AssistindoLendo

Superman contra A Elite

Qual a relevância do Homem de Aço nos dias atuais?

Não sou muito de acompanhar as histórias mensais do Superman, prefiro as histórias soltas (como Entre a Foice e o Martelo, Identidade Secreta, As quatro Estações…) e aquelas publicadas no Brasil e por isso na ocasião de sua publicação americana não pude acompanhar “What’s So Funny About Truth, Justice & the American Way?”, uma história publicada originalmente em Action Comics #775 (Maio de 2001). Foi escrita por Joe Kelly e desenhada por Dough Mahnke e Lee Bermejo. Também não ajudou o fato dessa história ter sido ignorada pela Abril e só foi publicada no Brasil na Superman #8 da Panini (julho de 2003), mas como não acompanhava as mensais  só consegui ler depois de 7 longos anos, dentro da Coleção DC 70 Anos #1, rebatizada como “Olho por Olho”.

Antes tarde do que mais tarde, lembro que quando eu finalmente pude ler pela edição da Panini, eu fiquei impressionado com a proposta da história. Basicamente aqui é questionada as ações do Superman frente ao estado em que se encontra nossa sociedade. Esse questionamento é levantado por um grupo de pessoas extremamente poderosas: Manchester Black, Zoológica, Chapéu e Fusão a Frio. O quarteto de pretensos heróis se auto-denomina A Elite e passa a combater as maldades e mazelas da sociedade.

Inicialmente, eles aparentam ser um grupo bem intencionado e até ajudam Superman algumas vezes. Mas logo fica demonstrado que sua posição é radical em relação ao modo como se deve punir aqueles que cometem atos vis. E conseguem até apoio público, incitando as pessoas a acareditarem que as ações tomadas pelo Superman são antiquadas demais para nosso mundo atual. Literalmente, o grupo prega a tolerância zero.

Ocorre um debate de idéias sobre esse tópico. O Superman mesmo se pergunta se seu modo de agir ainda é relevante e correto. Deveria ele agir como juiz, júri e executor? Ele não é passivo demais com atos criminosos? Ele não deveria matar logo o Parasita, por exemplo, do que colocá-lo na prisão e correr o risco de uma fuga que resulte em mais inocentes atingidos?

Há várias linhas de raciocínio que podem se aplicar a nossa vida ou mesmo a própria indústria dos quadrinhos, onde cada vez mais o mundo não é tão preto no branco, mas sim com várias tonalidades de cinza. às vezes, é difícil saber quem está do lado certo, quem é realmente o vilão e quem só quer o nosso bem. A linha que justamente divide o bem do mal é por diversas vezes tênue, e esse debate é um dos grandes méritos dessa história, transposta para o formato animação pelo próprio Joe Kelly, lançada agora no Brasil (pena que só em DVD). Assisti ela hoje e por isso resolvi matar dois coelhos com uma caixa d´àgua só.

O resultado é que a animação consegue ser tão boa quanto a fonte inspiradora, senão melhor. É o nono longa animado do Superman e para mim divide o posto de melhor dessa série junto com Superman All-Star. Muito legal notar que nos créditos inicias usaram recortes da antiga animação do Superman, naquele traço clássico imortalizado pelo Curt Swan. É um easter-egg interessante levando-se em conta o contexto da discussão que o filme propõe. A animação apresenta um estilo oriental, mas com a narrativa conservando características ocidentais (ufa!). O traço segue um meio-termo entre o antigo e o novo, mais uma vez uma referência bem sacada.

E o meu veridicto final é que sim, o Superman ainda é relevante para o mundo atual.

Etiquetas
Isso também pode lhe interessar

Mauri Link

Um gamer inveterado desde a primeira geração de consoles, aficcionado por histórias em quadrinhos, nerd de carteirinha, e super-herói nas horas vagas!
Botão Voltar ao topo
Fechar

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios