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Opinião (Atrasada) | Rio 2

Rio 2 Poster

Já comentei anteriormente aqui no blog que ultimamente não ando conseguindo ir ao cinema ver os lançamentos recentes de Hollywood devido a estar com um filhinho muito novo que ainda não tem paciência para acompanhar os pais a ficar sentado numa sala escura, com som alto e com uma tela maior do que seus olhos talvez consiga acompanhar. Talvez isso mude muito em breve, já que o crescimento de um ser humano em seus primeiros meses e anos de vida é assustador, porém enquanto isso não acontecer, permaneço em jejum de cinema.

Então a solução é assistir tudo com atraso, em Home Video, Netflix ou daquele jeito que todo mundo conhece pela internet e que não preciso dizer mais além disso porque você já sabe. E neste final de semana tive a oportunidade de assistir Rio 2, lançado em abril desse ano e que tive a impressão que poucos deram a devida atenção a sequência de um filme divertido do Carlos Saldanha, que deu muito mais o que falar em seu primeiro filme.

Não me entenda mal, Rio 2 me pareceu ser uma animação muito superior ao filme anterior, mas muito menos brasileiro também. O primeiro Rio tinha toda aquela pegada de apresentar o Carnaval como um evento cultural do Rio de Janeiro sobre uma perspectiva que talvez nunca tenha sido mostrada numa produção hollywoodiana, tinha aquela ideia de apresentar a alegria e irreverência do povo brasileiro e seu jeitinho. Com alguns exageros aqui e ali, porque isso também faz parte do jeitinho do cinema, americano e mundial, de chamar a atenção. Rio 2 perde um pouco de tudo isso ao jogar praticamente toda a trama numa floresta tropical que apesar de ainda se passar no Brasil, poderia ser em qualquer outro lugar do mundo que ainda assim não faria muita diferença a história.

Isso significa que o plot dos humanos no filme é muito menor. E a questão política da animação sobre o desmatamento da mata amazônica é contida e pouco explorada da mesma forma como o primeiro filme fez ao brincar com o nosso carnaval. E veja bem, é claro que o filme não precisa em nenhum momento discutir isso de forma mais madura ou sociológica, ainda mais numa animação, porém esse tipo de segundo plano vem se tornando comum nas produções que puxam a qualidade pra cima, além de tornar o entretenimento menos “vazio” por assim dizer. E assim como o primeiro filme brinca bastante com os cariocas no Rio de Janeiro, gostaria de ter visto mais da cultura de quem vive mais pra cima do Brasil, exatamente na região da floresta Amazônica – que por sinal cobre vários estados e regiões do país e o filme não deixa muito claro aonde exatamente o Blu e Jade estão – ou esse detalhe me escapuliu a atenção.

O primeiro Rio é sobre uma americana e um pássaro (que apesar de ter nascido no Brasil foi criado nos Estados Unidos) que saem de seu pequeno mundinho e são arrastados para um país com uma cultura e clima totalmente diverso a qual estão acostumados. E eles precisam se adaptar a essa nova realidade. Rio 2 tem muito pouco desse conceito, me lembrando um pouco mais aquele padrão americanos de filme família como Entrando Numa Fria. Apesar da geografia ainda deixar Blu desconfortável, há toda a trama com um rival amoroso e com um sogro que não o aceita como ele é que são bem clichês nesse tipo de história e contexto. Me lembrei que Shrek 2 tem parte de sua trama centrada em conflitos semelhantes.

Porém mesmo com tudo isso, Rio 2 ainda é um filme muito mais divertido que o primeiro Rio! E talvez seja justamente porque ele perdeu parte de toda essa ladainha que dissequei nos parágrafos acima. Há boas piadas, bons personagens, e situações bacanas que seguram o interesse do filme do começo ao fim. E talvez o mérito desse ritmo cômico seja pelo retorno de Nigel, a cacatua de crista amarela, do primeiro Rio, que traz as melhores cenas e piadas de toda a animação e olha que Nigel e seus companheiros, um tamanduá e uma sapinha, atual em segundo plano da história quase que do início ao fim, com poucas interações direta com os protagonistas principais. Genial!

O filme também manda bem na qualidade visual da animação. É um dos filmes mais bonitos da Blue Sky até então, e olha que o primeiro Rio já era um espetáculo de cores e vivacidade. Outro elogio mais do que merecido se dá também a trilha sonora, que traz belas canções e aquele ritmo tipicamente brasileiro. Me pergunto o que os americanos devem sentir ao ouvir esse nosso ritmo tão original nas telonas por lá. pra gente é contagiante, mas e pra eles? Deve ser algo muito único. Pena que o ritmo musical suma um pouco depois do meio para o fim da história.

Outra coisa que gostaria de ter visto mais é a diversidade de novos personagens e animais. Nigel, por exemplo, pega um tamanduá, chamado Carlitos, para ser seu serviçal e como esse personagem é engraçado! Lembra demais o humor do Scrat de A Era do Gelo. O filme mostra outros animais de nossa fauna, como boto e até mesmo as piranhas, mas boa parte do novo elenco do filme são as araras azuis. O filme não causa o mesmo impacto de novos personagens diferentes e únicos como o primeiro Rio causou. E os velhos companheiros do primeiro filme estão ali, escondidos num terceiro plano de filme, só porque tirá-los da sequência seria muita mancada. E ainda bem que mantiveram esses personagens na história.

Talvez esse texto esteja dando a impressão de que não gostei de Rio 2 ou de que esteja apenas apontando aquilo que achei que poderia ser melhor. Não é isso. Eu realmente gostei da animação, muito mais do que o primeiro Rio. Apenas queria que ele tivesse sido tão “fora da curva” quando o primeiro foi. Rio 2 joga de uma maneira confortável, apostando no que dá certo, sem tentar reinventar demais as coisas. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo. Talvez uma animação, voltada muito mais ao público infantil, não precise mesmo de nada disso. E a minha opinião não reflete a mesma opinião do público alvo, obviamente.

E será que sobrou espaço para um Rio 3? O nome da franquia talvez já esteja ficando um pouco fora de seu contexto, ainda mais da forma como o segundo filme termina….

Quem ainda não assistiu, assista!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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