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Game Over | Um jogo sem final (Reflexão)

Quando o Game Over vem antes da hora…

 

(por SHiN)

Um dia desses, enquanto assistia ao episódio nº 10 de Accel World, vi uma frase que me chamou a atenção. Ela me remeteu a uma memória do passado que até então eu nunca havia parado pra pensar e refletir, e tenho certeza que muitos aqui já passaram por situação semelhante, e, assim como eu, também nunca pararam pra pensar.

Primeiramente, pra que seja possível entender do que se trata a tal frase, é necessária uma pequena apresentação do anime, afinal, entender o contexto em que a mesma foi dita é parte importante da explanação que virá a seguir.

Pois bem, segue um resumo extremamente simples da história:

O plano de fundo é basicamente um jogo online que dá ao usuário poderes para desacelerar o tempo real, uma espécie de “parar o tempo”. A cada vez que o jogador utiliza seu “poder” no mundo real, seus pontos adquiridos no jogo são consumidos, e para adquirir os ditos pontos os jogadores se enfrentam em batalhas um contra o outro. Como de costume em games online o vencedor ganha pontos, e o perdedor perde parte dos pontos que tem (dã, isso já era meio óbvio). Quando os pontos de um jogador acabam, ele perde o direito de jogar, e consequentemente, o poder de desaceleração no mundo real. Em contrapartida, quanto mais ele ganha, mais seu char evolui. A evolução é medida em leveis (como na maioria dos MMORPGs), sendo que o level máximo alcançado no anime até então é o 09, no qual estão cerca (não tenho certeza) de sete usuários.

Rumores apontam que quando alguém atingir o nível 10, o jogo será finalizado, e todos perderão suas habilidades de desaceleração, inclusive o vencedor, por isso, ninguém quer se arriscar e tentar alcançar o tal nível “máximo”, afinal o poder de desaceleração gera muitos benefícios aos jogadores, e estes não querem perdê-lo.

Ok. Feita a introdução (que ficou maior do que eu gostaria) chegamos ao momento exato em que o protagonista conversa com um dos jogadores de level 9 sobre o fato de ninguém tentar a evolução para o nível 10. Segundo ele, este “medo” dos jogadores acaba fazendo com que o jogo não tenha um final, o que de certa forma é verdade. Trazendo esse contexto para nossa realidade, existem vários games online (do tipo MMORPG) que não possuem um final, aliás, a grande maioria. Neles, seu personagem está fadado a evoluir infinitamente sem objetivo aparente, exceto, ser o “level mais alto”.

Chegamos onde eu queria chegar, a frase dita pelo protagonista em sua conversa. Sem rodeios, vamos a ela: “É triste presenciar o fim de um jogo sem final”. Meio contraditória não é? Mas pense bem, pra você, jogador, quando o jogo acaba? Para mim, acaba quando eu paro de jogar, independente se eu venci o Boss (chefão) ou não. No momento em que decidi não mais jogar, aquele é o fim do jogo.

Nos jogos online, o maior diferencial é a interação que se tem com outros jogadores, pessoas que você nunca viu, e provavelmente nunca verá, mas que estão ali, quase que diariamente se comunicando, trocando experiências, enfim, se conhecendo. De certa forma, nasce nestes jogos relações de amizade, vínculos que são preciosos para quem joga, mas que de certa forma dependem do jogo em si, pois ele é o “ponto de encontro”.

Como o jogo não tem fim nasce a leve crença que a interatividade com os amigos “on line” irá durar por um longo tempo, contudo, quando menos se espera, alguém do “grupo/clã/família” decide que é hora de parar, e como que em uma espécie de efeito dominó, os amigos vão se separando, um a um, todos vão indo embora, sumindo, e os que permanecem, perdem o motivo para estar ali, pois, a essa altura, o jogo em si já se tornou irrelevante.

É nesse momento que ocorre o “fim de um jogo sem final”, e ainda que seja algo previsível, afinal nada é eterno, e o fim sempre chega, é um momento triste na vida de um jogador. Algumas amizades até se estendem para outras plataformas, redes sociais, e etc, mas nunca é a mesma coisa. Um ciclo foi ali fechado, e a única coisa que o faz permanecer vivo na memória das pessoas é a lembrança dos tempos em que “aquele jogo era bom”.

Embora eu tenha tentado, não consegui chegar uma “solução” para o problema, afinal, despedidas são sempre ruins, ainda mais quando não se espera. Será que se o jogo tivesse um final claro, um objetivo específico, a separação seria menos triste? De repente os jogadores tomariam como meta, antes de cada um seguir seu caminho, ajudar os outros do grupo a alcançarem o final, e com isso, a despedida não seria traumática, seria mais espécie de comemoração, afinal o grupo triunfou, a família venceu, ninguém foi esquecido pelo caminho. É uma possibilidade, mas ainda sim questionável.

De qualquer forma, vocês que acompanharam até aqui, já vivenciaram o fim de um jogo sem final? Qual foi a sensação? Seria possível evitar a tristeza? É hora de compartilhar nossas experiências.

[Créditos à dysphonias e TheGeminiSage pelas FanArts]

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Rackor

Gamer de fliperamas aos consoles, passando pelo saudoso GB Color e seu Pokémon Yellow. Leitor de mangás, e dou preferência a estes ao invés de animes. Mais recentemente descobri as HQs, e desde então sou fã da trajetória de Geoff Johns em Laterna Verde, entre outros clássicos como Watchmen.
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