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RPG | As Crônicas dos Reinos de Ferro! Pt. 1

Como uma sessão de RPG pode virar uma história épica!

Olá pessoal! Antes mesmo de entrar para o Portallos, eu sempre fui um escritor, participei de fóruns privados para escritores na Web e sempre tentei vez ou outra dar continuidade ao meu livro. Tenho uma paixão pela arte de escrever, seja ela para fazer posts para vocês leitores do blog, ou para fazer contos ou romances.

Aqui no blog não sei se alguém leu, mas eu fiz um post sobre uma partida de Age of Empires II em forma de um conto em três atos, foi uma tentativa de imprimir aqui este modo diferente de fazer post, quem comentou gostou, e eu fiquei muito feliz com o retorno. Há alguns dias atrás o Mauri também se aventurou nessa forma de post, não cheguei a ler todos os comentários, mas acho que essa forma de postar está solidificando aqui e não vejo mal em termos alguns textos aqui vez ou outra, afinal EXP se trata de experiência, do que nós da equipe temos o prazer de dividir nossas experiências. E porquê não a experiência de escrever?

Semana passada eu joguei mais partidas de Age of Empires II, uma delas durando nada menos que oito horas de jogo, mas dessa vez resolvi fazer algo diferente. Jogar RPG é um hobby que eu tinha deixado de lado por um bom tempo, meus amigos estavam ocupados, faculdade, entre outras coisas. Agora com essa greve massiva das instituições federais pelo país a gente resolveu começar uma nova aventura, no sistema Dungeons and Dragons, só que ambientada num mundo diferente ao que estamos acostumados. Não, não se trata de Forgotten Realms, mas sim de Reinos de Ferro, onde existe um certo avanço tecnológico misturado com magia.

Mas este post não trata-se de explicar sobre o RPG, ou mesmo sobre o panorama de Reinos de Ferro. Até porquê já fiz um post aqui no blog antes mesmo da fase EXP falando um pouco do roleplaying game. Não, este post é para aqueles que apreciam literatura, ou mesmo que gostam de ver um grupo de aventureiros embarcando em missões por um mundo desconhecido. Você não precisa entender de RPG para ler o que há a seguir, apenas ter uma boa imaginação.

Outra coisa que quero comentar é sobre a regularidade dos capítulos, não tenho como prometer isso porquê nem sempre a gente joga com dia marcado, agora mesmo um dos jogadores teve que viajar e provavelmente o jogo vai ficar suspenso por um tempo, mas o conteúdo aqui escrito ainda é parte do primeiro dia de jogo, ou seja, há mais história para ser contada, não se preocupem, o que me preocupa é saber se vocês gostaram! Por favor comentem!

Antes de mais nada, vamos conhecer os três personagens da party que até agora integram o elenco da aventura, você pode pular isto se quiser para ir direto para a parte da história, aqui eu falo o que cada um é e explico algumas características, bem como algumas fotos, vale lembrar que as fotos foram tiradas do livro do jogador brasileiro, e não correspondem necessariamente à fisionomia dos personagens. Quanto a isso, já que não possuo habilidades de desenho, o jeito é vocês se virarem na imaginação, mesmo! A descrição entre aspas também é tirada do mesmo livro para melhor entendimento:

Ryon Noctar – Este personagem é um humano da etnia Kossita e após ter seu tio salvo por uma companhia de mercenários, ele decide entrar para a Companhia. Sendo assim, Ryon se tornou um batedor passando anos se especializando no combate contra bandidos que atormentam as terras do norte constantemente, se especializou também no combate com arco e nas caçadas nos terrenos gelados de tundra Após anos de serviço na Companhia, ele decide abandonar por um tempo em busca de aventuras e um novo lugar onde suas habilidades possam ser aproveitadas.

“O povo do antigo reino de Kos é recluso, vivendo em relativo confinamento entre as próprias árvores que eles representam; são altos e têm membros grossos como os carvalhos do norte, são resistentes como os bosques de inverno e prontos a repelir intrusos, como os espinheiros de sua terra natal.

Lobo das Estepes – Um Elfo Nyss que prefere viver isolado, de poucas palavras e desconfiado. Ainda não se sabe muito sobre ele. De cabelos longos e cinzas possui pele bem alva como a neve do norte e olhos azuis penetrantes.

“Os esquivos eIfos chamados nyss são ainda mais misteriosos que seus distantes primos iosanos. Muito pouco se sabe sobre os “elfos do inverno”, Eles mantêm seus segredos com ferocidade, em geral recebendo qualquer coisa não-nyss como uma ameaça à sua existência.”

 

 

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Orik – Um anão de Rhul que certa vez partiu de sua terra natal, as montanhas de Rhu com uma missão, mas de tanto conviver com os humanos decidiu não voltar, se acostumando aos seus costumes. Orik é um anão alto, com seus 1.50, possuindo tranças tanto no cabelo quanto na barba, ambos castanhos.

“Immoren ocidental tem sido o lar tanto de humanos quanto de anões desde antes da história escrita, quando apenas os boatos e as canções registravam seus feitos. Os rhuleses – como são chamados, devido ao seu longevo reino – se estabeleceram nas montanhas do norte e se reuniram em uma nação única muito antes que a humanidade tivesse ascendido da barbárie tribal. Eles são, apropriadamente, registrados como a primeira civilização do ocidente, formando a mais extensa das culturas sem ruptura de todas as raças”

 

 

A história se passa em Khador, mais especificamente em algum lugar ao norte da cidade de Skirov. Um lugar frio e que presencia a chegada do inverno.

Capítulo 1 – Reencontros!

Já havia algum tempo que Ryon Noctar havia se mudado para Pedra do Lorde. Quando saiu da Companhia dos Homens Rubro-Cinzentos, em busca de aventura e um novo lugar onde pudesse livrar de bandidos, o primeiro lugar que passou pela sua cabeça foi o lugarejo ao norte de Skirov, com pouco menos de duzentas pessoas, onde residia um antigo amigo da Companhia, Tanor, o Velho.

E era em sua casa que ele estava vivendo, onde não estava arrumando tantos serviços quanto achou que poderia encontrar. De fato a cidade parecia muito mais calma do que deveria, pelo menos até Tanor chegar naquela tarde de outono com más notícias.

A Barba Cinzenta de Tanor tornava o homem  fácil de se reconhecer, bem como sua cabeça meio calva, na parte da frente e com cabelos brancos atrás que caíam-lhe sobre o ombro. Ele havia chegado todo contente com um sorriso no rosto após sua visita à Engrenagem Enferrujada, a taverna local, que além de prestar os serviços normais ao tipo de estabelecimento, ainda contava com serviços secundários mais… alegres.

– Sabe Ryon… Tenho visto você aí parado, sem trabalhar, porquê você não vai dar uma olhada nisso que estão falando aí pela cidade?
– Nisso o quê?
– Esse desaparecimento estranho de alguns cidadãos. Eu fiquei sabendo lá na taverna, antes de… Bem… Você sabe… – disse ele com um sorrisinho na cara.

Ryon vestiu seu sobretudo e foi em direção ao local. Seus cabelos negros esvoaçando pelo vento frio que anunciava o inverno. Ryon era alto e tinha um porte físico bem definido, principalmente os seus braços pelo esforço de puxar a corda do arco, a sua arma preferida. No pescoço, ele usava um lenço cinza e vermelho, uma lembrança da Companhia. No mesmo lugar, havia uma cicatriz de um golpe levado pela flecha de um bandido que havia pego de raspão.

A Companhia dos Homens Rubro-Cinzentos nada mais era do que uma pequena guilda de mercenários, que por onde passavam, combatiam os bandidos, salvando as pessoas inocentes e garantindo o sustento de seus homens. No tempo que Ryon passou entre eles, ele aprimorou suas habilidades em rastrear os seus inimigos e ao mesmo tempo aprendeu técnicas preciosas com o arco longo composto.

A Taverna da Engrenagem Enferrujada parecia mesmo o que ela se propunha a ser. Não estava tão cheia, exceto por alguns homens em algumas mesas, mulheres em roupas bem curtas passeando por entre elas, um anão bebendo uma caneca de cerveja no balcão e claro, o taverneiro.

– Um copo de vinho por favor – pediu Ryon. Ao que o homem foi e voltou, ele se inclinou para a frente e sussurrou – O que você sabe sobre o desaparecimento que está sendo comentado pela cidade?
– Fale mais baixo – retrucou o taverneiro – Eu não sei muito sobre isso, mas… uma das minhas moças estava conversando com um rapaz. Ele chorava muito, falava algo sobre o pai… É tudo que eu sei.
– Qual o nome dessa moça?
– Gwen, ela está no trabalho neste exato momento. Aguarde alguns minutos – disse, e voltou a limpar um dos copos com o pano mais sujo que Ryon já vira na vida.

Então, sentiu um toque no ombro, virou-se rapidamente já com a mão no cabo de sua espada. Encontrou a cara sorridente do anão, já meio inchado de tanto beber. Reconheceu rapidamente as tranças no cabelo e na barba.

– Orik! Não esperava vê-lo por aqui. Digo… De todos os lugares, o mais comum seria encontrá-lo numa taverna, mas aqui em Pedra do Lorde?
– Haha, é uma longa história meu amigo, como anda o serviço na Companhia?
– É outra longa história…

Os dois brindaram e Orik recomeçou:

– Ouvi a sua conversa sobre essa moça desaparecida aí…
Ryon pigarreou – Não é bem assim… – E pôs-se a explicar novamente tudo o que sabia – E agora estou esperando que ela… Termine o seu serviço para falar comigo.

Não demorou até que uma mulher aparecesse descendo as escadas seguida de um homem já meio velho e lento na caminhada. A mulher era muito atraente, aparentava não mais de dezenove anos e possuía longos cabelos castanho escuro, meio assanhados, caindo-lhe pelas costas.

Ela foi primeiro em direção ao taverneiro, demorou-se alguns segundos entre risadinhas e sussurros, até que o homem apontou na direção de Ryon e de Orik. Ela então assumiu uma feição mais séria e o chamou à um canto. Orik o seguiu, Ryon não soube dizer se atraído pelo mistério ou pela beleza da mulher.

– Senhorita… Gwen? – começou Ryon.
Ela levantou um dedo e com um sorriso apontou para o bolso do arqueiro – Não converso assim. Se quiser meus serviços vai ter que me pagar.
– A senhorita entendeu errado, não vim pelos seus… Não vim para… Eu quero apenas lhe fazer umas perguntas!
– Os homens pagam para que eu lhes pergunte, porquê eu não posso cobrar para que me perguntem?
– Acho que você está numa encruzilhada, meu amigo – comentou Orik.
Ryon puxou de seu bolso algumas moedas de prata, certamente mais do que a mulher ganharia pelos seus serviços, e as colocou furtivamente sobre a mesa – Mas você vai me responder tudo que sabe.
– E muito mais – disse ela com um sorriso – Me acompanhe.
Orik olhou de um para o outro com uma expressão meio desconsertada. Ryon fez sinal para que o seguisse. Gwen percebeu o movimento e tratou de falar:
– Terei que cobrar o dobro pelos dois.
– Não pagarei mais que isso!
– Tá certo, tá certo! – disse ela num tom zombeteiro.

Subiram as escadas e entraram num dos muitos quartos de um corredor escuro. O quarto não fazia diferente, a sua única janela era obstruída por um casarão enorme do outro lado da rua, que não deixava que a luz do sol entrasse de forma distribuída pelo quarto. Gwen apontou a cama para os dois, mas Ryon preferiu puxar uma cadeira a um canto. Orik preferiu se jogar na cama como pôde.

– O que querem fazer? – ela perguntou.
– Eu procuro respostas. Você andou falando com o filho de um desses desaparecidos não foi?
Ela mordeu a boca num olhar insinuante, mas logo desistiu ao ver que as intenções de Ryon eram outras:
– Tem esse rapaz que costuma aparecer aqui vez ou outra para desfrutar dos meus serviços. Mas ele veio dessa vez para encher a cara. Estava amargurado, falou do desaparecimento de seu pai, falou de uma briga também, mas isso não ficou muito claro entre todos os soluços constantes. Não quis nem ao menos…
– E como ele se chama?
– Joffrey, Joffrey Bolovan. Ele mora ali naquele casarão – disse apontando para a janela – se querem mesmo falar com ele, provavelmente irão encontrá-lo por lá.
– Há mais alguma coisa que possa nos contar? – insistiu Ryon.
– Contar não, mas talvez…
– Ótimo – disse Ryon se levantando e puxando mais umas duas moedas de prata – isso aqui é para você ficar de olho em qualquer coisa anormal. Preciso que você seja meus olhos aqui na taverna. Não fale que eu estive conversando com você e não se reporte a ninguém, se for fiel à mim, sairão mais moedas de onde estas saíram.
Gwen pegou as moedas e as guardou imediatamente dentro de seu decote, e com um sorriso disse – Não vai precisar se preocupar com isso.
– Vamos Orik – disse Ryon.

Os dois saíram da taverna para a luminosidade fraca de fim de outono que permeiava em Pedra do Lorde. Orik foi o primeiro a falar:
– Porquê foi tão mole? Ela tava no papo.
– Orik, conheço alguém que pode nos ajudar com essa missão – disse Ryon ignorando a pergunta.
– Você fala como se eu estivesse envolvido com isso tudo.
– E não está? – o anão parecia muito animado. Tão animado como a primeira vez que os dois se encontraram.
– Contanto que tenha recompensa, estou!
– Então venha comigo, podemos encontrá-lo fora da cidade – E assim eles saíram pelo portão norte.

Enquanto esteve na Companhia dos Homens Rubro-Cinzentos, vez ou outra em algumas missões havia um elfo nyss que guiava os companheiros por aqueles terrenos traçoeiros. Ele que conhecia aquelas terras como ninguém. Nem todos sabiam o seu nome, alguns apenas preferiam chamá-lo de Lobo das Estepes.

Ryon seguiu um caminho que dava para uma pequena elevação de pedras. Torceu para que Lobo das Estepes ainda estivesse usando aquele local como ponto de encontro. Andaram por alguns metros até chegarem no topo, onde uma barraca de pele se erguia. À sua frente, um elfo de cabelos cinzas e olhos azuis penetrantes como lanças, estava assando um coelho numa fogueira feita há pouco tempo. Ele não demonstrou sinais de que conhecia os dois aventureiros.

– Lobo das Estepes? – chamou Ryon.
– Ryon Noctar, dos Companheiros Rubros-Cinzentos – respondeu ele, com feição vazia em seu rosto.

Após um longo silêncio, onde nenhum dos dois falava mais qualquer palavra, Orik puxou o animal pela vareta de madeira que estava atravessada, e deu uma enorme mordida – É coelho?

———-

É isso gente! Este foi o primeiro capítulo desta odisséia. Acabou que ficou meio grande, ou pequeno não sei, quero a opinião de vocês para o tamanho do capítulo, não quero tornar a leitura tão maçante e por isso não tenho certeza de como vocês preferem. Achei melhor começar com um capítulo mais calmo. Pouca coisa aconteceu nele, é verdade, mas este capítulo serve mais ao propósito de apresentar os personagens e a cidade. Espero que tenham gostado, e não deixem de comentar!

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Raphael Meltoh

Bio: Gamer desde a infância, mas precisamente desde os 5 anos. Amo séries (comecei pela influência de Lost), e animes. Jogador de RPG e apaixonado por cinema. Descobri recentemente também o gosto por HQ's. Ah! E é claro, fã confesso de Phoenix Wright!
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