic mais moderninho é a melhor porque é a original e com ela ninguém pode, isso é fato. Mas se você for dar uma olhada na clássica Sky Sanctuary de Sonic & Knuckles do Mega Drive, você vê que a música original dá de 10×0 na versão moderna, porque é uma melodia simples, daquelas que dispensa qualquer remixe. No gameplay é a mesma coisa, eu adorei o que fizeram com a City Escape no Sonic clássico, realmente ficou muito show e não forçou em momento algum algo que fugisse do que era a jogabilidade do Sonic clássico, mas sinto dizer que se tivesse de escolher entre essa e a versão moderna, a minha escolha seria a número 2. Não tem como descrever a emoção de descer aquela ladeira e só pensar em correr a mil por hora sem medo de segurar a vontade de cantar a música tema inteirinha enquanto o caminhão acelera pra te pegar.

Na hora de enfrentar os chefões e os chefões dentro dos desafios opcionais o jogo volta a dar show em todos, EU DISSE: TODOS OS SENTIDOS. É tanta coisa boa desde o início do game que até o par de vilões que ficou para o final nem chegou aos pés de todo esse flashback massivo A única falha dessa parte na minha opinião é que o Sonic clássico acaba não se destacando muito, talvez porque a sua era foi mais povoada pelas criações do Robotinik ou simplesmente a seleção não fez jus a ele como deveria. A única exceção a meu ver mesmo ficou por conta do desafio com o Metal Sonic, uma das recordações de Sonic The Hedgehog 2. Do outro lado da moeda, só posso dizer que adorei tudo o que vi do Sonic moderno, não tive a chance de jogar o Adventure 2 a fundo e derrubar o Perfect Chaos no final, idem para Unleashed com o Egg Dragoon, mas vi os videos desses chefões no YouTube e em especial esse último ficou super bem recriado.

Não ouso dizer que tudo o que o Sonic 3D viveu até hoje foi uma grande porcaria, longe disso, mas numa era em que jogos do personagem em 3D viraram sinônimo de bomba, acho que não é exagero meu dizer que a Sega enfim limpou a barra do ouriço e da forma mais inesperada possível, porque até meados do ano passado eu jamais imaginaria que tudo o que serviu de chacota, piadinha ou simplesmente revolta para os fãs, voltou na forma do melhor jogo já feito em tempos. É bem verdade que a dificuldade passou longe desses momentos de flashback, talvez porque a SEGA tenha preferido entrar nesse espírito de tornar o jogo mais acessível à todos os públicos, muito embora isso não explique o porque do Hard Mode não ser exatamente algo difícil. Mas todo esse resgate valeu mais do que a pena só pela forma como foi feito.

E o  que falar dos desafios hein? Acho que antes desse Sonic eu nunca senti tanta vontade de jogar as fases mais de uma vez só para estampar um ranking S no placar final. Eu por exemplo voltei umas duas, não… cinco, não, não… umas seis vezes para lutar com o Shadow na reprodução de Sonic Adventure 2. Não foi nada 100% fiel ao original, tudo pareceu mais uma corrida e a dificuldade mesmo no Hard Mode não deixou as coisas mais interessantes pra mim. Mas quando a corrida pelo poder dos meteoritos começou e eu me dei conta de que a fase tinha direito à 3 músicas diferentes que eram puro grude mental, eu não pensei duas vezes. Venci a imitação feiosa do ouriço uma vez com a trilha sonora de fundo do Sonic, depois voltei e facilitei só um pouquinho para a música do Shadow tocar antes de derrubar ele e depois voltei para fazer tudo de novo e deixar rolar naturalmente porque a música tema da fase já era o máximo no jogo do Dreamcast e o remixe que fizeram dela aqui ficou ainda mais foda que antes.

Outro ponto alto do game para mim foi poder voltar em Crisis City do tenebroso reino dos bugs construído em Sonic The Hedgehog. A fase ficou muita linda e foi uma beleza passar por ela de novo sem aqueles glithes ridículos do jogo de 2006, uma pena não ter sido mais fiel à original, era ruim de jogar que chegava a doer, mas eu gostava. Tirei o chapéu também para a versão com o Sonic clássico que acabou tendo uma das fazes mais bem trabalhadas no estilo dele na minha opinião, até perdi umas horinhas a mais nela. E acabei achando uma pena a Sonic Team não ter feito duas versões para cada desafio, ficaria bom demais.

E acreditem vocês que naquela altura do campeonato já era para eu ter percebido, mas lerdo como sou só fui entender que o fan-service estava mesmo rolando solto quando aquele branco todo deu lugar pra Speed Highway e logo depois, quem diria, Rooftop Run de Sonic Unleashed, essa última me emocionou demais e eu nem sei dizer direito o porquê. Também resolveram chupar a Planet Wisp lá de Sonic Colors e o resultado foi até de chorar, porque é uma das músicas que demonstra de longe o cuidado que a Sega sempre teve e ainda tem em fisgar o gamer não só pelo gameplay, mas também pela excelente sonoridade dos seus jogos. Dentre tantas músicas que conheço da franquia essa fica como uma daquelas que me toca profundamente e sei lá, me traz uma sensação muito gostosa toda vez que a ouço. E muito embora eu seja apenas elogios para essa melodia, não a coloco no primeiro lugar do pódio quando lembro do game exclusivo do Wii. Se dependesse de mim a escolha seria outra.

Aproveitando que estamos falando da trilha sonora, foi incrível o que a Sega fez com cada zona. Era só parar em frente como se fosse entrar na fase que a música tema totalmente refeita começava a tocar. Toda vez que eu parava para brincar lá fora fazia questão de correr de um lado à outro só pra ouvir a mistureba que dava todo aquele som. Fator replay de primeira é outro elogio mais do que merecido para Sonic Generations, porque cada zona terminada ainda guarda vários portões menores para os desafios secundários, e cada um mostra a zona de uma forma diferente, como se fosse uma fase nova mesmo não sendo. Também achei esse adicional bacana porque aproveita os amigos do Sonic de forma divertida e sem intervenções inúteis que estraguem a sensação boa deixada pelo gameplay principal.

Dá pra perder umas boas horas completando tudo, provavelmente metade do tempo que você gastaria jogando Generations sem dar a mínima para os extras. Mas isso é um pecado que eu não cometeria, primeiro porque é quase como se fosse uma extensão, uma expansão do jogo que viria por DLC se esse lançamento fosse da Capcom e não da Sega. Segundo que é com eles que você acumula pontos para comprar as habilidades extras. Claro que aumentar ainda mais a velocidade absurda do Sonic moderno ou usar aquela velha bolha no Sonic clássico não são obrigatórios para a sua diversão ou progressão no jogo (graças à Deus), mas dentre esses mesmos upgrades tem a versão do primeiro Sonic feito para o Mega Drive, uma ótima pedida para aquele tipo de amigo que se acha hardcore jogando Call Of Duty.

Peça à ele que experimente o velho Sonic sem muitas vidas sobrando na dispensa e sem opção de salvar o jogo no meio para continuar um outro dia. Não é tão cruel quanto um Dark Souls da vida, na verdade está bem longe de ser, mas está ou melhor dizendo, estava no caminho. Tentei jogar um pouco logo depois que terminei o game com muitas lágrimas e nariz escorrendo, mas como já eram quase 03 da matina e eu estava sofrendo demais para sair da Marble Zone enquanto pescava cada vez mais peixes no sofá, resolvei deixar para um outro dia. Não sei se a Sega escondeu os outros jogos ou se ela cumpriu à risca com a promessa de incluir apenas Sonic The Hedgehog no disco, mas seria muito legal zerar o primeiro e dar de cara com o segundo escondido na Chemical Plant. Gostaria muito de saber se a produtora cogitou a hipótese dessa grata surpresa. Alguém sabe de algo?

Esqueci alguma coisa? Espero que não, deu um trabalhão refazer toda essa biblia, mas acho que é isso mesmo. Depois de tudo isso o game termina e bate aquela tristeza de fim de festa. Começo a pensar mais uma vez no que o futuro reversa para o Sonic, até que vem a Sega e encerra o jogo com a sessão de créditos quase interminável mais linda que eu já vi em tempos, tocando todas as músicas das zonas pelas quais passamos, porém mostrando cenas dos jogos originais na telinha ao lado pra quem está do outro lado não perder nenhuma referência aos antigos jogos.

Sério mesmo, fazia tempo que eu não via algo de tamanho respeito assim. Se em meados de 2006 a Sega perdeu o meu respeito com um trabalho que foi de dar vergonha à qualquer um envolvido na produção. Em 2011 ela pagou absolutamente todos os seus pecados comigo. No mais, depois que eu revirei o game inteirinho correndo atrás de uma nota S (e nem toda vieram porque eu sou ruim demais em algumas fases) e a fome por mais não terminou, o jeito foi trocar a música da Green Hill pela da Chemical Plant ou a da City Escape pela fase/desafio do Silver e continuar jogando tudo de novo. Evidentemente que depois de um tempo isso também não foi mais o suficiente, daí parti pra coleção de músicas, cutcenes e artworks que eu já tinha acumulado sem perceber de tão deslumbrado que eu fiquei com o gameplay.

Enfim, se esse não é o melhor presente que um fã de Sonic pode receber, então provavelmente ele nem pode ser chamado de fã só para começo de assunto.

Eu nunca quis que acabasse, então parti pra versão do 3DS! (EXP+)

Era a desculpa perfeita que me faltava pra jogar tudo de novo… de novo, mas acabei me surpreendendo assim que fechei a Green Hill. Com exceção dessa fase todo o resto do jogo é conteúdo exclusivo do 3DS (a não ser que alguma fase tenha sido refeita pra servir como DLC nos consoles, mas nisso eu tô por fora). Se no Generations dos consoles a segunda zona já era Chemical Plant, na versão do 3DS é Casino Night quem entra em cena logo em seguida. Até estranhei bastante essa zona ter ficado de fora da versão dos consoles, nunca curti muito dar uma de bolinha de pinball nessa fase, mas sempre achei um dos estágios mais emblemáticos de toda franquia.

Dentre as fases que eu mais gostei mesmo destaco a Water Palace de Sonic Rush, game que cheguei a confundir uma época dessas com o sofrível Rivals do PSP, e que musiquinha mais enjoada é aquela hein? Radical Highway, que é cara e focinho da Speed Highway também foi legal, mas a melhor surpresa de todas foi a Mushroom Hill de Sonic 3 & Knuckles no meio da mistura. Essa zona é clássica em todos os sentidos, música, gameplay, não tem nem o que falar direito. O único erro que o pessoal responsável pela versão do 3DS cometeu foi o de adicionar o Roaming Attack no Sonic clássico (aquela mira automática que sempre aparece quando o Sonic moderno chega perto de algum inimigo).

Aquilo matou toda a graça que seria jogar com o Sonic old school, perdeu todo o propósito que foi comemorar esse aniversário de 20 anos com alternância de gameplay entre o passado e o futuro do personagem e infelizmente tirou o brilho de fases tão legais como a própria Mushroom Hill. Não sei quem diabos exatamente foi o responsável por essa infeliz decisão, mas ele sem sombra de dúvida merecia o prêmio daquele que conseguiu estragar tudo mesmo com a fórmula do sucesso prontinha nas mãos, porque eu custo a acreditar que a equipe que trabalhou na versão PS3 e 360 não tenha trocado idéias com a que produziu a versão portátil. E se isso realmente aconteceu, só posso dar meus pêsames e dizer que isso não é jeito de se trabalhar. A jogabilidade só não é de todo mal porque ao menos uma coisa é sem dúvida digna de elogios além da nostalgia toda que tem a volta dessas fases clássicas. Se o Sonic clássico não ficou tão bacana assim, o Sonic moderno ficou show para jogar. Como adotaram o estilo side scrolling para quase 100% das situações com leves variações de visão na câmera, o gameplay com ele lembrou muito a jogabilidade vista em Sonic Colors ou mesmo o Sonic 4 só que muito bem melhorada. Isso na minha opinião deixou o Sonic moderno mais divertido que o clássico. Curiosamente o total oposto do que senti na versão console. Pode isso?

Já nos chefões preferiram manter boa parte dos mesmos, mas a maioria dos embates eles alteraram para corridas. Não ficou ruim, mas perdeu boa parte da carga de emoção que deveria vir junto de cada aparição dos velhos antagonistas. Perdeu aquela surpresa boa de soltar um ”puta que pariu, como isso foi foda”, porque os personagens estão ali, mas vão sendo jogados em boa parte das vezes num contexto totalmente diferente que não pertence à eles. A falta de cutcenes pra animar também contribuiu muito para isso na minha opinião, só que achei estranho o confronto com o Time Eater no fim do jogo ser tão cinematográfico enquanto o resto todo do jogo nem chega perto disso. Também achei que os gráficos poderiam ter sido melhores, o Nintendo 3DS tem sim capacidade para fazer mais do que aquilo.

Do recurso 3D eu passei longe mais uma vez,  ultimamente tenho ouvido falar que o efeito 3D do aparelho varia sua qualidade de um game para o outro e até chego a concordar com isso depois de ter jogado Ocarina Of Time 3D, Super Mario 3D Land e até um pouquinho de Star Fox 64… (advinhem, advinhem) 3D. Mas com Sonic Generations não vi bulhufas, nem para realçar o jogo graficamente falando o efeito serviu pra mim. Acho que a única hora em que senti alguma coisa foi nas fases de desafio das esmeraldas do chaos que são rápidas demais e como a visão é pelas costas do Sonic moderno um número incontável de obstáculos vai ficando para trás como se estivessem sendo jogados na sua cara. A sensação não foi nada boa e distorcia a minha visão em poucos segundos. Sofri um pouco para pegar todos mesmo com o efeito desligado. Logo, efeitos 3D? Quem sabe no Resident Evil Revelations, porque até agora não rolou uma experiência legal comigo para contar sobre ele.

No mais, gostei do modo online que se não me falha a memória inexiste na versão console. Joguei só um pouquinho porque acabei dando a sorte de encontrar ao menos uma pessoa online às 02:00 da matina pra jogar e ainda tomei um surra boa porque achei que pegar o Sonic velocista já era sinônimo de partida ganha. Achei legal também que o modo online tem umas opções para você montar o seu perfil para outras pessoas verem. Dá pra colocar qual jogo do ouriço você mais gostou até hoje, qual o seu personagem preferido e por aí vai. É um jeito simples, mas bacana de conhecer um pouco com quem você está jogando ou até mesmo fazer uma amizade, mas isso é muito pouco atrativo pra me prender jogando por horas a fio. Fora isso, ainda tem uns adicionais com o Streepass e uns pontos pra fazer sei lá o quê que você ganha participando do multiplayer. Se não me engano também veio um cartão com um código da Nintendo Club, mas sinceramente à essa altura do campeonato eu quero mais é partir para cima de Assassin’s Creed Revelations com unhas e dentes. Perdi tempo demais com o Time Eater de novo porque não pesco as coisas logo de cara. O resto desses mimos eu deixo no gelo até segunda ordem.

Meu veredicto final sobre a versão do 3DS é: se você é um fã louco ou jogou a versão console e ficou mordido de curiosidade ou as duas coisas ao mesmo tempo… compre, não passe vontade, você pode ficar doente por isso. Mas falando sério, o jogo vale a pena por ser mais uma expansão de toda aquela nostalgia provocada pela versão HD, é só uma pena que no gameplay a experiência não pôde ser expandida também. No fim das contas o Sonic Generations do 3DS mais me valeu por pura curiosidade mesmo, porque me provocar uma nova carga de emoção com uma lista de fases inteiramente exclusiva do portátil não rolou. Tornar o Sonic moderno e o clássico parecidos demais foi a maior pisada de bola da Sonic Team. Mal sinto o prazer de jogar tudo de novo, coisa que faço sem esforço toda vez que bate uma saudade de colocar a versão console para rodar. Enfim, curiosidade (e disponibilidade na carteira) acho que são as palavras chave na hora de optar pelo título no 3DS.

Vocês ainda estão aí? Bem, eu tenho uma última história pra contar!

E olha só, falei tanto que nem sobraram tantas palavras assim para concluir, mas queria deixar aqui um último vídeo que depois de muita preguiça fui pesquisar no YouTube. Se trata da versão em 8 bits do primeiro Sonic lançado no Master System e também no Game Gear lá em 91. Certa vez postei ainda no blog antigo o quanto gostei de Sonic 4 e fui achincalhado nos comentários porque no fim das contas o game era um punhado de fases clássicas reaproveitadas no que devia ser uma continuação de onde os velhos jogos do Mega Drive haviam parado. Só que em vez de pesquisar o que eu não sabia, fui comprar briga nos comentários (como eu era recém chegado nesse negócio de blogar, não foi difícil) e enfim… não foi algo bonito de se lembrar. Só que o pior não foi ter discutido sem razão, mas sim ter saído da discussão sem saber qual diabos tinha sido o primeiro Sonic que eu joguei na vida. Tudo o que eu fiquei sabendo depois dali é que definitivamente o meu primeiro ouriço azul não era esse aqui.

O fato é que quando eu era bem moleque poucas foram as vezes em que sequer toquei num joystick de Mega Drive, acho que o maior contato que tive com a plataforma foi com um cartucho de Ghostbusters que achei jogado na rua (e desde então nunca mais achei nada jogado na rua, nem mesmo uma mísera moeda de 05 centavos). Nasci gamer com a ajuda da Sega sim, mas como poucos eram os jogos que eu podia comprar para aquele velho Master System 3 Compact (meus pais achavam que apenas um jogo na memória do console era diversão suficiente por pelo menos 5 anos), o vizinho, seu Super Nintendo e um encanador que usava capa de Superman chamado Mario dia a dia me convertiam mais e mais para o lado da Big N. Depois vieram os carros de corrida, os macacos, os homens bomba e aí ferrou tudo de vez, acabou não sobrando muito espaço para conhecer o que havia de melhor no Mega Drive, esqueci de vez o que era jogar Sonic e assim foi durante um bom tempo. Mas depois de tanto adiar isso eu fui procurar aquele primeiro Sonic que veio na memória do meu saudoso Master System, que foi talvez um dos grandes responsáveis por eu não ter conhecido as versões do Mega Drive e por consequência gostado de Sonic 4.

Hoje dou mais prioridade à outros gêneros quando o assunto é vídeo game, mas nunca esqueço que ESSE AQUI foi definitivamente o culpado pela minha entrada nesse mundo tão fascinante. De lá pra cá eu chorei implorando sempre que queria alugar um cartucho mofado na locadora da esquina, tentei certa vez colocar uma fita do Super Mario no Master System rezando que ao menos ela coubesse na entrada, abracei um SNES e deixei a Sega de lado não muito tempo depois, voltei anos mais tarde para apreciar um Sega Saturn, sofri ainda sem grana com um emulador de PSX num PC caindo aos pedaços, e… e depois? Depois eu dei um tempo nisso tudo e só voltei quando achei que uma infinidade de jogos que eu nunca tive o tempo necessário para jogar no PlayStation 2 iria satisfazer a vontade de um gamer que certa vez preferiu parar no tempo. Mas tudo começou aí, com esse Sonic que estampa essa capinha linda aí de cima e quetanto fez a diferenla naquelas tardes tediosas de 1995. E eu prometo a mim mesmo que nunca mais volto a me esquecer disso.

Ainda bem que o mundo não acabou ainda e nunca é tarde para preencher se não todas ao menos boa parte dessas lacunas da vida. É por isso que eu vibro tanto quando essas coletâneas da geração passada, em especial os exclusivos da Sony, voltam remasterizadas em HD. O mesmo vale para os Sonic da geração Mega Drive, não vai ser o mesmo que foi naquela época, mas segue eterno e vai valer a pena ser revisitado sempre.

Chega de lorota, pra fechar de vez o assunto vou deixar os créditos finais que como disse a vários parágrafos acima foi algo de extremo respeito para com o personagem feito pela Sega. Se alguém aí considerar spoiler um bando de imagens que todo mundo já viu com um background festivo é só não dar play, ok? Fecha a conta e passa régua.

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K o n S a m a

Do ser sem razão a essa explosão de emoção, do preguiçoso leitor ao (meia-boca) escritor, do tímido calado ao ator inquieto, do caminho já traçado à esquina do destino incerto. Tentei me definir, mas sem sucesso. Games, filmes, música, animes, são só o começo desse quebra-cabeça sem nexo.
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