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#PdR – O Poderoso Chefão!

“Leave the gun, take the Canolli”

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(Por Rafael Gaara)

Há alguns anos atrás, em um final de semana sem nada para fazer, recebi a ligação de um primo dizendo que estava indo para a minha casa e que ele iria levar um filme muito bom pra gente ver. Ele disse que o filme se chamava O Poderoso Chefão e que era de 1972. Pensei na mesma hora: que ótimo, vou passar meu final de semana vendo um filme velho com imagens horríveis, história chata e que “pseudo-cults” adoram chamar de clássico ou obra de arte. Naquela má vontade incrível fui assistir o filme, mas logo na primeira cena comecei a me surpreender e prestar bastante atenção. Ali na minha tv estava acontecendo a seguinte cena: 

Um senhor de meia idade chamado Bonasera (Salvatore Corsitto) pedia por vingança. Sua filha havia sofrido uma tentativa de estupro e foi espancada pelos “bandidos” durante essa tentativa. Ele (Bonasera) pedia para que Don Vito Corleone (Marlon Brando) assassinasse os miseráveis que fizeram aquela covardia com sua filha em troca de uma boa quantia em dinheiro. No entanto a resposta do Don é inesperada. Don Vito diz que Bonasera nunca o convidou para tomar um café, nunca lhe chamou de Padrinho, nunca quis a sua amizade e de repente aparece em sua casa pedindo para que o Don mate por dinheiro. Aquilo era uma ofensa! Mesmo desfigurada, a filha de Bonasera estava viva e não seria justo que os bandidos fossem assassinados, mas que se Bonasera o tratasse como um amigo e lhe chamasse de Padrinho, os bandidos que fizeram aquilo com a sua filha já estariam sofrendo. Bonasera oferece sua amizade, beija a mão do Don e o chama de Padrinho. O Padrinho diz que faria o favor para Bonasera e manda que o serviço seja entregue a alguém que faça o “trabalho” de forma limpa, sem assassinatos, mas deixa uma pequena condição:

“Se um dia o Don precisasse de um favor, e esse dia poderia nunca chegar, Bonasera teria que retribuir a gentileza em respeito e amizade ao Don Corleone”.

Uma cena clássica que abre de forma magistral um dos melhores filmes de todos os tempos e que me fez deixar de lado todos os preconceitos em relação a filmes antigos.

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O Poderoso Chefão ou The Godfather (nome muito mais condizente com a proposta do filme), conta a história da mafiosa família Corleone, chefiada por Don Vito Corleone e que possui o domínio de grande parte dos negócios ilegais da grande Nova York na década de 40.

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A família tem sua hegemonia, honra e respeito abalados quando outras famílias poderosas da cidade tentam introduzir o tráfico de drogas no rol de negócios da máfia e precisam da ajuda de Don Vito para conseguir ajuda politica e policial, já que naqueles tempos a família Corleone era a mais influente e poderosa da cidade. No entanto Don Vito nega essa ajuda por considerar que as drogas poderiam vir a ser muito perigosas para a sociedade, diferente dos jogos de azar e prostituição.

Ao negar ajuda e proteção, a família Corleone passa a sofrer atentados contra os membros de sua família.

O Poderoso Chefão é dirigido por Francis Ford Coppola, um jovem diretor a época e que mais tarde viria a dirigir Apocalypse Now, outro grande clássico dos cinemas. O filme, O Poderoso Chefão é baseado na obra de Marco Puzzo, que também escreveu o roteiro do filme (editado por Coppola).
Durante as quase 3 horas de projeção somos apresentados de forma realista e extremamente bem caracterizada o cotidiano da máfia e todas as suas nuances. Marlon Brando dá um show a parte com gestos, expressões e um carisma excepcional, seu personagem além de possuir uma grande sabedoria e perspicácia, demonstra um grande amor pela família. Temos um ator no auge de sua carreira.

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Apesar de Marlon Brando com seu Vito Corleone roubar a cena, o personagem principal desse filme e da trilogia é Michael Corleone interpretado com muita competência por um jovem Al Pacino. Michael é um herói de guerra que nunca se envolveu nos negócios da família, apesar de demostrar um grande carinho pela mesma. No entanto, durante a guerra entre as famílias de Nova York, Michael é obrigado a tomar a frente dos negócios da família, pois se não o fizesse poderia ser o fim da família Corleone.

Além da dupla principal, temos inúmeros personagens interessantes como Tom Hagen (Robert Duvall) filho adotivo do Don e advogado da família, sempre disposto a agir quando é necessário utilizar argumentação para “convencer” os amigos e inimigos.
Temos ainda os outros filhos do Don: Santino ‘Sonny’ Corleone (James Caan) sucessor direto de Don Vito, um sujeito leal a família, mas um tanto quanto impulsivo, Connie Corleone (Talia Shire) vivendo um casamento conturbado e Fredo Corleone (John Cazale) o filho digamos, mais lerdo do Don. Ainda temos Kay Adams (Diane Keaton), mulher do Michael, Luca Brasi, Sollozzo, Clemenza, Barzini, entre outros personagens extremamente cativantes e marcantes.

O filme ainda possui uma trilha sonora memorável, uma fotografia impecável e uma pegada realista impressionante. É um filme de longa duração que não me cansou em nenhum momento, ficamos sempre na expectativa do que virá a seguir.

Em suma, só posso recomendar fortemente esse filme, assim como suas sequências que formam uma bela trilogia. Eu diria que o segundo filme é tão bom ou melhor que esse primeiro e o terceiro também é muito bom, apesar de estar em um patamar abaixo dos dois primeiros.
O Poderoso Chefão é uma obra influente, relevante, realista e chocante, se você ainda não assistiu, corra e compre os DVDs ou Blu-rays, pois certamente sua visão sobre o mundo, sobre o conceito de família, negócios e até mesmo sobre a vida, irá mudar após assistir esse grande clássico da sétima arte.

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Rackor

Gamer de fliperamas aos consoles, passando pelo saudoso GB Color e seu Pokémon Yellow. Leitor de mangás, e dou preferência a estes ao invés de animes. Mais recentemente descobri as HQs, e desde então sou fã da trajetória de Geoff Johns em Laterna Verde, entre outros clássicos como Watchmen.
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