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HQ | Cronologia de Hellboy

Sapos por toda parte!

Por mais que as criações do Guillermo del Toro sejam incríveis, por mais que Ron Perlman seja uma luva pra Hellboy, por mais que eu me impressione vendo as Concept Arts do filme, ainda assim é Hollywood. Romances são criados a esmo, a dinâmica precisa estimular o tempo todo, as adaptações transpassam o limite da criação e colocam botas em um pé de casco.

Se você conhece Hellboy apenas dos filmes, precisa conhecer os quadrinhos de quem o concebeu, o lento Mike Mignola. Estou fazendo este post, porque tive uma imensa dificuldade em achar um material que explicasse como é que funciona esse universo de Hellboy.

Tinha dúvidas básicas e sei que alguns compartilham delas.
Por onde começar? Que ordem seguir? O que vem depois? Essa história faz parte da trama principal?

E por ai segue.

Pra começar, Hellboy é um quadrinho que monta a saga de um demônio invocado durante a Segunda Guerra Mundial com o intuito de mudar o rumo da guerra (e do mundo), porém algo dá errado. O demônio, ainda criança, é resgatado por um cientista/pesquisador que o leva para o lado do bem. O Demônio, ganhando o alcunha de Hellboy, passa a prestar serviços a um departamento de combate a seres que não cabem em nossa compreensão (Hellboy é um deles). Nessa Pokeagenda de criaturas fantasticas temos Deuses, Demônios, Semi Deuses, Servos, Mortos Vivos, Bruxas, Feiticeiras, Magos, Monstros Lovecraftianos e muitos outros.

Eu comecei a leitura de Hellboy toda errada, sem seguir nenhuma ordem, era muito novo na época. Entretanto, as histórias do Mike Mignola por mais que façam parte de um arco maior, podem ser lidas aleatoriamente, pois sempre existe um sumário, alguns adendos, varias marcações e explicações de edições anteriores. O que sempre facilita (e enrola a história).

Recentemente, peguei um exemplar pra dar uma olhada e acabei caindo no poço de pesquisas que é Hellboy. Dessa vez seguindo a ordem correta.

Começando por Sementes da Destruição, que saiu aqui no Brasil pela Editora Mythos, em um encadernado luxuoso, intitulado, Hellboy – Edição Histórica – Volume 1 – Sementes da Destruição. Aqui inicia a história de Hellboy na Terra, onde ele é invocado e acaba se juntando ao lado do bem. Somos apresentados a B.P.D.P.: Bureau de Pesquisas e Defesa Paranormal, departamento que combate seres estranhos, onde temos outros seres fantásticos ao lado de Hellboy.
Temos aqui o primeiro arco da história, onde alguns mistérios são revelados e outros surgem. Mas não é mostrado as dimensões que a história pode ter, por enquanto é apenas uma guerra política salpicada em ocultismo.

Mignola na época era inexperiente com histórias, por isso chamou John Byrne para escrever os diálogos a partir de sua resenha e a ilustração ficou por conta do próprio criador. Aqui já da pra notar a vasta pesquisa sobre personagens participantes das Grandes Guerras e referências do histórico mundial, o que logo tomaria proporções maiores, englobando mitos de diversas áreas e épocas, personagens ainda mais icônicos do passado e elaborações de plots sensacionais.

A sequência dessa história veio em O Despertar do Demônio, também publicado aqui pela Mythos, na edição Hellboy – Edição Histórica – Volume 2 – O Despertar do Demônio. Aqui a história continua já envolvendo conspirações ainda maiores, trazendo o complexo Napoleônico dos personagens ao topo de suas características. Seres do imaginário mitológico começam a ganhar espaço nas histórias, o que ao longo da história se torna cada vez mais frequente.

É interessante dizer que Hellboy não é uma leitura fácil, são muitos nomes, muitas citações, várias histórias acontecendo ao mesmo tempo, as vezes em lugares e até épocas diferentes, por isso se precisar ler mais de uma vez, (o que eu recomendo) então faça. Depois tire um tempo pra ver o belo trabalho de sombras do Mignola.

Aqui a história e a ilustração já são do próprio criador. As coisas ficam mais densas e horripilantes do que a aventura documental do primeiro arco.

http://a-archer.deviantart.com/

A história então da uma freada e sete contos são lançados, são eles O Cadáver, Botas de Ferro, Baba Yaga, Natal Subterrâneo, O Caixão Acorrentado, Os Lobos de Santo Agostinho e Quase um Deus. Talvez, eu conte sobre eles em outro post. Todos funcionam separados, porém completam algumas pontas soltas na história principal.
Exemplo disso é o conto Baba Yaga, quem ler O Despertar do Demônio vai conhecer Baba Yaga, mas só é citado que Hellboy arrancou um de seus olhos, nada mais. Aqui ficamos sabendo como os dois se conheceram. Vale a pena dar uma lida em todos os contos.
Aqui no Brasil os sete contos são encontrados em única edição, Hellboy – Edição Histórica – Volume 3 – O Caixão Acorrentado.

Depois de sete contos, Mike Mignola lança mais seis histórias curtas e em seguida retoma a história principal. Os contos são Panquecas (vou postar esse no fim), A Natureza da Fera, Rei Vold, Cabeças, Adeus Senhor Tod e O Vârcolac. Todos independentes, funcionando como complemento.

E então temos A Mão Direita da Perdição e A Caixa do Mal, esses dois dando continuidade a história principal. Essa é uma parte importante de se prestar atenção, pois leitores acabam passando por isso e se perdem na cronologia de Hellboy, dada essa confusão. Portanto, se esta seguindo apenas a história principal, é só passar do O Despertar do Demônio para A Mão Direita da Perdição e depois A Caixa do Mal.
Aqui no Brasil os seis contos mais as duas continuidades, foram lançados juntos na edição Hellboy – Edição Histórica – Volume 4 – A Mão Direita da Perdição.

Gostaria de descrever os contos e minha opinião sobre eles, mas deixarei pra outros posts, mesmo com a vontade me corroendo (esse aqui já vai ficar grande demais).

http://betteo.deviantart.com/

Hellboy – O Verme Vencedor é uma história sem ligações com a história principal, entretanto possui ligações com outros contos, como a história que conta sobre Roger, um homúnculo que aparece em Quase um Deus. É dispensável por não ter relevância no arco principal, mas pelas referências a Edgar Alan Poe e Lovecraft, já vale muito a pena a leitura.

Podemos pular a parte de Contos Bizarros, B.P.D.P. e Paragens Exóticas, pois foi uma fase de experimentações de Mike, onde Hellboy se cansa e pede demissão da B.P.D.P., seguindo solo. Como Mike não poderia perder grandes personagens secundários, criou também os quadrinhos da Bureau de Pesquisas e Defesa Paranormal.

Passamos então para O Clamor das Trevas que nos remete a sequência de A Caixa do Mal. Aqui Mike Mignola entrega seu demônio vermelho nas mãos de Duncan Fegredo que ilustra a história com maestria, eliminando alguns traços caricatos do Mignola. Essa foi a primeira história que eu peguei pra ler, e por esse motivo afirmo que é possível ler fora da ordem, mas que dentro  da ordem é bem melhor.
Em Clamor das Trevas o tempo todo Hellboy parece estar fora da B.P.D.P., mas no final aparece uma ponta que pode explicar algumas coisas e já deixa vago o espaço pra mais uma aventura solo.

Pulamos agora mais dois contos, esses com as participações de Fegredo e Richard Corben, além de Mignolia. São eles A Capela de Moloch e O Vigarista.

Vamos direto para A Caçada Selvagem que é continuação de O Clamor das Trevas, num momento pós Baba Yaga, Hellboy agora caminha em direção a algo que despertou e parece ser ainda mais poderoso. Aqui acredito que podemos iniciar a preparação para o Ragnarok. Mais uma vez a arte é do Fegredo, mas o estilo de ilustração já não segue as linhas de Mignola, o que me desaponta em alguns trechos.

Mas antes do Ragnarok e pra finalizar nossa cronologia, A Tempestade, que marca a continuação de A Caçada Selvagem. Esse ainda mais escuro, sombrio e envolvendo fenômenos que atingem um ambiente apocalíptico. Por enquanto são essas as histórias e edições lançadas, assim como nós Guillermo Del Toro também aguarda novas histórias, afinal tem interesse em lançar um terceiro filme, mas não sem antes Mike Mignola alcançar o desfecho em Ragnarok.

Como prometido deixarei aqui as duas páginas do mini conto Pancakes, onde Hellboy experimenta da comida humana e enlouquece os demônios no Inferno.

Espero que tenham curtido. ;]

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Senhor Coruja

Adoro cinema e não consigo escolher o filme da minha vida. Me tornei viciado em séries quando conheci Friends, já bem tarde. Leitor esporádico de mangás, hqs e livros. Sou ligado a tecnologia, tal qual Lain. E se existe algo entre Old School e Tempos Atuais, esse sou eu.Tempos Modernos, talvez.

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