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Sherlock | Atemporalmente brilhante!

O clássico moderno e uma das maiores obras televisivas da atualidade.

Talvez eu levasse alguns DVDs de Sherlock para Sir Arthur Conan Doyle e ver o que ele acha. Ele provavelmente me daria um soco!

Steven Moffat.

O número 221B Baker Street é o lar de um detetive brilhante e peculiar. Quando não está servindo de consultor (não remunerado) para a polícia ou para um cliente particular, o detetive escreve em seu blog, A Ciência da Dedução, acerca de cinzas de tabaco, perfumes e outros assuntos que lhe chamem a atenção. Ele se diz um psicopata funcional, mas um espectador mais atento pode enxergar nele sintomas que apontem para Asperger. As pessoas não conseguem entendê-lo, não só pelo raciocínio do homem estar sempre vários passos a frente de todos, mas também por seu comportamento ser incompreensível à luz das normas de conduta social. Contudo, apareceria uma pessoa em sua vida que a tornaria mais completa; alguém que compartilhasse sua necessidade por adrenalina, que visse o mundo como um palco de guerra e gostasse disso.

O militar aposentado era um médico que sofrera um ferimento durante a Guerra do Afeganistão e não encontrava mais sentido em sua vida. Acreditava-se que sua condição era decorrente do trauma, mas era o contrário. O doutor sentia falta da guerra. Ele não podia simplesmente se adaptar a uma vida monótona soube, no instante em que conheceu aquele homem, que a monotonia não lhe acompanhava. Mesmo diante de suicídios misteriosos que a polícia não conseguia entender, códigos aparentemente indecifráveis, um suposto cão monstruoso, a mulher que colocara a Inglaterra de joelhos e inclusive um consultor criminal que se revelou o maior adversário imaginável para o detetive, o soldado jamais deixa de apoiá-lo e de observar, com fascínio mal disfarçado, a forma como aquela mente trabalhava, assim como se pergunta como a mesma mente não retém informações básicas que até crianças em idade escolar conhecem.

sherlock-watson-bbcEssa é a estória de Sherlock Holmes e John Watson, amigos e colegas de quarto que resolvem crimes na Inglaterra contemporânea, mais pela emoção e pelo desafio do que por qualquer outra coisa. E com apenas duas temporadas que somam ao todo seis episódios, sendo que a terceira deve estrear em novembro desse ano, Sherlock se alçou ao posto de uma das séries mais aclamadas pela crítica especializada e pelo público britânico, conquistando, inclusive, uma base de fãs fortíssima ao redor do mundo.

Sherlock é uma série britânica da BBC criada em 2010 por Steven Moffat e Mark Gatiss, célebres roteiristas e produtores do Reino Unido que eu só conhecia pelo excelente trabalho dos dois em Doctor Who. As estórias escritas por Sir Arthur Conan Doyle não foram simplesmente adaptadas para os dias atuais, mas o foram de uma maneira que, ao mesmo tempo em que inova e surpreende na abordagem dos eventos dos livros e dos personagens, ainda consegue transmitir um sentimento de fidelidade à obra original.

A força da série reside principalmente no texto. Ele é intricadamente inteligente, desde as falas até a própria estrutura do plot e como o mesmo se engrena e desenvolve até o espetacular clímax que faz o espectador, ao mesmo tempo, pular de surpresa e se perguntar “como eu não vi que aquilo ia acontecer?”. Acompanhar Sherlock é um verdadeiro teste para a mente. Você precisa prestar atenção nos mais ínfimos detalhes e formular teorias no espaço de 90 minutos (duração média de cada episódio), mas, no fim das contas, a chance de se adivinhar o que acontece no final é quase ínfima. E ter lido os livros não mudará isso.

É importante mencionar também o soberbo trabalho dos atores e atrizes do show. Benedict Cumberbatch dá a seu Sherlock Holmes um ar calculista e instigador de alguém que sente real e fervorosa paixão em resolver enigmas e racionalizar tudo, mas também dá sutis (às vezes nem tanto) demonstrações de que, embora não na mesma medida de outros, ele se importa com as pessoas próximas a ele. O John Watson de Martin Freeman demonstra com maestria sua lealdade e fascínio para com o amigo sem, contudo, impedí-lo de chamar a atenção do detetive para coisas que ele não percebe e, mesmo, perder a paciência com sua falta de senso comum e discutir com ele.

Mycroft HolmesAlém das fantásticas interações dos protagonistas, ainda temos personagens como Irene, cuja inteligência e força podem ser consideradas a par com as do protagonista, fazendo dela a mulher que Sherlock mais admira no mundo (the woman!); e Moriarty, sobre quem eu realmente não posso discorrer muito para não dar spoilers – e se surpreender com a revelação de Moiarty é talvez a melhor experiência da primeira temporada.

Personagens relativamente menores, como Mycroft (interpretado por Gatiss), Lestrade, Molly Hooper e a Senhora Hudson, também brilham em cena e capturam a atenção do espectador, que os aceita como pessoas reais e se importa com o que acontece a eles. Junto com John, eles são a emoção e humanidade do programa, e têm um importante papel em manter Sherlock do lado dos anjos.

Esta não é simplesmente uma série de televisão, tampouco uma simples adaptação de um ícone literário.  Sherlock é arrebatador de um jeito que o espectador não sente o tempo passar e não percebe o que acontece no mundo real enquanto o episódio está sendo exibido. Ele invade seus pensamentos e desafia sua lógica ao limite, fazendo sua cabeça doer e seu coração pulsar. O show é de uma qualidade altíssima e não subestima a audiência em momento algum. Sherlock entretém, emociona e, uma vez que você assiste o primeiro episódio, não há mais retorno. Senhor Holmes jamais lhe deixará escapar!

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Andreanekacs

Leitora voraz de livros e mangás, facilmente viciável em séries e frequentemente tecendo teorias estranhas sobre a vida, o universo e tudo mais.
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