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Crítica | The Raid: Redemption

Um tropa de elite da Indonésia?! 

(Post por Pierri Eduardo)

As primeiras coisas que devem ser ditas sobre The Raid: Redemption (não é Red Dead Redemption) para tentar prender sua atenção: 1. é um filme da Indonésia; 2. é um filme sobre uma divisão especial da policia local (meio que um BOPE) invadindo um prédio de diversos andares em que o chefão do crime está no topo. Em cada andar, uma surpresa. Parece até um videogame, se parar pra pensar, não? Bom, o filme dá pouco tempo para respirar, é ação em praticamente todas as cenas, então vamos lá.

A primeira impressão que se tem de The Raid: Redemption é que o filme será um Tropa de Elite indonésio. Mas com alguns minutos percebe-se que essa é uma ideia errada e o que se segue é muito diferente, está mais para um filme do Jackie Chan em inicio de carreira. Por exemplo, se em Tropa de Elite a ação, mesmo quando forte, é de certa forma cadenciada, em The Raid é quebra pau mesmo, com alto índice de MPM (mortes por minuto). Aliás são poucas as cenas em que armas de fogo são usadas. Os personagens no filme são praticamente mestres em Pencak Silat, a arte marcial indonésia. Não manjo muito de artes marciais, mas a luta é bem coreografada e com golpes pouco usuais, usando cotovelos, calcanhares e muitas cabeças batendo. De vez em quando rola até batalha de espadas, mas seguindo o visual sujo do filme, em vez de espadas em si, temos facões enferrujados. É tudo muito feroz e claustrofóbico.

O próprio prédio, que chega a ser mais um personagem no filme, é todo embolorado e nojento, parece que vai cair a qualquer instante. Aliás as paredes balançam mesmo, mas não é por conta cenário barato, não, mas sim de propósito. As escadas são em volta de um fosso central muito largo, que você pode esperar, será o cenário de muitas mortes. A polícia começa invadindo o lugar sorrateiramente, mas depois de uma cena genial (sem spoilers) a furtividade vai pro espaço e todo o prédio entra em alerta, em cada apartamento um ou mais capangas prontos pra atacar. No pôster diz que são 30 andares, mas simplesmente contando na imagem de abertura, nota-se que são menos que isso.

Apesar de diversas qualidades, o filme tem também defeitos. Por exemplo, tudo é praticamente centrado em Rama, o personagem principal, mas foi difícil até lembrar o nome dele escrevendo o texto agora. O cara manja muito de socar os outros, só que fora isso, ele é meio apagado. Logo na cena inicial aparece a mulher dele, grávida, e aí em seguida some para a obscuridade. E mais: há alguma tentativa de roteiro de conspiração no meio de tudo (sem spoilers, novamente), mas que nunca se desenvolve e acaba só servindo para tirar o foco do que realmente interessa: as lutas. O mesmo pode ser dito para algumas relações desnecessárias entre personagens.

Acima de qualquer comentário negativo, preciso repetir o que foi dito no início: as lutas são doideira! Recomendo altamente par quem gosta de golpes ferozes coreografados, sem ajuda de cabos como nos filmes chineses (que também gosto, mas é um entretenimento diferente ao meu ver).

Bom, finalizando, duas novidades sobre o filme já estão garantidas. Primeiro, o obrigatório remake hollywoodiano, como praticamente qualquer filme estrangeiro (aos EUA) que ganhe alguma notoriedade. Segundo, uma continuação, aliás, duas; será uma trilogia. Por isso mesmo que o filme não se chama apenas The Raid e sim The Raid: Redemption, já que as continuações apenas trocarão o sub-título. Bom, não é apenas esse o motivo, mas sim também porque o nome The Raid já estava com os direitos protegidos por alguma outra autoria, hehe.

Outra curiosidade interessante é que essa trilogia originalmente seria um filme só, mais audacioso ainda, chamado Berandal. Como era uma produção arriscada, o autor precisou fazer alguns ajustes para tornar a coisa toda mais simples e atrativa, e assim nasceu The Raid. Com o sucesso da produção, foram aprovadas suas continuações, e assim The Raid vai servir como prólogo para o verdadeiro filme que o autor queria: Berandal. Ano que vem veremos!

 

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Rackor

Gamer de fliperamas aos consoles, passando pelo saudoso GB Color e seu Pokémon Yellow. Leitor de mangás, e dou preferência a estes ao invés de animes. Mais recentemente descobri as HQs, e desde então sou fã da trajetória de Geoff Johns em Laterna Verde, entre outros clássicos como Watchmen.
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