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Opinião | Síndrome de Sheldon Cooper

Previna-se dessa Alienação

Alienação, essa é a palavra que define muito bem o que estamos vivendo na sociedade, vejamos exemplos na música, onde pessoas de talento altamente questionável dominam a indústria do show business de uma certa forma que seus seguidores ultrapassam a barreira do fanatismo, se tornando idolatria, uma histeria de proporções colossais. Atores tão expressivos que entre um papel e outro só mudam o nome e o cabelo, pois são incapazes de interpretar algo diferente que não seja “ele mesmo”. Essa histeria acontece também no futebol, onde um jogador de futebol é muito mais comentado pelo que faz fora de campo (pelo seu peso e pelo seu penteado) do que com a bola nos pés, o marketing é tão forte que uma simples participação de um jogador num programa de TV, num show ou num clipe dos já citados “músicos” é capaz de dominar todas a mídias com informações de grande importância para cada um de nós (ironia).

E eis que entre jogadores, músicos e atores vemos surgir um personagem de ficção (não que os outros não sejam quase fictícios), seu nome é Sheldon Cooper, opa Doutor Sheldon Cooper. Mas como um personagem arrogante, mal humorado, dependente, chato, mal vestido consegue alienar alguém? Não sei, mas vamos a situação.

Digeri as duas primeiras temporadas de “The Big Bang Theory” muito rápido, quase sem degustar, a partir da terceira temporada passei a olhar mais criticamente para a série, e comecei a perceber que apesar de ser boa, não merece o barulho que causa. Sim, hoje eu ainda assisto a série (esporadicamente) e ainda consigo dar “algumas” risadas. Porém, não é sobre a série que vou falar e sim sobre um personagem, ou melhor, sobre seus seguidores.

Dias atrás jantávamos num restaurante quando percebemos que na mesa ao lado uma garota estava manifestando sua síndrome de Doutor Cooper, os sintomas começaram ser evidenciados quando ela passou a tratar o garçom com extrema arrogância e ar de superioridade, infelizmente, acredito que não seja do conhecimento dela que a sabedoria popular indica que não é muito “inteligente” tratar mal quem pegará na sua comida antes de você (Bazinga!). Prosseguindo, essa “pseudonerd” que provavelmente não sabe nem a raiz quadrada de 9, estava devidamente vestida com sua camiseta vermelha do Shazam (porém, ela pensava que era do Flash) e sua calça xadrez (a lá Doutores da Alegria) tentava impressionar a (pobre) amiga e todos os demais presentes no recinto falando (alto) sobre o quanto ela se identificava com o citado gênio da ficção, pois ela também é incompreendida pelas pessoas ao seu redor (Kurt Cobain detected).

Caramba, o que tem de tão influente em Sheldon Cooper? O cara é engraçado? Sim, algumas cenas são engraçadas, mas Charlie Sheen também era engraçado em “Two and a Half Men”, e nem por isso as pessoas saíram por ai vomitando em carrinhos de bebê (ufa).

Não consigo enxergar nenhum tipo de influência positiva vinda do Doutor Cooper, o cara não sabe dirigir, não sabe se vestir, não sabe conversar, não sabe nem namorar, dono de uma inocência que beira o ridículo. O único fator positivo é a extrema inteligência. Mas do que vale a inteligência se a característica mais marcante dessa pessoa é a arrogância?

Stephen Hawking o verdadeiro dono de uma das mentes mais brilhantes do nosso tempo, um gênio real, sentiria vergonha de ver um cara como Sheldon sendo considerado ícone de uma geração. Até porque mesmo com toda sua debilitada saúde física, é um cara muito mais comunicativo e independente do que o gênio da ficção.

No próprio seriado vemos o quanto Leonard (o mais humano de todos) sofre por saber que sua amizade com o Sheldon atrapalha sua vida social, chegando a sentir vergonha da situação. Então, se há um cara influente no seriado, esse cara é o Leonard, pois além de ser extremamente inteligente (e pegar a Penny), ele é um cara bem humorado, bom amigo e (sempre que possível) coerente.

Triste é que se analisarmos o personagem Sheldon apresentado no primeiro episódio da série (aquele da doação de esperma), percebemos o quanto ele foi se descaracterizando com o passar do tempo, pois ele já possuía algumas características estranhas e bizarras, porém, víamos outras características de um jovem solteiro e loser normal, e essa composição é que tornou o personagem engraçado e cativante.  Mas, ao tentar ampliar o alcance da série, os produtores acabaram mudando a personalidade dele, criando um ser  sem alma e quase assexuado, perdendo o carisma que eu tinha por ele.

A série tem um lado positivo que é o fato de falar de quadrinhos, seriados de ficção científica e tals, apresenta situações engraçadas, mostrando dois universos em colisão, na medida do possível os 4 gênios estão se acertando na vida amorosa, e sem esquecer de umas boas doses de humor, porém precisa plantar muitos feijões mágicos para chegar ao nível que “Friends” chegou, digo isso, pois houve um tempo que muita gente dizia que “The Big Bang Theory” era o novo “Friends”. Porém, ainda não perdi minhas esperanças na série e sempre que possível continuarei assistindo e torcendo para que as coisas tomem um novo rumo.

Espero não ser apedrejado pelos fãs do Sheldon, até porque sei que existe uma diferença muito grande entre ser fã e ser alienado. Um verdadeiro fã saberá que esse texto não é pra ele.

Vida longa e prospera!!

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Gustavo Grangeiro

Gamer desde a época que não existia Pause, que o Atari estragava a TV (Telefunken), que o Mario ainda se chamava Jumpman, e que Fliperama não era lugar para bons meninos. Amante de uma boa leitura de ficção, filmes e séries. Sou baterista (sem banda) e adoro falar bem e mal de tudo que é ligado a rock and roll e suas derivações "legítimas". Aceito uma discussão sadia sobre qualquer assunto, principalmente os polêmicos.
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